Conheci Luciano Simplício em Portalegre, em 2021. Ele morava com a mãe em uma casa simples, próxima ao matadouro da cidade, na zona rural do município potiguar, distante 360 quilômetros de Natal. Luciano tinha 23 anos na época.
Fui procurá-lo a pedido do jornal O Globo para uma reportagem sobre o jovem preto que havia sido chicoteado em praça pública por um comerciante da cidade. O motivo eu descobriria durante a apuração: Luciano havia atirado uma pedra contra o portão do estabelecimento do dono do chicote.
O torturador amarrou Luciano com uma corda, da mesma forma que os senhores de antigamente faziam com pessoas escravizadas quando um negro insolente desobedecia a uma ordem ou se revoltava contra o trabalho forçado.
A sessão de tortura em praça pública foi filmada por moradores e circulou nas redes sociais. Se a irmã de Luciano não tivesse chegado às pressas ao local, o jovem talvez não estivesse vivo.
A cena chocante não sensibilizou o Ministério Público Estadual que, contrariando a defesa de Luciano, denunciou o caso como lesão corporal leve.
A história de Luciano me veio à memória ao ler, semana passada, o relato de Samara Regina. Assim como o jovem de Portalegre, Samara nasceu na região Nordeste — ela é de São Luís, no Maranhão —, também tem a pele preta e 19 anos.
Há outra semelhança entre os dois: Samara foi torturada pela dona da casa onde trabalhava como empregada doméstica. A sessão de tortura não ocorreu em praça pública, como sofreu Luciano, mas a certeza de impunidade da agressora era tão grande que ela relatou, em um grupo de WhatsApp, parte da violência praticada contra a vítima, grávida.
A torturadora de Samara acusou a empregada de roubar um anel, encontrado depois no cesto de roupas sujas da própria casa. Um policial militar, cúmplice do crime, apontou um revólver para o rosto de Samara durante as agressões.
Luciano foi amarrado com uma corda e chicoteado à luz do dia, no meio da rua, porque atirou uma pedra contra a porta de um mercadinho. Samara foi torturada com tapas, socos e pisões porque a dona da casa onde trabalhava acreditou que a empregada havia roubado um anel. Jovens pretos. Nordestinos. Pobres.
Nos dois casos, a proteção da propriedade privada serviu como justificativa para os crimes de tortura.
Luciano e Samara foram vítimas de tortura no século XXI. Reza a lenda que a escravização de corpos negros acabou no Brasil em 13 de maio de 1888, quando uma princesa de Portugal assinou uma lei que pôs fim ao trabalho forçado e sem remuneração de negras e negros no país.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando a conduta imprescritível e inafiançável.
A Suprema Corte também considera os crimes de tortura inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia no Brasil.
Alberam de Freitas, o homem que torturou Luciano Simplício, não foi preso e segue vivendo normalmente em Portalegre. Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, a mulher que torturou Samara, está presa, ainda sob o clamor da repercussão nas redes sociais. A defesa alega que a acusada sofre de transtornos mentais.
Mais de 70% da população carcerária do Brasil é formada por pessoas pretas. Os torturadores de Luciano e Samara são brancos.
Em 2006, o então diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, publicou o livro Não Somos Racistas.
A nova obra de drenagem que a Prefeitura de Natal pretende realizar na praia de Ponta Negra tem a previsão de durar cinco meses, conforme cronograma disponível no edital de licitação.
A obra vai receber um investimento de R$21 milhões e está prevista para acontecer em três pontos: nas ruas Francisco Gurgel e dissipador 9; na rua João Rodrigues de Oliveira; e na rua Praia de Pirangi.
A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos.
O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025. De acordo com a Prefeitura, o sistema foi dimensionado para suportar chuvas com intensidade até 60 mm, permitindo a infiltração da água no solo.
Ainda assim, em casos de precipitações superiores a esse volume, o excedente será direcionado para a faixa de areia, podendo formar alagamentos que a Prefeitura vem chamando de “espelhos d’água”, que devem se dissipar rapidamente por infiltração.
De acordo com o Executivo, os reservatórios de detenção e infiltração foram escolhidos por sua alta capacidade de infiltração, eficiência operacional e caráter sustentável. Além disso, o sistema contribui para a melhoria da qualidade da água que chega à praia, ao promover a filtragem de impurezas provenientes, em muitos casos, de ligações clandestinas de esgoto que escoam diretamente para a areia.
A licitação está prevista para o dia 27 de maio. A partir dessa etapa, serão respeitados os prazos legais do processo licitatório. A expectativa é que, após a conclusão dessa fase, seja iniciada a implantação do novo sistema de drenagem no início do segundo semestre.
Alagamentos vão permanecer
Em evento com a imprensa na quarta-feira (13), o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” vão continuar, mas em menor volume.
Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.
“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.
Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.
“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”
Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.
Saiba Mais: Engorda: Prefeitura anuncia nova obra de drenagem, mas diz que “espelhos d’água” continuarão
“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.
Titular da Seinfra diz que não houve tubulações falsas
A secretária de Infraestrutura de Natal, Shirley Cavalcanti, negou a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas propositalmente, conforme apresentado em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal. O órgão também demonstrou o risco de “desastre estrutural iminente” devido à “ausência de dissipadores eficientes e o grande desnível topográfico de 40 metros”.
“Na própria imagem que existe no relatório, a gente vê uma tubulação tamponada, que a gente vê ela fechada em alvenaria. Ela foi desativada e foi realocada para o lado. A gente consegue visualizar na própria foto onde ela foi reposicionada, no dissipador 15”, justificou.
“Ela foi desativada por questões técnicas, porque onde ela estava projetada tinha uma maior contribuição de esgoto. Então pra gente ter um melhor funcionamento, se reposicionou e o dissipador 15 está em pleno funcionamento. Os outros pontos que foram sobre fechamento dos tubos com lonas. Aquilo não é lona, é uma manta geotêxtil, conhecida como bidim, que serve para reter sedimentos. Ela não impede a passagem, o fluxo, a saída da água. E é uma manta muito utilizada em obras de drenagem. Então, em momento nenhum, houve interrupção de tubulações, nem tubulações falsas. A prova disso é que a água está chegando na faixa de areia e os espelhos d’água estão lá”, prosseguiu.
Cavalcanti também foi questionada sobre uma pedra dentro da tubulação, e disse que ela seria própria do enrocamento que fica por trás do dissipador.
“Então, ela não desceu na tubulação da drenagem, ela chegou lá, não sei se pelo movimento dos próprios espelhos d’água, a gente não sabe identificar como ela chegou lá, mas ela já foi retirada, porque é importante a gente dizer que aquelas fotos são de janeiro deste ano. Então, estamos em maio, a situação que se encontra lá é muito diferente do que está registrado.”
Erosão e “lagoas pútridas”
Em ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), o órgão afirma que a drenagem em Ponta Negra foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada.
Para os procuradores da República Ilia Freire, Victor Mariz e Camões Boaventura, a falta de drenagem tornou-se “uma gravíssima crise socioambiental e técnica”. De acordo com o MPF. Eles defendem que “a intervenção judicial é inadiável para evitar que novas obras de urbanização consolidem um passivo ambiental irreversível.”
Sistema ineficiente e perda de areia
Estudos técnicos da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) e da perícia do MPF constataram a ineficiência do sistema de drenagem, com tubulações falsas e galerias bloqueadas com concreto e rochas. As análises demonstraram que os 16 dissipadores existentes não cumprem a função de dispersar as águas pluviais, gerando acúmulo da água da chuva misturada à rede de esgotos, favorecendo a proliferação de vetores de doenças.
Saiba Mais: Alagamentos em Ponta Negra podem acelerar erosão do Morro do Careca, atesta MPF
Além disso, os levantamentos enfatizam que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. Os estudos indicam também que o deságue inadequado próximo à base da duna está carregando sedimentos e já causou danos físicos, como a derrubada de cercas de proteção do morro.
Em chuvas recentes, no mês de abril, uma vala foi aberta próxima ao morro, em razão da força da água das chuvas que vai de encontro ao mar, também arrastando a areia da “engorda”. A perícia concluiu que é necessária a manutenção preventiva e corretiva, sob o risco “de prejuízo financeiro vultoso pelo refazimento da ‘engorda’ e a abreviação da vida útil do empreendimento”.
Segundo o texto, os registros do Procedimento Administrativo revelam um cenário de calamidade sanitária. As vistorias da Funpec identificaram 84 pontos de saída de água na orla, dos quais 29 apresentavam fluxo constante mesmo em períodos de estiagem, indicando o lançamento ilegal de águas de piscinas e duchas de estabelecimentos privados.
Saiba Mais: Engorda: dissipadores contêm “lagoas pútridas” em Ponta Negra
“Mais grave ainda, a identificação de águas cinzas com odor fétido em diversos dissipadores (especialmente nos 1, 2, 3, 4, 5, 7 e 8) confirma que a rede pluvial está contaminada por águas servidas. A profundidade dessas águas estagnadas chegou a 93 cm no dissipador 8, criando verdadeiras lagoas pútridas em plena área turística”, diz um trecho da ação.
Em outro ponto, o Ministério Público Federal aponta que os relatórios de junho de 2025 Programa de Manutenção, de Reparo e de Melhorias (PMRMD) consolidam a existência de uma crise sanitária, documentando águas estagnadas e pútridas nos dissipadores 7 e 8, com profundidades de até 93 cm, exalando odor de esgoto e criando focos para vetores de doenças como a leptospirose.
“Esta deficiência mantida, quando se soma a um sistema de drenagem insuficiente e falta de monitoramento da qualidade da água e dos sedimentos, pode propiciar um comprometimento significativo da balneabilidade da praia de Ponta Negra”, diz a passagem citada de um laudo técnico.
Seinfra não forneceu documentações para avaliação
O Ministério Público Federal ainda afirmou que buscou obter, por várias vezes, a documentação necessária para a avaliação técnica da drenagem que está em andamento na praia, mas a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal (Seinfra) não forneceu os referidos registros. O órgão ministerial também tentou realizar extrajudicialmente a fiscalização da obra, mas não obteve êxito.
Segundo os procuradores da República responsáveis pelo caso, o município falhou ao priorizar a execução do aterro hidráulico antes da conclusão do sistema de drenagem e foi omisso na fiscalização de ligações clandestinas, na apresentação de projetos fidedignos e na manutenção dos dispositivos. De acordo com as apurações, a falta de drenagem traz prejuízos para o turismo, risco iminente à saúde pública e potencial para acelerar a erosão do Morro do Careca e reduzir a nova faixa de areia.
Pedidos
A ação pede liminarmente a execução de obras emergenciais de manutenção, limpeza e desobstrução semanal das bocas de lobo e dissipadores, com prazo de início em até 30 dias, assim como a interdição e o isolamento de áreas de risco e da base do Morro do Careca. O MPF quer a proibição de novas licenças urbanísticas até a solução definitiva da drenagem e, se a liminar for acatada, o município deverá ainda fornecer todos os documentos técnicos sobre o sistema de drenagem e dados mensais de volumetria da areia da “engorda”, em até 15 dias.
Caso as medidas sejam descumpridas, o MPF requer a aplicação de uma multa diária de R$ 5 mil. Além disso, o órgão pleiteia que a sentença estabeleça uma indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 500 mil. O objetivo final da ação é que o sistema de drenagem seja integralmente reestruturado, com novos projetos detalhados, funcionamento pleno dos dissipadores e cronograma sistemático de manutenção preventiva e limpeza.
TCU constata fragilidades técnicas e perda de areia
Antes do MPF, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra da engorda de Ponta Negra registrou fragilidades técnicas nos estudos de impacto ambiental e que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) foi obstruído de exercer o controle e o acompanhamento das condicionantes do empreendimento. Além disso, mostrou que já houve uma perda significativa de aterro hidráulico no Morro do Careca menos de um ano após a conclusão.
Saiba Mais: TCU aponta falhas e perda de aterro na engorda de Ponta Negra
Um dos pontos diz que houve insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento (EVTEA), dos estudos referentes a EIA/RIMA, bem como dos projetos básico e executivo. O EIA/RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, um conjunto de documentos técnicos obrigatório para o licenciamento de atividades que possam causar impactos ao meio ambiente. Já o EVTEA verifica se os benefícios estimados justificam os custos com os projetos e execução das obras previstas.
Em outro apontamento, o documento atesta que houve prejuízos ao rito regular de licenciamento da obra de aterro por parte da Prefeitura de Natal, além de obstrução ao Idema. Ainda segundo o relatório preliminar, já há uma alta perda do aterro, bem como indícios de inadequação do material sedimentar extraído de jazida não autorizada.
Os eleitores dos municípios de Itaú e Ouro Branco, no interior do Rio Grande do Norte, vão às urnas em duas eleições diferentes em 2026. Além das datas em outubro (1º turno e eventual 2º turno), as cidades tiveram seus prefeitos e vices cassados por abuso de poder político e vão eleger novos gestores neste domingo, 17 de maio.
As novas eleições foram determinadas por uma resolução do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após a cassação dos prefeitos e vice-prefeitos dos dois municípios por abuso de poder e prática de condutas vedadas pela legislação eleitoral.
Foram registradas duas candidaturas para prefeito e vice em cada município. Em Itaú, os candidatos a prefeito são Fabrício Regis, do PT, que concorre em chapa puro sangue com vice Branco Basilio (PT). O adversário é José Roberto Dias Pinheiro, o “Zé Roberto Pezão”, do União Brasil, tendo como vice Rosa Basilio, também em chapa puro sangue.
Já em Ouro Branco, a disputa envolve outra chapa petista: a candidata a prefeita Dra. Fátima, com o vice Denis Rildon, enfrenta Professor Amariudo (PP), que tem Doutor Araújo, da mesma sigla, como vice. Dra. Fátima já foi prefeita de Ouro Branco eleita em 2012 e 2016.
Ao todo, cerca de 10 mil eleitores estão aptos a votar nas duas cidades. Em Ouro Branco, pertencente à 23ª Zona Eleitoral, em Caicó, são 4.527 eleitores. Já Itaú, da 45ª Zona Eleitoral, em Apodi, possui 5.085 eleitores aptos ao voto.
Histórico
No caso de Itaú, Dr. André Júnior (PP) e Paulinho de Enoch (MDB), reeleitos prefeito e vice em 2024, tiveram seus diplomas cassados após entendimentos da Justiça Eleitoral de que houve conduta vedada e abuso de poder em dois eventos promovidos pela Prefeitura de Itaú em 2024: o evento “Dia das Mães Itauenses” e o “XVI Arraiá do Zé Padeiro”.
No evento do Dia das Mães, mais de 800 mães foram recebidas com café da manhã e concorreram ao sorteio de cerca de 300 brindes de valor significativo, com forte divulgação nas redes oficiais da Prefeitura e participação direta do prefeito, já então pré-candidato à reeleição.
No Arraiá do Zé Padeiro, o Tribunal entendeu que o show de encerramento do cantor Rey Vaqueiro, contratado por R$ 120 mil com recursos públicos, foi desvirtuado para promover pessoalmente o prefeito, em período próximo às eleições e com grande alcance junto à população.
A decisão também declarou o prefeito inelegível por oito anos em razão da prática de abuso de poder político e econômico, além de conduta vedada nas eleições de 2024.
Com a Prefeitura vaga no momento, quem assumiu interinamente o comando do Executivo foi o presidente da Câmara Municipal, Fernandes Melo (União Brasil).
Ouro Branco
Em Ouro Branco, a cassação dos mandatos do prefeito Samuel Souto (PL) e de seu vice, Doutor Araújo (PP), ocorreu por conduta vedada, abuso de poder, uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico. Além da cassação, o então prefeito Samuel Souto (PL) foi declarado inelegível por oito anos.
Samuel Souto foi o primeiro prefeito cassado no TRE-RN em 2025, entrou com recurso e foi novamente alvo do processo eleitoral. O prefeito distribuiu 436 próteses dentárias em ano eleitoral, conduta vedada pela lei eleitoral, que proíbe que no ano de eleições se institua programa social ou de distribuição de bens e benefícios sem execução no ano anterior.
Em um Estudo Técnico Preliminar (ETP), a Prefeitura de Natal diz que os problemas de drenagem em Ponta Negra podem favorecer o transporte de sedimentos em direção à faixa de areia. O documento, de 38 páginas, reconhece que existem alagamentos na faixa da praia — o termo é citado 17 vezes, no singular ou plural, embora o discurso oficial da Prefeitura fale em “espelhos d’água” — este, citado apenas uma vez. Além disso, o texto elenca os resultados positivos esperados com a nova obra, que incluem a redução de alagamentos, erosão e escoamento descontrolado para a orla.
A obra, prevista para durar cinco meses, vai receber um investimento de R$21 milhões. A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos. O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025.
O Estudo Técnico Preliminar é datado de 14 de abril de 2026 e assinado por Billjean Caramithelle D’avila Lucena Nóbrega, diretora do Departamento de Planejamento da Prefeitura.
De acordo com o documento, os estudos hidrológicos demonstram que os dissipadores nº 8, 9 e 16 recebem contribuição de uma área aproximada de 31,66 hectares. Essa área apresenta declividade de aproximadamente 40m, característica que favorece o escoamento superficial rápido das águas pluviais em direção às cotas mais baixas do terreno da praia, chegando nos dissipadores existentes com grande pressão. Em razão dessa condição, durante eventos de chuva, há pouca absorção natural da água no solo, o que resulta na concentração de grandes volumes em um curto intervalo de tempo.
Para eventos pluviométricos mais severos, conforme os estudos hidrológicos, estima-se que o volume de água gerado possa atingir aproximadamente 30.502 m³.
“Esse quantitativo evidencia a magnitude das vazões envolvidas e a pressão exercida sobre o sistema de drenagem existente, que, sem capacidade adequada de controle e amortecimento, tende a apresentar sobrecarga, contribuindo para a ocorrência de alagamentos e outros impactos urbanos”, prossegue o texto.
Essa insuficiência do atual sistema, segundo o ETP, pode favorecer o transporte de sedimentos em direção à faixa de praia, contribuindo para alterações localizadas na sua conservação e potencializando processos erosivos.
O documento ainda aponta os resultados que se pretende alcançar com a nova obra de drenagem. Na área ambiental, os resultados esperados são:
• Redução do lançamento concentrado de águas pluviais na faixa de areia;
• Minimização de processos erosivos localizados na orla;
• Preservação das condições físicas e paisagísticas da praia;
• Redução do transporte de sedimentos em direção à faixa de areia;
• Promoção da infiltração das águas pluviais, contribuindo para o equilíbrio hídrico local.
O estudo também cita os resultados técnicos e operacionais que são buscados:
• Redução dos volumes de escoamento superficial direcionados à orla;
• Diminuição dos picos de vazão em eventos de chuva intensa;
• Melhoria do desempenho hidráulico do sistema de drenagem nas áreas de contribuição;
• Redução da sobrecarga nos dispositivos de lançamento existentes na faixa de praia;
• Maior eficiência no controle e condução das águas pluviais.
Além destes, a Prefeitura também cita resultados que espera sob contexto urbano e social, e econômicos e administrativos.
A licitação está prevista para o dia 27 de maio. A partir dessa etapa, serão respeitados os prazos legais do processo licitatório. A expectativa é que, após a conclusão dessa fase, seja iniciada a implantação do novo sistema de drenagem no início do segundo semestre.
Confira o documento do Estudo Técnico Preliminar:
Alagamentos vão permanecer
Em evento com a imprensa na quarta-feira (13), o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” vão continuar, mas em menor volume.
Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.
“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.
Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.
“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”
Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.
Saiba Mais: Engorda: Prefeitura anuncia nova obra de drenagem, mas diz que “espelhos d’água” continuarão
“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.
Sextô com aquele clima de farra e homenagens a grandes artistas mundo afora. Pelo menos três tributos chamam a atenção na programação desta sexta-feira (15). No Figa bar, na Vila de Ponta Negra, as bandas Flor Atômica e Authentic celebram a obra de Amy Winehouse, a partir das 20h.
No Wesley´s bar, em Capim Macio, a homenagem é à icônica Raimundos, com a banda Nananá é o Djabo. O show começa às 21h.
O terceiro tributo é uma celebração ao rei do reggae. O 19° Tributo a Bob Marley e The Waillers começa às 19h30, na Biblioteca Pública Municipal Dr. José Pacheco Dantas, em Ceará-Mirim.
Para quem curte artes visuais, hoje estreia a mais nova exposição do artista plástico Ítalo Trindade. A vernissage de Chuva de Pólen começa às 19h, no Espaço Margem Hub.
O #Meguia preparou um roteiro incrível para esta sexta. Tem samba, brega, forró, debate, exposições e muito mais. Escolha suas opções e se jogue !
Para quem quiser adiantar a programação de sábado e domingo, vem com a gente aqui
MÚSICA _____________________________
Tributo a Amy Winehouse, no Figa bar | 15.05 SEXTA Flor Atômica e Authentic LOCAL | Figa Bar (Rua Manoel Coringa de Lemos, 633 – Vila de Ponta Negra, Natal) HORÁRIO | 20h INFORMAÇÕES | @figa.bar
Tributo Raimundos, no Wesley´s Bar | 15.05 SEXTA Banda Nananá O D’jabo, com karaokê antes e depois do show LOCAL | Wesley’s Bar (Rua Alexandre Câmara, 1773 Capim Macio, Natal) HORÁRIO | 21h (abertura 17h) ENTRADA | R$15 antecipado no Outgo | R$20 na portaria INFORMAÇÕES | @wesleysbar
19º Tributo a Bob Marley & The Wailers | 15.05 SEXTA LOCAL | Biblioteca Pública Municipal Dr. José Pacheco Dantas, Ceará-Mirim HORÁRIO | exposição das 7h às 20h30; shows a partir das 19h30 ENTRADA | gratuita
Forró com Ana Tomaz, Ninho Brasil e Bruno Cirino, no Mahalila | 15.05 SEXTA Ana Tomaz (Voz), Ninho Brasil (Percussão/Zambumba), Bruno Cirino (Sanfona) LOCAL | Mahalila Café (Rua Dra. Nívea Madruga, 19 – Lagoa Nova, Natal) HORÁRIO | 20h30 INFORMAÇÕES | @mahalilacafe
Special Day / Projeto Cabaré da Loira, no Casanova | 15.05 SEXTA PORPS, Jaina Elne /00h30, Nero /After LOCAL | Casanova (Av. Senador Salgado Filho, 3526 – Candelária, Natal) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Entrada free INFORMAÇÕES | @casanova
O Fino do Samba, no Bardallo´s | 15.05 SEXTA Jailton Medeiros, Rouxinol, Fernandinho Régis LOCAL | Bardallo’s (Rua Gonçalves Lêdo, 678 – Cidade Alta, Natal) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Contribuição artística (R$10 bom | R$20 justo) INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
CPI do Forró + Hérica a Dama, no Rastapé | 15.05 SEXTA LOCAL | Rastapé Casa de Forró (Rua Aristides Porpino Filho, 2198 – Ponta Negra, Natal) HORÁRIO | 22h ENTRADA | Senhas na bilheteria da casa INFORMAÇÕES | @rastapecasaforro
Rota 101 – Show Brasil em Cantos, no Taverna Pub | 15.05 SEXTA Um passeio pela música brasileira de todas as regiões LOCAL | Avalon (Rua Dr. Manoel Augusto Bezerra de Araújo, 500 – Ponta Negra, Natal) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Couvert R$20 INFORMAÇÕES | @tavernapubnatal
Peux & Convidados + Amina & Os Moralonge, no Molotov Drinks | 15.05 SEXTA Noite de lançamento – Happy Hour de Aperol e Limoncello Spritz até 0h LOCAL | Molotov Drinks (Av. Senador Salgado Filho, 1593 – Lagoa Nova, Natal) HORÁRIO | 18h ENTRADA | Couvert R$10 (revertido em drink) INFORMAÇÕES | @molotovdrinks_
DJ MAYA – Groovy Deephouse, no LaLuna | 15.05 SEXTA LOCAL | LaLuna Bar (Praça da Guerreira – Alameda das Acácias, 10 – Neópolis, Natal) HORÁRIO | 19h INFORMAÇÕES | @Laluna
Fair Way, no Sempre Rock| 15.05 SEXTA LOCAL | Sempre Rock (Av. Praia de Ponta Negra, 9045 – Ponta Negra, Natal) HORÁRIO | 19h INFORMAÇÕES | @semprerockbar
Pagode da União, no Bafafá | 15.05 SEXTA LOCAL | Bafafá Bar, Praça Dr. Amaro Marinho, 07, Lagoa Nova HORÁRIO | 20h ENTRADA | couvert R$ 12 INFORMAÇÕES | @bafafa.bar
Noite do Brega, na livraria Manimbu | 15.05 SEXTA LOCAL | Livraria Manimbu (Av. Marechal Floriano Peixoto, 544, Petrópolis) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Gratuito INFORMAÇÕES | @manimbu.rn
Implacável do Vinil, no LaryVosc | 15.05 SEXTA LOCAL | LaryVosc (Av. Norton Chaves, 639, Lagoa Nova) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Couvert: R$ 5 INFORMAÇÕES | @laryvosc
Karaokê no Eletromusic | 15.05 SEXTA LOCAL | Eletromusic Pub (Av. Prudente de Morais, 5823 – Candelária, Natal) HORÁRIO | 20h ENTRADA | Entrada free INFORMAÇÕES | @eletromusicpub
LITERATURA __________________________
Otelo: Filosofia vai à livraria | 15.05 SEXTA LOCAL | Nobel (Praia Shopping, Capim Macio) HORÁRIO | 19h às 21h ENTRADA | Entrada free INFORMAÇÕES | @nobelnatal
DANÇA __________________________________
Nuvem de Pássaros, no TAM | 15.05 SEXTA LOCAL | Teatro Alberto Maranhão (Praça Augusto Severo, s/n – Ribeira, Natal) HORÁRIO | 15h ENTRADA | Gratuito (retirada 1h antes na bilheteria do TAM) INFORMAÇÕES | @teatroalbertomaranhao.oficial
EXPOSIÇÃO ________________________
Chuva de Poléns, no Margem Hub Abertura de exposição de Ítalo Trindade, composta de montagens abstratas e de pinturas sobre e telas e papel, a mostra permeia os desdobramentos do estudo sobre luz e cor em diferentes instantes da carreira do artista. LOCAL | Margem Hub, Rua da Sheelita, 59, Potilândia, Natal HORÁRIO | 19h
“Entre cá & lá – Experiências do passado no tempo presente”, na EMUFRN LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova) HORÁRIO | Horário de funcionamento da escola ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn
“Exposição coletiva”, no Bardallos LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @ifrncentrohistorico
CINEMA ________________________
Confira as programações completas: MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira. CINÉPOLIS, Natal Shoppin CINEMARK, Midway Mall CINEFLIX, Partage Norte Shopping
Fica a dica: antes de sair de casa, vale conferir direitinho os dias de funcionamento e aproveitar os espaços que seguem abertos durante o feriado. Cultura, lazer e natureza seguem na programação!
CIDADE DA CRIANÇA O parque público, fundado em 1962, compreende parque Infantil, pista de cooper, Lagoa Manoel Felipe, pedalinhos, igrejinha, anfiteatro, Escola de Artes Newton Navarro, Biblioteca Infanto-juvenil Mirian Coeli, Casa de Vovozinha, praça de alimentação com quiosques, Espaço Eureka de Ciência e Tecnologia. LOCAL | Cidade da Criança (Av. Rodrigues Alves – Tirol) HORÁRIO | aberto das 8h às 18h ENTRADA | R$ 2 (menores de 5 anos e maiores de 65 não pagam) INFORMAÇÕES | @cidadedacriancanatal
FORTE DOS REIS MAGOS O monumento, administrado pela Fundação José Augusto, está aberto à visitação. Visitas em grupo devem ser encaminhadas com antecedência para o e-mail [email protected], contendo data, horário e o descritivo da atividade a ser realizada. LOCAL | Forte dos Reis Magos (Praia do Forte) HORÁRIO | das 8h às 16h (de terça a domingo), fechando apenas às segundas-feiras para manutenção ENTRADA | R$ 5 (entrada inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) aos visitantes da Fortaleza dos Reis Magos. Crianças até sete anos e os idosos a partir dos 60 anos estarão isentos dessa cobrança. INFORMAÇÕES | Aqui
PARQUE DAS DUNAS O Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves” é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira. Ele é considerado o maior parque urbano sobre dunas do Brasil, exercendo fundamental importância para a qualidade de vida da população natalense. O setor de uso público é o Bosque dos Namorados, que ocupa uma área aproximada de sete hectares, com mais de mil e trezentas árvores nativas da Mata Atlântica. LOCAL | Avenida Alexandrino de Alencar s/n, Tirol HORÁRIO | das 7h30 às 17h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras para manutenção ENTRADA | R$ 1 (pode ser pago via pix) São isentos de pagamento crianças de até cinco anos, adultos acima de 60 anos, escoteiros uniformizados e escolas públicas (com agendamento).
Foto: Sandro Menezes
CAJUEIRO DE PIRANGI Localizado na praia de Pirangi do Norte, Parnamirim, o Cajueiro cobre uma área de aproximadamente 9.000 m², com perímetro de aproximadamente 500 metros. Em virtude da sua extensão, a árvore gigante entrou para o Guinness Book “O Livro dos Recordes”, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. A árvore faz parte da vida da comunidade e do roteiro turístico dos visitantes do RN. A entrada custa R$ 8. Crianças, de sete a 12 anos pagam meia-entrada, assim como estudantes, professores e idosos, portando carteira comprobatória. LOCAL | Av. S. Sebastião, s/n, Pirangi do Norte HORÁRIO | 7h30 às 17h30 – ESTÁ FECHADO PARA RECUPERAÇÃO NOS DIAS 16 e 17 de SETEMBRO TELEFONE | (84) 3113 – 6191 E-MAIL | [email protected]
BOSQUE DAS MANGUEIRAS Área pública de 14.125 m², do bioma Mata Atlântica, conforme classificação do Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). O local dispõe de passeios acessíveis para prática de atividades físicas como caminhada e corrida. LOCAL | entre a Av. Nascimento de Castro, Jaguarari e Rua Tertius Rebelo, bairro Lagoa Nova HORÁRIO | de segunda a sexta das 8h às 14h CONTATOS |[email protected] e Ouvidoria Semurb: (84) 3616-9829.
COMPLEXO CULTURAL RAMPA O centro cultural edificado às margens do Rio Potengi está aberto à visitação. O Complexo é formado por edificações destinadas a abrigar o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador, o Grêmio da Rampa, além de outros espaços voltados à realização de eventos, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, os visitantes têm acesso a quatro mostras: “Natal Encruzilhada do Mundo”, “Sala da Paz”, “O Maior Feito Náutico do Mundo: 70 Anos da IOLE RN 2” e “Jornada na Cidade”. LOCAL | Rua Cel. Flamínio, 1 – Santos Reis, Natal HORÁRIO | das 9h às 18h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras Entrada gratuita.
PINACOTECA POTIGUAR Reúne a maior parte do acervo de Artes Visuais pertencente ao Governo do Estado, com obras de artistas como Newton Navarro, Maria do Santíssimo, Abraham Palatinik, Dorian Gray Caldas e Zaíra Caldas. Até 10 de dezembro, segue aberta a exposição “Objetos do Cotidiano”, que reúne uma coletânea dos trabalhos produzidos por 38 participantes das oficinas de fotografia do Projeto “Narrativas do Silêncio”. LOCAL | Praça Sete de Setembro, s/n Cidade Alta, ao lado da Assembleia Legislativa do RN HORÁRIO | de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos finais de semana, das 9h às 16h Entrada gratuita.
**** Este guia cultural está sujeito a alterações. Sentiu falta de algum evento? Manda que a gente publica!
Faltam poucos dias para o encerramento da primeira pesquisa voltada exclusivamente ao perfil de pessoas transmasculinas no Rio Grande do Norte. Conduzido pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT-RN), o levantamento segue aberto até o próximo dia 17 de maio e busca reunir informações sobre condições de vida, acesso à saúde, escolaridade, trabalho e experiências de transfobia vividas por homens trans e pessoas transmasculinas no estado.
A iniciativa é realizada de forma online e anônima e pretende enfrentar um problema histórico apontado pelo instituto, a falta de dados oficiais sobre essa população no RN. Segundo o coordenador-geral do IBRAT-RN, Bruno Aires, a ausência dessas informações dificulta a formulação de políticas públicas e contribui para a invisibilização das demandas transmasculinas.
“Quando não existem dados, parece que nossas vidas também não existem para o poder público. A pesquisa nasce justamente da necessidade de mostrar que estamos aqui, em diferentes cidades do estado, enfrentando dificuldades concretas e precisando de acesso à saúde, alimentação, moradia e trabalho”, afirma.
O formulário reúne perguntas sobre nome social, renda, escolaridade, parentalidade, acompanhamento hormonal, saúde mental, inserção no mercado de trabalho e insegurança alimentar. O estudo também busca identificar como a transfobia impacta a vida cotidiana dessa população.
Acesse o formulário aqui.
De acordo com Bruno, o fato de a pesquisa ser organizada por pessoas transmasculinas ajuda a criar um ambiente de maior confiança entre os participantes.
Além de produzir um retrato social da população transmasculina potiguar, o levantamento deve servir como ferramenta de incidência política. A expectativa do instituto é utilizar os dados em diálogos com secretarias estaduais e municipais, serviços de saúde e outros órgãos públicos.
Mesmo dentro do movimento LGBTQIA+, as transmasculinidades frequentemente enfrentam processos de invisibilização. Enquanto debates públicos e políticas voltadas à população trans costumam concentrar atenção nas vivências de mulheres trans e travestis, homens trans e pessoas transmasculinas relatam dificuldades para acessar espaços de representação, atendimento em saúde e reconhecimento social. A falta de dados oficiais sobre essa população também contribui para o apagamento de suas demandas específicas.
“Historicamente, ouvimos que somos poucos ou que nossas demandas não seriam prioridade. Quando temos dados organizados, conseguimos cobrar políticas públicas de forma mais concreta e mostrar que essa população existe em todo o estado”, diz Bruno.
O IBRAT-RN atua em cidades como Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Parnamirim e Tibau. Segundo o instituto, a mobilização para ampliar a participação no mapeamento tem acontecido principalmente por meio das redes locais e dos ambulatórios trans do estado.
Criado nacionalmente em 2013, o IBRAT atua em diferentes estados brasileiros com ações voltadas à formação política, produção de pesquisas e defesa de direitos da população transmasculina. No RN, o núcleo estadual considera o estudo um passo importante para construir dados locais e fortalecer a rede de apoio entre pessoas transmasculinas.
SAIBA MAIS: Time de futsal incentiva esporte entre pessoas transmasculinas em Natal Estudo potiguar convida pessoas trans e travestis a analisar impactos da hormonização na voz
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (15) manter a decisão da Corte que rejeitou a revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi tomada no Recurso Extraordinário 1.276.977.
Em novembro do ano passado, a Corte decidiu cancelar a tese jurídica que permitiu revisão da vida toda das aposentadorias. Na mesma decisão, o Supremo reafirmou que os aposentados não terão que devolver valores que foram pagos por meio de decisões definitivas e provisórias assinadas até 5 de abril de 2024, data na qual foi publicada a ata do julgamento que derrubou a tese de revisão da vida toda.
Em seguida, foram protocolados recursos contra decisão, e o caso foi colocado para julgamento no plenário virtual, que começou na semana passada e foi encerrado hoje.
Votos
Por 8 votos a 2, o plenário seguiu voto proferido pelo relator, Alexandre de Moraes. Ele negou os embargos de declaração e entendeu que não houve irregularidades na decisão que rejeitou a revisão da vida toda.
“A decisão embargada não apresenta nenhum desses vícios. O ofício judicante realizou-se de forma completa e satisfatória, não se mostrando necessários quaisquer reparos”, afirmou.
Votaram no mesmo sentido os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Nunes Marques.
Dias Toffoli e Edson Fachin divergiram e votaram pela suspensão dos processos sobre a revisão da vida toda até decisão final do plenário do STF.
ADI 2.111
O imbróglio jurídico sobre a revisão da vida toda ainda não terminou. Na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu destaque no julgamento virtual da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) 2.111, outro processo que trata da questão.
Com o pedido de destaque, o caso voltará a ser analisado pelo plenário físico. Não há data para a retomada do julgamento.
Entenda
Em março de 2024, o Supremo decidiu que os aposentados não têm direito de optarem pela regra mais favorável para recálculo do benefício.
A decisão anulou outra deliberação da Corte favorável à revisão da vida toda. A reviravolta ocorreu porque os ministros julgaram duas ações de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991), e não o recurso extraordinário no qual os aposentados ganharam o direito à revisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao julgarem constitucional as regras previdenciárias de 1999, a maioria dos ministros entendeu que a regra de transição é obrigatória e não pode ser opcional aos aposentados.
Antes da nova decisão do STF, o beneficiário poderia optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo de toda vida poderia aumentar ou não o benefício.
O Ministério da Educação (MEC) começou a convocar, nesta sexta-feira (15), os candidatos participantes da lista de espera para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro semestre de 2026.
O Fies financia a graduação de estudantes matriculados em cursos presenciais não gratuitos em faculdades privadas e com avaliação positiva do MEC
O período de convocação terminará no dia 29 de maio.
Consulta
A lista de convocados pode ser consultada diretamente no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior do MEC. O acesso é com o login da plataforma de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.
O candidato deve acompanhar diariamente o portal, pois, se for convocado, terá um prazo curto para validar suas informações.
Classificação
A classificação seguirá a ordem decrescente das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com prioridade para candidatos:
sem ensino superior que nunca foram beneficiados pelo Fies;
sem ensino superior que quitaram financiamentos anteriores;
com ensino superior que nunca foram beneficiados pelo Fies;
com ensino superior que quitaram financiamentos anteriores.
Próximos passos
Os estudantes de ensino superior pré-selecionados na lista de espera do Fies devem validar as informações declaradas no momento da inscrição.
Para validação, o estudante deve procurar a Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da instituição de ensino superior privada onde foi pré-selecionado.
A documentação exigida pode ser entregue no formato físico ou digital, conforme definido pela faculdade privada.
Validação do banco
Depois dessa etapa, ocorrerá a validação das informações pelo banco (agente financeiro) responsável pelo financiamento, conforme previsto no edital público.
O prazo para essa última validação é de até dez dias, contados a partir do terceiro dia útil, logo após a data da validação da inscrição pela faculdade privada, para a qual o estudante foi selecionado.
Fies Social
O pré-selecionado na vaga do Fies Social com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa tem a situação distinta. Neste caso, o estudante não precisa comprovar a renda familiar junto à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da instituição privada.
Fies
O Fies é destinado prioritariamente a estudantes que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados por outro financiamento estudantil.
O programa realiza anualmente dois processos seletivos regulares, um para o primeiro semestre e outro para o segundo semestre de cada ano letivo, além de processos seletivos para vagas remanescentes.
Para obter mais informações, o interessado pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800-616161.
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça Federal que antecipe o julgamento da ação civil pública movida contra a União por reiterados ataques da Marinha do Brasil à memória de João Cândido Felisberto. No início do século 20, o marinheiro liderou a chamada Revolta da Chibata contra os castigos físicos a bordo dos navios da força militar.
Em novo requerimento apresentado, o MPF argumenta que os danos morais coletivos estão “demonstrados pelos próprios fatos reconhecidos na ação”. O órgão de defesa de direitos quer que a União pague R$ 5 milhões por ano de dano moral.
“As manifestações de autoridades públicas devem se submeter a um cuidado maior com a exposição dos fatos nos quais elas se baseiam, devido ao maior alcance e efeitos gerados na população”, destacou o MPF em réplica apresentada à Justiça Federal.
Para o MPF, algumas manifestações de oficiais da Marinha sobre a trajetória de João Cândido são ofensivas e configuram violação direta à memória coletiva e aos direitos da população negra brasileira.
Além do dano moral coletivo, o MPF quer que a Justiça Federal também proíba “novos atos que desabonem a memória” do Almirante Negro.
Livro de Heróis
Assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo, a ação foi apresentada em abril de 2024, quando a Marinha se manifestou contra a inscrição de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, aprovada no Senado.
No documento, a revolta liderada pelo marinheiro foi classificada como “deplorável página da história nacional” e “fato opróbrio”, enquanto seus líderes receberam qualificações negativas. A carta foi assinada pelo comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen.
De acordo com o MPF, a manifestação da Marinha revela “perseguição institucional contínua”, que contraria lei federal que anistiou João Cândido e os demais marinheiros que participaram de uma revolta em defesa de suas vidas e por dignidade.
Na avaliação do Ministério Público, a anistia “não possui apenas caráter jurídico, mas também simbólico, ao reconhecer a legitimidade da luta contra os castigos físicos na Marinha”.
O órgão federal sustenta ainda que a insistência na visão negativa contra o Almirante Negro é uma afronta a toda população negra no país, que é “revitimizada”.
Em manifestações anteriores, o MPF já citou entendimento do Superior Tribunal de Justiça afirmando que o dano moral coletivo dispensa comprovação de dor ou abalo individual, bastando a demonstração de ofensa à moral e a valores de determinado grupo social.
Revolta da Chibata
Em 1910, a Revolta da Chibata mobilizou marinheiros, a maioria negros e pobres, contra açoites e condições degradantes na Marinha. O movimento emergiu após um homem receber 250 chibatadas. Em quatro dias de levante, os castigos foram abolidos.
“Meu pai dizia que amava a Marinha, independente de tudo o que ele passou”, conta Adalberto Candido, filho do marinheiro.
O relato coincide com a conclusão de pesquisas realizadas pelo historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Murilo de Carvalho, que estudou a biografia do Almirante Negro.
João Cândido cresceu numa instituição militar onde prevalece a disciplina. Mesmo após sua expulsão, João Cândido manteve um relacionamento sentimental com a instituição. Foi visto idoso se despedindo quando o navio Minas Geraes foi desligado.
A liberdade, para ele, significava o direito a um tratamento que não fosse assemelhado aos escravos, como os próprios marinheiros diziam. Mas sem perder de vista a importância da disciplina”, explicou José Murilo de Carvalho alguns anos atrás em entrevista à EBC.
O dólar voltou a subir e fechou esta sexta-feira (15) acima de R$ 5, no maior nível em um mês. Já a bolsa brasileira encerrou o pregão em queda, em um dia de turbulências externas e domésticas.
O movimento de aversão global ao risco foi provocado pela guerra no Oriente Médio, pela pressão inflacionária internacional, que aumentou as chances de alta de juros no Japão, e pelo agravamento das tensões políticas no Brasil.
A moeda estadunidense encerrou o dia vendido a R$ 5,067, com alta de R$ 0,081 (+1,63%). Em forte alta durante todo o dia, a cotação chegou a R$ 5,08 por volta das 13h, antes de desacelerar no fim da tarde.
O dólar comercial acumulou alta de 3,48% na semana. Em 2026, no entanto, cai 7,70%. A divisa está no maior valor desde 8 de abril, quando fechou a R$ 5,10.
O mercado de ações também teve um dia turbulento. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 177.284 pontos, com queda de 0,61%.
O Ibovespa operou sob pressão durante todo o pregão, refletindo o ambiente externo mais defensivo e o aumento das preocupações fiscais e políticas no cenário doméstico.
O índice chegou a cair mais de 1% durante a manhã, mas reduziu parte das perdas ao longo do dia, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras.
Pressão externa
A valorização do dólar refletiu uma combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, investidores aumentaram apostas de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) poderá elevar os juros nos Estados Unidos diante da persistência da inflação global, pressionada principalmente pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos.
O movimento ganhou força após os juros dos títulos públicos do Japão dispararem durante a madrugada. Os papéis japoneses de dez anos atingiram o maior nível desde 1999, chegando a 2,37%, enquanto os títulos de 30 anos ultrapassaram os 4%. O avanço ocorreu após a inflação ao produtor no Japão acelerar para 4,9% em abril.
A perspectiva de alta dos juros pelo Banco do Japão levou investidores a desmontarem parte das operações conhecidas como carry trade, nas quais recursos captados em países de juros baixos, como o Japão, são destinados a mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil. Com a reversão desse fluxo, houve fortalecimento do dólar e retirada de capital de economias emergentes.
No Brasil, o mercado também acompanhou os desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Investidores avaliaram que o aumento das incertezas políticas ampliou a busca por proteção na moeda americana.
Bolsa recua
Em relação à bolsa, o desempenho negativo acompanhou o movimento das bolsas internacionais. Em Nova York, o S&P 500 (das 500 maiores empresas) caiu 1,23%, diante da percepção de que juros mais altos poderão permanecer por mais tempo nos Estados Unidos.
Além do cenário externo, os impactos políticos das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro aumentaram a cautela em relação aos ativos brasileiros. Nesta sexta, o site Intercept Brasil divulgou nova reportagem com as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master.
Petróleo dispara
Os preços do petróleo subiram mais de 3% diante do aumento das tensões no Oriente Médio e da falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.
O barril do Brent, referência para as negociações internacionais, fechou em alta de 3,35%, a US$ 109,26. O barril WTI, do Texas, avançou 4,2%, encerrando a US$ 105,42.
O mercado reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que sua paciência com o Irã estaria se esgotando. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã não confia nos americanos e que só negociará se houver seriedade por parte de Washington.
O prolongamento da crise no Golfo Pérsico mantém elevada a preocupação com inflação global, pressionando juros e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros.