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Natal recebe tributo à Ave Sangria

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Há discos que atravessam o tempo. Não apenas porque envelhecem bem, mas porque carregam dentro de si uma época inteira. O álbum Ave Sangria, lançado em 1974, é um desses casos raros. Nascido em meio aos anos mais duros da ditadura militar, o trabalho transformou poesia, rebeldia, rock psicodélico e sonoridades nordestinas em uma obra que, mais de cinco décadas depois, continua sendo descoberta por novas gerações.

Nesta sexta-feira (12), às 20h30, o público potiguar terá a oportunidade de reencontrar esse capítulo fundamental da música brasileira. O Backstage Bar, em Natal, recebe o primeiro Tributo à Ave Sangria realizado na cidade, com a execução integral do disco de estreia da banda pernambucana e a presença de dois de seus integrantes históricos: Marco Polo Guimarães e Almir de Oliveira.

Mais do que um show, a noite promete ser um encontro entre memória e resistência cultural.

Formada no Recife do início dos anos 1970, a Ave Sangria surgiu em um período de intensa efervescência artística e repressão política. Enquanto a censura tentava enquadrar comportamentos e discursos, a banda apostava na liberdade criativa, misturando influências do rock internacional com referências da cultura nordestina em uma linguagem que escapava a classificações fáceis.

O resultado foi um dos trabalhos mais singulares da música brasileira. Embora tenha tido uma trajetória interrompida precocemente, em parte pelos efeitos da censura e das dificuldades impostas pelo regime militar, a Ave Sangria construiu uma obra que resistiu ao esquecimento. Com o passar dos anos, seu único álbum de estúdio tornou-se objeto de culto entre pesquisadores, colecionadores, músicos e admiradores do rock nacional.

Em Natal, a missão de revisitar esse repertório ficará a cargo da banda Cajarana, liderada pelo músico Manu de Olinda. A apresentação ganha contornos históricos com a participação de Marco Polo Guimarães e Almir de Oliveira, artistas que ajudaram a construir a identidade sonora da própria Ave Sangria e que estarão no palco compartilhando com o público as canções que marcaram uma geração.

A programação também abre espaço para o presente da música potiguar. O Coletivo Viramundo Potiguar fará o show de abertura, levando ao palco composições autorais marcadas por influências do manguebeat, da música popular nordestina e das experiências culturais das periferias. Em diálogo com a herança deixada pela Ave Sangria, o grupo representa uma nova geração de artistas que segue transformando a arte em ferramenta de expressão, crítica social e afirmação cultural.

A conexão não é casual. Se nos anos 1970 a Ave Sangria buscava romper fronteiras estéticas e comportamentais, hoje coletivos e artistas independentes continuam produzindo música a partir das margens, reinventando linguagens e ampliando vozes historicamente invisibilizadas.

Por isso, o encontro desta sexta-feira ultrapassa o caráter comemorativo. É uma celebração da capacidade da cultura de sobreviver ao tempo, de atravessar gerações e de seguir provocando inquietações. Entre guitarras psicodélicas, poesia e experimentação sonora, Natal receberá uma das bandas mais emblemáticas da história da música brasileira — não como uma relíquia do passado, mas como uma obra que continua dialogando com o presente.

Serviço

Tributo à Ave Sangria

Quando: sexta-feira, 12 de junho, às 20h30

Onde: Backstage Bar, Natal (RN)

Atrações: Cajarana (Manu de Olinda), Marco Polo Guimarães e Almir de Oliveira (Ave Sangria)

Abertura: Coletivo Viramundo Potiguar

Ingressos: R$ 30,00, na portaria

Fonte: saibamais.jor.br

Iniciativa investe em novos roteiros e amplia formação audiovisual no interior do RN

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Transformar uma ideia em filme costuma ser um dos desafios mais difíceis para quem escreve cinema. A produtora Casa da Praia Filmes abriu as inscrições para a quarta edição do Casa da Praia Lab, iniciativa voltada à formação de roteiristas e ao fortalecimento da cadeia audiovisual do Rio Grande do Norte. Com o tema “Esquina Criativa”, a nova edição selecionará 15 projetos de longa-metragem em fase de desenvolvimento, todos de autores e autoras potiguares. A proposta é oferecer um ambiente de criação, troca de experiências e aprimoramento de projetos que ainda estão em construção, estimulando o surgimento de novas narrativas ligadas ao território e às identidades do estado.

As inscrições seguem abertas até 3 de julho, por meio de edital. Os projetos escolhidos participarão de um laboratório presencial em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, período em que os roteiristas terão acesso a mentorias, palestras, atividades formativas e sessões de apresentação de projetos.

Segundo o cineasta Pedro Fiuza, fundador da Casa da Praia Filmes, o laboratório nasceu da constatação de que projetos do Rio Grande do Norte historicamente ocupavam poucos espaços em programas de desenvolvimento audiovisual realizados no país e no exterior.

“A proposta é criar condições para que mais realizadores do estado consigam desenvolver seus projetos e ampliar a presença do Rio Grande do Norte no cinema brasileiro contemporâneo”, afirma.

Além da formação, cada participante receberá uma bolsa de R$ 1.500, investimento que soma R$ 22,5 mil destinados diretamente aos selecionados. A iniciativa busca ampliar as condições para que roteiristas desenvolvam seus trabalhos de forma mais estruturada e possam acessar futuras oportunidades de financiamento e circulação.

Ao longo de sua trajetória, a Casa da Praia Filmes acumulou reconhecimento dentro e fora do país. Entre as produções da empresa estão o curta-metragem “Sideral”, exibido no Festival de Cannes e incluído na shortlist do Oscar 2023, além de “Big Bang”, premiado no Festival de Locarno, e dos filmes “Fendas” e “Vai Melhorar”.

Formação em diferentes regiões do estado

Além do laboratório principal, o projeto prevê uma série de ações formativas voltadas à descentralização do acesso ao audiovisual. Serão realizadas oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em Natal, Mossoró, Caicó e Santa Cruz, alcançando as quatro mesorregiões potiguares.

A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 100 participantes. As atividades terão caráter introdutório e formativo, buscando aproximar novos interessados da escrita para cinema.

Outra ação prevista é a realização de uma mostra com filmes que tiveram origem em edições anteriores do Casa da Praia Lab. A programação pretende apresentar ao público os resultados concretos alcançados pelos projetos que passaram pelo processo de desenvolvimento promovido pela iniciativa.

O Casa da Praia Lab mantém o compromisso com políticas de inclusão e ações afirmativas. A seleção reservará vagas para mulheres cis e trans, pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas não binárias, jovens realizadores e participantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

A descentralização territorial também está entre as prioridades do projeto. Das 15 vagas disponíveis, pelo menos cinco serão destinadas a roteiristas residentes fora da Região Metropolitana de Natal. A organização também prevê a presença de, no mínimo, um participante de cada mesorregião do Rio Grande do Norte.

A edição de 2026 contará com uma equipe formada por profissionais atuantes no audiovisual potiguar, entre eles Mariana Hardi, Larissa Sales, Vitor Bezerra e Gabriel Florentino. Entre os tutores convidados estão Ana Carolina Marinho e Edu Araújo.

O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, através do Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França.

SAIBA MAIS:
Formação em roteiro impulsiona narrativas LGBTQIAP+ no cinema potiguar

Fonte: saibamais.jor.br

Desmatamento cai 22% no RN enquanto estado amplia áreas protegidas da Caatinga

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O Rio Grande do Norte reduziu em 22% a área desmatada em 2025, acompanhando uma tendência observada em todo o país. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), da iniciativa MapBiomas Alerta, que aponta uma queda de 20,6% no desmatamento nacional e registra, pela primeira vez desde 2019, menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa suprimidos em um único ano.

No território potiguar, a área desmatada passou de 6.121 hectares em 2024 para 4.759 hectares em 2025. O estado manteve a 17ª posição no ranking nacional de desmatamento, mas apresentou desempenho superior à média brasileira. Enquanto o país registrou redução de 20,6%, o recuo no Rio Grande do Norte foi de 22%.

Os números também refletem a situação da Caatinga, bioma predominante no estado. Em toda a área de abrangência do bioma, o desmatamento caiu 25,9%, passando de 174,1 mil para 128,9 mil hectares. O número de alertas também diminuiu 16,6%, caindo de 17.797 para 14.838 registros.

No cenário regional, o Rio Grande do Norte aparece atrás de estados vizinhos como Sergipe e Alagoas em volume de alertas e áreas impactadas, mas registra índices significativamente menores que Bahia, Ceará e Piauí, que concentram parte importante da pressão sobre a Caatinga. Dados do MapBiomas mostram que Bahia e Ceará figuram entre os estados com maior quantidade de alertas de desmatamento do país em 2025.

Apesar do avanço, os dados mostram que o desafio da conservação permanece. O diretor técnico do Idema, Thales Dantas, atribui parte dos resultados ao fortalecimento das ações de monitoramento ambiental e ao uso de sistemas de satélite capazes de ampliar a detecção de áreas desmatadas:

“A Caatinga representa um dos principais patrimônios naturais do estado, reunindo biodiversidade adaptada ao semiárido e desempenhando papel fundamental na conservação dos recursos hídricos, no equilíbrio climático e na manutenção dos modos de vida das populações tradicionais”, afirmou.

A redução do desmatamento ocorre em um momento em que o governo estadual busca ampliar instrumentos de proteção ambiental. Em maio deste ano, foi criado o Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras (Revis Serra das Araras), considerado a maior unidade de conservação da Caatinga no Rio Grande do Norte.

Com área de 12.367 hectares distribuída entre os municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, a unidade foi criada para proteger ecossistemas estratégicos do semiárido, além de incentivar atividades como pesquisa científica, educação ambiental e turismo de observação de aves.

“O Revis Serra das Araras nasce como símbolo do equilíbrio entre conservação e desenvolvimento. É uma iniciativa que fortalece a proteção da Caatinga e reconhece o papel das comunidades locais na construção de soluções sustentáveis”, afirmou o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt.

Segundo o MapBiomas, todos os biomas brasileiros apresentaram redução do desmatamento em 2025. A Caatinga, embora apresente queda consistente, segue entre os biomas que demandam atenção devido à pressão exercida pela expansão agropecuária e pela degradação ambiental.

Conservação no Seridó
A criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras (Revis Serra das Araras) representa um dos principais avanços recentes da política ambiental potiguar. Instituída pelo Governo do Estado em 2026, a unidade de conservação tornou-se a maior área de proteção integral da Caatinga em território potiguar, abrangendo 12.367 hectares distribuídos entre os municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos.

A área foi criada para proteger ecossistemas considerados estratégicos para a conservação da biodiversidade do semiárido, garantindo abrigo para espécies da fauna e da flora nativas e contribuindo para a manutenção dos recursos hídricos da região. Na categoria de Refúgio de Vida Silvestre, a unidade permite atividades de pesquisa científica, educação ambiental e turismo ecológico, desde que compatíveis com seus objetivos de conservação.

SAIBA MAIS:
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Fonte: saibamais.jor.br

Sistema Único de Assistência Social no RN recebe mais 14 novos veículos

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A governadora Fátima Bezerra e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) entregaram, nesta quinta-feira (11), uma frota de 14 veículos ao Governo do Rio Grande do Norte em solenidade na Escola de Governo, em Natal. A nova frota é composta por 11 caminhonetes e três vans para ampliar a mobilidade das equipes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

“Este é um momento que dá sentido à vida pública por que estamos entregando equipamentos voltados à área social no RN. Assim como o SUS, o SUAS é uma das mais belas conquistas do nosso povo. O SUAS orienta e íntegra as políticas e ações para chegar à casa das pessoas. Estes equipamentos chegam para que os municípios, cada vez mais, exerçam sua função de atender as pessoas”.

O secretário executivo Osmar Ribeiro, representante do MDS na solenidade, afirmou que a assistência social nasceu para apoiar quem precisa. “Estamos entregando não só veículos, mas estrutura para a rede de assistência funcionar efetivamente, atender prioridades e produzir resultados.

”Titular da Seths, Íris Oliveira destacou que proporcionar “mobilidade é fazer as equipes chegarem às pessoas. Estamos entregando veículos adequados para trafegar em todo tipo de estrada.” A secretária acrescentou que o Senado precisa votar a Proposta de Emenda Constitucional que define a política pública de assistência social no Brasil. “Para tirar o SUAS da escassez, para estruturar o setor e fazer valer efetivamente esta política pública”.

Dos 14 veículos entregues ao MobSUAS, 11 são camionetes e 03 vans, doadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

DESTINAÇÃO

A utilização dos veículos tem por objetivo aprimorar o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade e garantir a mobilidade/transporte às pessoas usuárias dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos atendidos pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). São de uso exclusivo do SUAS nos municípios. Os veículos podem ser destinados tanto a equipamentos públicos estatais, como os CRAS e CREAS, quanto a entidades não governamentais, desde que estejam devidamente inscritas no Cadastro Nacional de Entidades de Assistência Social (CNEAS).

Os veículos do MobSUAS também vão realizar atendimento móvel a pessoas inscritas no Cadastro Único e utilizados para o transporte das equipes de trabalhadoras e trabalhadores do sistema nos municipais para capacitações, cursos e eventos.

Os 14 municípios do RN contemplados pelo MobSUAS são: Água Nova, Apodi, Campo Redondo, Coronel Ezequiel, Frutuoso Gomes, Jaçanã, Goianinha, Major Sales, Montanhas, São Rafael, Lajes, Jucurutu, Tibau e Poço Branco. No dia 23 de março, também na Escola de Governo, a governadora Fátima Bezerra e o ministro Wellington Dias entregaram outras 25 vans ao MobSUAS que já estão em atividade nos municípios do Rio Grande do Norte.

A solenidade contou ainda com a participação do presidente do Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS RN), Adriano Gomes – também secretário-adjunto da SETHAS; da deputada Isolda Dantas, representando a Assembleia Legislativa; prefeitos e representantes das secretarias de assistência social dos municípios contemplados; da presidenta do COEGEMAS, Zilmara Karina da Silva Bezerra, que também é secretária Municipal de Assistência Social do Município de Pendências.

Centrais dizem que PEC de Rogério Marinho abre caminho para “escala 7×0”

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Oito centrais sindicais denunciaram, em manifesto, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026 apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL) que permite ampliar a possibilidade de negociação direta sobre jornadas de trabalho entre empresas e trabalhadores. De acordo com as centrais, o texto promove a precarização do emprego.

“Trata-se de um retrocesso que abre caminho para aberrações como uma eventual ‘escala 7×0’. Não é difícil imaginar as consequências para o trabalhador que se recusar a cumprir exigências desumanas em um ambiente de trabalho submetido a tamanha pressão”, aponta o documento.

“Na vida real, o empregado não negocia em condições de igualdade. Muitas vezes, é levado a aceitar jornadas exaustivas porque os salários são insuficientes para cobrir suas necessidades básicas. Daí a importância do sindicato e da legislação trabalhista como instrumentos de proteção”, prossegue a carta.

O texto defende que o fim da escala 6×1 responde aos anseios de trabalhadores que enfrentam longas jornadas e baixos salários, “uma realidade que amplia os lucros patronais enquanto impõe aos empregados os limites da mera sobrevivência”.

“As vozes que hoje defendem a remuneração por hora estão, na prática, propondo o fim do descanso semanal remunerado (DSR). Da mesma forma, a defesa da negociação direta com o patrão busca enfraquecer a organização sindical e a negociação coletiva, pilares reconhecidos pelas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e presentes nas democracias contemporâneas. Cabe, então, a pergunta: essas vozes do setor patronal estão realmente preocupadas com a produtividade e o desenvolvimento humano ou com a preservação de mecanismos históricos de coerção e de manutenção dos privilégios de classe?”, questiona o documento.

A carta é assinada pelos presidentes Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT (União Geral dos Trabalhadores); Adilson Araújo, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Antonio Neto, da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros); Sonia Zerino, da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores); José Gozze, da Pública; e Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical.

Denúncia à OIT

Em outra frente, as mesmas centrais sindicais brasileiras entregaram nesta terça-feira (10), durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça, uma carta ao diretor-geral da entidade, Gilbert F. Houngbo, em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fortalecimento da negociação coletiva.

O documento manifesta preocupação com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê a prevalência de acordos individuais sobre instrumentos coletivos de trabalho, além da possibilidade de contratação por horas efetivamente trabalhadas e da proporcionalização de direitos sociais.

Na carta, as centrais afirmam que a proposta surge justamente no momento em que avança no Brasil o debate sobre a redução da jornada para 40 horas semanais, com duas folgas por semana e a superação da escala 6×1. As centrais ainda reforçam que a PEC representa um retrocesso ao deslocar o centro das relações de trabalho para a pactuação individual direta entre empregado e empregador.

“A consequência prática é a possibilidade de fragmentação da jornada, instabilidade da renda e proporcionalização de direitos sociais historicamente vinculados à proteção da dignidade humana no trabalho”, alertam as centrais.

O documento sustenta que a PEC nº 12/2026 contraria as Convenções nº 98 e nº 154 da OIT, ambas ratificadas pelo Brasil, que estabelecem a promoção da negociação coletiva como instrumento fundamental para a regulação das relações de trabalho.

As entidades também criticam a campanha promovida por organizações patronais em defesa da proposta, argumentando que ela busca enfraquecer a representação sindical e substituir a negociação coletiva por acordos individuais entre trabalhadores e empregadores.

O que diz a PEC de Rogério Marinho

O texto foi apresentado horas depois da Câmara dos Deputados aprovar a matéria que acaba com a escala 6×1 e estabelece uma jornada de trabalho de 40 horas semanais com dois dias de descanso. 

A PEC de Rogério, apresentada como uma alternativa ao fim da escala 6×1, permite a opção entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. A proposta altera o art. 7º da Constituição Federal para assegurar a livre pactuação contratual entre empregado e empregador, mantendo garantias trabalhistas. Ao todo, 36 senadores da oposição assinam o texto protocolado no Senado Federal, entre eles o também senador do RN Styvenson Valentim (Podemos).

Saiba Mais: Rogério Marinho reage ao fim da escala 6×1 com PEC do “horário flexível”

A proposição estabelece que o trabalhador poderá optar por um regime flexível de jornada, preservando direitos como férias, décimo terceiro salário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e demais benefícios legais. 

A matéria também prevê que o valor mínimo da hora trabalhada deverá respeitar proporcionalmente o salário mínimo nacional ou o piso da categoria profissional. Rogério Marinho sustenta que a medida busca modernizar as relações de trabalho,”respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade” para adaptar sua rotina às necessidades pessoais e às demandas do mercado de trabalho.

Saiba Mais: Senadores abandonam PEC de Rogério Marinho após pressão

Fonte: saibamais.jor.br

Pré-candidatura de Jorge do Rosário ganha reforço de lideranças dos guardas municipais do RN

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A pré-candidatura de Jorge do Rosário (PL) à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte segue conquistando novos apoios. Desta vez, a caminhada recebeu a adesão do diretor do Sindicato dos Guardas Municipais do Rio Grande do Norte (SINDIGUARDAS-RN), Heber Monteiro, e do assessor Michael, que passam a integrar o projeto político liderado por Jorge.

A aproximação ocorre em torno da defesa das pautas dos guardas civis municipais, categoria que busca avanços em reivindicações históricas relacionadas à valorização profissional.

“Estamos juntos defendendo a pauta dos guardas civis, principalmente a recomposição salarial e os ajustes na questão previdenciária”, destacou Jorge.

Heber e Michael afirmaram que a categoria está mobilizada e unida na luta pelos seus direitos e veem em Jorge uma voz importante para fortalecer a defesa das demandas dos guardas municipais no Legislativo estadual.

Com atuação em diversas regiões do Rio Grande do Norte, as lideranças destacaram a importância de ampliar a representatividade da categoria e reforçaram a confiança no compromisso de Jorge com as pautas da segurança pública municipal.

Hospital de Mossoró gera embate entre secretários do Estado e município

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O modelo do Hospital Municipal de Mossoró virou motivo de embate entre o secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, e a secretária da Saúde da cidade, Morgana Dantas. Em vídeo nas redes sociais, Motta disse que a unidade vive um “jogo de aparências” por não funcionar 24 horas e não ter UTI, e direcionou as críticas ao pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União), que era o prefeito durante a inauguração do equipamento, em janeiro. Morgana Dantas retrucou, e na tréplica Motta afirmou que o principal problema da saúde do município é a falta de leitos de internamento.

Tudo começou na terça-feira (9). Em uma gravação, o titular da Saúde estadual disse que Allyson faz valer mais a imagem do que a realidade e classificou o equipamento como uma policlínica.

“A Policlínica realiza exames eletivos e realiza também cirurgias eletivas de baixo risco, em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação. Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim, os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos. Lá também não dispõe de atendimento noturno, nem de fim de semana, nem de UTI. E por que o candidato insiste em chamar de hospital, o que não é?”, questionou.

O titular da Sesap ainda perguntou qual é o projeto de Bezerra para o estado e afirmou que, embora importantes, as ações do equipamento não são determinantes para mudar o rumo da saúde em Mossoró ou na região Oeste. 

“O Tarcísio Maia vive sobrecarregado, apesar de contar com 219 leitos de internamento. E as UPAs de Mossoró também. E a razão é a mesma. Faltam leitos de retaguarda na região. A presença de um hospital, de fato, aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada. Faltou pé no chão para o prefeito candidato, quando escolheu pular o óbvio, em razão das aparências, mais uma vez”.

Morgana Dantas responde

Em réplica, a secretária municipal Morgana Dantas acusou Alexandre Motta de ser o “pior secretário de saúde da história do Rio Grande do Norte” e disse que o médico teria mentido sobre a unidade.

“Realizamos, até hoje, 647 pequenas cirurgias, quase 500 cirurgias gerais e ginecológicas, com toda a assistência necessária. Já são quase 9 mil atendimentos, entre consultas, exames e cirurgias. Vidas transformadas, funcionando a pleno vapor, diferente do Hospital da Mulher, por exemplo, que vocês inauguraram em 2022 e deixaram 32 meses sem fazer nenhum parto”, argumentou.

Fotos: reprodução

Em outra passagem, Dantas ainda minimizou as críticas sobre o nome e disse que “Mossoró não quer saber de nomenclatura”.

“Secretário, hospital não se mede pelo nome que você quer dar a ele. Hospital se mede pelo impacto que tem na vida das pessoas”, disse.

Pior época da Saúde do RN foi no governo Robinson, aliado de Allyson, responde Motta

Em resposta à acusação da secretária municipal sobre sua gestão, Alexandre Motta gravou novo vídeo em que disse que o pior período para a saúde do Rio Grande do Norte foi vivido durante o governo de Robinson Faria. 

“De lá pra cá, aumentamos 10% o número de leitos de internamento, dobramos os leitos de UTI, só em Mossoró saímos de 9 para 54. As cirurgias eletivas saíram de 30 mil para 95 mil por ano”, elencou.

Ainda segundo ele, hoje existe linha de tratamento do infarto em todo o Estado, citando ainda a interiorização da saúde, como na Regional de Pau dos Ferros, de Caicó, de Assú, Hospital da Mulher e a Barreira Ortopédica em Macaíba. 

“Eu não desqualifico ninguém. Eu sou secretário de Saúde e sei das dificuldades minhas e das demais secretarias municipais. E eu respeito a secretária Morgana. Já visitei-a por duas vezes. Mas vamos aos pontos. A regulação de leitos de Mossoró é função da Prefeitura Municipal. A crítica não cabe. O Hospital da Polícia faz cirurgias de ortopedia de média e alta complexidade. E tem médico 24 horas por dia, inclusive no final de semana. Se precisar de UTI, vai para o Tarcísio. O Hospital da Mulher abriu em fases e já realizou mais de 1.300 partos”, apontou.

“O principal problema da saúde de Mossoró é a falta de leitos de internamento. E é isso que sobrecarrega as UPAs e o Tarcísio. A Policlínica é importante, mas não resolve esse problema. O Estado já faz sua parte. São 406 leitos só em Mossoró. Falta Mossoró fazer. Você sabe bem o que foi o governo Robinson e como é agora. O que talvez você não saiba é que hoje Robinson anda de mãos dadas com o candidato Allyson”, finalizou.

Fonte: saibamais.jor.br

Tavares, a falácia da autonomia do BC e o PIX como instrumento de soberania

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*por Marcus Demétrios – Especialista em Gestão Pública Municipal e presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Parnamirim/RN.

“O Banco Central não pode ser um feudo do mercado e o PIX não pode virar o pedágio dos traidores da pátria : a verdadeira soberania é o dinheiro a serviço do povo.”

A economia não é uma ciência neutra, asséptica e descolada do suor e do sangue daqueles que constroem uma nação. Poucas vozes na história do Brasil compreenderam e ecoaram essa verdade com tanta contundência quanto a economista Maria da Conceição Tavares. Com seu raciocínio brilhante e indignação visceral, Tavares nos ensinou a enxergar as entranhas do sistema financeiro brasileiro não como um motor de desenvolvimento, mas como uma engrenagem de extração de riqueza. Para ela, o “rentismo” — a prática de lucrar com juros sobre a dívida pública em vez de investir na produção — sequestrou o Estado brasileiro, transformando a política macroeconômica em um mecanismo de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos. 

É munidos dessa lente analítica, profundamente enraizada na defesa do desenvolvimento e da soberania nacional, que precisamos examinar duas pautas cruciais que hoje disputam o futuro econômico do país: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa conceder autonomia financeira e administrativa ao Banco Central, e o Projeto de Lei da Deputada Benedita da Silva (PT/RJ), que declara o PIX como infraestrutura estratégica nacional. Uma representa a rendição definitiva ao capital financeiro; a outra, a defesa inegociável do que é público. 

A “Autonomia” como Eufemismo para a Captura do Estado 

A PEC que propõe transformar o Banco Central do Brasil em uma empresa pública, desvinculando-o do orçamento da União e garantindo-lhe autonomia financeira absoluta, é o ápice do projeto que Maria da Conceição Tavares combateu por toda a sua vida. O argumento oficial, travestido de modernidade técnica, alega que a medida blindaria a instituição de “interferências políticas”. A pergunta que a professora Tavares nos instigaria a fazer, no entanto, é imediata: autonomia em relação a quem?

Na prática, afastar o Banco Central do escrutínio do poder Executivo eleito democraticamente não o torna neutro; apenas transfere sua subordinação das urnas para o mercado financeiro. A política monetária — a definição da taxa de juros que encarece a vida do trabalhador e asfixia o setor produtivo — passa a ser ditada exclusivamente pela “Faria Lima”, sem qualquer compromisso com a geração de emprego ou o crescimento econômico.

Para Tavares, o Estado precisa ser o indutor do desenvolvimento. Entregar o controle absoluto da moeda e das finanças a uma tecnocracia alinhada aos interesses dos bancos privados é abrir mão da soberania. É constitucionalizar a ditadura do rentismo. Uma nação que não tem controle sobre seu próprio sistema nervoso financeiro é uma nação condenada à subalternidade, onde o lucro especulativo prevalece sobre a produção industrial e o bem-estar social. 

O PIX e a Defesa da Soberania Popular 

Em diametral oposição à lógica de privatização do Estado, encontra-se o Projeto de Lei da Deputada Benedita da Silva, que busca proteger uma das maiores conquistas tecnológicas e sociais recentes do Brasil: o PIX. Ao propor que o sistema seja declarado infraestrutura estratégica nacional, a deputada ergue um escudo contra as já visíveis tentativas de cooptação e tarifação por parte dos grandes bancos e de interesses internacionais.

O PIX é um patrimônio construído pelo Estado brasileiro. Sua gratuidade e eficiência promoveram um nível de inclusão bancária sem precedentes, permitindo que o feirante, o trabalhador informal e a pequena empresa movimentem recursos sem pagar os pedágios exorbitantes (como as antigas taxas de TED e DOC) historicamente cobrados pelos oligopólios bancários. Justamente por ter tirado bilhões de reais em tarifas das mãos dos bancos, o PIX tornou-se alvo da cobiça do mercado, que busca brechas para privatizar ou taxar seu uso.

A proposta de Benedita da Silva dialoga diretamente com o pensamento de Maria da Conceição Tavares ao reafirmar que a tecnologia e a infraestrutura financeira do país devem servir ao povo, e não ao acúmulo de capital privado. Declarar o PIX como infraestrutura de interesse nacional é um ato de afirmação de soberania. Significa dizer que o Estado tem o dever de fornecer vias públicas gratuitas e seguras para o tráfego do dinheiro da população. 

Um Cruzamento Histórico 

O contraste entre essas duas proposições legislativas expõe a fratura ideológica que define o Brasil contemporâneo. Apoiar a PEC da autonomia do Banco Central é aceitar a premissa de que o povo não tem maturidade para decidir os rumos de sua economia, terceirizando essa função aos credores da dívida pública. Por outro lado, apoiar o PL do PIX estratégico é reconhecer que o Estado possui capacidade e legitimidade para criar soluções que democratizam a vida econômica.

Maria da Conceição Tavares chorou, em rede nacional, ao constatar as crueldades que o sistema financeiro impunha aos mais vulneráveis. Seu choro nunca foi de fraqueza, mas de uma profunda consciência de classe e compromisso com a nação. À luz de seu pensamento, a posição política exigida neste momento histórico é clara: precisamos rejeitar a PEC da autonomia do Banco Central com a mesma força com que devemos aprovar o Projeto de Lei de Benedita da Silva.

Defender a gestão pública da nossa moeda e a gratuidade da nossa infraestrutura de pagamentos não é apenas uma questão de técnica legislativa. É a luta contínua, que Tavares nos legou, para garantir que o Brasil seja, de fato, o dono de seu próprio destino.

Fonte: saibamais.jor.br

Famílias de 12 potiguares vítimas da ditadura receberão certidões de óbito retificadas

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As famílias de 12 potiguares vítimas da ditadura receberão na próxima segunda-feira (15), em Natal, as certidões de óbito retificadas de seus entes. A solenidade acontece às 18h no auditório da Reitoria da UFRN e é uma iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).

Na lista, estão os nomes de Anatália de Souza Alves de Melo, Edson Neves, Emmanuel Bezerra dos Santos, Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa, Hiram de Lima Pereira, José Silton Pinheiro, Lígia Maria Salgado Nóbrega, Luiz Gonzaga, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Sebastião Gomes, Virgílio Gomes da Silva e Zoé Lucas de Brito. Eles eram militantes de organizações de resistência e foram mortos e desaparecidos por perseguição política na ditadura militar.

Para Jana Sá, presidenta do Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte, a entrega das certidões de óbito retificadas representa muito mais do que a correção de um documento. 

“É um ato de reparação histórica e de reconhecimento da verdade. Durante décadas, familiares de mortos e desaparecidos políticos conviveram não apenas com a dor da perda, mas também com versões falsas produzidas pelo próprio Estado para ocultar crimes cometidos durante a ditadura militar”, aponta.

“Cada certidão retificada reafirma que essas mulheres e homens não morreram por acaso. Foram vítimas da perseguição política de um regime que violou direitos, perseguiu opositores, torturou, matou e fez desaparecer cidadãos brasileiros. Reconhecer isso oficialmente é um dever democrático”, afirma Jana Sá.

De acordo com ela, para as pessoas que atuam na luta por Memória, Verdade e Justiça, a solenidade é também um compromisso com o presente e com o futuro. 

“Não se trata apenas de olhar para o passado, mas de garantir que as novas gerações conheçam essa história e compreendam que a democracia exige memória, responsabilidade e respeito aos direitos humanos.”

A solenidade é também um momento de alívio para as famílias. A jornalista Erta Souza, prima de Virgílio Gomes, diz que receber a certidão de óbito do seu familiar é um marco tardio, mas indispensável. 

“Essa reparação histórica traz dignidade para sua memória e para a família que perdeu um ente querido torturado durante o regime militar. Momentos como esse são importantes para que os jovens saibam das atrocidades enfrentadas pelo país e reforcem a luta pela democracia brasileira”, diz Erta Souza.

A deputada federal Natália Bonavides (PT), integrante da Comissão na Câmara dos Deputados, destaca que o evento será também um espaço de homenagem e reparação.

“Além de um momento de renovação do nosso compromisso com a democracia e com as gerações futuras, será um espaço de resistência, memória, justiça e reparação com as famílias enlutadas por seus parentes que ousaram desafiar a ditadura militar. Honrar e visibilizar a luta dos e das potiguares  vítimas da ditadura é dever nosso e não recuaremos”, afirma.

A iniciativa compõe o calendário de ações da CEMDP voltadas à promoção da justiça de transição no país e vão marcar a quarta entrega do tipo em 2026. Outros eventos já ocorreram recentemente em Salvador, Fortaleza e Recife.

A ação cumpre a Resolução n.º 7 da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e a Resolução n.º 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinam a correção da causa de morte, indicando ação violenta do Estado.

O evento reunirá familiares das vítimas, integrantes da CEMDP e autoridades dos poderes Executivo e Judiciário. A retificação das certidões é realizada em parceria com o CNJ e o Operador Nacional do Registro Civil de Pessoas Naturais.

Quem são

Anatália de Souza Melo Alves

Nasceu no município de Frutuoso Gomes, Rio Grande do Norte. Quando tinha cinco anos, Antália mudou-se para Mossoró, onde completou sua educação básica. Posteriormente, trabalhou na Cooperativa de Consumo Popular. Após casar-se, mudou-se para Recife, onde aproximou-se do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em dezembro de 1972, foi presa pelo DOI-CODI e levada para um local desconhecido. Sua prisão só foi registrada 26 dias após o sequestro. Oficialmente, sua morte foi declarada como suicídio, porém evidências sugerem tortura e violência sexual, incluindo queimaduras nos órgãos genitais.

Édson Neves Quaresma

Edson Neves Quaresma, nascido no Rio Grande do Norte, ingressou na Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco em 1958. Em 1964, foi preso no contexto da repressão à revolta dos marinheiros, sendo expulso da Armada no final do mesmo ano. Após viver na clandestinidade e receber treinamento em Cuba, retornou ao Brasil em 1970 como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Desapareceu em 5 de dezembro de 1970, oficialmente em um confronto armado, mas investigações posteriores sugerem sua execução pelos agentes do Estado.

Emmanuel Bezerra dos Santos

Emmanuel Bezerra dos Santos, nascido no Rio Grande do Norte, teve uma trajetória marcada pelo ativismo político desde jovem. Fundou jornais e destacou-se no movimento estudantil universitário, sendo presidente da Casa do Estudante, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN, integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Após ser preso durante a Ditadura Militar, continuou sua atuação na clandestinidade, envolvendo-se em viagens internacionais para unir exilados brasileiros. Foi morto em setembro de 1973, junto a Manuel Lisboa de Moura, em São Paulo, sob circunstâncias obscuras, com relatos de tortura e mutilação do corpo.

Gerardo Magela Fernandes

Potiguar, Gerardo Magela, poeta e jornalista do jornal Bidu, ativo na mobilização da juventude do interior paulista, cursou Medicina em Sorocaba, onde liderou o movimento estudantil. Sua morte em 1973, oficialmente considerada suicídio ao pular do viaduto do Chá, foi contestada pela família, que alegou prisão e assassinato por agentes da Oban. O laudo necroscópico, assinado por médicos-legistas conhecidos por emitir laudos falsos de morte de presos políticos, é questionado. Acredita-se que seu sepultamento no Cemitério de Perus, sob grafia equivocada e marcado com um “T”, símbolo utilizado pela repressão para identificar militantes, indica sua ligação com o movimento político.

Hiran de Lima Pereira

Hiran de Lima Pereira, nascido no Rio Grande do Norte, teve uma vida marcada pela militância política desde sua prisão em 1935 após o levante comunista. Ele foi eleito deputado federal em 1946 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas teve seu mandato cassado em 1948. Depois de se mudar para Recife, trabalhou como redator de jornal e secretário de administração municipal. Após o golpe militar de 1964, viveu clandestinamente e em 1975, desapareceu. Sua esposa, Célia Pereira, foi presa e torturada, mas afirmou ter visto Hiran sendo torturado em um centro clandestino. Documentos indicam que ele foi morto e seu corpo jogado no rio Novo, mas seus restos mortais nunca foram entregues à família.

José Silton Pinheiro

José Silton Pinheiro, nascido no Rio Grande do Norte, iniciou sua militância política durante o movimento estudantil e se tornou militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em dezembro de 1972, aos 23 anos, foi morto em ação comandada pelo DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro. Oficialmente, ele e outros quatro militantes do PCBR teriam morrido em confronto com as forças de segurança, mas evidências sugerem que foram mortos sob tortura ou execução, sendo seus corpos carbonizados dentro de um carro incendiado durante a operação. Documentos e testemunhos indicam que a ação foi resultado de informações obtidas por prisões anteriores e que não houve troca de tiros, mas sim uma encenação para encobrir as execuções.

Lígia Maria Salgado Nóbrega

Lígia Maria Salgado Nóbrega, nascida em Natal e criada em São Paulo, foi uma destacada militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) contra a ditadura militar. Morreu aos 24 anos durante a Chacina de Quintino, uma operação policial em uma casa usada pela VAR-Palmares no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1972. A versão oficial afirmava que ela morreu em confronto, mas investigações indicam que foi morta por disparos durante a invasão policial. Os corpos das vítimas não apresentavam vestígios de pólvora, sugerindo uma execução pelos agentes da repressão. Seu corpo foi enterrado no cemitério de São Paulo, após ter sido inicialmente registrado como desconhecido no Instituto Médico Legal.

Luiz Gonzaga dos Santos

Nasceu em Natal em 18 de junho de 1919 e possuía histórico de militância desde 1948, conforme documentos que revelam seu monitoramento. Foi eleito como vice-prefeito de Natal em 1964, no mandato de Djalma Maranhão. Teve o mandato cassado e recebeu ordem de prisão naquele mesmo ano, durante os primeiros dias da ditadura militar. Os jornais da época o consideravam um “político ligado às hostes esquerdistas e ao presidente João Goulart”. Ao ser liberado, mudou-se para Niterói (RJ), onde passou a atuar na profissão de comerciante. Luiz Gonzaga foi preso em 1º de agosto de 1967 e, por ser oficial do Exército, foi levado para o Quartel do Exército, no bairro de Neves, em Niterói (RJ), onde recebia visitas diárias da família. Julgado à revelia pela Auditoria da 7ª Região Militar, de Recife (PE), tinha sido condenado a 15 anos de prisão, em 16 de junho de 1967. Em setembro do mesmo ano, a família foi comunicada de que tinha sido transferido para Recife, para assinar um indulto. Dois dias depois, em 13 de setembro de 1967, receberam a informação de que Luiz Gonzaga havia morrido no Hospital Geral de Recife e que o corpo havia sido enterrado no cemitério de Santo Amaro, na mesma cidade. Em ofício datado de 11 de setembro de 1967, proveniente da Companhia de Guarda, encaminhado ao diretor do Hospital Geral de Recife, consta que, em consonância com um prévio entendimento verbal entre as autoridades, Luiz Gonzaga deveria ser internado no hospital por apresentar precário estado de saúde, decorrente de insuficiência cardíaca. A certidão de óbito datada de 13 de setembro de 1967, lavrada pelo médico Elói Farias Teles, informa que Luiz Gonzaga faleceu em razão de edema pulmonar agudo e insuficiência cardíaca. A relatoria da CEMDP considerou que Luiz Gonzaga não morreu de causas naturais, visto que o boletim do hospital informa que o paciente tinha a saúde bastante debilitada quando deu entrada e que apresentava “vômitos e falta de ar há três dias”, o que leva a crer que morreu em decorrência de maus-tratos e torturas que sofreu enquanto esteve preso.

Luiz Ignácio Maranhão Filho

Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado, professor e jornalista nascido em Natal, foi uma figura destacada no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso diversas vezes, ele foi submetido a torturas intensas durante a ditadura militar. Em 1974, foi preso novamente e desapareceu. Apesar de mais de 40 anos terem se passado, não há uma versão definitiva sobre seu desaparecimento. Documentos recentes indicam que ele foi preso pelo Estado brasileiro, mas nunca oficialmente reconhecido. Novas informações sugerem que ele foi torturado e morto durante a “Operação Radar”, uma ação para desmantelar o PCB. Seu corpo teria sido jogado no rio Novo ou na represa de Jurumirim, em São Paulo, mas o local exato de seu desaparecimento permanece desconhecido.

Sebastião Gomes dos Santos

Jovem lavrador, Sebastião Gomes dos Santos trabalhava com seus pais numa pequena gleba de terras na região de Papucaia, município de Cachoeiras do Macacu (RJ), obtida antes do golpe militar de 1964, no contexto das lutas camponesas da região. Entre 1967 e 1968, participou de atividades da Igreja Católica local, quando se aproximou do Comando de Libertação Nacional (Colina). O camponês Sebastião Gomes dos Santos foi morto em 30 de maio de 1969, em Cachoeiras do Macacu (RJ), quando uma equipe do Exército realizou uma ofensiva na área, em busca de um suposto foco guerrilheiro. De acordo com a falsa versão, teria morrido após resistir à ação de agentes do Estado, enquanto outros trabalhadores da localidade foram presos. No mesmo período, o ex-sargento Severino Viana Colou, que orientava politicamente os camponeses da região, foi preso numa operação dos órgãos de segurança. Colou foi encontrado morto em uma das celas da 1ª Cia. de Polícia do Exército da Vila Militar, no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 1969, dias antes da morte de Sebastião Gomes dos Santos. Tanto o corpo do camponês Sebastião Gomes dos Santos como o de Severino Viana Colou foram conduzidos ao IML/RJ somente no dia 2 de junho de 1969.

Virgílio Gomes da Silva

Nascido em Santa Cruz (RN), foi um operário, sindicalista e militante político que atuou no Partido Comunista do Brasil (PCB) e na Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele liderou o sequestro do embaixador dos EUA em 1969, libertando prisioneiros políticos. No entanto, foi capturado em uma emboscada pela Oban, em setembro de 1969, na cidade de São Paulo, e levado à tortura, onde morreu 12 horas após sua prisão. No mesmo dia, sua mulher Ilda e três de seus filhos também foram detidos. Apesar de evidências contundentes, os órgãos de segurança não esclareceram oficialmente sua morte. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Vila Formosa, mas seus restos mortais não foram identificados até hoje.

Zoé Lucas de Brito

Nascido em São João do Sabugi (RN), foi estudante de Geografia na UFPE e militante político na Ação Libertadora Nacional (ALN). Após ser preso em 1970 e libertado, enfrentou perseguições, mudando-se para São Paulo e planejando sair do país para evitar nova prisão. No entanto, foi executado em São Paulo em 1972, segundo relatos da polícia, mas com indícios de tortura. Seu corpo foi encontrado nos trilhos da estação de trem Tamanduateí. Evidências sugerem que Zoé estava fugindo para a Bolívia devido às ameaças de prisão, corroboradas por sua condenação iminente pela atuação na ALN.

Fonte: saibamais.jor.br

Morre Paulo Varela, o poeta que fez do sertão verso e memória

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A poesia popular do Rio Grande do Norte perdeu nesta quarta-feira (10) uma de suas vozes mais reconhecidas. Morreu o poeta, cordelista, declamador e memorialista Paulo Varela, artista que dedicou décadas à valorização da cultura sertaneja e da tradição oral nordestina. A notícia provocou comoção entre escritores, cordelistas, instituições culturais e admiradores de sua obra em todo o estado.

Em nota, a Casa do Cordel lamentou a morte do poeta e destacou sua importância para a cultura popular potiguar. A entidade afirmou que Paulo Varela era “mais do que um declamador extraordinário”, descrevendo-o como a personificação da palavra viva, alguém que compreendia a poesia para além do papel, transformando versos em experiência por meio da voz, dos gestos e da oralidade.

Sua trajetória

Natural de Assú, cidade conhecida como a Terra da Poesia, Paulo Varela construiu uma trajetória marcada pela defesa das raízes culturais nordestinas. Seus versos retratavam personagens, costumes, festas populares, histórias do sertão e o cotidiano do povo do interior, contribuindo para preservar memórias e fortalecer a identidade cultural potiguar. Ao longo da carreira, tornou-se uma referência da chamada poesia matuta, sendo frequentemente apontado como um dos maiores representantes do gênero no Nordeste.

A notoriedade de seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 2005, quando participou do Programa do Jô, na TV Globo. A apresentação levou a poesia popular potiguar para uma audiência nacional e ajudou a consolidar seu nome entre os principais divulgadores da cultura nordestina no país. A repercussão foi tão positiva que sua participação voltou a ser exibida posteriormente.

Antes de dedicar-se integralmente à arte, Paulo Varela trabalhou por muitos anos no setor de telecomunicações. Depois de percorrer diversas regiões do Brasil, decidiu abandonar a carreira empresarial para mergulhar definitivamente na literatura, no cordel e nas manifestações culturais populares. Além de poeta, também atuava como xilogravurista, escultor, cenógrafo e contador de causos, acumulando experiências que ajudaram a moldar sua produção artística.

Sua atuação não se limitou à escrita. Em Natal, foi um dos fundadores do espaço O Encanto do Cordel, criado em 2006 com o objetivo de fortalecer a circulação da literatura de cordel e incentivar novos autores. No local, promoveu encontros, saraus, oficinas e atividades voltadas à difusão da cultura popular. Também desenvolveu trabalhos com xilogravura, ilustrando folhetos e incentivando outras pessoas a conhecerem a técnica.

Paulo Varela também era presença constante em feiras culturais, festivais de folclore e eventos literários em diferentes estados brasileiros. Costumava apresentar seus versos em praças, escolas, centros culturais e festivais, levando consigo uma imagem fortemente associada ao sertão nordestino. Em entrevistas, afirmava ter escrito quase duas mil composições ao longo da vida.

Nos últimos dias, sua contribuição à memória cultural de Assú havia sido lembrada durante as apresentações do Auto de São João Batista 2026, espetáculo que integrou as comemorações dos 300 anos do padroeiro do município. Sua trajetória e seu legado foram incorporados à narrativa do evento como símbolos da identidade cultural assuense.

A morte do poeta também motivou manifestações de pesar da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA-RN), da Secretaria Estadual da Cultura, da Fundação José Augusto e de diversas entidades ligadas à literatura e às artes populares. Em homenagem ao artista, a Prefeitura de Assú decretou luto oficial de três dias e determinou que as bandeiras dos prédios públicos sejam hasteadas a meio-mastro.

Segundo informações divulgadas por familiares e instituições culturais, o velório deverá ocorrer no Ginásio de Esportes de Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante. O sepultamento está previsto para esta quinta-feira (11), no Cemitério Bom Pastor I, em Natal.

Com a partida de Paulo Varela, o Rio Grande do Norte perde um de seus mais importantes guardiões da poesia popular. Permanecem, porém, os versos, os cordéis, as histórias e a voz que transformou a cultura do sertão em patrimônio afetivo de gerações de potiguares.

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Fonte: saibamais.jor.br