*por Marcus Demétrios – Especialista em Gestão Pública Municipal e presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Parnamirim/RN.
“O Banco Central não pode ser um feudo do mercado e o PIX não pode virar o pedágio dos traidores da pátria : a verdadeira soberania é o dinheiro a serviço do povo.”
A economia não é uma ciência neutra, asséptica e descolada do suor e do sangue daqueles que constroem uma nação. Poucas vozes na história do Brasil compreenderam e ecoaram essa verdade com tanta contundência quanto a economista Maria da Conceição Tavares. Com seu raciocínio brilhante e indignação visceral, Tavares nos ensinou a enxergar as entranhas do sistema financeiro brasileiro não como um motor de desenvolvimento, mas como uma engrenagem de extração de riqueza. Para ela, o “rentismo” — a prática de lucrar com juros sobre a dívida pública em vez de investir na produção — sequestrou o Estado brasileiro, transformando a política macroeconômica em um mecanismo de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos.
É munidos dessa lente analítica, profundamente enraizada na defesa do desenvolvimento e da soberania nacional, que precisamos examinar duas pautas cruciais que hoje disputam o futuro econômico do país: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa conceder autonomia financeira e administrativa ao Banco Central, e o Projeto de Lei da Deputada Benedita da Silva (PT/RJ), que declara o PIX como infraestrutura estratégica nacional. Uma representa a rendição definitiva ao capital financeiro; a outra, a defesa inegociável do que é público.
A “Autonomia” como Eufemismo para a Captura do Estado
A PEC que propõe transformar o Banco Central do Brasil em uma empresa pública, desvinculando-o do orçamento da União e garantindo-lhe autonomia financeira absoluta, é o ápice do projeto que Maria da Conceição Tavares combateu por toda a sua vida. O argumento oficial, travestido de modernidade técnica, alega que a medida blindaria a instituição de “interferências políticas”. A pergunta que a professora Tavares nos instigaria a fazer, no entanto, é imediata: autonomia em relação a quem?
Na prática, afastar o Banco Central do escrutínio do poder Executivo eleito democraticamente não o torna neutro; apenas transfere sua subordinação das urnas para o mercado financeiro. A política monetária — a definição da taxa de juros que encarece a vida do trabalhador e asfixia o setor produtivo — passa a ser ditada exclusivamente pela “Faria Lima”, sem qualquer compromisso com a geração de emprego ou o crescimento econômico.
Para Tavares, o Estado precisa ser o indutor do desenvolvimento. Entregar o controle absoluto da moeda e das finanças a uma tecnocracia alinhada aos interesses dos bancos privados é abrir mão da soberania. É constitucionalizar a ditadura do rentismo. Uma nação que não tem controle sobre seu próprio sistema nervoso financeiro é uma nação condenada à subalternidade, onde o lucro especulativo prevalece sobre a produção industrial e o bem-estar social.
O PIX e a Defesa da Soberania Popular
Em diametral oposição à lógica de privatização do Estado, encontra-se o Projeto de Lei da Deputada Benedita da Silva, que busca proteger uma das maiores conquistas tecnológicas e sociais recentes do Brasil: o PIX. Ao propor que o sistema seja declarado infraestrutura estratégica nacional, a deputada ergue um escudo contra as já visíveis tentativas de cooptação e tarifação por parte dos grandes bancos e de interesses internacionais.
O PIX é um patrimônio construído pelo Estado brasileiro. Sua gratuidade e eficiência promoveram um nível de inclusão bancária sem precedentes, permitindo que o feirante, o trabalhador informal e a pequena empresa movimentem recursos sem pagar os pedágios exorbitantes (como as antigas taxas de TED e DOC) historicamente cobrados pelos oligopólios bancários. Justamente por ter tirado bilhões de reais em tarifas das mãos dos bancos, o PIX tornou-se alvo da cobiça do mercado, que busca brechas para privatizar ou taxar seu uso.
A proposta de Benedita da Silva dialoga diretamente com o pensamento de Maria da Conceição Tavares ao reafirmar que a tecnologia e a infraestrutura financeira do país devem servir ao povo, e não ao acúmulo de capital privado. Declarar o PIX como infraestrutura de interesse nacional é um ato de afirmação de soberania. Significa dizer que o Estado tem o dever de fornecer vias públicas gratuitas e seguras para o tráfego do dinheiro da população.
Um Cruzamento Histórico
O contraste entre essas duas proposições legislativas expõe a fratura ideológica que define o Brasil contemporâneo. Apoiar a PEC da autonomia do Banco Central é aceitar a premissa de que o povo não tem maturidade para decidir os rumos de sua economia, terceirizando essa função aos credores da dívida pública. Por outro lado, apoiar o PL do PIX estratégico é reconhecer que o Estado possui capacidade e legitimidade para criar soluções que democratizam a vida econômica.
Maria da Conceição Tavares chorou, em rede nacional, ao constatar as crueldades que o sistema financeiro impunha aos mais vulneráveis. Seu choro nunca foi de fraqueza, mas de uma profunda consciência de classe e compromisso com a nação. À luz de seu pensamento, a posição política exigida neste momento histórico é clara: precisamos rejeitar a PEC da autonomia do Banco Central com a mesma força com que devemos aprovar o Projeto de Lei de Benedita da Silva.
Defender a gestão pública da nossa moeda e a gratuidade da nossa infraestrutura de pagamentos não é apenas uma questão de técnica legislativa. É a luta contínua, que Tavares nos legou, para garantir que o Brasil seja, de fato, o dono de seu próprio destino.
As famílias de 12 potiguares vítimas da ditadura receberão na próxima segunda-feira (15), em Natal, as certidões de óbito retificadas de seus entes. A solenidade acontece às 18h no auditório da Reitoria da UFRN e é uma iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).
Na lista, estão os nomes de Anatália de Souza Alves de Melo, Edson Neves, Emmanuel Bezerra dos Santos, Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa, Hiram de Lima Pereira, José Silton Pinheiro, Lígia Maria Salgado Nóbrega, Luiz Gonzaga, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Sebastião Gomes, Virgílio Gomes da Silva e Zoé Lucas de Brito. Eles eram militantes de organizações de resistência e foram mortos e desaparecidos por perseguição política na ditadura militar.
Para Jana Sá, presidenta do Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte, a entrega das certidões de óbito retificadas representa muito mais do que a correção de um documento.
“É um ato de reparação histórica e de reconhecimento da verdade. Durante décadas, familiares de mortos e desaparecidos políticos conviveram não apenas com a dor da perda, mas também com versões falsas produzidas pelo próprio Estado para ocultar crimes cometidos durante a ditadura militar”, aponta.
“Cada certidão retificada reafirma que essas mulheres e homens não morreram por acaso. Foram vítimas da perseguição política de um regime que violou direitos, perseguiu opositores, torturou, matou e fez desaparecer cidadãos brasileiros. Reconhecer isso oficialmente é um dever democrático”, afirma Jana Sá.
De acordo com ela, para as pessoas que atuam na luta por Memória, Verdade e Justiça, a solenidade é também um compromisso com o presente e com o futuro.
“Não se trata apenas de olhar para o passado, mas de garantir que as novas gerações conheçam essa história e compreendam que a democracia exige memória, responsabilidade e respeito aos direitos humanos.”
A solenidade é também um momento de alívio para as famílias. A jornalista Erta Souza, prima de Virgílio Gomes, diz que receber a certidão de óbito do seu familiar é um marco tardio, mas indispensável.
“Essa reparação histórica traz dignidade para sua memória e para a família que perdeu um ente querido torturado durante o regime militar. Momentos como esse são importantes para que os jovens saibam das atrocidades enfrentadas pelo país e reforcem a luta pela democracia brasileira”, diz Erta Souza.
A deputada federal Natália Bonavides (PT), integrante da Comissão na Câmara dos Deputados, destaca que o evento será também um espaço de homenagem e reparação.
“Além de um momento de renovação do nosso compromisso com a democracia e com as gerações futuras, será um espaço de resistência, memória, justiça e reparação com as famílias enlutadas por seus parentes que ousaram desafiar a ditadura militar. Honrar e visibilizar a luta dos e das potiguares vítimas da ditadura é dever nosso e não recuaremos”, afirma.
A iniciativa compõe o calendário de ações da CEMDP voltadas à promoção da justiça de transição no país e vão marcar a quarta entrega do tipo em 2026. Outros eventos já ocorreram recentemente em Salvador, Fortaleza e Recife.
A ação cumpre a Resolução n.º 7 da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e a Resolução n.º 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinam a correção da causa de morte, indicando ação violenta do Estado.
O evento reunirá familiares das vítimas, integrantes da CEMDP e autoridades dos poderes Executivo e Judiciário. A retificação das certidões é realizada em parceria com o CNJ e o Operador Nacional do Registro Civil de Pessoas Naturais.
Quem são
Anatália de Souza Melo Alves
Nasceu no município de Frutuoso Gomes, Rio Grande do Norte. Quando tinha cinco anos, Antália mudou-se para Mossoró, onde completou sua educação básica. Posteriormente, trabalhou na Cooperativa de Consumo Popular. Após casar-se, mudou-se para Recife, onde aproximou-se do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em dezembro de 1972, foi presa pelo DOI-CODI e levada para um local desconhecido. Sua prisão só foi registrada 26 dias após o sequestro. Oficialmente, sua morte foi declarada como suicídio, porém evidências sugerem tortura e violência sexual, incluindo queimaduras nos órgãos genitais.
Édson Neves Quaresma
Edson Neves Quaresma, nascido no Rio Grande do Norte, ingressou na Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco em 1958. Em 1964, foi preso no contexto da repressão à revolta dos marinheiros, sendo expulso da Armada no final do mesmo ano. Após viver na clandestinidade e receber treinamento em Cuba, retornou ao Brasil em 1970 como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Desapareceu em 5 de dezembro de 1970, oficialmente em um confronto armado, mas investigações posteriores sugerem sua execução pelos agentes do Estado.
Emmanuel Bezerra dos Santos
Emmanuel Bezerra dos Santos, nascido no Rio Grande do Norte, teve uma trajetória marcada pelo ativismo político desde jovem. Fundou jornais e destacou-se no movimento estudantil universitário, sendo presidente da Casa do Estudante, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRN, integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Após ser preso durante a Ditadura Militar, continuou sua atuação na clandestinidade, envolvendo-se em viagens internacionais para unir exilados brasileiros. Foi morto em setembro de 1973, junto a Manuel Lisboa de Moura, em São Paulo, sob circunstâncias obscuras, com relatos de tortura e mutilação do corpo.
Gerardo Magela Fernandes
Potiguar, Gerardo Magela, poeta e jornalista do jornal Bidu, ativo na mobilização da juventude do interior paulista, cursou Medicina em Sorocaba, onde liderou o movimento estudantil. Sua morte em 1973, oficialmente considerada suicídio ao pular do viaduto do Chá, foi contestada pela família, que alegou prisão e assassinato por agentes da Oban. O laudo necroscópico, assinado por médicos-legistas conhecidos por emitir laudos falsos de morte de presos políticos, é questionado. Acredita-se que seu sepultamento no Cemitério de Perus, sob grafia equivocada e marcado com um “T”, símbolo utilizado pela repressão para identificar militantes, indica sua ligação com o movimento político.
Hiran de Lima Pereira
Hiran de Lima Pereira, nascido no Rio Grande do Norte, teve uma vida marcada pela militância política desde sua prisão em 1935 após o levante comunista. Ele foi eleito deputado federal em 1946 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas teve seu mandato cassado em 1948. Depois de se mudar para Recife, trabalhou como redator de jornal e secretário de administração municipal. Após o golpe militar de 1964, viveu clandestinamente e em 1975, desapareceu. Sua esposa, Célia Pereira, foi presa e torturada, mas afirmou ter visto Hiran sendo torturado em um centro clandestino. Documentos indicam que ele foi morto e seu corpo jogado no rio Novo, mas seus restos mortais nunca foram entregues à família.
José Silton Pinheiro
José Silton Pinheiro, nascido no Rio Grande do Norte, iniciou sua militância política durante o movimento estudantil e se tornou militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Em dezembro de 1972, aos 23 anos, foi morto em ação comandada pelo DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro. Oficialmente, ele e outros quatro militantes do PCBR teriam morrido em confronto com as forças de segurança, mas evidências sugerem que foram mortos sob tortura ou execução, sendo seus corpos carbonizados dentro de um carro incendiado durante a operação. Documentos e testemunhos indicam que a ação foi resultado de informações obtidas por prisões anteriores e que não houve troca de tiros, mas sim uma encenação para encobrir as execuções.
Lígia Maria Salgado Nóbrega
Lígia Maria Salgado Nóbrega, nascida em Natal e criada em São Paulo, foi uma destacada militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) contra a ditadura militar. Morreu aos 24 anos durante a Chacina de Quintino, uma operação policial em uma casa usada pela VAR-Palmares no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1972. A versão oficial afirmava que ela morreu em confronto, mas investigações indicam que foi morta por disparos durante a invasão policial. Os corpos das vítimas não apresentavam vestígios de pólvora, sugerindo uma execução pelos agentes da repressão. Seu corpo foi enterrado no cemitério de São Paulo, após ter sido inicialmente registrado como desconhecido no Instituto Médico Legal.
Luiz Gonzaga dos Santos
Nasceu em Natal em 18 de junho de 1919 e possuía histórico de militância desde 1948, conforme documentos que revelam seu monitoramento. Foi eleito como vice-prefeito de Natal em 1964, no mandato de Djalma Maranhão. Teve o mandato cassado e recebeu ordem de prisão naquele mesmo ano, durante os primeiros dias da ditadura militar. Os jornais da época o consideravam um “político ligado às hostes esquerdistas e ao presidente João Goulart”. Ao ser liberado, mudou-se para Niterói (RJ), onde passou a atuar na profissão de comerciante. Luiz Gonzaga foi preso em 1º de agosto de 1967 e, por ser oficial do Exército, foi levado para o Quartel do Exército, no bairro de Neves, em Niterói (RJ), onde recebia visitas diárias da família. Julgado à revelia pela Auditoria da 7ª Região Militar, de Recife (PE), tinha sido condenado a 15 anos de prisão, em 16 de junho de 1967. Em setembro do mesmo ano, a família foi comunicada de que tinha sido transferido para Recife, para assinar um indulto. Dois dias depois, em 13 de setembro de 1967, receberam a informação de que Luiz Gonzaga havia morrido no Hospital Geral de Recife e que o corpo havia sido enterrado no cemitério de Santo Amaro, na mesma cidade. Em ofício datado de 11 de setembro de 1967, proveniente da Companhia de Guarda, encaminhado ao diretor do Hospital Geral de Recife, consta que, em consonância com um prévio entendimento verbal entre as autoridades, Luiz Gonzaga deveria ser internado no hospital por apresentar precário estado de saúde, decorrente de insuficiência cardíaca. A certidão de óbito datada de 13 de setembro de 1967, lavrada pelo médico Elói Farias Teles, informa que Luiz Gonzaga faleceu em razão de edema pulmonar agudo e insuficiência cardíaca. A relatoria da CEMDP considerou que Luiz Gonzaga não morreu de causas naturais, visto que o boletim do hospital informa que o paciente tinha a saúde bastante debilitada quando deu entrada e que apresentava “vômitos e falta de ar há três dias”, o que leva a crer que morreu em decorrência de maus-tratos e torturas que sofreu enquanto esteve preso.
Luiz Ignácio Maranhão Filho
Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado, professor e jornalista nascido em Natal, foi uma figura destacada no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso diversas vezes, ele foi submetido a torturas intensas durante a ditadura militar. Em 1974, foi preso novamente e desapareceu. Apesar de mais de 40 anos terem se passado, não há uma versão definitiva sobre seu desaparecimento. Documentos recentes indicam que ele foi preso pelo Estado brasileiro, mas nunca oficialmente reconhecido. Novas informações sugerem que ele foi torturado e morto durante a “Operação Radar”, uma ação para desmantelar o PCB. Seu corpo teria sido jogado no rio Novo ou na represa de Jurumirim, em São Paulo, mas o local exato de seu desaparecimento permanece desconhecido.
Sebastião Gomes dos Santos
Jovem lavrador, Sebastião Gomes dos Santos trabalhava com seus pais numa pequena gleba de terras na região de Papucaia, município de Cachoeiras do Macacu (RJ), obtida antes do golpe militar de 1964, no contexto das lutas camponesas da região. Entre 1967 e 1968, participou de atividades da Igreja Católica local, quando se aproximou do Comando de Libertação Nacional (Colina). O camponês Sebastião Gomes dos Santos foi morto em 30 de maio de 1969, em Cachoeiras do Macacu (RJ), quando uma equipe do Exército realizou uma ofensiva na área, em busca de um suposto foco guerrilheiro. De acordo com a falsa versão, teria morrido após resistir à ação de agentes do Estado, enquanto outros trabalhadores da localidade foram presos. No mesmo período, o ex-sargento Severino Viana Colou, que orientava politicamente os camponeses da região, foi preso numa operação dos órgãos de segurança. Colou foi encontrado morto em uma das celas da 1ª Cia. de Polícia do Exército da Vila Militar, no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 1969, dias antes da morte de Sebastião Gomes dos Santos. Tanto o corpo do camponês Sebastião Gomes dos Santos como o de Severino Viana Colou foram conduzidos ao IML/RJ somente no dia 2 de junho de 1969.
Virgílio Gomes da Silva
Nascido em Santa Cruz (RN), foi um operário, sindicalista e militante político que atuou no Partido Comunista do Brasil (PCB) e na Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele liderou o sequestro do embaixador dos EUA em 1969, libertando prisioneiros políticos. No entanto, foi capturado em uma emboscada pela Oban, em setembro de 1969, na cidade de São Paulo, e levado à tortura, onde morreu 12 horas após sua prisão. No mesmo dia, sua mulher Ilda e três de seus filhos também foram detidos. Apesar de evidências contundentes, os órgãos de segurança não esclareceram oficialmente sua morte. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Vila Formosa, mas seus restos mortais não foram identificados até hoje.
Zoé Lucas de Brito
Nascido em São João do Sabugi (RN), foi estudante de Geografia na UFPE e militante político na Ação Libertadora Nacional (ALN). Após ser preso em 1970 e libertado, enfrentou perseguições, mudando-se para São Paulo e planejando sair do país para evitar nova prisão. No entanto, foi executado em São Paulo em 1972, segundo relatos da polícia, mas com indícios de tortura. Seu corpo foi encontrado nos trilhos da estação de trem Tamanduateí. Evidências sugerem que Zoé estava fugindo para a Bolívia devido às ameaças de prisão, corroboradas por sua condenação iminente pela atuação na ALN.
O pré-candidato a governador Cadu Xavier (PT) comunicou que o presidente Lula deve vir ao Rio Grande do Norte ainda neste mês para uma série de visitas, e negou que o PT tenha encerrado conversas com o PSDB do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. Cadu afirmou que tem a intenção de contar com os tucanos na eleição e contestou qualquer definição sobre rompimento. O pré-candidato petista ainda falou sobre o perfil buscado para a vaga de vice e afirmou que vê com bons olhos a possibilidade de ser uma mulher do interior.
O pré-candidato conversou com a Agência SAIBA MAIS por telefone nesta quarta-feira (10). Segundo ele, Lula deve pousar no Rio Grande do Norte em junho para acompanhar uma série de obras. Dentre elas, uma já finalizada: a conclusão da escavação do Túnel Major Sales, no Ramal do Apodi, obra que vai beneficiar cerca de 750 mil pessoas em 54 municípios. O empreendimento localizado no município de Pau dos Ferros, no Alto Oeste Potiguar, é conduzido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
“É a chegada definitiva, finalizando uma obra que ele tirou do papel, que ele começou e que ele está finalizando”, avisa Cadu.
Além disso, o chefe do Planalto também deve vistoriar as obras do Hospital Metropolitano e da duplicação da BR-304.
“A expectativa é muito grande, porque a gente sabe da importância da presença do presidente Lula aqui, para o time de Lula, não só para a minha pré-candidatura, mas para a pré-candidatura de Samanda, para a pré-candidatura dos nossos parlamentares, que querem renovar o mandato, para ampliação também da presença de mais parlamentares do campo de centro-esquerda, do Partido dos Trabalhadores, da federação, da coligação no Congresso Nacional, porque o presidente vai ser reeleito, mas ele precisa governar com uma base maior no Congresso Nacional. Então ele vem aqui fortalecer o time de Lula aqui no Rio Grande do Norte, sem falar também na pré-candidatura ao Senado do ex-deputado Rafael Motta, que faz parte da nossa coligação”, conta.
Conversas com PSDB seguem
Nas últimas horas, circularam informações na imprensa de que Ezequiel Ferreira teria rejeitado o PT para apoiar Álvaro Dias (PL).
“As conversas com o PSDB continuam. O presidente Ezequiel é aliado da governadora, é aliado do governo do Estado e tem participação no governo. A nossa intenção é que ele esteja conosco nesse processo eleitoral, tanto ele quanto o PSDB, o partido também, e não há nenhuma definição com relação a rompimento, nada nesse sentido. As conversas estão acontecendo, a governadora, como eu disse, tem conversado com o presidente e até o momento não há nenhuma definição sobre isso”, enfatiza.
Vice
Em relação à cadeira de vice, o petista tem dito que o anúncio vai acontecer antes da data da convenção partidária e prega cautela para a escolha. Xavier quer evitar o que aconteceu entre Fátima Bezerra (PT) e Walter Alves (MDB) — este último que rompeu com o governo para apoiar uma chapa adversária. Segundo Cadu, a definição será feita com base no comprometimento com o projeto eleitoral e de gestão.
“Eu quero um vice ou uma vice que me ajude a ditar os rumos do nosso Estado. É um compromisso com o projeto até para evitar que aconteça algo como aconteceu agora com a governadora Fátima, onde o vice-governador pulou do barco no meio do caminho, mudou de projeto, uma verdadeira mudança de rota que a gente não tem como qualificar de outra forma como uma traição”, avisa.
“Então, o compromisso com o projeto é fundamental. Alguém que traga também um conteúdo programático é importante para esse projeto. Alguém que some do ponto de vista ou da educação, ou da saúde, ou da segurança pública, e alguém, óbvio, que também some do ponto de vista eleitoral”, diz.
De acordo com ele, um nome vindo do interior é visto “com muito bons olhos”. Diversos nomes já circularam na imprensa nesse sentido, como a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão (PSDB), a ex-secretária de Assú, Luciana Montenegro Soares (PV), e a ex-deputada e ex-vereadora de Mossoró, Larissa Rosado (PSB).
“E aí, pessoalmente, eu defendo que seja uma mulher. Apesar de ser homem, eu sou um defensor e militante da necessidade de aumento da participação feminina nos espaços de poder. Então, se for uma mulher, será muito bem-vindo, e a gente tem visto isso com muito bons olhos”, afirma.
Cadu de Lula, Álvaro de Bolsonaro e Allyson de Robinson
O ex-secretário da Fazenda do governo Fátima vai enfrentar em 2026 sua primeira eleição e para isso busca cada vez mais consolidar seu nome junto ao eleitorado. Uma das estratégias é associá-lo ao presidente Lula. A alcunha “Cadu de Lula”, por exemplo, já aparece com destaque em suas redes sociais e em peças publicitárias. Cadu também vem destacando a ligação de seus dois principais adversários ao governo, Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União), com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o ex-governador Robinson Faria (PP), respectivamente.
“A gente sempre defendeu a valorização do servidor público, a valorização do trabalho, a redução da desigualdade social, os programas sociais do presidente Lula. A gente sempre esteve aqui defendendo essas bandeiras, e vamos continuar defendendo olhando no olho do povo do nosso Estado. Tem o Cadu de Lula, tem o Álvaro Dias de Bolsonaro, que já assumiu que votou no ex-presidente Bolsonaro, que vai votar no filho de Jair Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro, que defende as bandeiras da direita. E, por outro lado, tem o Allyson Bezerra, o ex-prefeito de Mossoró, que é o Allyson de Robinson Faria e das oligarquias. Então todo mundo tem lado nessa eleição”, frisa o petista.
Cadu Xavier conta com apoio de Fátima Bezerra e Lula para chegar ao 2º turno – Foto: Ricardo Stuckert
Cadu também criticou o passado recente de aliança entre Rogério Marinho e Allyson Bezerra. Em 2022, o então prefeito de Mossoró apoiou o líder do PL para o Senado, mas em 2026 estão em palanques opostos.
“No caso do ex-prefeito de Mossoró, ele sempre andou ao lado de Rogério Marinho, votou em Rogério Marinho nas últimas eleições. Não adianta agora ele querer dizer que Rogério Marinho é inimigo do trabalhador, se ele já caminhou junto do senador Rogério Marinho. O mesmo vale para a questão da Uern. Não adianta ele dizer que defende a Uern, que no palanque dele está o ex-governador Robinson Faria, que no seu governo autorizou a polícia a jogar gás de pimenta nos professores da Uern. Então, é preciso que as pessoas tenham clareza das posições políticas de cada pré-candidato, de cada projeto, para que não se deixem enganar por discursos oportunistas”, alfineta.
Cadu prega confiança em exemplos vizinhos para chegar ao segundo turno
O governadorável petista afirmou que, desde que teve seu nome anunciado para a sucessão de Fátima Bezerra, foi traçado um planejamento para tornar seu nome cada vez mais conhecido. Cadu Xavier acredita que vai chegar ao segundo turno das eleições e cita o exemplo de estados vizinhos, em que neófitos na política venceram as eleições para governadores.
Na Paraíba, em 2018, João Azevêdo (PSB) era secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, quando deixou o cargo para disputar a primeira eleição — vencida no primeiro turno. Ele ainda conquistou a reeleição em 2022.
Já no Piauí, Rafael Fonteles (PT) alcançou o posto máximo do Executivo estadual em 2022 após ter passado pela Secretaria da Fazenda.
“A tendência é de quando a gente entrar no processo eleitoral a gente tenha já uma situação muito bem definida, o que nos leva a ter a convicção de que a gente vai para o segundo turno, que a gente vai vencer as eleições quando o eleitor, cada vez mais, perceber que o candidato do presidente Lula aqui no Estado é o Cadu de Lula, é o Cadu Xavier, e que a gente tem levado a mensagem para a população de se fazer a comparação do que é o Rio Grande do Norte hoje com o que era antigamente, antes do governo da professora Fátima, e também, claro, apontar um caminho de mais avanços, de mais qualidade de vida, de mais emprego, mais renda e mais bem-estar social”, aponta o petista.
RN melhorou com Fátima, diz Cadu
Pré-candidato à sucessão de Fátima Bezerra, Cadu Xavier diz que a governadora pegou o Rio Grande do Norte “destruído” após ser eleita em 2018 e que, sob a condução do PT, o estado foi reconstruído.
“Nós tivemos um papel importante nesse processo, sob a liderança dela, de pagar as folhas atrasadas, de colocar os salários em dia, de valorizar os servidores, de organizar administrativamente o Estado. E a gente olha o Rio Grande do Norte hoje, um Estado entre os quatro mais seguros do Brasil, um Estado que era o mais violento do Brasil, que tinha a capital mais violenta do Nordeste, hoje tem a capital mais segura do Nordeste. Hoje com o maior programa de recuperação de rodovias sendo executado. A duplicação da BR-304, que é um sonho do nosso povo, sendo executada em parceria com o presidente Lula, os IERN sendo entregues, mais de 100 escolas sendo reformadas”, elenca.
Cadu Xavier vê ainda desafios na área da saúde, mas diz que também houve avanço nos hospitais regionais.
“Agora, eu tenho que olhar para o passado, mostrar para o povo como era o nosso Estado e como é hoje, e é claro que a gente tem que projetar um futuro ainda melhor, claro que temos desafios ainda a serem vencidos. Mas até por isso nós estamos nos colocando nesse projeto, um projeto para o Rio Grande do Norte crescer mais feliz, crescer com gente feliz, com gente empregada, com gente com qualidade de vida, com acesso aos serviços públicos. É esse o Rio Grande do Norte que a gente projeta para o futuro”, defende.
A poesia popular do Rio Grande do Norte perdeu nesta quarta-feira (10) uma de suas vozes mais reconhecidas. Morreu o poeta, cordelista, declamador e memorialista Paulo Varela, artista que dedicou décadas à valorização da cultura sertaneja e da tradição oral nordestina. A notícia provocou comoção entre escritores, cordelistas, instituições culturais e admiradores de sua obra em todo o estado.
Em nota, a Casa do Cordel lamentou a morte do poeta e destacou sua importância para a cultura popular potiguar. A entidade afirmou que Paulo Varela era “mais do que um declamador extraordinário”, descrevendo-o como a personificação da palavra viva, alguém que compreendia a poesia para além do papel, transformando versos em experiência por meio da voz, dos gestos e da oralidade.
Sua trajetória
Natural de Assú, cidade conhecida como a Terra da Poesia, Paulo Varela construiu uma trajetória marcada pela defesa das raízes culturais nordestinas. Seus versos retratavam personagens, costumes, festas populares, histórias do sertão e o cotidiano do povo do interior, contribuindo para preservar memórias e fortalecer a identidade cultural potiguar. Ao longo da carreira, tornou-se uma referência da chamada poesia matuta, sendo frequentemente apontado como um dos maiores representantes do gênero no Nordeste.
A notoriedade de seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 2005, quando participou do Programa do Jô, na TV Globo. A apresentação levou a poesia popular potiguar para uma audiência nacional e ajudou a consolidar seu nome entre os principais divulgadores da cultura nordestina no país. A repercussão foi tão positiva que sua participação voltou a ser exibida posteriormente.
Antes de dedicar-se integralmente à arte, Paulo Varela trabalhou por muitos anos no setor de telecomunicações. Depois de percorrer diversas regiões do Brasil, decidiu abandonar a carreira empresarial para mergulhar definitivamente na literatura, no cordel e nas manifestações culturais populares. Além de poeta, também atuava como xilogravurista, escultor, cenógrafo e contador de causos, acumulando experiências que ajudaram a moldar sua produção artística.
Sua atuação não se limitou à escrita. Em Natal, foi um dos fundadores do espaço O Encanto do Cordel, criado em 2006 com o objetivo de fortalecer a circulação da literatura de cordel e incentivar novos autores. No local, promoveu encontros, saraus, oficinas e atividades voltadas à difusão da cultura popular. Também desenvolveu trabalhos com xilogravura, ilustrando folhetos e incentivando outras pessoas a conhecerem a técnica.
Paulo Varela também era presença constante em feiras culturais, festivais de folclore e eventos literários em diferentes estados brasileiros. Costumava apresentar seus versos em praças, escolas, centros culturais e festivais, levando consigo uma imagem fortemente associada ao sertão nordestino. Em entrevistas, afirmava ter escrito quase duas mil composições ao longo da vida.
Nos últimos dias, sua contribuição à memória cultural de Assú havia sido lembrada durante as apresentações do Auto de São João Batista 2026, espetáculo que integrou as comemorações dos 300 anos do padroeiro do município. Sua trajetória e seu legado foram incorporados à narrativa do evento como símbolos da identidade cultural assuense.
A morte do poeta também motivou manifestações de pesar da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte (SPVA-RN), da Secretaria Estadual da Cultura, da Fundação José Augusto e de diversas entidades ligadas à literatura e às artes populares. Em homenagem ao artista, a Prefeitura de Assú decretou luto oficial de três dias e determinou que as bandeiras dos prédios públicos sejam hasteadas a meio-mastro.
Segundo informações divulgadas por familiares e instituições culturais, o velório deverá ocorrer no Ginásio de Esportes de Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante. O sepultamento está previsto para esta quinta-feira (11), no Cemitério Bom Pastor I, em Natal.
Com a partida de Paulo Varela, o Rio Grande do Norte perde um de seus mais importantes guardiões da poesia popular. Permanecem, porém, os versos, os cordéis, as histórias e a voz que transformou a cultura do sertão em patrimônio afetivo de gerações de potiguares.
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Quarta-feira em Natal tem de tudo um pouco: forró, samba, jazz, karaokê, recital, exposição e até aquela oportunidade de mostrar que você canta melhor do que imagina — ou pelo menos melhor do que seus amigos dizem. Mas o grande destaque da noite atende pelo nome de Canudo, personagem vivido pelo ator George Holanda, que sobe ao palco do Teatro Sandoval Wanderley, às 19h, com o espetáculo “Canudo se Apaixona”. A entrada é gratuita, e a promessa é de muitas risadas, confusões e aquele humor tipicamente potiguar que conquista o público logo nos primeiros minutos.
Para quem prefere música, o roteiro está recheado: tem Jazz’in Out no Figa, forró na Casa do Matuto e no Vilarte, samba com Bolinha do Cavaco no Seu Zezin, além de karaokês espalhados pela cidade para quem deseja trocar o banho de quarta pelo brilho dos holofotes. E se a ideia for algo mais tranquilo, a Escola de Música da UFRN recebe recitais gratuitos de flauta transversal e música de câmara.
Já os amantes das artes visuais podem aproveitar as exposições abertas no Centro Histórico e na Pinacoteca. Em resumo: nesta quarta, Natal oferece opções para todos os gostos. Mas se você ainda está em dúvida sobre o que fazer, a dica é simples: siga o coração. E, se ele estiver apaixonado, talvez o melhor encontro da noite seja mesmo com o Canudo. 🎭❤️🎶
TEATRO _______________________
Canudo se Apaixona, no Sandoval Wanderley | 10.06 QUARTA LOCAL | Teatro Sandoval Wanderley (Av. Presidente Bandeira s/n, Alecrim) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Gratuito (via Sympla) INFORMAÇÕES | @teatrosescsw
MÚSICA ______________________
Jazz´in Out, no Figa | 10.06 QUARTA LOCAL | Figa bar (Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, 633, Vila de Ponta Negra) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Couvert INFORMAÇÕES | @figa.bar
Karaokê, no Bardallos | 10.06 QUARTA LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
Glay Anderson, no Sempre Rock | 10.06 QUARTA LOCAL | Sempre Rock (Av. Praia de Ponta Negra, 9045, Ponta Negra) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Couvert INFORMAÇÕES | @semprerockbar
Manu de Olinda e convidados, no Zé Reeira | 10.06 QUARTA LOCAL | Bar do Zé Reeira (Rua Professor Zuza, 159, Cidade Alta) HORÁRIO | 17h ENTRADA | Couvert INFORMAÇÕES | @semprerockbar
Recitais: Flauta Transversal e Câmara, na EMUFRN | 10.06 QUARTA LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova) HORÁRIO | 18h (Flauta transversal) e 19h30 (Câmara) ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn
Playlist aberta e happy hour, no La Luna | 10.06 QUARTA LOCAL | La Luna (Rua Alameda das Acácias, Neópolis) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @lalunanatal
Forró do Candieiro, na Casa do Matuto | 10.06 QUARTA LOCAL | Casa do Matuto (Av. Presidente Café Filho, 700, Praia do Meio, Natal) HORÁRIO | 17h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @casadomatutonatal
Forró pé de serra, no Vilarte | 10.06 QUARTA LOCAL | Vilarte (Av. Engenheiro Roberto Freire, 4090, Ponta Negra) HORÁRIO | 17h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @shoppingvilarte
Elaine Oliveira e forró das antigas, no Donana Pub | 10.06 QUARTA LOCAL | Donana Pub (Rua José Aguinaldo Barros, 400A, Candelária) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @donanapubnatal
Lívia Souza e Ítalo Brandão, no Só mais uma | 10.06 QUARTA LOCAL | Só mais uma (Av. Eng. Roberto Freire, 8750, Ponta Negra) HORÁRIO | 17h ENTRADA | Couvert INFORMAÇÕES | @somaisumabar
Bolinha do Cavaco, no Seu Zezin Botequim | 10.06 QUARTA LOCAL | Seu Zezin Botequim (Av. Praia de Ponta Negra, 9076, Ponta Negra) HORÁRIO | 17h ENTRADA | Couvert INFORMAÇÕES | @seuzezinbotequim
Karaokê, no Eletromusic | 10.06 QUARTA LOCAL | Eletromusic bar (Av. Prudente de Morais, 5823, Candelária) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @eletromusicpub
Sérgio Rodrigues, no Páprika | 10.06 QUARTA LOCAL | Páprika (Rua Pedro Fonseca Filho, 9001, Ponta Negra) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @paprikanatal
EXPOSIÇÕES __________________________
“Futebol, arte e cultura no coração de Natal”, no Bardallos LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @ifrncentrohistorico
“Contra a máquina de moer mundos”, na Pinacoteca LOCAL | Pinacoteca do Estado (Praça Sete de Setembro, s/n, Cidade Alta) HORÁRIO | a partir das 8h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @pinacotecapotiguar
CINEMA ____________________
Confira as programações completas: MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira. CINÉPOLIS, Natal Shopping CINEMARK, Midway Mall CINEFLIX, Partage Norte Shopping
EQUIPAMENTOS PÚBLICOS _______________________
PINACOTECA POTIGUAR Reúne a maior parte do acervo de Artes Visuais pertencente ao Governo do Estado, com obras de artistas como Newton Navarro, Maria do Santíssimo, Abraham Palatinik, Dorian Gray Caldas e Zaíra Caldas. Até 10 de dezembro, segue aberta a exposição “Objetos do Cotidiano”, que reúne uma coletânea dos trabalhos produzidos por 38 participantes das oficinas de fotografia do Projeto “Narrativas do Silêncio”. LOCAL |Praça Sete de Setembro, s/n Cidade Alta, ao lado da Assembleia Legislativa do RN HORÁRIO |de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos finais de semana, das 9h às 16h Entrada gratuita.
CIDADE DA CRIANÇA O parque público, fundado em 1962, compreende parque Infantil, pista de cooper, Lagoa Manoel Felipe, pedalinhos, igrejinha, anfiteatro, Escola de Artes Newton Navarro, Biblioteca Infanto-juvenil Mirian Coeli, Casa de Vovozinha, praça de alimentação com quiosques, Espaço Eureka de Ciência e Tecnologia. LOCAL |Cidade da Criança (Av. Rodrigues Alves – Tirol) HORÁRIO | aberto das 8h às 18h ENTRADA | R$ 2 (menores de 5 anos e maiores de 65 não pagam) INFORMAÇÕES | @cidadedacriancanatal
FORTE DOS REIS MAGOS O monumento, administrado pela Fundação José Augusto, está aberto à visitação. Visitas em grupo devem ser encaminhadas com antecedência para o e-mail [email protected], contendo data, horário e o descritivo da atividade a ser realizada. LOCAL |Forte dos Reis Magos (Praia do Forte) HORÁRIO | das 8h às 16h (de terça a domingo), fechando apenas às segundas-feiras para manutenção ENTRADA | R$ 5 (entrada inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) aos visitantes da Fortaleza dos Reis Magos. Crianças até sete anos e os idosos a partir dos 60 anos estarão isentos dessa cobrança. INFORMAÇÕES | Aqui
CAJUEIRO DE PIRANGI Localizado na praia de Pirangi do Norte, Parnamirim, o Cajueiro cobre uma área de aproximadamente 9.000 m², com perímetro de aproximadamente 500 metros. Em virtude da sua extensão, a árvore gigante entrou para o Guinness Book “O Livro dos Recordes”, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. A árvore faz parte da vida da comunidade e do roteiro turístico dos visitantes do RN. A entrada custa R$ 8. Crianças, de sete a 12 anos pagam meia-entrada, assim como estudantes, professores e idosos, portando carteira comprobatória.LOCAL | Av. S. Sebastião, s/n, Pirangi do NorteHORÁRIO | 7h30 às 17h30 – ESTÁ FECHADO PARA RECUPERAÇÃO NOS DIAS 16 e 17 de SETEMBRO TELEFONE | (84) 3113 – 6191E-MAIL | [email protected]
BOSQUE DAS MANGUEIRAS Área pública de 14.125 m², do bioma Mata Atlântica, conforme classificação do Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). O local dispõe de passeios acessíveis para prática de atividades físicas como caminhada e corrida. LOCAL |entre a Av. Nascimento de Castro, Jaguarari e Rua Tertius Rebelo, bairro Lagoa Nova HORÁRIO |de segunda a sexta das 8h às 14h CONTATOS |[email protected]e Ouvidoria Semurb: (84) 3616-9829.
COMPLEXO CULTURAL RAMPA O centro cultural edificado às margens do Rio Potengi está aberto à visitação. O Complexo é formado por edificações destinadas a abrigar o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador, o Grêmio da Rampa, além de outros espaços voltados à realização de eventos, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, os visitantes têm acesso a quatro mostras: “Natal Encruzilhada do Mundo”, “Sala da Paz”, “O Maior Feito Náutico do Mundo: 70 Anos da IOLE RN 2” e “Jornada na Cidade”. LOCAL |Rua Cel. Flamínio, 1 – Santos Reis, Natal HORÁRIO |das 9h às 18h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras Entrada gratuita.
Durante décadas, a Viúva Machado ocupou o imaginário popular potiguar por meio de histórias que misturam medo, fantasia e memória. Agora, sua trajetória inspira um curta-metragem que busca revisitar quem foi a mulher por trás das lendas. No próximo dia 11 de junho, o Campus Parnamirim do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) promove o evento “Viúva Machado: memória, literatura e audiovisual”, reunindo pesquisa, literatura e cinema em torno de uma das figuras mais enigmáticas da memória popular do estado.
A programação acontece no Auditório Dominguinhos, em duas sessões, das 10h30 às 12h e das 13h às 14h30, e marca o lançamento do curta-metragem Uma Mulher Inventada, produção da Trampolim Companhia de Teatro construída a partir de anos de investigação sobre a vida e as representações da Viúva Machado. Confira o trailer:
Mais do que contar a trajetória de uma personagem histórica, o filme propõe uma reflexão sobre a forma como determinadas narrativas são construídas e perpetuadas ao longo do tempo, especialmente quando envolvem mulheres que desafiaram os padrões de sua época.
A diretora do curta Rebeka Carozza explica, em entrevista à Agência Saiba Mais, que o interesse pela personagem surgiu em 2019, quando começou a pesquisar histórias relacionadas à Viúva Machado. O contato com o conto O Casarão Amarelo da Viúva Machado, da escritora e pesquisadora Kalina Paiva, ampliou as possibilidades da investigação.
“A leitura do conto despertou ainda mais o interesse pelo tema e deu início a um processo de pesquisa que, inicialmente, tinha como objetivo a criação de um espetáculo teatral”, relata.
O projeto começou nos palcos, mas a pesquisa acabou abrindo novos caminhos. Conforme surgiam documentos, relatos e diferentes interpretações sobre a personagem, a equipe percebeu que a história também poderia ganhar força no audiovisual.
“Foi então que percebemos que essa história também tinha potencial para ser contada por meio do audiovisual, dando origem ao projeto do curta-metragem Uma Mulher Inventada”, afirma.
Ao longo da investigação, os pesquisadores encontraram versões bastante distintas sobre a mulher que viveu em Ceará-Mirim e se tornou uma figura lendária no imaginário potiguar. Durante décadas, histórias populares a retrataram como uma personagem assustadora, associada a narrativas de medo transmitidas entre gerações.
No entanto, outros relatos apresentavam uma imagem completamente diferente:
“Pessoas que conviveram com ela ou que ouviram histórias de familiares próximos descreviam uma mulher generosa, acolhedora, empreendedora e profundamente respeitada por quem a conheceu”, explica a diretora.
A partir desse contraste surgiu uma das questões centrais do filme: compreender como uma mulher reconhecida por sua atuação social e econômica acabou transformada em uma figura cercada por estigmas e fantasias.
Segundo a diretora, o objetivo da obra não foi apenas reconstruir uma biografia, mas questionar os mecanismos que produzem apagamentos históricos e distorções de memória.
“Nosso interesse foi apresentar uma Viúva Machado humana, complexa e atravessada pelas contradições do seu tempo”, destaca.
O curta também representa uma nova experiência artística para a Trampolim Companhia de Teatro. Acostumado à linguagem cênica, o grupo encarou o desafio de traduzir anos de pesquisa para uma narrativa cinematográfica, explorando as fronteiras entre memória, ficção e documento.
Além da exibição do filme, o evento contará com palestra das pesquisadoras Elza Cirne e Kalina Paiva. As duas vêm desenvolvendo trabalhos sobre a personagem e discutirão temas relacionados à memória, literatura e representação feminina.
Para a diretora, a história da Viúva Machado ultrapassa os limites de uma personagem específica e dialoga com questões mais amplas sobre gênero e construção da memória coletiva.
“Muitas vezes conhecemos determinadas figuras históricas apenas pelas versões que chegaram até nós, sem questionar quem contou essas histórias e quais interesses estavam envolvidos na construção dessas narrativas”, observa.
Ela espera que o público saia da sessão refletindo sobre as histórias herdadas e reproduzidas ao longo do tempo. “No fundo, Uma Mulher Inventada fala sobre a Viúva Machado, mas também fala sobre tantas outras mulheres cujas histórias foram contadas por outras vozes. É um convite para revisitar essas narrativas e perguntar quem ganha e quem perde quando uma mulher é transformada em mito.”
O evento é realizado pelo Núcleo de Artes (Nuarte) do Campus Parnamirim, em parceria com a Trampolim Companhia de Teatro, e é aberto à comunidade acadêmica e ao público em geral.
Serviço Data: 11 de junho Horários: das 10h30 às 12h e das 13h às 14h30 Local: Auditório Dominguinhos, Campus Parnamirim do IFRN Programação: palestra com Elza Cirne e Kalina Paiva e lançamento do curta-metragem Uma Mulher Inventada
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O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) dará um novo passo em sua atuação junto à sociedade potiguar nesta sexta-feira (12), com a inauguração da Rádio IFRN FM 95,3. A emissora educativa entrará oficialmente no ar durante cerimônia marcada para as 14h, no Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França, na Cidade Alta, em Natal.
Resultado de uma parceria entre o IFRN, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o Ministério da Educação (MEC), a rádio passa a integrar a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), iniciativa que vem sendo ampliada nos últimos anos para fortalecer a comunicação educativa e pública em diferentes regiões do país.
Com alcance estimado em cerca de 80 quilômetros a partir da capital potiguar, a emissora deverá chegar a municípios da Região Metropolitana de Natal e a cidades do interior, como João Câmara e Tangará. Segundo o MEC, a proposta é oferecer uma programação voltada para educação, cultura, cidadania, ciência, tecnologia e temas de interesse público, combinando conteúdos produzidos nacionalmente pela EBC com produções locais desenvolvidas pelo Instituto.
A chegada da rádio representa a entrada do IFRN no sistema de radiodifusão pública, ampliando os canais de comunicação da instituição com a população e criando um espaço permanente para divulgação do conhecimento produzido nos campi, das atividades de ensino, pesquisa e extensão e de pautas ligadas ao desenvolvimento social e cultural do estado.
Segundo a diretora de Comunicação Institucional do IFRN, Clara Bezerra, a emissora nasce com o objetivo de fortalecer a comunicação pública e aproximar ainda mais a instituição da sociedade.
A coordenação da emissora ficará a cargo da professora Edivânia Duarte, que há anos desenvolve projetos ligados à radiodifusão com estudantes do Campus Natal-Centro Histórico. Para ela, a iniciativa representa uma conquista não apenas para a instituição, mas para todo o Rio Grande do Norte:
“A Rádio IFRN 95,3 FM é uma conquista para o Rio Grande do Norte, pois fortalece ainda mais a comunicação pública no estado e no Brasil, abrindo oportunidades para que o público potiguar tenha uma programação radiofônica voltada para educação, cultura e cidadania, tendo acesso tanto aos programas locais quanto à grade de programação nacional da Rede Nacional de Comunicação Pública”, destaca.
Edivânia ressalta ainda que a emissora deverá funcionar como um canal de aproximação entre a comunidade acadêmica e a população.
Para o reitor do IFRN, José Arnóbio, a rádio representa uma nova ferramenta para dar visibilidade às ações desenvolvidas pela instituição em todo o estado.
“Será um espaço educativo, um espaço que dará visibilidade ao que é feito nos campi e na Reitoria do IFRN, mostrando à sociedade a força das pessoas que fazem a nossa instituição em diálogo com a sociedade”, afirma.
A cerimônia de inauguração deverá contar com a presença do secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli, além da gerente da Rede Nacional de Comunicação Pública, Luciana Couto. Após a agenda em Natal, o secretário também realizará visita institucional ao Campus Touros do IFRN.
A criação da Rádio IFRN integra um movimento nacional de expansão da comunicação pública e educativa impulsionado pelo Governo Federal por meio da EBC, que vem ampliando a presença de rádios e TVs vinculadas a universidades e institutos federais. A expectativa é que a nova emissora contribua para democratizar o acesso à informação, valorizar a produção cultural local e fortalecer a circulação de conteúdos educativos no Rio Grande do Norte.
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O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou um ato na manhã desta terça-feira (9) e fechou uma faixa na marginal da BR-101, na altura do Shopping Via Direta, Zona Sul da capital. A manifestação cobrou a ampliação das unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida – Entidades e pediu que o governo Lula receba o movimento no acampamento que é realizado por organizações sem-teto em Brasília.
O ato durou cerca de duas horas e acabou por volta das 8h, quando os integrantes do MLB se dispersaram. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar acompanharam a movimentação no local.
No centro da reivindicação está a construção de mais moradias populares. O Minha Casa Minha Vida – Entidades concede financiamento subsidiado a famílias organizadas por meio de entidades privadas sem fins lucrativos para produção de unidades habitacionais urbanas, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). No entanto, o número de habitações destinadas está abaixo do número exigido pelos movimentos.
“Só vamos parar quando o Lula receber os movimentos nacionais. O MLB, a Conan, a UNMP, entre outros movimentos nacionais, estão agora em Brasília. São mais de 400 famílias organizadas reivindicando o seu direito de morar. É um desrespeito com a luta histórica dos movimentos sociais que lutam há mais de cinco anos pelo programa Minha Casa Minha Vida, que tem uma trajetória gigantesca, que apresentaram mais de 90 mil propostas de unidades habitacionais para o Lula agora chegar e dizer que vai contratar 30%”, disse Bianca Soares, coordenadora do MLB-RN, no ato desta manhã.
Em nota divulgada em maio, cinco movimentos por moradia e reforma urbana disseram que caminharam com o Ministério das Cidades e a Caixa na busca de melhorar o programa e agilizar seu andamento, “mesmo enfrentando às dificuldades estruturais e o preconceito de alguns setores que desvalorizam o trabalho dos movimentos populares”. Uma primeira seleção, feita em 2024, contratou cerca de 30 mil unidades habitacionais no país, parte delas já iniciadas suas obras e outras ainda enfrentando dificuldades administrativas.
Em 2025, foi lançado o chamamento público para a segunda seleção de propostas, em que se chegou a 98 mil unidades enquadradas para seleção. “Um recorde histórico que mostra o tamanho da demanda por moradia, mas também a força, a capilaridade e a organização do povo em torno de um programa fundamental. No entanto, apesar de ter havido um aumento da meta inicialmente prevista, o governo promete selecionar apenas 35 mil unidades, cerca de 35% do total enquadrado, frustrando o trabalho e a luta de milhares de famílias”, informaram.
Recentemente, o governo federal anunciou a ampliação da meta do Minha Casa Minha Vida para 3 milhões de moradias até o final de 2026. “Mantido esse cenário, o MCMV Entidades, que frequentemente é citado pelo Presidente Lula como exemplo de qualidade de produção e de organização das famílias participantes, terá apenas 2,16% das moradias contratadas nesta gestão”, reclamaram os grupos. O documento é assinado pelo MLB, Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), atribuiu ao senador potiguar Rogério Marinho (PL) o que classificou como o “maior retrocesso para a classe trabalhadora da última década”, a Reforma Trabalhista de 2017 que teve Marinho como relator.
A fala está presente em vídeo divulgado nas redes sociais pelo ministro no último sábado (6). O parlamentar potiguar virou alvo recentemente após ter apresentado uma proposta alternativa ao fim da escala 6×1 que permite flexibilizar a jornada de trabalho com o pagamento por hora trabalhada.
“Essa semana comemoramos um avanço histórico pra classe trabalhadora brasileira, a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1, 40 horas semanais. Veja, além do Rogério Marinho, já como coordenador da campanha do Flávio, ter dito que isso é um crime contra o Brasil, o Rogério Marinho tem a digital dele no maior retrocesso para a classe trabalhadora da última década, que foi a Reforma Trabalhista. Ele foi o relator da Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados em 2017, que botou terceirização geral, que foi fazendo inclusive a CLT ser desmoralizada”, disse Boulos no vídeo.
“Depois da Reforma Trabalhista, trabalhar em CLT se tornou um sacrifício, porque é um trabalho muito precário, você trabalha pra caramba, ganha pouco, é terceirizado. E quem tem a digital lá? Quem foi o relator que escreveu este texto da Reforma Trabalhista? O então deputado Rogério Marinho”, continuou.
Coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marinho já afirmou que um eventual governo liderado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende realizar novas reformas trabalhista e da Previdência. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo em março, em que o potiguar disse que as propostas deverão integrar o programa de governo do pré-candidato.
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A defesa de uma nova reforma trabalhista recolocou em evidência o papel desempenhado pelo próprio Rogério Marinho na aprovação da última grande mudança nas leis do trabalho no país. A proposta relatada por ele resultou na Lei nº 13.467/2017 e promoveu uma ampla alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), modificando dezenas de dispositivos da legislação e ampliando o espaço para negociações coletivas entre empresas e trabalhadores.
A reforma criou modalidades como o trabalho intermitente, alterou regras sobre jornada e banco de horas e tornou facultativa a contribuição sindical.
As mudanças foram apresentadas pelo governo como forma de modernizar o mercado de trabalho e estimular a geração de empregos, mas provocou forte reação de sindicatos, centrais sindicais e entidades ligadas à Justiça do Trabalho.
Representantes dos trabalhadores argumentaram que as mudanças poderiam ampliar a precarização das relações de trabalho e reduzir direitos historicamente conquistados.
Jornada de trabalho
Marinho é o autor de uma PEC alternativa no Senado que permite ampliar a possibilidade de negociação direta sobre jornadas de trabalho entre empresas e trabalhadores. O texto foi apresentado horas depois da Câmara dos Deputados aprovar a matéria que acaba com a escala 6×1 e estabelece uma jornada de trabalho de 40 horas semanais com dois dias de descanso.
A PEC de Rogério, apresentada como uma alternativa ao fim da escala 6×1, permite a opção entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. A proposta altera o art. 7º da Constituição Federal para assegurar a livre pactuação contratual entre empregado e empregador, mantendo garantias trabalhistas. O senador Styvenson Valentim (Podemos) também assina.
Em vídeo, o senador potiguar explicou seu texto e falou da possibilidade de negociação entre patrão e empregado.
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“A PEC 12 propõe que haja uma alternativa à situação que está se afigurando, ou seja, jornada flexível, que quem quiser trabalhar num determinado dia do ano e num determinado horário tenha a possibilidade de fazer livre negociação com os patrões, ou por ocasião da sua contratação, ou através do seu sindicato e que seja remunerado também por horas trabalhadas. Se você quiser trabalhar 20 horas, 30 horas, 40 horas, 50 horas, é possível”, afirmou.
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Rogério aciona AGU
Após o vídeo de Boulos e outras manifestações, Marinho acionou nesta segunda-feira (8) a Advocacia-Geral da União (AGU) e pediu à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD) a apuração da disseminação de informações falsas sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026. A representação foi encaminhada ao advogado-geral da União, Jorge Messias, e menciona manifestações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, dos deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP), Érika Hilton (PSOL-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ), além do senador Fabiano Contarato (PT-ES), sobre o conteúdo da proposta apresentada por ele no Senado.
Na representação, Rogério Marinho sustenta que as manifestações atribuídas a Boulos e aos integrantes da base do governo Lula configuram “verdadeira disseminação de desinformação sobre fatos e sobre política pública em discussão no Parlamento”, ao associarem a PEC 12/2026 à criação de uma suposta escala 7×0, ao fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e à retirada de direitos trabalhistas. O senador argumenta que as interpretações não correspondem ao texto da proposta, uma vez que a matéria preserva os direitos previstos no artigo 7º da Constituição Federal, com ampliação das possibilidades de negociação entre empregado e empregador.
Na representação, Rogério Marinho pede que a AGU apure eventuais ilícitos relacionados à disseminação de desinformação sobre a proposta e avalie “a adoção das medidas administrativas e judiciais cabíveis”, além de reforçar o livre debate de ideias acerca da prioridade do negociado sobre o legislado nas relações de trabalho.
Fotografias amareladas pelo tempo, manchetes esquecidas nos arquivos e rostos que a história oficial quase apagou formam um mosaico da memória potiguar. São fragmentos de uma história que não terminou quando os militares deixaram o poder. Ao contrário, continuam reverberando nas disputas pela memória, nas dificuldades de responsabilização pelos crimes da ditadura e nos desafios enfrentados pela democracia brasileira.
É dessa compreensão que nasce Ecos do Autoritarismo no Rio Grande do Norte, obra organizada pelos pesquisadores Maria da Conceição Fraga, João Maria de Sousa Fraga e Juan de Assis Almeida. Reunindo 17 artigos de autores de diferentes áreas do conhecimento, o livro amplia e aprofunda um esforço coletivo que vem ganhando corpo no estado para compreender não apenas o que foi a ditadura civil-militar, mas também as marcas que ela deixou na sociedade brasileira.
O novo volume dá continuidade ao trabalho iniciado em 2024 com o lançamento de 60 Anos do Golpe Civil-Militar no Rio Grande do Norte, organizado por Maria da Conceição Fraga e João Maria de Sousa Fraga no contexto das seis décadas da ruptura democrática de 1964. Se a primeira publicação buscou reunir reflexões sobre o significado histórico do golpe e seus impactos no estado, a nova obra avança sobre temas ainda pouco explorados, incorpora novas pesquisas e amplia o olhar sobre personagens, instituições e processos que atravessaram aquele período.
“Entendemos esse livro como uma continuidade dos estudos e das publicações sobre a ditadura militar no Rio Grande do Norte”, afirma a historiadora Maria da Conceição Fraga, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), pós-doutora em Direito Constitucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e professora aposentada do Departamento de História da instituição.
A diversidade dos autores ajuda a explicar a amplitude do livro. Os artigos foram produzidos por historiadores, cientistas sociais, jornalistas, advogados, promotores de Justiça, professores da educação básica e pesquisadores universitários vinculados a instituições como UFRN, IFRN, UERN e outras organizações acadêmicas e de pesquisa.
O resultado é um panorama que atravessa diferentes dimensões da experiência autoritária no Rio Grande do Norte.
Entre os temas abordados estão a participação dos trabalhadores rurais nos processos de resistência ao regime, a atuação de lideranças populares perseguidas após o golpe, a repressão em espaços educacionais, a influência dos Estados Unidos na articulação da ruptura democrática e as relações entre as elites políticas locais e o novo regime instaurado em 1964.
Uma das contribuições da obra é justamente retirar da invisibilidade personagens e experiências que ficaram à margem das narrativas mais conhecidas sobre a ditadura. Os textos recuperam trajetórias de resistência como as de Vulpiano Cavalcanti, Zoé e Sérgio Dieb, entre outros militantes e lideranças que enfrentaram a repressão em diferentes momentos.
Para Juan Almeida, professor do Departamento de Direito da UFRN, integrante da Comissão da Verdade da universidade e um dos organizadores da obra, um dos principais méritos da publicação é justamente ampliar o conhecimento histórico sobre as formas de repressão adotadas pelo regime militar no estado.
“Esta obra revela novos conhecimentos históricos sobre os padrões repressivos da ditadura militar no Rio Grande do Norte, especialmente nos meios rural e educacional, além de destacar as lutas políticas travadas no interior do estado no período que antecedeu o golpe de 1964”, afirma.
Segundo ele, o livro contribui para expandir a historiografia produzida sobre o período ao recuperar experiências, personagens e conflitos políticos muitas vezes ausentes dos relatos mais tradicionais.
“Soma-se à historiografia já produzida ao evidenciar, igualmente, a biografia de potiguares que se enfileiraram na luta contra a ditadura e em defesa da democracia, como o sabugiense Zoé Lucas de Brito, o mipibuense Silton Pinheiro e o ex-vereador de Natal Sérgio Dieb”, destaca.
O livro também dedica atenção especial ao papel dos trabalhadores rurais, segmento que esteve entre os principais alvos da perseguição política após o golpe. As pesquisas mostram como sindicatos, associações e movimentos populares foram monitorados, desarticulados ou reprimidos em um contexto de intensa mobilização social que antecedeu a instalação da ditadura.
Outra investigação revisita a greve dos ferroviários ocorrida no período que antecede o golpe de 1964. Mais do que um episódio trabalhista, o movimento ajuda a compreender as tensões sociais e políticas que marcaram aqueles anos e que contribuíram para a construção do ambiente que culminaria na ruptura democrática.
O campo da educação também ocupa espaço relevante na obra. Um dos estudos analisa a experiência da então Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, hoje Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), durante os anos de regime militar, revelando os mecanismos de controle e vigilância presentes em instituições de ensino e formação profissional.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores voltam o olhar para as estruturas de poder que sustentaram o golpe. Um dos artigos examina a influência exercida pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria e suas conexões com a política brasileira. Outro discute o papel desempenhado pelo governo de Aluízio Alves nos acontecimentos que consolidaram a nova ordem política no estado.
Mas a obra não se limita à reconstrução histórica dos fatos.
Entre as reflexões presentes no livro está uma discussão sobre os processos de anistia no Brasil e seus efeitos sobre a cultura política nacional. Os autores analisam como sucessivas tentativas de ruptura institucional ao longo da história brasileira foram perdoadas sem que houvesse responsabilização efetiva dos envolvidos, contribuindo para a permanência de práticas autoritárias e para a fragilidade dos mecanismos de proteção democrática.
Também ganham espaço análises de fontes documentais produzidas pelos próprios órgãos de repressão. Ao examinar relatórios, registros e documentos oficiais, os pesquisadores buscam compreender não apenas como o Estado monitorava cidadãos e organizações, mas também como construía narrativas destinadas a justificar perseguições, prisões e intervenções políticas.
Ao reunir essas diferentes perspectivas, Ecos do Autoritarismo no Rio Grande do Norte dialoga com uma questão que ultrapassa os limites da historiografia: o direito à memória.
Num país onde a justiça de transição permanece incompleta, onde arquivos militares seguem fechados e onde familiares de vítimas ainda buscam respostas sobre desaparecimentos, mortes e violações de direitos humanos, lembrar continua sendo um ato político.
A disputa não se dá apenas sobre o passado, mas sobre o significado desse passado para as gerações que vieram depois.
A dimensão contemporânea da obra é destacada pelo cientista político Antônio Spinelli, responsável pela apresentação do livro. Para ele, a publicação convida o leitor a compreender o passado não como um território encerrado, mas como ferramenta para a construção do futuro. “Ecos do Autoritarismo no Rio Grande do Norte pensa o passado na perspectiva do futuro. É essa compreensão do passado como um campo de reflexão que recusa tanto a nostalgia quanto o olhar desdenhoso que percebe a dimensão das temporalidades como compartimentos estanques”, afirma.
Spinelli recorre à noção de “tempo tríbio”, formulada por Gilberto Freyre, para defender uma percepção das temporalidades como um tecido único e em permanente transformação. “Essa obra nos oferece uma percepção do passado histórico que nos oferta os recursos cognitivos através dos quais nos investimos como sujeitos da nossa história — para mudá-la, transformá-la na direção de um projeto aberto, que torna a vida coletiva humana um eterno embate por liberdade, igualdade e fraternidade.”
Por isso, mais do que um conjunto de pesquisas acadêmicas, o livro se apresenta como uma ferramenta para compreender o presente. Ao revisitar a repressão, as resistências e os silêncios produzidos pela ditadura, a obra ajuda a iluminar os desafios democráticos contemporâneos e reforça a importância da memória como instrumento de defesa da própria democracia.
Em tempos de revisionismos, negacionismos e recorrentes ameaças às instituições democráticas, olhar para trás talvez seja uma das formas mais necessárias de seguir em frente.
Serviço
O livro Ecos do Autoritarismo no Rio Grande do Norte será lançado no dia 28 de agosto, às 8h30, no auditório da Reitoria da UFRN, em Natal.
A obra está em pré-venda por R$ 120. Após o lançamento, o valor será de R$ 150.
Informações e reservas podem ser obtidas diretamente com a professora Maria da Conceição Fraga pelo telefone (84) 98711-2324.