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RN é o estado que mais evoluiu em segurança pública nos últimos 3 anos

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RN é o estado que mais evoluiu em segurança pública nos últimos 3 anos
Governadoria do RN – Foto: Sandro Menezes

O Rio Grande do Norte aparece como o estado brasileiro que mais avançou na segurança pública nos últimos três anos. O resultado faz parte do “Ranking de Competitividade dos Estados 2026 – Eleições”, novo estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) que faz um raio-X para entender os resultados das gestões estaduais.

Além do Rio Grande do Norte, o estudo mostra que os maiores avanços recentes em segurança pública estão concentrados em Goiás, Rondônia e Sergipe. O RN se destaca por reunir melhorias intensas e bem distribuídas, enquanto Goiás aparece como o principal destaque do Centro-Oeste. Já Rondônia combina uma melhora consistente com um avanço significativo de posição na dimensão analisada.

Por outro lado, parte das regiões Sul e Sudeste apresenta crescimento mais lento, mesmo mantendo boas posições no geral. Esse é o caso de estados como São Paulo e, em menor medida, Paraná. Isso indica um cenário de maior estabilidade estrutural, mas com menos dinamismo nos avanços recentes.

Já na trajetória dos 10 melhores estados, o RN tem um avanço constante nos últimos anos: saiu da 14ª posição em 2023 para 9º em 2024 e agora o 3º lugar no ranking geral, atrás de Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

“O estudo busca qualificar o debate eleitoral com base em evidências concretas, ao mesmo tempo em que chama atenção não apenas para quem está na liderança, mas também para os estados que vêm mostrando evolução. A proposta é incentivar políticas públicas mais eficientes e orientadas a resultados”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.

Coronel Francisco Araújo, titular da Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) do estado, destaca uma série de fatores que fizeram o Rio Grande do Norte alcançar uma posição de destaque.

“Esse avanço é resultado direto da união entre as forças de segurança, do melhor emprego de tecnologias, do fortalecimento das investigações, da ampliação de equipamentos e, sobretudo, da valorização dos nossos profissionais. Temos trabalhado de forma contínua para reduzir a violência e garantir mais segurança à população”, aponta.

Dados

O Rio Grande do Norte investiu mais de R$ 500 milhões em segurança pública entre 2019 e 2025, que resultaram em redução expressiva na criminalidade. Em 2025, por exemplo, o RN alcançou a segunda maior redução de mortes violentas intencionais (CVLI) dos últimos 15 anos, consolidando uma trajetória histórica de queda na criminalidade no estado.

Segundo dados consolidados pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), vinculada à Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), e fornecidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas ao longo de 2025 853 mortes violentas em todo o território potiguar.

De acordo com a série histórica iniciada em 2011, o RN saiu de um pico de violência em 2017 — considerado o ano mais violento da história recente, com 2.272 crimes. Na comparação com esse período, a diferença representa uma redução de 1.419 mortes, o equivalente a uma queda de aproximadamente 62,6% em relação ao pior momento da série.

A diminuição nos índices de mortes violentas também foi observada nas maiores cidades do Estado: Natal e Mossoró. Em Natal, foram registradas 151 mortes violentas em 2025. Na série histórica dos últimos 15 anos, o maior número havia sido contabilizado em 2013, com 579 homicídios. No total, são 428 crimes a menos, o que representa uma redução de 73,9%.

Já em Mossoró, 2025 marca a maior redução da série histórica desde 2011. Foram registradas 79 mortes violentas no ano. No comparativo com 2017 — ano com o maior quantitativo de mortes violentas dos últimos 15 anos, quando 238 crimes foram registrados — a redução foi de 159 mortes, o equivalente a uma queda de 66,8%.

Gestão pública

O RN também se destaca na gestão pública, sendo o segundo estado que mais avançou nessa área nos últimos três anos. Neste campo, são considerados 20 indicadores de dois pilares do Ranking de Competitividade dos Estados: Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal. O desempenho potiguar indica avanços na capacidade do estado de melhorar a gestão administrativa, ampliar a eficiência do setor público e fortalecer mecanismos de governança.

“O resultado também reforça uma tendência observada em parte dos estados do Nordeste, que vêm acelerando reformas e políticas de modernização da gestão pública, reduzindo distâncias históricas em relação aos estados tradicionalmente líderes”, afirma Wesley Henrique Barcelos, Analista de Relações Governamentais e Competitividade do CLP.

Governadoria do RN – Foto: Sandro Menezes

Barcelos explica que a dimensão de Gestão Pública é composta por dois pilares: Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal. Dentro do pilar de Eficiência da Máquina Pública, observando os destaques de crescimento, o Rio Grande do Norte foi o segundo que mais cresceu no indicador de Custo do Executivo, e o quarto melhor nos indicadores de Produtividade dos Magistrados e Servidores do Judiciário, Equilíbrio de Gênero no Emprego Público Estadual, Eficiência do Judiciário e Custo do Legislativo/PIB.

Já no pilar de Solidez Fiscal, que complementa a dimensão de Gestão Pública, o Rio Grande do Norte é o estado do país que mais cresceu no indicador de Índice de Liquidez e o terceiro melhor no indicador de Taxa de Investimento. 

“Esse conjunto de resultados sugere não apenas melhora na organização administrativa, mas também avanço na capacidade fiscal e de investimento do estado — fatores importantes para sustentar políticas públicas de longo prazo e ampliar a capacidade de resposta do poder público às demandas da população”, aponta o Analista de Relações Governamentais e Competitividade.

Para Virgínia Ferreira, secretária do Planejamento, do Orçamento e Gestão do Rio Grande do Norte, o resultado demonstra que o RN vem avançando de forma consistente na qualidade da gestão pública, mesmo diante de “desafios históricos e limitações fiscais”.

“Esse avanço é fruto de muito planejamento, responsabilidade na condução das contas públicas, fortalecimento da capacidade de investimento do Estado e, sobretudo, de um trabalho coletivo desenvolvido por todas as áreas do governo”, aponta a secretária.

“Temos defendido uma gestão baseada em dados, monitoramento e definição de prioridades, sempre com foco na melhoria dos serviços públicos e na redução das desigualdades. Mais do que subir em rankings, o mais importante é garantir que esse avanço se traduza em resultados concretos na vida da população potiguar”, prossegue.

O Rio Grande do Norte ainda ganha destaque no ranking de sociedade, como o segundo que mais melhorou de 2023 a 2025.

Metodologia

O estudo foi desenvolvido com o objetivo de oferecer leituras complementares sobre o desempenho dos estados brasileiros em cinco dimensões temáticas: economia, segurança, gestão pública, sociedade e meio ambiente. 

Na análise voltada ao crescimento, a metodologia utiliza os dados brutos dos indicadores do último triênio e não as notas ou posições. A partir disso, é calculada a variação percentual entre 2023 e 2025 para cada indicador. Em seguida, os pesquisadores aplicaram um ajuste de polaridade, garantindo que todos os indicadores sigam a mesma lógica de interpretação. 

“Ou seja, sempre os valores maiores indicam melhor desempenho. E como os indicadores possuem unidade de medidas muito diferentes, realizamos também uma normalização em escala de 0 a 100. Isso permite comparar os resultados de forma padronizada. Depois disso, calculamos as médias por pilar e também por dimensão, sempre com pesos iguais entre os componentes. O resultado final é um ranking que mostra quais estados mais avançaram no período recente”, diz a explicação dos responsáveis.



Fonte: saibamais.jor.br

Mercadores da dúvida e negacionistas

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Mercadores da dúvida e negacionistas

A liberdade dos lobos significa, de fato, a morte das ovelhas  (Isaiah Berlin)

Em 2010, foi publicado nos Estados Unidos o livro Merchants of Doubt: How a Handful of Scientists Obscured the Truth on Issues from Tobacco to Climate Change, de autoria de Naomi Oreskes e Erik M. Conway, ambos historiadores: respectivamente, professora de História da Ciência da Universidade de Harvard e historiador da ciência do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Em 2025, o livro foi publicado no Brasil, traduzido por Fernando Santos e lançado pela Editora Quina, com o título Mercadores da dúvida: como um pequeno grupo de cientistas distorceu fatos que vão do tabagismo às mudanças climáticas. A edição conta com um prefácio de Al Gore, originalmente publicado na edição norte-americana de 2020, além de um pósfácio dos autores e, para a edição brasileira, um texto adicional de Naomi Oreskes.

Trata-se de um extenso e bem fundamentado estudo, com ampla revisão bibliográfica e fontes baseadas em documentos revelados durante as ações movidas contra a indústria do tabaco nos anos 1990, nos Estados Unidos, posteriormente arquivados na Universidade da Califórnia. O banco de dados reúne mais de 50 milhões de páginas. O livro possui 510 páginas e 1.137 notas, distribuídas entre introdução, sete capítulos, conclusão, epílogo e dois posfácios. Entre os temas abordados estão a chuva ácida, o buraco na camada de ozônio – especialmente a construção de contranarrativas sobre o fenômeno-, a negação do aquecimento global, o tabagismo e o debate sobre o fumo passivo, além do negacionismo contemporâneo (O negacionismo está de volta).

Os autores também publicaram outras obras voltadas ao combate à desinformação e à defesa da ciência. Naomi Oreskes é autora de um artigo científico, revisado por pares – procedimento fundamental das revistas científicas -, que documenta o consenso científico sobre a mudança climática antropogênica, isto é, provocada pela ação humana. O estudo teve grande repercussão no meio científico, mas também gerou ataques de negacionistas, incluindo mensagens de ódio, telefonemas ameaçadores e outras formas de intimidação.

No capítulo 7, “O negacionismo está de volta”, os autores analisam os ataques revisionistas direcionados à bióloga Rachel Carson (1907–1964), autora do livro Primavera Silenciosa, publicado nos Estados Unidos em 1962 e lançado no Brasil em 2013 pela Editora Gaia. Oreskes e Conway reconstituem o contexto da publicação da obra, suas repercussões e os ataques sofridos por Carson, inclusive de cientistas financiados pela indústria dos agrotóxicos. A autora demonstrou os malefícios do uso indiscriminado de pesticidas, que estavam se acumulando na cadeia alimentar e prejudicando o meio ambiente. Entre os resultados de sua atuação, destaca-se o fato de que “seu trabalho foi ratificado pelo Comitê Consultivo Científico do Presidente, que em 1972 concluiu que havia evidência científica suficiente para justificar a proibição do pesticida DDT nos Estados Unidos”.

No prefácio da edição brasileira, Linda Lear, historiadora da ciência e autora da biografia Rachel Carson: Witness for Nature (1997), afirma que “o alerta de Rachel Carson desencadeou um debate nacional sobre o uso de pesticidas químicos, a responsabilidade da ciência e os limites do progresso tecnológico”. Segundo Lear, quando Carson morreu, em 1964, aos 56 anos, já havia iniciado um movimento que resultaria na proibição da produção doméstica do DDT e no fortalecimento de um movimento popular em defesa do meio ambiente. Sua obra contribuiu decisivamente para transformar a relação entre os seres humanos e o mundo natural, além de ampliar a consciência ambiental pública.

A estratégia utilizada pela indústria dos agrotóxicos naquele período é semelhante à adotada por outros setores negacionistas, como a indústria do tabaco – especialmente desde os debates dos anos 1950 sobre os malefícios do cigarro- e, posteriormente, por grupos que negam o aquecimento global ou questionam a eficácia das vacinas. Trata-se, essencialmente, de lançar dúvidas sobre a ciência, criando uma verdadeira indústria da desinformação voltada ao combate aos fatos e à sabotagem do conhecimento científico. Para os autores, há uma relação estreita entre esse fenômeno e o discurso neoliberal, associado ao que chama de “fundamentalismo de mercado”.

São campanhas deliberadas de desinformação que visam defender interesses privados – e não o bem público, a saúde humana, o meio ambiente ou os animais. Essas campanhas contam com forte organização e financiamento por parte de setores ligados às indústrias do tabaco, do petróleo, dos agrotóxicos, entre outras, além de se associarem a formas de negacionismo ideológico. No Brasil, isso ficou evidente durante a pandemia da Covid-19, especialmente na disseminação de desinformação sobre vacinas.

O livro apresenta diversas histórias sobre a criação da dúvida e a difusão da desinformação por indivíduos e grupos que conseguiram, ao menos por algum tempo, impedir regulamentações de produtos nocivos à saúde nos Estados Unidos. Entre elas, destacam-se medidas relacionadas ao controle do tabaco, à emissão de gases CFC na atmosfera e à proteção da camada de ozônio. Embora estudos científicos já demonstrassem, desde a década de 1970, os riscos ambientais desses gases, representantes da indústria e outros setores negacionistas insistiam em afirmar que a destruição da camada de ozônio não era real, seria irrelevante ou teria origem natural, como atividade vulcânica.

Com base em dados e estudos científicos, os autores procuram demonstrar como funciona a indústria da desinformação e os interesses privados que sustentam seu ecossistema. Essa estrutura conta, inclusive, com cientistas financiados por determinados grupos econômicos e utiliza amplamente os meios de comunicação e, mais recentemente, as redes sociais, ampliando significativamente seu alcance.

O combate à desinformação sempre existiu, mas se sofisticou ao longo do tempo. Nos anos 1950, por exemplo, já havia evidências científicas suficientes sobre os malefícios do cigarro. Ainda assim, a indústria do tabaco lançou uma intensa campanha anticientífica, financiando cientistas e promovendo ações publicitárias para lançar dúvidas sobre a relação entre tabagismo e doenças, especialmente o câncer de pulmão. Estratégias semelhantes continuam sendo utilizadas atualmente em relação às vacinas, ao aquecimento global e aos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), criado em 1988 e considerado a principal autoridade internacional sobre questões climáticas.

Os autores também destacam o papel da internet na ampliação da desinformação. Segundo os autores, a internet criou uma “sala de espelhos” em que qualquer afirmação, por mais absurda que seja, pode ser reproduzida indefinidamente. Nesse ambiente, a desinformação raramente desaparece. Trata-se de um espaço em que qualquer opinião pode ser reproduzida e difundida indefinidamente, independentemente de sua veracidade. Nesse contexto, citam uma frase de Umberto Eco, pronunciada em 2015, segundo a qual “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.

A ciência não se constrói a partir de opiniões isoladas, mas de provas e evidências. Nem todas as opiniões possuem o mesmo valor científico, já que muitas se baseiam apenas em alegações sem respaldo empírico. Isso não significa, entretanto, que a ciência seja infalível. Ao longo da história, diversas teorias foram revistas ou substituídas graças ao avanço do conhecimento científico. É justamente esse processo de revisão que permite o desenvolvimento da ciência.

O livro também aborda a negação do aquecimento global, tratado por setores negacionistas como um engodo. Do ponto de vista científico, entretanto, trata-se de um fenômeno amplamente comprovado e relacionado à ação humana.

Outro aspecto importante discutido na obra é o papel dos meios de comunicação. Em princípio, caberia à imprensa informar com responsabilidade, evitando dar espaço a charlatões e vendedores de ilusões, especialmente em temas científicos. Contudo, muitas vezes os meios de comunicação acabam reproduzindo discursos negacionistas ou funcionando como porta-vozes de interesses econômicos, da indústria negacionista.

Uma estratégia recorrente dessas campanhas consiste em criar a aparência de respaldo científico por meio da utilização de especialistas e discursos técnicos, mesmo quando não há consenso científico que sustente tais argumentos. Isso ocorre, por exemplo, em debates sobre mudanças climáticas e eventos extremos.

Na seção intitulada “O problema orwelliano”, em referência ao escritor George Orwell, autor de 1984, os autores descrevem a atuação de uma ampla rede de think tanks financiados por empresários, corporações e fundações conservadoras. Essas organizações promovem pesquisas, conferências e seminários voltados à defesa de interesses econômicos específicos, especialmente relacionados à desregulamentação ambiental, trabalhista e sanitária. Muitos desses estudos procuram contestar o consenso científico sobre o aquecimento global e outros temas relevantes.

Negar evidências científicas consolidadas equivale, segundo os autores, a negar teorias amplamente aceitas pela comunidade científica, como, entre muitos exemplos, a teoria das placas tectônica  ou a teoria da evolução das espécies, formulada por Charles Darwin. Negacionismo que se estende a outras áreas, como as teorias conspiratórias e revisionistas da história, com a negação do holocausto (como analisa a historiadora e diplomata Deborah Lipstadt no livro A negação do holocausto: o crescente ataque à verdade e a memória –1994 – publicado no Brasil pela Editora Universo dos livros em 2017 com o título Negação: uma história real) ou sobre a ditadura militar no Brasil(1964-85), tida por eles como ‘uma revolução contra o comunismo,’ etc. Como afirmam Naomi Oreskes e Erik M. Conway, após determinado estágio de comprovação, não existem “dois lados” equivalentes na ciência: existe a verdade histórica, o conhecimento científico reconhecido, que não devem ser confundidas com opiniões sem validação empírica.

No posfácio publicado em 2020 para a nova edição norte-americana de Mercadores da dúvida, os autores afirmam que o problema da desinformação se agravou ao longo da década e que suas consequências ameaçam “nossa prosperidade, nossa democracia e até mesmo nossas vidas”.

Naquele momento, Donald Trump encerrava seu primeiro mandato presidencial nos Estados Unidos. Conhecido por posições negacionistas em relação às mudanças climáticas e por críticas à vacinação infantil, seu governo promoveu retrocessos em áreas como educação, saúde, cultura, ciência e meio ambiente. Entre as medidas citadas estão a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a revogação do Plano de Energia Limpa e os ataques constantes à ciência, às universidades e aos cientistas.

O mais grave, segundo os autores, é que as campanhas de desinformação continuam circulando livremente na internet, inclusive aquelas relacionadas à saúde humana, como a venda de produtos falsos e medicamentos “milagrosos”. Tais práticas enriquecem charlatães e colocam milhões de pessoas em risco.

Existe uma diferença fundamental entre a incerteza inerente à ciência – que faz parte do processo de construção do conhecimento – e as estratégias deliberadas de manipulação da dúvida. O consenso científico é resultado da análise rigorosa de evidências por especialistas, enquanto a desinformação busca desacreditar esse processo.

Nesse sentido, os negacionistas procuram convencer a população de que a ciência é duvidosa, utilizando argumentos falsos, seleção parcial de dados, difamação de cientistas e informações enganosas disfarçadas de ciência. Quando os meios de comunicação deixam de submeter essas alegações ao devido escrutínio crítico, acabam contribuindo para a disseminação da manipulação.

Em relação ao Brasil, Naomi Oreskes afirma, no posfácio da edição brasileira, que o país chegou a ser referência mundial na redução do desmatamento da Amazônia entre 2005 e 2010. Entretanto, segundo a autora, houve retrocessos significativos durante o governo Jair Bolsonaro, marcado pelo enfraquecimento de políticas ambientais e pela flexibilização de mecanismos de proteção da Amazônia e dos povos indígenas. Um presidente que exaltou ditadores brutais (Como Augusto Pichochet, ditador do Chile entre 1973-1990) e “inclusive do próprio passado brasileiro”.

Outro livro relevante publicado no Brasil é O triunfo da dúvida: dinheiro obscuro e a ciência da enganação, do epidemiologista norte-americano David Michaels, lançado em 2024 pela Editora Elefante. A obra analisa estratégias utilizadas por empresas para evitar regulamentações voltadas à proteção da saúde pública, incluindo manipulação de dados e financiamento de pesquisas com resultados favoráveis aos interesses empresariais.

Michaels demonstra como diversas indústrias recorrem ao negacionismo e à ciência fraudulenta para defender produtos nocivos, promovendo incertezas sobre pesticidas, produtos químicos tóxicos, vacinas e mudanças climáticas. Segundo o autor, essas práticas têm como objetivo preservar lucros imediatos, mesmo diante de impactos graves à saúde humana, animal e ao meio ambiente.

Os livros Mercadores da dúvida e O triunfo da dúvida evidenciam alguns dos principais desafios enfrentados pelas democracias contemporâneas e brasileira em particular, em um ano em que haverá eleições presidenciais e a possibilidade deo retorno da extrema direita ao governo e nesse sentido, o combate à desinformação, ao negacionismo e às manipulações políticas e midiáticas torna-se, nesse contexto, um elemento central para a continuidade da democracia, da defesa das instituições democráticas e da valorização do conhecimento científico.

Fonte: saibamais.jor.br

Ratos de Portão, Anatolyan, Som da Mata e mais opções no domingo (17)

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Foto: Sandro Menezes

O domingo é do punk rock em Natal. A icônica Ratos de Porão, com João Gordo e cia, está na área e fará um show único, no Galpão 292, na Ribeira, promovido pelo Dosol. A quebradeira começa às 16h30 e ainda terá Expose Your Hate, Basttardz, Cemitério e Plugins.

Quem prefere algo mais leve, a programação tem duas opções de música instrumental. No Som da Mata, o Family 3 se apresenta a partir das 16h30, no Parque das Dunas. E no Mahalila, em Potilândia, o Anatolyan sobe ao palco às 18h30.

O domingão ainda tem pagode, forró, rock e outras opções. E ainda oferece espetáculos de dança, teatro infantil, exposições e cinema.

O #Meguia manda a boa e você faz o seu próprio roteiro. Se jogue !

MÚSICA ___________________________

Ratos de Porão Ratos de Porão, Expose Your Hate, Basttardz, Cemitério e Plugins | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Galpão 292, Rua Chile, Ribeira
HORÁRIO | 16h30
INFORMAÇÕES | @festivaldosol

Banda No Papel, no Sempre Rock | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Sempre Rock (Av. Praia de Ponta Negra, 9045, Ponta Negra)
HORÁRIO | 18h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @semprerockbar

Especial Jazz e Folk, no Sussurro | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Sussuro bar (Rua Cabo de São Roque, 8821, Ponta Negra)
HORÁRIO | 16h
ENTRADA | gratuito
INFORMAÇÕES | @sussurronatal

MAHAinstrumental – Anatolyan | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Mahalila Café (Rua Dra. Nívea Madruga, 19 – Lagoa Nova, Natal)
HORÁRIO | 18h30
INFORMAÇÕES | @mahalilacafe

Domingueira do R$9,99 | 17.05 DOMINGO
Dan Almeida /20h, Joélika Dinniz /22h30, Chimene Nunes
LOCAL | Casanova (Av. Senador Salgado Filho, 3526 – Candelária, Natal)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Entrada free
INFORMAÇÕES | @casanova

Luca Argel + Forró do Figa | 17.05 DOMINGO
Luca Argel + Forró do Figa com Jô Bay + Feira Popular da Vila
LOCAL | Figa Bar (Rua Manoel Coringa de Lemos, 633 – Vila de Ponta Negra, Natal)
HORÁRIO | 18h
INFORMAÇÕES | @figa.bar

Karaokê | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Eletromusic Pub (Av. Prudente de Morais, 5823 – Candelária, Natal)
HORÁRIO | 16h
ENTRADA | Entrada free
INFORMAÇÕES | @eletromusicpub

Pagode, piseiro e futebol, no Só mais uma | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Só mais uma (Av. Engenheiro Roberto Freire, 8750, Capim Macio)
HORÁRIO | 16h
INFORMAÇÕES | @somaisumabar

Som da Mata: Family 3 | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Parque das Dunas
HORÁRIO | 16h30
ENTRADA | gratuita
INFORMAÇÕES | @somdamata

TEATRO E DANÇA _________________

Bosque Encena: Mágico Capitão Jack | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Parque das Dunas
HORÁRIO | 10h
ENTRADA | gratuita
INFORMAÇÕES | @bosqueencena

Liberte Sua Dança | 17.05 DOMINGO
LOCAL | Teatro Alberto Maranhão (Praça Augusto Severo, s/n – Ribeira, Natal)
HORÁRIO | 17h30
ENTRADA | Bilheteria do TAM
INFORMAÇÕES | @teatroalbertomaranhao.oficial

EXPOSIÇÕES ___________________

Chuva de Poléns
Exposição de Ítalo Trindade, composta de montagens abstratas e de pinturas sobre e telas e papel, a mostra permeia os desdobramentos do estudo sobre luz e cor em diferentes instantes da carreira do artista.
LOCAL | Margem Hub, Rua da Sheelita, 59, Potilândia, Natal
DATA | Até 6 de junho de 2026
INFORMAÇÕES | @italo.trindade

“Entre cá & lá – Experiências do passado no tempo presente”, na EMUFRN
LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova)
HORÁRIO | Horário de funcionamento da escola
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn

“Exposição coletiva”, no Bardallos
LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @bardallosnatal

“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta
LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @ifrncentrohistorico

CINEMA ______________________

Confira as programações completas:
MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira.
CINÉPOLIS, Natal Shoppin
CINEMARK, Midway Mall
CINEFLIX, Partage Norte Shopping

EQUIPAMENTOS CULTURAIS ______________________

Fica a dica: antes de sair de casa, vale conferir direitinho os dias de funcionamento e aproveitar os espaços que seguem abertos durante o feriado. Cultura, lazer e natureza seguem na programação!

CIDADE DA CRIANÇA
O parque público, fundado em 1962, compreende parque Infantil, pista de cooper, Lagoa Manoel Felipe, pedalinhos, igrejinha, anfiteatro, Escola de Artes Newton Navarro, Biblioteca Infanto-juvenil Mirian Coeli, Casa de Vovozinha, praça de alimentação com quiosques, Espaço Eureka de Ciência e Tecnologia.
LOCAL | Cidade da Criança (Av. Rodrigues Alves – Tirol)
HORÁRIO | aberto das 8h às 18h
ENTRADA | R$ 2 (menores de 5 anos e maiores de 65 não pagam)
INFORMAÇÕES | @cidadedacriancanatal

FORTE DOS REIS MAGOS
O monumento, administrado pela Fundação José Augusto, está aberto à visitação. Visitas em grupo devem ser encaminhadas com antecedência para o e-mail [email protected], contendo data, horário e o descritivo da atividade a ser realizada.
LOCAL | Forte dos Reis Magos (Praia do Forte)
HORÁRIO | das 8h às 16h (de terça a domingo), fechando apenas às segundas-feiras para manutenção
ENTRADA | R$ 5 (entrada inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) aos visitantes da Fortaleza dos Reis Magos. Crianças até sete anos e os idosos a partir dos 60 anos estarão isentos dessa cobrança.
INFORMAÇÕES | Aqui

PARQUE DAS DUNAS
O Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves” é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira. Ele é considerado o maior parque urbano sobre dunas do Brasil, exercendo fundamental importância para a qualidade de vida da população natalense. O setor de uso público é o Bosque dos Namorados, que ocupa uma área aproximada de sete hectares, com mais de mil e trezentas árvores nativas da Mata Atlântica.
LOCAL | Avenida Alexandrino de Alencar s/n, Tirol
HORÁRIO | das 7h30 às 17h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras para manutenção
ENTRADA | R$ 1 (pode ser pago via pix)
São isentos de pagamento crianças de até cinco anos, adultos acima de 60 anos, escoteiros uniformizados e escolas públicas (com agendamento).

Foto: Sandro Menezes
Foto: Sandro Menezes

CAJUEIRO DE PIRANGI 
Localizado na praia de Pirangi do Norte, Parnamirim, o Cajueiro cobre uma área de aproximadamente 9.000 m², com perímetro de aproximadamente 500 metros. Em virtude da sua extensão, a árvore gigante entrou para o Guinness Book “O Livro dos Recordes”, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. A árvore faz parte da vida da comunidade e do roteiro turístico dos visitantes do RN. A entrada custa R$ 8. Crianças, de sete a 12 anos pagam meia-entrada, assim como estudantes, professores e idosos, portando carteira comprobatória.
LOCAL | Av. S. Sebastião, s/n, Pirangi do Norte
HORÁRIO | 7h30 às 17h30 – ESTÁ FECHADO PARA RECUPERAÇÃO NOS DIAS 16 e 17 de SETEMBRO
TELEFONE | (84) 3113 – 6191
E-MAIL | [email protected]

BOSQUE DAS MANGUEIRAS
Área pública de 14.125 m², do bioma Mata Atlântica, conforme classificação do Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). O local dispõe de passeios acessíveis para prática de atividades físicas como caminhada e corrida.
LOCAL | entre a Av. Nascimento de Castro, Jaguarari e Rua Tertius Rebelo, bairro Lagoa Nova
HORÁRIO | de segunda a sexta das 8h às 14h
CONTATOS | [email protected] e Ouvidoria Semurb: (84) 3616-9829.

COMPLEXO CULTURAL RAMPA
O centro cultural edificado às margens do Rio Potengi está aberto à visitação. O Complexo é formado por edificações destinadas a abrigar o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador, o Grêmio da Rampa, além de outros espaços voltados à realização de eventos, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, os visitantes têm acesso a quatro mostras: “Natal Encruzilhada do Mundo”, “Sala da Paz”, “O Maior Feito Náutico do Mundo: 70 Anos da IOLE RN 2” e “Jornada na Cidade”.
LOCAL | Rua Cel. Flamínio, 1 – Santos Reis, Natal
HORÁRIO | das 9h às 18h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras
Entrada gratuita.

PINACOTECA POTIGUAR
Reúne a maior parte do acervo de Artes Visuais pertencente ao Governo do Estado, com obras de artistas como Newton Navarro, Maria do Santíssimo, Abraham Palatinik, Dorian Gray Caldas e Zaíra Caldas. Até 10 de dezembro, segue aberta a exposição “Objetos do Cotidiano”, que reúne uma coletânea dos trabalhos produzidos por 38 participantes das oficinas de fotografia do Projeto “Narrativas do Silêncio”.
LOCAL | Praça Sete de Setembro, s/n Cidade Alta, ao lado da Assembleia Legislativa do RN
HORÁRIO | de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos finais de semana, das 9h às 16h
Entrada gratuita.

**** Este guia cultural está sujeito a alterações. Sentiu falta de algum evento? Manda que a gente publica! 



Fonte: saibamais.jor.br

Curso sobre mulheres na Revolução une formação política e doação solidária a Cuba

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Curso sobre mulheres na Revolução une formação política e doação solidária a Cuba

O Movimento de Mulheres Olga Benario e o Observatório da América Latina e Caribe (Obalca) promovem, no próximo dia 28 de maio, um curso de solidariedade a Cuba com o tema “A participação das mulheres na Revolução Cubana: luta armada e emancipação política”. A atividade será realizada no Auditório C do CCHLA e contará com palestra da pesquisadora Dra. Larissa Riberti. Para participar, a organização solicita a doação de medicamentos, insumos hospitalares e produtos de higiene pessoal, que serão destinados ao consulado cubano.

Segundo a coordenadora do Movimento Olga Benario no RN e bolsista do Obalca, Malu Lima, a iniciativa surge em meio ao agravamento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Ela afirma que o objetivo é combinar solidariedade concreta com debate político sobre soberania, anti-imperialismo e integração latino-americana.

“Desde 1962, Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, o que impacta diretamente o acesso a alimentos, medicamentos, combustível e outros itens essenciais. Em 2025, o governo Trump intensificou ainda mais as sanções e o bloqueio contra a ilha, aprofundando a crise de abastecimento”, explica.

De acordo com as organizadoras, mesmo diante das dificuldades econômicas, Cuba segue sendo referência internacional em áreas como saúde e educação. Elas destacam que o país desenvolveu vacinas próprias contra a Covid-19, como Abdala e Soberana, além de enviar apoio médico a outros países durante a pandemia.

A escolha de discutir especificamente o papel das mulheres na Revolução Cubana também tem relação com o entendimento de que elas ocuparam posições centrais nos processos revolucionários e nas transformações sociais posteriores à revolução de 1959.

“A experiência cubana demonstra como a participação feminina foi fundamental tanto na defesa da revolução quanto na construção de políticas sociais voltadas à educação, saúde, cultura e economia”, afirmam Malu e a pesquisadora Larissa Riberti.

Segundo elas, o debate busca evidenciar que as mulheres cubanas não atuaram apenas em funções de apoio, mas participaram diretamente da luta armada, da clandestinidade e da reorganização política do país após a revolução. Entre os nomes lembrados estão Celia Sánchez e Vilma Espín, figuras históricas da revolução que ocuparam posições de liderança política e institucional após a vitória do movimento revolucionário.

Além da atuação militar e política, as organizadoras ressaltam que as mulheres tiveram papel importante na ampliação do acesso à educação, na inserção feminina no mercado de trabalho e na construção de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.

Para o Movimento Olga Benario e o Obalca, promover debates internacionalistas dentro da universidade também se tornou uma necessidade diante do atual cenário político latino-americano. As organizadoras avaliam que as disputas econômicas e geopolíticas envolvendo os Estados Unidos impactam diretamente países da região, incluindo o Brasil.

“Discutir Cuba também é discutir o futuro do Brasil. Em um contexto de crescentes pressões econômicas e geopolíticas sobre países latino-americanos, reafirmar a soberania nacional e a autodeterminação dos povos é essencial”, afirmam.

As inscrições para o curso serão realizadas por formulário online disponível no material de divulgação. Entre os itens solicitados para doação estão analgésicos, antitérmicos, máscaras, luvas, seringas, sabonetes, escovas de dente, shampoo e absorventes.

SAIBA MAIS:
Movimento Olga Benário convoca ato do Julho das Pretas em Natal



Fonte: saibamais.jor.br

Mineiro diz que redução da jornada será aprovada com pressão da sociedade

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Mineiro diz que redução da jornada será aprovada com pressão da sociedade

A comissão especial da Câmara que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, que tem o deputado federal Fernando Mineiro (PT-RN) como membro suplente, realizou mais duas reuniões nesta semana. O deputado petista esteve presente e disse que vê uma movimentação de setores empresariais contrários à proposta, mas defendeu uma pressão da sociedade para alcançar a redução da jornada.

As últimas reuniões da comissão ocorreram na quarta-feira (13). Pela manhã, uma audiência pública discutiu os impactos sobre a vida das mulheres e dos pequenos negócios. Os deputados buscaram avaliar, entre outros pontos, os efeitos da jornada de trabalho sobre as trabalhadoras, especialmente nos setores de comércio, serviços e trabalho doméstico.

Mineiro afirmou que já vê na sociedade uma maioria favorável à redução da jornada, com resistência de setores empresariais (“espero que sejam minoritários”). O deputado afirmou que as mulheres são as que mais sofrem na escala 6×1 e muitas vezes enfrentam, em sua visão, uma escala 7×0, devido ao trabalho de cuidado.

“Além da questão da jornada, é preciso também pensar em políticas públicas para enfrentar essa questão do trabalho com os cuidados, que é um trabalho invisível, um trabalho não remunerado e um trabalho que pesa em demasia na vida das mulheres”, afirmou.

O parlamentar também afirmou ter recebido, na terça, uma mensagem da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), “o setor que hoje está mais tocando o terror”, e disse ser necessário fazer pressão pela aprovação da redução da jornada.

“É como se fosse parar, fechar restaurantes, fechar bares, fazer demissões. É como se fosse o caos para o setor essa aprovação. E nós vamos aprovar! Eu acho que a Câmara vai aprovar com a pressão da sociedade”, apontou.

Segundo Fernando Mineiro, existe um terror difundido deliberadamente que aposta na falta de dados e vira as costas para estudos.

“E o que a gente vê, lamentavelmente, num cenário no qual nós temos os melhores indicadores recentes da história do Brasil, é uma situação muito triste: os setores empresariais afirmarem e difundirem mentiras. Ontem um grupo aqui em Brasília projetou no telão desemprego e fechamento de empresas. Divulgaram absurdos.”

Pela tarde, a comissão realizou nova audiência, desta vez com o tema “Aspectos sociais e diálogo social para redução da jornada de trabalho”. A data, 13 de maio, foi a mesma em que, em 1888, foi assinada a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. 

“O ministro Boulos disse que a redução da jornada de 48 para 44 horas tem 38 anos, pois são 138 anos da Lei Áurea. Houve o chamado Barão de Cotegipe, que apresentou um projeto de lei para indenizar os proprietários dos escravizados e das escravizadas daquela época. E existem os Barões de Cotegipe do tempo atual, porque, aqui nesta Casa, já houve quem apresentasse proposta para indenizar setores empresariais. Ou seja, o Barão de Cotegipe foi revivido. Inclusive, o Barão de Cotegipe foi Presidente do Senado na época imperial. Então, nós vemos aqui a réplica, a encarnação do Barão de Cotegipe”, discursou.

Mineiro afirmou assistir a uma reação. “A despeito de quase 80% da sociedade brasileira hoje apoiar a redução da jornada e apoiar a mudança e a redução da escala também, há, aqui neste Congresso, uma inversão: a maioria de quem compõe a Câmara e o Senado é representante de setores empresariais”, disse.

“Então, eu quero fazer este registro e dizer que só acredito que nós vamos aprovar esta proposta — e vamos aprová-la — com a pressão da sociedade. E deixo bem claro que nós não podemos aceitar nenhum tipo de indenização, como querem os Barões de Cotegipe dos tempos atuais”, prosseguiu.

As discussões da comissão se baseiam nas Propostas de Emenda à Constituição apresentadas pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e pela deputada Erika Hilton (Psol-SP): a primeira (PEC 221/19) com previsão de redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas; e a segunda (PEC 8/25) com escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Além desses dois textos, o presidente Lula também enviou ao Congresso, em abril, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial. Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.

Fonte: saibamais.jor.br

Sobre detergentes, vacinas e Mounjaro

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Sobre detergentes, vacinas e Mounjaro

Desde as eleições do ex-presidente, Jair Bolsonaro, estamos vivenciando um surto de declarações absurdas que, inclusive, foram e são legitimadas por ele e seus apoiadores. Gente que veio a público questionar a eficácia das vacinas e fazia campanha contra, alegando os efeitos nocivos que poderiam causar à saúde. Isso sem falar nos inúmeros questionamentos sobre a eficácia e a suposta falta de pesquisas que a comprovassem.

Recentemente, a ANVISA emitiu um alerta a respeito do detergente da marca Ypê, mais especificamente sobre o lote terminado em um. Imediatamente, surge um movimento inacreditável nas redes sociais de bolsonaristas bebendo o produto, banhando-se com ele ou jogando-o em plantações e comidas. Eu poderia alegar que as mesmas pessoas que antes estavam questionando as comprovações científicas a respeito das vacinas contra a COVID-19 estão agora não apenas fazendo uso, mas bebendo um produto que possivelmente está contaminado por uma bactéria grave.

Que a preocupação dessas pessoas não é com a saúde ou com a ciência, disso nós já sabemos. Não dá para esperar lucidez dessa gente, então não percamos tempo com isso. O que tem me assustado verdadeiramente é a quantidade de pessoas que se dizem preocupadas com saúde, as mesmas defensoras da ciência e das pesquisas, buscando alternativas similares ao Mounjaro, inclusive no mercado clandestino, e tomando-as sem prescrição médica.

Mesmo com vários estudos apontando as indicações do medicamento (diabetes tipo 2 e obesidade), pessoas que estão apenas com excesso de peso estão recorrendo às chamadas “canetas emagrecedoras”. Não estou aqui para tecer comentários negativos sobre o produto. É um caminho possível e seguro para quem tem acesso ao medicamento testado e com acompanhamento médico, o que vai exigir recursos financeiros que a maioria da população não tem.

O problema é ver pessoas instruídas e supostamente lúcidas buscando alternativas que não são seguras, não pela saúde, mas para atingir um padrão estético exigido pela mídia e que sabemos ser inalcançável. O Brasil é o país que mais realiza procedimentos estéticos no mundo e, apesar das discussões que vemos nas redes sobre corpos reais, a verdade é que ninguém está satisfeito com o próprio corpo e, em muitos casos, é capaz de tudo para conseguir atingir seu ideal. Muitos homens que criticam a ditadura da beleza nas redes sociais buscam corpos magros para se relacionar. Muitas mulheres passam o dia atacando outras mulheres porque engordaram, e isso não faz o menor sentido.

Durante o Met Gala 2026, acompanhei várias críticas aos corpos de Rihanna e Beyoncé, mulheres lindíssimas que acabaram de ter filhos e já têm mais de trinta anos. O que esperar de mulheres nessa idade, que são mães e têm uma carreira ativa? Alguns dirão: “ah, mas elas são ricas e vivem da imagem, deveriam se cuidar”, mas elas, mesmo um pouco acima do peso, continuam lindíssimas e bem-sucedidas. O que é “se cuidar” para você?

Quem conhece minha filha sabe que ela é extremamente magra. Eu, apesar das fotos e comentários elogiosos nas redes, peso 100 kg. Adivinha quem está com o colesterol alto. Entendem? Saúde não é sobre balança e números. Esperar que eu, uma mulher de 45 anos, mãe, trabalhando o dia todo em várias atividades e cuidando da casa, ainda tenha ânimo diariamente para cuidar do corpo, comer bem e ainda atingir o manequim 42 é querer me envolver nessa máquina da indústria que movimenta moda, medicamentos e suplementos.

Se o seu peso lhe incomoda, emagreça, mas faça isso com respeito pela sua trajetória, rotina de vida e saúde. Não use a régua das redes sociais como parâmetro. Corpos ditos perfeitos são fruto de muita disciplina, sim, mas também e principalmente de vários procedimentos e de uma dieta restritiva.

Independentemente do seu manequim, vá ser feliz. Acredite: ninguém liga! Quem comenta, na verdade, está tentando apenas tirar o foco de si mesmo, mas, no fundo, tem inveja da sua autoestima.


Ana Paula Campos (Lua Callin)- Indígena Potyguara, Cigana Calon, mãe atípica, candomblecista e juremeira, Professora da rede pública, escritora, pesquisadora orgânica, bailarina e cartomante.

Fonte: saibamais.jor.br

Por literaturas que mobilizem pensamentos, sentimentos e virtudes nas crianças

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“Os livros são objetos transcendentes, mas os podemos amá-los do amor táctil.” Caetano Veloso(1997). Causa – me inquietação perceber a redução dos espaços destinados aos livros em muitos projetos arquitetônicos contemporâneos. Soma-se a isso o fechamento de livrarias de rua e o encerramento de grandes redes. Iniciativas voltadas à democratização do livro e da leitura merecem incentivo permanente.

Ler exige cultivo, continuidade e desejo. Em muitos modelos escolares tradicionais, a leitura obrigatória convertia-se em peso para parte dos estudantes, atravessada mais pelo dever do que pelo encantamento. Faltava, por vezes, a delicadeza de perceber a beleza que dança entre as palavras, na tessitura das narrativas, na construção das personagens e na arquitetura dos textos.

Para Clarice Lispector, em Felicidade Clandestina, a conquista de um livro desejado ultrapassa a relação com um objeto: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.” A narradora prolonga a espera, adia o prazer, esconde o livro e o reencontra. A metáfora construída por Clarice rompe com a perspectiva mecânica da leitura e afirma a entrega absoluta a um encontro. No sentir de Caetano Veloso(1997) “os livros que em nossa vida entraram são como a radiação de um corpo negro apontando pra a expansão do universo porque a frase, o conceito, o enredo, o verso e, sem dúvida, sobretudo o verso é o que pode lançar mundos no mundo.”

Por isso, importa celebrar as pessoas que se dedicam a construir mundos dentro de outros mundos, sobretudo aquelas que direcionam inventividade para as infâncias; pessoas que conduzem crianças por caminhos de imaginação, descoberta, ampliação vocabular e expansão das sensibilidades para o desenvolvimento de novos leitores e leitoras. 

Quando eu era menina, lia a mesma história inúmeras vezes. Saber decifrar as palavras produzia em mim enorme alegria. Havia encantamento em atravessar cidades lendo placas, nomes de ruas e fachadas. Outro entusiasmo consistia em ir, aos sábados pela manhã, à Livro 7, no centro do Recife. Aos olhos da criança que eu era, aquela livraria parecia gigantesca. Até hoje desconheço seu tamanho. Na memória, ela permanece imensa.

De tanto amar o hábito da leitura, assim que aprendi a escrever resolvi enviar uma carta ao meu escritor preferido. Desejava experimentar a emoção de receber correspondências, como via acontecer com os adultos da minha casa.

Escrevi para Ganymedes José, um dos autores mais lidos da literatura infantil da minha geração. Preparei uma carta cheia de perguntas e a encaminhei à editora, que a repassou ao escritor. Algumas semanas depois, naquele Brasil que respirava os ares iniciais da redemocratização, ele respondeu com delicadeza: primeiro, uma carta de próprio punho; depois, outra datilografada. 

Tempos mais tarde, recebi também minha primeira grande lição sobre a brevidade da vida. A editora escreveu comunicando sua morte e enviou um exemplar de um de seus livros como gesto de consolo, em resposta à outra carta que permanecera sem retorno. Havia enorme sensibilidade naquela forma de explicar a uma criança a partida de um autor.

Carrego profunda gratidão por Ganymedes José, assim como por Giselda Laporta Nicolelis, mãe do neurocientista Miguel Nicolelis, e pelo quarteto formado por Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, autores da coleção Para Gostar de Ler,uma iniciativa da Editora Ática pois atiçaram em mim o interesse pela leitura, contribuindo para o desenvolvimento da pessoa que sigo me constituindo, nesse vir a ser contínuo. 

Com esse espírito de reverência aos escritores e escritoras dedicados à literatura para crianças, considero um privilégio conviver com amigos que fortalecem a produção literária infantil realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, e a projetam nacionalmente. Entre eles estão Juliano Freire, Adriano Gomes, José de Castro e Salizete Freire (in memoriam). Um dos últimos áudios de Salizete para mim, entre tantos assuntos, trazia a promessa de que ainda nos encontraríamos em outra alegria.

Eles produzem narrativas que estimulam o pensamento das crianças sem subestimá-las. Convocam o sensível, investem na qualidade estética das ilustrações e, simultaneamente, mobilizam em nós, adultos, reflexões indispensáveis. As imagens dialogam com os signos das infâncias, enquanto os temas pertencem ao interesse mais amplo da humanidade.

Nesta semana, Juliano Freire lançou mais uma obra. Autor de títulos como Doninha e o marimbondo, Pereyra – o menino bom de bola, Felizardo contra a bruxa da feira, Gumercindo mora no castelo e A cachorrinha que aprendeu a ler, ele conta que, na adolescência, escrevia para adultos nos cadernos da escola. Já na vida adulta, voltou-se à escrita para crianças. A experiência da paternidade, ao lado dos filhos Luca e Nicole, impulsionou histórias inicialmente narradas ao primogênito e, posteriormente, transformadas em livros.

A cachorrinha que aprendeu a ler nasceu diretamente pensado para o formato literário. Foram quatro horas de sessão de autógrafos na tarde do dia 08 de maio. As ilustrações são de Mari Holtz e lançado pela Editora Ases da Literatura, no selo Asinha. 

A narrativa acompanha uma família multiespécie em que uma cachorrinha escuta as histórias narradas pela avó Gertrudes e observa a rotina da família Pintassilgo. No encontro intergeracional entre avó, neta Lúcia e o pet, surgem letras, sentidos e descobertas. A cachorrinha aprende a ler silenciosamente e, como observa o autor, “sua maior leitura consiste em perceber-se amada e acolhida, experiência que sustenta qualquer aprendizagem”, afirmou sabiamente Juliano Freire. Trata-se de uma família comum, inserida em contexto urbano, composta por pais trabalhadores. A sintonia entre a avó, a criança e o animal organiza o núcleo afetivo do enredo.

Juliano reúne gentileza, sólida fibra ética, sensibilidade humanista e dedicação à família, ao jornalismo e aos amigos(as). Que bom amigo! Pertence à categoria rara das pessoas cuja presença favorece crescimento e amadurecimento dos que caminham ao redor. Que, assim como a cachorrinha que aprendeu a ler, também consigamos cultivar dentro de nós formas mais amorosas de habitar o mundo. 

Fonte: saibamais.jor.br

Krhsytal, Regina Navarro Lins, Carlão, rock, forró e mais no sábado (16)

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Foto: Sandro Menezes

A programação cultural de sábado (16) está daquele jeito. Logo cedo, a partir das 10h, o Sebo Vermelho, na Cidade, promove o lançamento da reedição de Crônicas da Banalidade, do escritor e jornalista Carlão de Souza, que nos deixou em 2019. Além de cerveja gelada, o DJ Implacável do Vinil embala a festa para presente.

No mesmo horário, na Livraria Nobel, no Praia Shopping, a psicanalista Regina Navarro Lins fala sobre as formas de amar do século XXI.

A noite ainda tem Krhystal e Daniela Fernandes, no Figa bar, na Vila de Ponta Negra, e um grande festival de rock no Wesley´s Bar, em Capim Macio.

Também tem teatro no TAM, com o espetáculo “Vinde a mim”, a partir das 19h30, e quatro exposições impedíveis, entre elas Chuva de Polén, de Ítalo Trindade, que estreou sexta-feira (16).

O #Meguia traz várias opções para deixar seu sábado mais divertido. Faça seu roteiro e vá simbora !

MÚSICA ___________________________

Encontros Potiguares: Khrystal e Daniela Fernandes, no Figa bar | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Figa Bar (Rua Manoel Coringa de Lemos, 633 – Vila de Ponta Negra, Natal)
HORÁRIO | 18h
INFORMAÇÕES | @figa.bar

Um Forró Pra Chamar o São João, no Bardallo´s | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Bardallo’s (Rua Gonçalves Lêdo, 678 – Cidade Alta, Natal)
HORÁRIO | 20h
INFORMAÇÕES | @bardallosnatal

Grande Noite de Rock, no Wesley´s Bar | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Wesley’s Bar (Rua Alexandre Câmara, 1773 Capim Macio, Natal)
HORÁRIO | 17h30
ENTRADA | Gratuito 17h-19h | R$10 antecipado no Outgo | R$20 na portaria
INFORMAÇÕES | @wesleysbar

Banda 5584, no Sempre Rock | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Sempre Rock (Avenida Praia de Ponta Negra, 9045, Ponta Negra)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @semprerockbar

Jizzards O Retorno | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Cervejaria Natal Bier (antiga Cervejaria Resistência – rua Leonora Armstrong, 35, Ponta Negra)
HORÁRIO | 20h
INFORMAÇÕES | @natalbier

Karaokê | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Eletromusic Pub (Av. Prudente de Morais, 5823 – Candelária, Natal)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Entrada free
INFORMAÇÕES | @eletromusicpub

Super! / Pop & Funk | 16.05 SÁBADO
2 pistas: Aquário + Lounge Eletrônico
LOCAL | Casanova (Av. Senador Salgado Filho, 3526 – Candelária, Natal)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Entrada free
INFORMAÇÕES | @casanova

Villa Lobos + Banda Lavine | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Rastapé Casa de Forró (Rua Aristides Porpino Filho, 2198 – Ponta Negra, Natal)
HORÁRIO | 22h
ENTRADA | Senhas na bilheteria da casa
INFORMAÇÕES | @rastapecasaforro

Pajux + Found a Job | 16.05 SÁBADO
B2B Clássico – Happy hour até 21h
LOCAL | Molotov Drinks (Av. Senador Salgado Filho, 1593 – Lagoa Nova, Natal)
HORÁRIO | 18h
ENTRADA | Couvert R$10 (revertido em drink)
INFORMAÇÕES | @molotovdrinks_

DJ VOGN – Pop & House | 16.05 SÁBADO
LOCAL | LaLuna Bar (Praça da Guerreira – Alameda das Acácias, 10 – Neópolis, Natal)
HORÁRIO | 19h
INFORMAÇÕES | @Laluna

DJ Fefonado, no Galpão 22 | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Galpão 292, Rua Chile, Ribeira
HORÁRIO | 20h
INFORMAÇÕES | @galpao.292

Invasão Geek | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Casa de Apostas Arena das Dunas
HORÁRIO | 10h às 20h
ENTRADA | gratuita, mediante cadastro na Semana S e doação de 1kg de alimento
INFORMAÇÕES | www.sescrn.com.br

RN Hip-Hop Trip Festival | 16.05 SÁBADO
LOCAL | São Gonçalo do Amarante
HORÁRIO | a partir das 9h
ENTRADA | gratuita

Plataforma 17 | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Bafafá Bar, Praça Dr. Amaro Marinho, 07, Lagoa Nova
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | couvert R$ 12
INFORMAÇÕES | @bafafa.bar

TEATRO ________________

Vinde a Mim, no TAM | 16.05 SÁBADO
LOCAL | Teatro Alberto Maranhão (Praça Augusto Severo, s/n – Ribeira, Natal)
HORÁRIO | 19h30
ENTRADA | Bilheteria do TAM
INFORMAÇÕES | @teatroalbertomaranhao.oficial

LITERATURA ____________________

Lançamento da reedição de “Crônica da Banalidade” | 16.05 SÁBADO
O jornalista e escritor potiguar Carlos de Souza volta ao centro da cena cultural do Rio Grande do Norte com a reedição de Crônica da Banalidade, obra considerada um dos marcos da literatura potiguar contemporânea. Publicado originalmente em 1988, o livro retorna às prateleiras após mais de quatro décadas fora de circulação, em nova edição lançada pela Sebo Vermelho Edições.
LOCAL | Sebo Vermelho
HORÁRIO | a partir das 10h
INFORMAÇÕES | Carlão de Souza “volta à cena do crime” com reedição de “Crônica da Banalidade”

Lançamento do livro “Tragédias Cotidianas” | 16.05 SÁBADO
Lançamento do livro de Kaenia Paiva com música ao vivo: Priscila Matos (Voz e piano), Philipp Paiva (Violino) e Diego Paixão (Violoncello)
LOCAL | Mahalila Café (Rua Dra. Nívea Madruga, 19 – Lagoa Nova, Natal)
HORÁRIO | 19h
INFORMAÇÕES | @mahalilacafe

Regina Navarro Lins fala sobre “Novas formas de amar”, na Nobel | 16.05 SÁBADO
A psicanalista Regina Navarro Lins debate as nova formas de amar no século XXI na livraria Nobel
LOCAL | Livraria Nobel (Praia Shopping, Capim Macio)
HORÁRIO | 10h às 12h30
INFORMAÇÕES | @nobelnatal

Grupo Resiliência, propósito e sentido da vida, na Nobel | 16.05 SÁBADO
Grupo debate “A liberdade é uma escolha”, de Edith Eger
LOCAL | Livraria Nobel (Praia Shopping, Capim Macio)
HORÁRIO | 19h às 21h
INFORMAÇÕES | @nobelnatal

EXPOSIÇÕES _________________________

Chuva de Poléns, no Margem Hub
Abertura de exposição de Ítalo Trindade, composta de montagens abstratas e de pinturas sobre e telas e papel, a mostra permeia os desdobramentos do estudo sobre luz e cor em diferentes instantes da carreira do artista.
LOCAL | Margem Hub, Rua da Sheelita, 59, Potilândia, Natal
HORÁRIO | 19h

“Entre cá & lá – Experiências do passado no tempo presente”, na EMUFRN
LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova)
HORÁRIO | Horário de funcionamento da escola
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn

“Exposição coletiva”, no Bardallos
LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @bardallosnatal

“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta
LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @ifrncentrohistorico

EQUIPAMENTOS CULTURAIS ____________________________

Fica a dica: antes de sair de casa, vale conferir direitinho os dias de funcionamento e aproveitar os espaços que seguem abertos durante o feriado. Cultura, lazer e natureza seguem na programação!

CIDADE DA CRIANÇA
O parque público, fundado em 1962, compreende parque Infantil, pista de cooper, Lagoa Manoel Felipe, pedalinhos, igrejinha, anfiteatro, Escola de Artes Newton Navarro, Biblioteca Infanto-juvenil Mirian Coeli, Casa de Vovozinha, praça de alimentação com quiosques, Espaço Eureka de Ciência e Tecnologia.
LOCAL | Cidade da Criança (Av. Rodrigues Alves – Tirol)
HORÁRIO | aberto das 8h às 18h
ENTRADA | R$ 2 (menores de 5 anos e maiores de 65 não pagam)
INFORMAÇÕES | @cidadedacriancanatal

FORTE DOS REIS MAGOS
O monumento, administrado pela Fundação José Augusto, está aberto à visitação. Visitas em grupo devem ser encaminhadas com antecedência para o e-mail [email protected], contendo data, horário e o descritivo da atividade a ser realizada.
LOCAL | Forte dos Reis Magos (Praia do Forte)
HORÁRIO | das 8h às 16h (de terça a domingo), fechando apenas às segundas-feiras para manutenção
ENTRADA | R$ 5 (entrada inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) aos visitantes da Fortaleza dos Reis Magos. Crianças até sete anos e os idosos a partir dos 60 anos estarão isentos dessa cobrança.
INFORMAÇÕES | Aqui

PARQUE DAS DUNAS
O Parque Estadual Dunas do Natal “Jornalista Luiz Maria Alves” é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira. Ele é considerado o maior parque urbano sobre dunas do Brasil, exercendo fundamental importância para a qualidade de vida da população natalense. O setor de uso público é o Bosque dos Namorados, que ocupa uma área aproximada de sete hectares, com mais de mil e trezentas árvores nativas da Mata Atlântica.
LOCAL | Avenida Alexandrino de Alencar s/n, Tirol
HORÁRIO | das 7h30 às 17h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras para manutenção
ENTRADA | R$ 1 (pode ser pago via pix)
São isentos de pagamento crianças de até cinco anos, adultos acima de 60 anos, escoteiros uniformizados e escolas públicas (com agendamento).

Foto: Sandro Menezes
Foto: Sandro Menezes

CAJUEIRO DE PIRANGI 
Localizado na praia de Pirangi do Norte, Parnamirim, o Cajueiro cobre uma área de aproximadamente 9.000 m², com perímetro de aproximadamente 500 metros. Em virtude da sua extensão, a árvore gigante entrou para o Guinness Book “O Livro dos Recordes”, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. A árvore faz parte da vida da comunidade e do roteiro turístico dos visitantes do RN. A entrada custa R$ 8. Crianças, de sete a 12 anos pagam meia-entrada, assim como estudantes, professores e idosos, portando carteira comprobatória.
LOCAL | Av. S. Sebastião, s/n, Pirangi do Norte
HORÁRIO | 7h30 às 17h30 – ESTÁ FECHADO PARA RECUPERAÇÃO NOS DIAS 16 e 17 de SETEMBRO
TELEFONE | (84) 3113 – 6191
E-MAIL | [email protected]

BOSQUE DAS MANGUEIRAS
Área pública de 14.125 m², do bioma Mata Atlântica, conforme classificação do Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). O local dispõe de passeios acessíveis para prática de atividades físicas como caminhada e corrida.
LOCAL | entre a Av. Nascimento de Castro, Jaguarari e Rua Tertius Rebelo, bairro Lagoa Nova
HORÁRIO | de segunda a sexta das 8h às 14h
CONTATOS | [email protected] e Ouvidoria Semurb: (84) 3616-9829.

COMPLEXO CULTURAL RAMPA
O centro cultural edificado às margens do Rio Potengi está aberto à visitação. O Complexo é formado por edificações destinadas a abrigar o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador, o Grêmio da Rampa, além de outros espaços voltados à realização de eventos, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, os visitantes têm acesso a quatro mostras: “Natal Encruzilhada do Mundo”, “Sala da Paz”, “O Maior Feito Náutico do Mundo: 70 Anos da IOLE RN 2” e “Jornada na Cidade”.
LOCAL | Rua Cel. Flamínio, 1 – Santos Reis, Natal
HORÁRIO | das 9h às 18h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras
Entrada gratuita.

PINACOTECA POTIGUAR
Reúne a maior parte do acervo de Artes Visuais pertencente ao Governo do Estado, com obras de artistas como Newton Navarro, Maria do Santíssimo, Abraham Palatinik, Dorian Gray Caldas e Zaíra Caldas. Até 10 de dezembro, segue aberta a exposição “Objetos do Cotidiano”, que reúne uma coletânea dos trabalhos produzidos por 38 participantes das oficinas de fotografia do Projeto “Narrativas do Silêncio”.
LOCAL | Praça Sete de Setembro, s/n Cidade Alta, ao lado da Assembleia Legislativa do RN
HORÁRIO | de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos finais de semana, das 9h às 16h
Entrada gratuita.

**** Este guia cultural está sujeito a alterações. Sentiu falta de algum evento? Manda que a gente publica!



Fonte: saibamais.jor.br

Música e troca de olhares: linguagens de afeto

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Música e troca de olhares: linguagens de afeto

Começou com música.

Não exatamente com conversa, embora conversassem. Nem exatamente com flerte, embora houvesse desejo atravessando tudo, uma eletricidade escondida dentro da parede. Começou com uma canção enviada às duas da manhã, sem contexto algum.

“Escuta isso.”

Ela clicou.

Era uma música antiga, dessas que parecem tocar dentro de um quarto cheio de fumaça e lembranças. A voz rouca do cantor dizia algo sobre amar alguém mesmo quando o mundo inteiro parecia feito para impedir. Quando terminou, ela ficou olhando para o teto do quarto, sentindo que havia perguntas demais escondidas naquela escolha.

Respondeu no mesmo idioma.

Mandou outra música de volta.

Uma sobre encontros tardios.

Sobre pessoas que se reconhecem cansadas.

Sobre desejo dito pela metade.

E foi assim que passaram a se falar.

As mensagens vinham quase sempre acompanhadas de letras, links, trechos sublinhados, áudios curtos gravados dentro do carro, refrões específicos enviados. Entregavam um segredo. Nenhum dos dois dizia claramente o que queria dizer. A música fazia isso por eles.

Às vezes ele mandava algo agressivamente romântico, mas disfarçado em indie rock melancólico. Ela devolvia sambas doloridos, canções de amores impossíveis, MPBs que falavam de permanência sem precisar usar a palavra amor.

Era um idioma próprio.

Ele dizia “ouve a faixa três”.

Ela entendia “pensei em você o dia inteiro”.

Ela enviava uma música sobre saudade.

Ele compreendia “eu queria estar perto agora”.

Havia uma intimidade absurda em ser traduzido pelas escolhas musicais de alguém.

Os encontros começaram antes mesmo de acontecerem oficialmente. Criavam situações pequenas, quase banais, só para caber um no cotidiano do outro. Ela fingia precisar passar perto da oficina onde ele trabalhava. Ele inventava cafés demorados na região onde ela costumava estar. Às vezes dividiam apenas quinze minutos de conversa numa praça quente, encostados num banco descascado enquanto o fim da tarde dissolvia a cidade em tons cor de ferrugem. O Sertão faz o horizonte pegar fogo em certas estações.

Depois iam embora, semelhante a quem tenta preservar alguma coisa delicada demais para ser tocada rápido.

Nenhum dos dois tinha coragem de acelerar aquilo.

Talvez porque ambos soubessem que certos afetos, quando nomeados, se assustam e fogem.

Numa sexta-feira de chuva fina, ele mandou outra música.

Dessa vez, uma versão ao vivo. Voz baixa. Violão quase triste.

“Essa aqui me desmonta”, escreveu.

Ela ouviu sentada na cama, ainda enrolada na toalha depois do banho. A letra falava sobre duas pessoas que se olhavam. Um encontro para o descanso depois de anos sobrevivendo.

Ela demorou para responder.

Mandou apenas:

“Acho que a gente precisava se ver hoje.”

Ele respondeu em menos de um minuto:

“Acho isso também.”

Encontraram-se num bar pequeno perto do mercado, desses onde a iluminação é baixa demais e a música ambiente parece sempre saída de um rádio antigo. Ela chegou primeiro. Observava as gotas escorrendo pelo vidro enquanto tentava controlar a ansiedade absurda que sentia nas mãos.

Quando ele entrou, o mundo pareceu desacelerar.

Camisa clara grudada nos ombros por causa da chuva. O cabelo úmido. O olhar procurando por ela até encontrar.

A conexão ocorreu de imediato.

Não era apenas desejo.

Era reconhecimento.

Os dois carregassem silenciosamente a mesma exaustão de existir no mundo e, ainda assim, encontrassem alívio um no outro.

Ele sorriu primeiro, daquele jeito pequeno e involuntário que nasce antes da consciência. Ela sentiu o corpo inteiro amolecer.

Abraçaram-se. Num abraço longo e apertado carregado de… De quê?!

Sentou-se à frente dela como quem já conhecia aquele lugar.

Conversaram durante horas. Sobre discos antigos. Sobre shows ruins. Sobre letras que salvam pessoas em dias específicos. Sobre como certas músicas conseguem dizer exatamente aquilo que ninguém aprende a pronunciar em voz alta. Sobre a vida um do outro…

Em algum momento, ela comentou:

“Acho que a gente fala mais pelas músicas do que pelas mensagens.”

Ele riu baixo.

“Porque música não mente tão fácil.”

Ela não desviou o olhar, apesar do impacto que a frase lhe causou.

O bar foi esvaziando devagar. Cadeiras subindo nas mesas. Funcionários bocejando perto do caixa. E eles continuavam ali, presos numa conversa que parecia existir há muito tempo antes daquele encontro.

Na saída, caminharam pela calçada molhada sem direção definida.

Ele encostava nela às vezes, de leve, como quem testa a possibilidade de permanência. Ela percebia cada toque. Parecia que seu corpo inteiro tivesse sido reprogramado para notar apenas aquilo.

Pararam diante da praça da matriz.

O vento bagunçou o cabelo dela. Ele observou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:

“Tem uma música que eu nunca te mandei porque fiquei com medo.”

Ela sorriu de canto.

“Então manda agora.”

Ele tirou o celular do bolso, procurou rapidamente e entregou para ela.

A canção começou suave.

A letra dizia: “Eu sei, é o amor que ninguém mais vê.”

Ela levantou os olhos devagar, pensou: “Será que ninguém mais vê isso?!”

E lá estava ele.

A mesma troca de olhar.

O mesmo sorriso suspenso no canto da boca.

A mesma transparência impossível entre duas pessoas que já tinham entendido tudo sem precisar nomear quase nada.

Ela segurou a mão dele pela primeira vez.

Sem espetáculo.

Sem anúncio.

Sem urgência.

Igual a quem, finalmente, encontra a nota certa depois de passar anos ouvindo a vida desafinada.

Despediram-se com a promessa de um novo encontro, talvez na casa de um deles?!, regado a vinho?!, uma cerveja?!, pizza?!, churrasco?!, cachacinha?!, um café?! …

Decidiriam depois.

Quando, deitada em sua cama pensava naquele encontro, pensou: Mais transparente que nosso olhar quando nos vemos é a troca de olhar que permanece com um sorriso no canto da boca quando lembramos um do outro.

Fonte: saibamais.jor.br

Jurema Sagrada resiste entre cidade, território e ancestralidade no RN

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Jurema Sagrada resiste entre cidade, território e ancestralidade no RN
Foto: cedida

A Jurema Sagrada permanece viva no Rio Grande do Norte como prática espiritual, herança indígena e forma de resistência coletiva. Para lideranças e pesquisadores ligados à tradição, sua trajetória é marcada por séculos de perseguições, apagamentos culturais e luta permanente pela preservação dos territórios, da memória ancestral e dos saberes transmitidos entre gerações.

Fábio de Oliveira, que também leva o nome Ta’angahara, é mestrando em Antropologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, cineasta, escritor, editor, ambientalista e juremeiro iniciado. Sua pesquisa acadêmica investiga as relações entre espiritualidade, território, meio ambiente e identidade presentes nos cultos de Jurema. O trabalho nasceu inicialmente de outro interesse, o de estudar o preconceito em torno do sacrifício de animais nos terreiros. Mas o próprio cotidiano dentro da religião levou o pesquisador a mudar de direção.

“No começo eu ia pesquisar o preconceito relacionado ao sacrifício de animais, mas percebi que existia algo muito mais urgente num cenário em que o mundo fala tanto sobre justiça climática e proteção da biodiversidade”, afirma.

Segundo Ta’angahara, o que mais o impactou foi perceber que a Jurema funciona como uma “grande rede de convivência”, onde humanos, plantas, sementes, animais e entidades espirituais participam conjuntamente da formação do iniciado. “No ritual, as plantas e os animais deixam de ser vistos como recursos ou coisas descartáveis. Eles se tornam participantes ativos”, explica.

Foto: cedida

A pesquisa parte justamente dessa compreensão: a de que os terreiros guardam conhecimentos ancestrais sobre formas sustentáveis de coexistência entre seres humanos e natureza. Em um momento de agravamento da crise climática e avanço da devastação ambiental, Ta’angahara entende que a Jurema oferece reflexões que ultrapassam o campo religioso.

“O terreiro tem muito a ensinar sobre respeito à vida”, resume.

A relação entre espiritualidade e território aparece como eixo central da pesquisa. Ta’angahara destaca que a Jurema nasce das tradições indígenas nordestinas e mantém vínculos profundos com a terra e os seres da floresta. Ele cita estudos dos professores Luiz Assunção e Rômulo Angélico para lembrar que os povos originários nunca enxergaram a terra apenas como mercadoria ou propriedade.

“Cada planta e cada animal são vistos como sagrados”, afirma.

Em janeiro deste ano, mais de mil pessoas ocuparam a Pinacoteca do Estado durante o 9º Encontro de Juremeiros e Juremeiras de Natal, transformando o espaço em um grande território de afirmação religiosa, cultural e política.

SAIBA MAIS: Encontro de Juremeiros reúne mais de mil fiéis e fortalece a Jurema como patrimônio vivo

Essa relação ancestral, porém, vem sendo tensionada pelo crescimento urbano, pelo desmatamento e pela destruição de áreas verdes. Segundo o pesquisador, muitos terreiros passaram a funcionar como verdadeiros refúgios ecológicos dentro das cidades. “Quando a mata diminui, os juremeiros precisam adaptar suas tradições para espaços cada vez menores. O terreiro assume a missão de proteger o pouco de verde que resta”, explica.

Na avaliação dele, defender a Jurema também significa defender os territórios tradicionais e enfrentar a lógica urbana marcada pela destruição ambiental. “Cuidar da espiritualidade e proteger a natureza são caminhos que andam juntos.”

A dimensão ecológica atravessa todos os aspectos do culto. Plantas, cascas de árvores, sementes, ervas, fumaça e animais fazem parte dos rituais e carregam significados espirituais fundamentais. Ta’angahara destaca que existe um profundo conhecimento tradicional sobre manejo e preservação desses elementos.

“O uso do tabaco, das cascas e dos animais não é feito de qualquer jeito ou por exploração. Existe um cuidado rigoroso, uma sabedoria que respeita o tempo e a vida de cada ser vivo”, afirma.

Para ele, a preservação ambiental não aparece como tema secundário dentro da Jurema, mas como condição de sobrevivência da própria religião. “Se a floresta morre, a nossa fé morre com ela.”

A pesquisa também discute quem sustenta essa tradição atualmente. Ta’angahara destaca o papel dos anciãos responsáveis pela transmissão dos cantos, rezas e fundamentos religiosos, mas amplia essa noção ao afirmar que a própria natureza participa da continuidade da Jurema:

“Se a árvore da Jurema não estivesse lá para nos dar sua ciência, a religião simplesmente não existiria”, afirma. “Na Jurema, o bicho e a planta não são enfeites. Eles trabalham junto com a gente.”

Durante o 9º Encontro de Juremeiros e Juremeiras de Natal, essa dimensão coletiva ficou evidente. Mais de mil pessoas vindas de diferentes regiões do Rio Grande do Norte e de estados vizinhos participaram das atividades na Pinacoteca do Estado. O encontro reuniu apresentações culturais, comercialização de produtos ligados à economia de terreiro, rodas de conversa, celebrações religiosas e o lançamento do livro “Soledade: Cachimbo, Rede e Rosário”, de Mãe Maria Rita.

Em sua fala durante o evento, Mãe Maria Rita destacou a importância do registro da memória dos povos de terreiro, historicamente excluídos dos espaços acadêmicos e editoriais. “Nós somos um povo de oralidade porque nunca deixaram a gente entrar na academia, nunca deixaram a gente publicar nossos saberes”, afirmou.

O encontro também reforçou a dimensão política da Jurema. Em 2024, a tradição foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Religioso e Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte, além da criação do Dia da Jurema, celebrado em 2 de julho. Ainda assim, lideranças denunciam que a violência contra terreiros e praticantes continua presente.

“Mesmo com as leis instituídas, as investidas contra os terreiros continuam acontecendo por meio de depredações, repressões e invasões”, afirmou Ta’angahara durante o encontro.

Segundo ele, o preconceito contra religiões de matriz afro-indígena continua profundamente ligado ao desconhecimento histórico produzido desde o período colonial. A própria pesquisa acadêmica, afirma, surge também como forma de enfrentamento desse apagamento.

“As pessoas muitas vezes olham para a Jurema apenas pelo mistério ou pelo preconceito e ignoram completamente a ciência, a história e a sabedoria ecológica que existem ali dentro”, diz.

Dentro da universidade, Ta’angahara reconhece avanços recentes no reconhecimento dos saberes tradicionais como formas legítimas de produção de conhecimento. Ele cita como exemplo a criação de uma disciplina sobre Jurema Sagrada na Universidade Federal da Paraíba, voltada ao estudo da história, da organização social e da riqueza cultural da tradição.

“Estudar a Jurema na universidade nunca será igual a vivenciar o sagrado no terreiro. Mas essas iniciativas ajudam a derrubar os muros do preconceito institucional”, afirma.

SAIBA MAIS: Estudo da UFRN aponta efeito duradouro da jurema-preta na depressão

Ao conectar espiritualidade, território, identidade indígena e preservação ambiental, a pesquisa desenvolvida por Ta’angahara busca mostrar que os conhecimentos preservados nos terreiros dialogam diretamente com desafios contemporâneos ligados à crise climática, à destruição ambiental e à intolerância religiosa.

“A Jurema guarda uma tecnologia de convivência que a nossa sociedade perdeu”, afirma o pesquisador. “Ela mostra que é possível conviver com a natureza sem destruir a vida.”

SAIBA MAIS: Jurema Sagrada é reconhecida como Patrimônio Religioso Imaterial do RN

Fonte: saibamais.jor.br