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Arquibancadas cheias de olhos arregalados

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Diziam que era superstição. Mas ele sabia que não era tão simples assim.

Seu Joaquim acompanhava futebol desde os tempos em que as bolas tinham mais costura do que tecnologia. Já tinha visto time ruim virar campeão e esquadrão milionário perder para uma equipe cujo ônibus chegava ao estádio tossindo mais do que os jogadores.

Por isso, aprendera uma lição importante: nunca comemorar antes do apito final.

Naquela tarde, sentado na calçada, debaixo da sombra preguiçosa de um cajueiro carregado de cajus sumarentos, ele observava o neto exibir orgulhoso a camisa do time.

– Esse ano ninguém segura a gente! – anunciava o menino para quem quisesse ouvir. – Vamos ganhar tudo!

Seu Joaquim sentiu um arrepio. Não pelo campeonato, mas pela frase. Era justamente assim que começava a maioria das tragédias esportivas. A vizinha elogiava o atacante. O padeiro elogiava o goleiro. O motorista do ônibus elogiava a defesa. Pronto.

O time começava a desandar. Lesão aqui. Pênalti perdido ali. Gol contra acolá. Parecia coincidência, mas coincidência demais acaba virando suspeita.

Na cabeça dele, o olho gordo funcionava exatamente como uma torcida adversária invisível. Não entrava em campo, não vestia uniforme, não aparecia nas estatísticas, mas estava sempre rondando os alambrados da vida.

Era como aquele sujeito que, ao ver alguém feliz, próspero ou realizado, não conseguia aplaudir. Em vez disso, ficava calculando o placar da felicidade alheia. E felicidade medida pelos outros quase sempre perde pontos.

Enquanto o neto continuava distribuindo previsões otimistas, Seu Joaquim pegou um dos livros que mantinha empilhados na varanda. Não para ler. Apenas para parecer ocupado enquanto fazia uma oração silenciosa em defesa do time.

Porque fé e superstição, naquela altura da vida, já dividiam o mesmo banco de reservas.

A rua seguia tranquila. Uma carroça passava. Uma bicicleta rangia. O vento espalhava o cheiro do doce daquelas frutas abundantes e sumarentos que a vizinha preparava para vender no fim da tarde.

Tudo parecia em paz. Mas Seu Joaquim continuava atento. Conhecia gente que escondia namoro. Gente que escondia salário. Gente que escondia receita de bolo. E conhecia até escritor que escondia o livro que estava escrevendo.

Não por falta de orgulho. Por medo dos comentaristas de arquibancada que aparecem antes mesmo da estreia. Ele também conhecia pessoas que assistem ao jogo dos outros não para torcer, mas para encontrar defeitos no gramado.

No fundo, ele achava que o problema não era exatamente a inveja. Era a incapacidade de celebrar a vitória alheia. A inveja era apenas o uniforme. O verdadeiro jogador era outro. Chamava-se mesquinhez. Energia ruim…

No final daquela semana, o time do neto perdeu por três a zero. O menino voltou para casa cabisbaixo.

– Viu? Foi o olho gordo! – reclamou.

Seu Joaquim sorriu. Talvez tivesse sido. Talvez não. Mas colocou a mão no ombro do garoto e respondeu:

– Filho, se foi olho gordo, a gente vence no próximo jogo. Se foi falta de treino, também. E completou:

– A diferença é que contra o olho gordo basta uma reza braba. Contra a preguiça, só correndo atrás da bola.

O menino riu. E Seu Joaquim também. No fundo, ele sabia que a vida inteira era um campeonato estranho em que alguns temiam os adversários enquanto outros temiam os árbitros.

Mas a maioria das pessoas passavam os dias tentando se proteger daquela torcida invisível que surge sempre que alguém começa a marcar gols demais na própria felicidade.

E talvez a melhor defesa não fosse esconder os troféus. Talvez fosse continuar jogando. Mesmo quando as arquibancadas estivessem cheias de olhos arregalados.

Fonte: saibamais.jor.br

Prefeito de Jucurutu e maioria da Câmara declaram apoio a Samanda Alves ao Senado

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A pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) ampliou sua base política no Seridó neste sábado (20) ao receber o apoio do prefeito de Jucurutu, Iogo Queiroz, do ex-prefeito Júnior Queiroz e da maioria da Câmara Municipal. A adesão foi anunciada durante agenda no município, um dos mais importantes polos econômicos do interior do Rio Grande do Norte.

Também declararam apoio a Samanda os vereadores Edvan Fernandes, Francinildo, Júnior de Dequinha, Lulu de Chico Ivo, Augusto Diniz, Marcione Medeiros, Romualdo Teixeira e Rubens Batista, consolidando a adesão da maioria do Legislativo municipal ao projeto político da pré-candidata.

O encontro reuniu ainda lideranças de outros municípios do Seridó que já integram a base de apoio de Samanda na região, entre elas o prefeito de São Vicente, Genilson Maia, o vice-prefeito Isaac Alexandre, o prefeito de São José do Seridó, Jackson Dantas, e o vereador Del, de Tenente Laurentino Cruz.

Jucurutu é reconhecida como a Capital do Queijo de Coalho do estado e um dos principais polos da indústria de laticínios potiguar. O município também se destaca pela produção de biscoitos, pela atividade mineral e pelas oportunidades geradas a partir da Barragem de Oiticica. Nos últimos anos, a cidade tem ampliado seu protagonismo regional, impulsionada por investimentos em infraestrutura hídrica, desenvolvimento econômico e fortalecimento de suas cadeias produtivas.

Ao agradecer o apoio recebido, Samanda destacou as potencialidades econômicas e sociais do município e reafirmou o compromisso de representar a cidade e o interior do estado no Senado Federal.

“Jucurutu representa muito do Rio Grande do Norte que queremos fortalecer: uma terra de produção, de trabalho e de oportunidades. É a cidade das águas, da agricultura, da mineração e de um povo trabalhador que acredita no futuro. Nosso compromisso é fazer com que esse potencial se transforme em mais investimentos, emprego e desenvolvimento. Estaremos em Brasília, mas sempre presentes no Rio Grande do Norte, lutando para que Jucurutu tenha a atenção e as oportunidades que merece”, afirmou.

Durante o encontro, o prefeito Iogo Queiroz ressaltou os investimentos realizados pelo Governo do Estado e defendeu a continuidade do projeto político liderado pela governadora Fátima Bezerra. Segundo ele, as melhorias na infraestrutura rodoviária, os investimentos em educação e as parcerias com os municípios demonstram os resultados da atual gestão.

Com a adesão do grupo político de Jucurutu, Samanda amplia sua presença no Seridó, região estratégica para as eleições de 2026, e fortalece a articulação de sua pré-campanha em defesa da continuidade de um projeto político voltado ao desenvolvimento do Rio Grande do Norte e à melhoria da vida da população.

Chegou o inverno: saiba quais vitaminas e minerais ganham papel estratégico na prevenção de doenças respiratórias

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A chegada do inverno traz um cenário conhecido pelos serviços de saúde: o aumento dos casos de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias. Além da maior circulação de vírus, fatores como a redução da exposição solar e a permanência em ambientes fechados podem impactar o equilíbrio nutricional do organismo, tornando alguns nutrientes especialmente importantes nesta época do ano.
 

Segundo a pesquisadora e gerente de Inovação e Pesquisa Clínica da Prati-Donaduzzi, Emanuelle Menegazzo Webler, as vitaminas D e C, zinco e selênio desempenham funções essenciais para o funcionamento adequado do sistema imunológico e merecem atenção durante os meses mais frios.
 

Os nutracêuticos ganham espaço como aliados da saúde preventiva, pois reúnem suplementos alimentares formulados para complementar a ingestão de vitaminas e minerais, contribuindo para o equilíbrio nutricional e para a manutenção do bem-estar.
 

“Eles contribuem diretamente para o funcionamento do sistema imune, participando do desenvolvimento e da atividade das células de defesa. Quando há deficiência desses nutrientes, a resposta imunológica pode ser comprometida”, explica.
 

A vitamina D costuma ser uma das mais afetadas durante a estação. Produzida principalmente por meio da exposição da pele à luz solar, ela pode apresentar redução nos níveis sanguíneos devido aos dias mais curtos e ao hábito de permanecer mais tempo em ambientes fechados.
 

“Além da participação no sistema imunológico, esse nutriente também está relacionado à saúde muscular e à manutenção dos ossos”, afirma Emanuelle.
 

A vitamina C também exerce papel importante na proteção do organismo. Conhecida por sua ação antioxidante, ela auxilia no funcionamento das células de defesa e participa de diversos processos metabólicos relacionados à manutenção da saúde.
 

Já o zinco é um mineral essencial para o desenvolvimento e a atuação adequada do sistema imunológico. Sua deficiência está associada a uma maior suscetibilidade a infecções e pode comprometer a resposta do organismo diante de agentes infecciosos.
 

Outro nutriente que merece atenção é o selênio. Com ação antioxidante, ele ajuda a proteger as células contra danos causados pelos radicais livres e também participa do funcionamento adequado do sistema imune.
 

De acordo com a pesquisadora, embora uma alimentação equilibrada continue sendo a principal fonte de nutrientes para a maioria das pessoas, a suplementação pode ser uma estratégia complementar importante em situações específicas.
 

“Para pessoas saudáveis e bem nutridas, a alimentação fornece a maior parte dos nutrientes necessários para uma imunidade adequada, porém, muitos fatores interferem na capacidade de defesa do sistema imunológico como estresse, desequilíbrio alimentar, sono inadequado e hidratação insuficiente, assim, a suplementação é uma estratégia relevante para complementar os nutrientes faltantes e potencializar a imunidade”, alerta.
 

Os benefícios costumam ser mais evidentes em grupos considerados de maior risco para deficiências nutricionais, como idosos, pessoas com dietas restritivas, pacientes bariátricos, indivíduos em tratamento oncológico ou com condições que afetam a absorção de nutrientes.
 

A especialista reforça, porém, que a escolha dos suplementos deve ser feita com orientação profissional. “Além da qualidade e procedência dos produtos, é importante avaliar as necessidades individuais de cada pessoa. O excesso de determinados nutrientes também pode trazer riscos à saúde e comprometer os resultados esperados”, orienta.
 

Sobre a Prati-Donaduzzi
 

A Prati-Donaduzzi é uma indústria farmacêutica brasileira com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento, produção e comercialização de medicamentos. Com forte presença no mercado e foco em inovação e excelência operacional, a empresa mantém o compromisso de promover saúde e bem-estar, aliando crescimento econômico, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente.
 

Informações e contatos de imprensa
 

Approach Comunicaçãopratidonaduzzi@approach.com.br

Comissão da Verdade da Uern confirma perseguições na ditadura 

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O relatório da Comissão da Memória e da Verdade da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) foi entregue nesta quinta-feira (18), em solenidade que ocorreu no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Fafic), no campus Mossoró. Instituída em abril de 2025, a Comissão teve como objetivo resgatar a história da instituição e investigar violações de direitos humanos, práticas de vigilância sobre estudantes e professores, além de estruturas de repressão no ambiente acadêmico durante o período da ditadura militar.

O documento gerou um livro, publicado na a página da Edições Uern no portal da Universidade. O resultado do trabalho da Comissão foi de verificar se a comunidade acadêmica havia sofrido algum tipo de violação de seus direitos como o cerceamento das liberdades individuais, sofrido agressões física, emocionais, perseguições no exercício da profissão como ser espionado pelo Sistema Nacional de Informação.

Um dos principais focos da análise foi verificar a atuação do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência criado no contexto da ditadura militar, na então Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN). 

Um dos alvos do SNI foi a “V Semana de Filosofia do Rio Grande do Norte”, ocorrida entre 01 e 05 de maio de 1984. Além das atividades acadêmicas, há relatórios sobre greves e a respeito do contexto político da cidade, produzidos pelo SNI na época, bem como documentos referentes à prisão de jovens considerados “subversivos”, na década de 70.

Saiba Mais: “O outro dia chegará”: certidões corrigem a mentira oficial sobre 12 potiguares mortos pela ditadura

Durante os oito meses de vigência da Comissão da Memória e da Verdade da Uern, o documento aponta que não foi verificada a existência de instalações dos instrumentos de vigilância ou espionagem direcionados à comunidade acadêmica nos espaços físicos da universidade. No entanto, foi verificado que na documentação referente a atuação do SNI em Mossoró, encaminhada pelo Ministério Público Federal à Uern, havia uma vigilância sobre as Semanas de Filosofia coordenadas pelo professor João Batista Xavier na primeira metade da década de 1980. Os relatórios apontam a programação do evento, as temáticas abordadas e o espaço e o contexto em que ocorriam as discussões.

Segundo informou o Ministério Público Federal (MPF) no ano passado, o órgão repercutiu a prisão de Ricardo Torres de Carvalho, Jonas Rufino de Paiva, Francisco Aurélio de Araújo, Lourival Alves da Silva e José Henrique da Fé efetivada pela polícia de Mossoró em 1º de maio de 1970, dia do trabalhador, tendo em vista que eles estavam distribuindo panfletos considerados “subversivos”. Na avaliação do órgão, “estão os subversivos dispostos a tudo e procura solapar a ordem pública e induzir o povo contra a lei e os poderes constituídos”, mesmo em se tratando de exercício não violento da liberdade de reunião e manifestação.

Saiba Mais: Espionagem em universidades de Mossoró durante a ditadura será debatida em audiência

Houve novo interesse do SNI pela “Semana de Filosofia do Rio Grande do Norte”, perante a qual “tem comparecido elementos de diversas organizações esquerdistas”, tendo o órgão monitorado João Batista Xavier, Professor de Filosofia e Estudos Sociais da então URRN, buscando obter a qualificação e outros dados do docente.

Durante a cerimônia desta quinta, que reuniu autoridades e membros da comunidade acadêmica, o presidente da Comissão, professor Marcílio Falcão, explicou o desenvolvimento dos trabalhos e destacou a relevância do relatório final.

“A Comissão se organizou, analisou todo o material e concluiu que houve, sim, perseguição política e ideológica na Universidade durante a ditadura. Com esse relatório, a Uern reafirma que não há espaço para o extremismo. A instituição é um ambiente de liberdade e de defesa da democracia e da cidadania”, afirmou.

Recomendações

Diante desse contexto, a Comissão fez as seguintes recomendações à gestão da universidade:

a) Mapeamento e organização da documentação da universidade referente ao período de 1968 a 1985;

b) Incentivo à pesquisa, realização de eventos e publicações pela EDUern dos estudos sobre a Ditadura Militar brasileira;

c) Criação e instalação de placas e marcos temporais sobre a atuação da comunidade acadêmica da Uern durante a Ditadura Militar brasileira;

d) Reparação histórica, de forma simbólica, para as lideranças docentes e estudantis que aturam na universidade durante o recorte temporal analisado pela Comissão da Memória e da Verdade da Uern; sendo uma recomendação específica de reparação, mesmo que simbólica, ao professor João Batista Xavier.

Reconhecimento

A reitora da Uern, Cicília Maia, reforçou o papel da universidade como espaço de memória e reflexão crítica. 

“Compreendemos que a universidade pública não é apenas um local de formação e produção de conhecimento, mas também de preservação da memória, reflexão crítica e compromisso permanente com os valores democráticos”, destacou.

Ela acrescentou que o relatório se torna um importante patrimônio institucional. 

“Esse documento ficará disponível em nossa biblioteca como registro de memórias e narrativas que ampliam o conhecimento sobre a história da Uern, contribuindo para que as atuais e futuras gerações compreendam melhor os caminhos percorridos pela instituição.”

Entrega do documento nesta quinta – Foto: Rosalba Moreira

Na ocasião, foram entregues certificados de reconhecimento pela luta em defesa da liberdade e da democracia aos professores Carlos Alberto Lima Filgueira (in memoriam) e João Batista Xavier, que tiveram papel relevante na Universidade durante o período. O procurador da República no RN, Emanoel de Melo, ressaltou a importância da reparação simbólica às vítimas de perseguição.

Kadja Filgueira, filha do professor Carlos Alberto Filgueira, fez um discurso emocionado ao lembrar a trajetória do pai. 

“A Uern sempre foi a vida dele, e receber essa homenagem por todo o trabalho que desempenhou é muito gratificante”, declarou.

Ane Emanuelle Xavier, filha do professor João Batista, também expressou gratidão e disse que seu pai sempre acreditou na educação como ferramenta de transformação social e na coragem de defender princípios. 

“Esta homenagem celebra não apenas uma história individual, mas a memória de todos que contribuíram para a preservação dos valores democráticos e da liberdade humana”, afirmou.

Fonte: saibamais.jor.br

Hospital Walfredo Gurgel recebe novo tomógrafo do Ministério da Saúde

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Equipamento doado pelo Ministério da Saúde ampliará a capacidade de exames na maior unidade de urgência e emergência do estado

O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade de saúde da rede estadual e referência em urgências e emergências, recebeu nesta quarta-feira (17) um novo tomógrafo. O equipamento foi adquirido pelo Ministério da Saúde e está em fase de instalação e para iniciar seu funcionamento em breve.

Com capacidade para realização de cerca de 4.500 exames por mês, o novo aparelho contribuirá para maior agilidade nos diagnósticos e para a redução da necessidade de deslocamento de pacientes para outras unidades. O hospital também conta com um outro tomógrafo em funcionamento, desde dezembro do ano passado.

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE PÚBLICA.

O Brasil não esquece, o Brasil apaga!

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Por Rômulo Sckaff*

O Brasil é o país da conciliação, uma terra onde grandes mudanças nascem de acordos, sem sangue nas calçadas.

É mentira, uma bela fábula, mas é falsa. O Brasil não sofre de amnésia coletiva; ele opera uma engrenagem sistemática de apagamento.

Ao longo dos séculos, sempre que o povo pobre, negro, indígena e periférico ousou tomar as rédeas do próprio destino, a resposta do Estado é o massacre físico e o silenciamento histórico.

Episódios como a Cabanagem no Pará, Quebra Kilos no RN,, a Revolta da Chibata, no Rio, e a Guerra de Canudos, na Bahia, são tratados pela historiografia tradicional como explosões isoladas de fanatismo ou vandalismo.

Mas foram experiências profundas de organização popular que o poder dominante sufocou com violência brutal, seguida por uma meticulosa rasura na memória nacional.

Essa violência pedagógica cumpre uma função política clara: domesticar o futuro através do controle do passado.

Para legitimar a desigualdade, a elite brasileira sempre teve uma necessidade crônica de inventar os seus próprios mitos e heroísmos de gesso. Transforma-se a abolição da escravidão em um “presente” benevolente da monarquia, esvaziando décadas de insurgência quilombola.

Escolhem-se heróis que defendiam os interesses dos proprietários de terras, enquanto líderes populares são empurrados para a marginalidade da história.

Disputar essa narrativa não é apego ao passado; é uma urgência do presente.

Ao convencer a maioria de que ela sempre foi pacífica e dependente da boa vontade dos de cima, a engrenagem do apagamento tenta minar a capacidade de indignação de hoje.

Lembrar da repressão é expor as raízes da violência institucional que ainda corta as periferias.
Mas, acima de tudo, lembrar da insurgência é mostrar que nenhum direito foi doado, todos foram arrancados.

O Brasil oficial pode tentar apagar, mas a história real permanece viva na resistência daqueles que se recusam a silenciar.

*Rômulo Sckaff é historiador, cineasta e autor de:
A Pátria dos Silêncios Proibidos
Histórias que o Brasil tentou apagar

Fonte: saibamais.jor.br

Natal terá ponto de apoio para motoristas e entregadores por aplicativo

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Senado aprova criminalização da misoginia; RN tem votos favoráveis e ausência

Natal deve receber, em até dois meses, o primeiro ponto de apoio para motoristas e entregadores por aplicativo da capital potiguar. A iniciativa faz parte de um programa do Governo Federal, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, que prevê a implantação de 100 unidades em todo o país. Em Natal, o equipamento será instalado na BR-101, em área cedida pelo Centro Administrativo do Estado, no limite com a Arena das Dunas.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (18) pela vereadora Samanda Alves (PT), durante audiência pública que debateu a regulamentação do trabalho por aplicativo, realizada na Câmara Municipal.

“Desde que o presidente Lula anunciou a criação dos pontos de apoio, nosso mandato buscou dialogar com o Governo Federal para que Natal fosse contemplada. Mas essa é uma conquista coletiva, construída pela mobilização dos trabalhadores, das associações, dos sindicatos, da deputada federal Natália Bonavides e do Governo do Estado. Agora esperamos que a Prefeitura também se some a esse esforço em defesa da categoria”, afirmou Samanda durante a audiência.

A solenidade na Câmara reuniu representantes de associações, sindicatos, trabalhadores da categoria e do poder público. O primeiro ponto de apoio do Brasil está sendo construído em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Por lá, o equipamento vai funcionar por meio de dois contêineres. Um maior terá uma copa, cozinha, lugar de descanso e para carregar celular. Já um outro contêiner menor será o espaço para banheiro e vestiário. O investimento estimado para os 100 pontos de apoio em todo o país é de R$ 24 milhões.

A iniciativa foi elogiada por Luciana Macedo, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transportes do Rio Grande do Norte (Sintat-RN).

“Essa não foi uma conquista simples. Foi resultado de diálogo, de insistência, presença política e de compromisso com a base. E é por isso que hoje nós temos a perspectiva concreta da instalação de um ponto de apoio aqui em Natal”, disse.

“Esse ponto não é um favor, é resultado de luta. E mais do que isso, ele é um modelo de política pública, porque quando a gente fala de regulamentação, não dá para ficar só no papel. O trabalhador precisa de estrutura, precisa de banheiro, de água, de espaço, de descanso e de segurança. Precisa ser tratado com humanidade. E é exatamente isso que os pontos de apoio representam”, prosseguiu.

Regulamentação da atividade

Além do anúncio do ponto de apoio, a audiência debateu a minuta do projeto de lei que está sendo elaborada por um grupo de trabalho e que será encaminhada pela Prefeitura de Natal à Câmara Municipal para regulamentar a atividade no município.

O secretário-adjunto da STTU, Nilton Filho, informou que a proposta deverá ser enviada ao Ministério Público e apresentada na próxima reunião do Conselho Municipal de Transporte.

“Em um ano e meio a gente teve muitas discussões e avançou muito. A Prefeitura não tem nenhuma intenção de fazer uma regulamentação que traga prejuízo para a atividade. A intenção é minimamente disciplinar para conhecer a realidade do setor. Hoje a Prefeitura não sabe quantos trabalhadores atuam nessa atividade. A intenção é regulamentar para fortalecer”, afirmou.

A regulamentação também foi defendida por Alexandre da Silva, presidente da Associação de Trabalhadores de Aplicativos por Moto e Bike de Natal e Região Metropolitana (Atamb).

“Precisamos realmente de uma regulamentação. Que realmente esses trabalhadores sejam visíveis, porque nós trabalhadores por aplicativo somos invisíveis. Eu saio de casa caracterizado como entregador, com a bag nas costas para fazer meu trabalho, e a plataforma a qual eu presto serviço não me reconhece como trabalhador. Se hoje eu for bloqueado e for para a Justiça, infelizmente não há vínculo trabalhista em relação à plataforma”, explicou.

Ele ainda destacou os desafios enfrentados diariamente pelos profissionais do setor. 

“Não temos local de embarque e desembarque, as multas, alimentação e combustível. Todo o ônus da atividade acaba ficando com o trabalhador”, pontuou.

Fonte: saibamais.jor.br

Álvaro diz que deixar obras inacabadas “é normal”

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O ex-prefeito de Natal e pré-candidato a governador, Álvaro Dias (PL), voltou a ser cobrado em relação à entrega do Hospital Municipal, inaugurado em dezembro de 2024 ao final de sua gestão e até hoje sem funcionar. Para o ex-prefeito, deixar obras inacabadas é “normal, natural”.

As declarações foram feitas em entrevista ao programa RN no Ar, da TV Tropical, nesta quinta-feira (18). Álvaro voltou a atribuir a responsabilidade sobre a falta de funcionamento ao atual prefeito, Paulinho Freire (União), seu aliado, que teria, segundo Dias, resolvido ampliar a infraestrutura antes da entrega.

“Ele resolveu fazer umas ampliações, melhorar o estado do hospital que ele quer entregar para a população, funcionando realmente como ele acha que deve. Então eu respeito, até louvo a iniciativa que ele teve de ampliar a infraestrutura antes de entregar o hospital definitivamente à população”, disse.

O ex-prefeito falou de outras obras feitas durante sua gestão e reconheceu que deixou equipamentos inacabados.

“É natural, é normal. Por exemplo, a barragem das Oiticicas foi entregue uma parte pelo presidente Bolsonaro, outra parte pelo presidente Lula, é assim. As obras são assim, elas são demoradas”, justificou.

Saiba Mais: Álvaro Dias diz que obra que mais se orgulha é de hospital inacabado

O assunto é um tema recorrente entre nomes que devem enfrentar Álvaro nas urnas em outubro. Cadu Xavier, indicado para a sucessão de Fátima Bezerra dentro do PT, visitou o equipamento em abril e teceu críticas à falta de funcionamento.

“Esse hospital aqui, que nem está funcionando nem está pronto, foi inaugurado há mais de um ano pelo ex-prefeito de Natal. Para de mentir, prefeito”, afirmou Cadu Xavier.

No mesmo mês, Allyson Bezerra (União) disse em uma rádio de Natal que “foi uma inauguração de faz de conta, com objetivo eleitoreiro”. 

Servidores e população cobram abertura

Em 2 de junho, servidores da área da saúde e usuários do SUS fizeram um ato político e um abraço coletivo em que cobraram a abertura do Hospital Municipal de Natal. 

O ato foi convocado por sindicatos da área (Sindicato da Saúde, dos Enfermeiros, dos Odontólogos, dos Farmacêuticos e dos Médicos), além da CSP-Conlutas.

De acordo com a Prefeitura de Natal, a previsão de inauguração é para julho. Foram investidos na primeira etapa da obra R$ 140 milhões, em recursos de emendas parlamentares e do Governo Federal, através Ministério da Saúde. Em novembro, durante reunião com a bancada federal, o Executivo solicitou a destinação de R$ 110 milhões para a conclusão da obra. 

Quando estiver concluído, segundo a Prefeitura, o hospital contará com 266 leitos de internação, sendo 40 de UTIs, divididos entre UTI adulta geral (20), neonatal (10) e pediátrica (10), além de leitos específicos classificados como PPP – para pacientes de pré-parto, parto e pós-parto (10).

“A gente sabe muito bem que esse hospital foi inaugurado às pressas para poder fazer campanha eleitoral para Paulinho Freire”, criticou, no ato, o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins. 

“A nossa conversa hoje aqui, ao pé do ouvido, da população, é que nós queremos que esse hospital abra. Para que dê atenção, para que melhore a situação da população de Natal que precisa de um hospital”, prosseguiu o sindicalista.

Uma usuária do SUS, não identificada, cobrou a abertura do equipamento para que o acesso à saúde possa ser ampliado na capital.

“Que a população possa ter acesso a exames específicos, possa ter atendimento melhor. Eu mesma estou precisando fazer um acompanhamento mais específico, poderia estar utilizando esse equipamento. Não tem como utilizar porque a pouca estrutura construída já está deteriorada, como foi mostrado em algumas redes sociais. Então como é que a gente vai acreditar que vai ter esse equipamento inaugurado? Que não vai ficar só recebendo dinheiro e a população a mercê de não ter uma condição mínima para ter assistência, atendimento médico, enfermagem, tudo da forma devida? E isso é uma reclamação não só minha, eu tenho certeza, mas de toda a cidade do Natal”, afirmou.

Em visita técnica realizada em novembro de 2025, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apontou a existência de fissuras em áreas do Hospital Municipal de Natal, infiltrações e “ausência de frentes de trabalho ativas” na obra.

De acordo com a publicação, foram identificados problemas em locais como a área administrativa, ambulatório e no bloco destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias.

Saiba Mais: MP encontra fissuras e infiltrações em obra do Hospital Municipal de Natal

Na área administrativa, os problemas encontrados foram: rufos (peças metálicas no telhado) com detalhamento inadequado; desplacamento de soleiras; fissuras em chapins (peças de concreto) e platibandas (mureta construída para esconder telhado); irregularidades no assentamento de pisos; e falhas de acabamento em corrimãos e início de corrosão em válvulas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).

Saiba Mais: Ato cobra abertura do Hospital Municipal de Natal

Já no ambulatório, o MP identificou fissuração estrutural extensa em paredes externas; indícios de infiltração; tubulações expostas em ambientes internos; descontinuidade de junta de dilatação vertical no piso; e desplacamento de drywall.

No Bloco Hospital, além do efetivo reduzido, armaduras estavam com indício de corrosão, além de haver acúmulo de entulho no canteiro; presença de fissuras em alvenarias externas; e pilares com armaduras expostas e restos de formas não removidas. Essa parte da obra, à época, estava em fase inicial, mas apresentava um bom padrão de acabamento externo.

Em nota em maio deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informou que o relatório reforçou que, no geral, a obra apresenta boa qualidade. “O MPRN também realizou algumas recomendações específicas e pontuais ao projeto, com intervenções corretivas já iniciadas (pela empresa responsável pela execução da construção)”, disse a pasta.

Segundo a SMS, nenhum dos itens apontados compromete a estabilidade global da estrutura nem a segurança dos ocupantes.

“O projeto de construção do Hospital de Natal foi distribuído em duas etapas. Para iniciar o funcionamento da primeira fase, foi necessária também a execução de alguns serviços que estavam inicialmente inseridos na segunda etapa e que atenderão a todo o complexo, como a construção de dois centros cirúrgicos. A obra segue em fase final de conclusão, com previsão de que os primeiros acolhimentos sejam iniciados no mês de julho de 2026”, comunicou a Secretaria.

Fonte: saibamais.jor.br

Artista potiguar estreia em exposição que investiga memória e colonialidade

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As paisagens do interior do Rio Grande do Norte, os ritos da espiritualidade, as marcas da colonização e os vestígios que permanecem no corpo e na memória se encontram em “Alfândega”, nova exposição individual do artista visual potiguar Alcino Fernandes, aberta ao público a partir deste sábado (20), na Pinacoteca do Estado, em Natal.

Com curadoria de Maria Sucar e Walter Arcela, a mostra reúne pinturas, objetos e esculturas que atravessam temas como deslocamento, pertencimento, ancestralidade e memória. O percurso expositivo propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece, mesmo quando não pode ser plenamente nomeado: gestos, lembranças, símbolos e afetos que atravessam gerações e se manifestam no corpo.

A origem do projeto remonta a uma residência artística realizada por Alcino em Tiradentes, Minas Gerais, através do Instituto Rouanet em parceria com o Festival Artes Vertentes. Ao chegar à cidade histórica, marcada pelas heranças do período colonial, o artista passou a observar semelhanças entre aquelas paisagens e os cenários do semiárido potiguar onde cresceu.

“Percebi que a relação do corpo com o território é sempre de uma memória seccionada, convertida em aproximação para dali se sentir parte”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais. A partir dessa percepção, começou a construir um conjunto de obras que aproximam experiências pessoais e coletivas, transformando elementos do cotidiano em imagens atravessadas por histórias, afetos e disputas de memória.

O título da exposição também nasce dessa investigação. Embora remeta ao espaço físico de controle de mercadorias e fronteiras, a “alfândega” imaginada pelo artista é um território simbólico.

“Aqui ela acontece de maneira muito mais subjetiva. Recolho dessa palavra a ideia de um espaço onde coisas ficam retidas, interrompidas. Imagino pensamentos e sentimentos como imagens não endereçadas a ninguém, habitando o inconsciente, produzindo desejo e produzindo sintoma”, afirma.

Essa dimensão subjetiva se desdobra ao longo da mostra em trabalhos que transitam entre o sonho e a realidade. Nas pinturas, objetos e esculturas, elementos reconhecíveis aparecem reorganizados em novas relações, deslocando seus significados habituais. O resultado são cenas que evocam mistério e estranhamento, sem oferecer respostas prontas.

Para Alcino, o corpo não pode ser separado do território que habita. As paisagens, os sons, as crenças e os rituais também constituem a experiência corporal. Umbandista, ele reconhece a influência direta da espiritualidade em seu processo criativo.

“Há uma forte presença do imaginário de terreiro nas obras, mas ele interage com uma maneira muito onírica de observar a mim, ao mundo e às relações sociais. Tudo se organiza como em um sonho febril”, diz.

Essa relação entre espiritualidade, ancestralidade e criação aparece em imagens que dialogam com matrizes afro-ameríndias, ao mesmo tempo em que incorporam referências do semiárido nordestino. Em vez de representar diretamente essas tradições, o artista busca reorganizar símbolos e objetos em novas narrativas visuais, convidando o público a experimentar as obras mais pela sensação do que pela interpretação literal.

A exposição também marca um novo momento em sua trajetória. É a primeira vez que Alcino apresenta uma escultura dentro de uma mostra individual. O trabalho tridimensional vem sendo desenvolvido desde 2025, quando participou de uma residência artística no Rio de Janeiro, explorando processos com madeira e barro fermentado.

Segundo ele, a pintura e a escultura se alimentam mutuamente. Algumas formas surgem primeiro sobre a tela e depois ganham corpo no espaço; em outros casos, o caminho ocorre de forma inversa.

“Não existe necessariamente uma ordem. Às vezes a pintura cria a escultura ou o contrário. Todos os trabalhos possuem um não dito que se escancara em dúvida”, explica.

Mais do que transmitir uma mensagem específica, o artista espera que os visitantes se permitam permanecer diante das obras e construir suas próprias relações com as imagens.

“Torço para que caminhem por entre os trabalhos e se sintam convidados a entrar nesse espaço, a observar. Há algo muito bonito sendo construído que dialoga bastante com o silêncio das coisas”, afirma.

Para ele, a experiência da exposição não termina quando o público deixa a galeria. Se as imagens continuarem reverberando na memória dos visitantes, a travessia proposta por “ALFÂNDEGA” seguirá em curso.

“A ideia de alguém ver meu trabalho e, de alguma forma, continuar pensando sobre aquelas imagens já é uma maneira de prolongar uma alfândega.”

Trajetória

Formado em Design pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Alcino Fernandes desenvolve uma pesquisa artística centrada na terra como espaço de elaboração simbólica e fabulação. Sua produção articula pintura, processos vivos e construção de corpos-objeto, explorando imaginários afro-ameríndios e materialidades do semiárido para pensar questões relacionadas à racialidade, memória e território.

Em 2024 realizou sua primeira exposição individual, “Você disse que sabia amar”, na Galeria Yves Alves, em Minas Gerais. Também integrou a Coleção Potiguar do Banco do Nordeste, apresentada na Pinacoteca Potiguar, participou da circulação da mostra “Nordeste Expandido” e foi o primeiro artista residente do Instituto Rouanet em parceria com o Festival Artes Vertentes.

Entre 2025 e 2026 participou do programa GAS, da Galeria Anitta Schwartz, no Rio de Janeiro, além de integrar a exposição “Incorpografia – Exposição de Performance Arte”, realizada na Galeria Álvaro Santos, em Sergipe. Atualmente, também participa da mostra de acervo da Aura Galeria, em São Paulo.

Serviço
Exposição: ALFÂNDEGA
Artista: Alcino Fernandes
Abertura: 20 de junho de 2026
Local: Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte

SAIBA MAIS:
Exposição usa ruído imagético para pensar corpo e identidade transmasculina



Fonte: saibamais.jor.br

RN atualiza plano e reforça ações contra a desertificação

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O Rio Grande do Norte atualizou o Plano Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-RN), documento que orienta as ações de preservação da Caatinga, recuperação de áreas degradadas e adaptação às mudanças climáticas. A nova versão foi aprovada nesta sexta-feira (19), durante o II Seminário do Conselho Deliberativo de Combate à Desertificação, realizado em Natal.

A revisão do plano reúne contribuições de mais de 200 representantes de órgãos públicos, universidades, movimentos sociais, entidades da agricultura familiar e instituições ligadas à área ambiental. O objetivo é fortalecer estratégias de prevenção, monitoramento e recuperação dos territórios afetados pela degradação do solo, além de estimular práticas produtivas sustentáveis no Semiárido potiguar.

Durante o evento, especialistas e gestores discutiram os impactos do avanço da desertificação sobre a biodiversidade, os recursos hídricos e a produção de alimentos. A proteção da Caatinga esteve no centro dos debates, considerada essencial para a manutenção dos ecossistemas e para a qualidade de vida das populações que vivem no Semiárido.

A governadora Fátima Bezerra destacou que o plano busca integrar ações ambientais e sociais, ampliando iniciativas voltadas à conservação dos recursos naturais e à recuperação de áreas degradadas. Segundo ela, a atualização do documento se soma a outras medidas adotadas pelo estado para fortalecer a proteção ambiental.

Dados apresentados durante o seminário apontam que o Rio Grande do Norte registrou redução de aproximadamente 26% no desmatamento da Caatinga, resultado atribuído ao fortalecimento das políticas de fiscalização e conservação. O novo plano pretende ampliar esse esforço, estabelecendo diretrizes para tornar os territórios mais resilientes diante dos efeitos da seca e das mudanças climáticas.

A programação também abordou iniciativas nacionais voltadas à recuperação do bioma, como o programa Recaatingar, que prevê a restauração de milhões de hectares degradados e o incentivo à inclusão produtiva de agricultores familiares e comunidades tradicionais. O debate reforçou a necessidade de articulação entre governos, instituições de pesquisa e sociedade civil para conter o avanço da desertificação e garantir a conservação da Caatinga nas próximas décadas.

SAIBA MAIS:
Desmatamento cai 22% no RN enquanto estado amplia áreas protegidas da Caatinga

Fonte: saibamais.jor.br