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Jovens do litoral norte do RN assinam fotolivro sobre a pesca artesan

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A pesca artesanal do litoral norte do Rio Grande do Norte vai aparecer em fotografias feitas por quem cresceu perto dela. Crianças e adolescentes de Maxaranguape, Touros e Rio do Fogo participaram de oficinas em escolas públicas e ajudaram a construir o fotolivro “Enquanto Houver Maré”, projeto documental idealizado pelo jornalista e fotógrafe Malu Didier.

A publicação digital será disponibilizada no dia 29 de junho, quando se celebra o Dia Nacional do Pescador. O trabalho reúne imagens feitas durante a formação “Marés, Memórias e uma Pescaria de Histórias”, ministrada por Malu com estudantes de 9 a 18 anos. O ponto de partida foi a relação das comunidades com a pesca artesanal, entendida ali não só como trabalho, mas como parte da vida familiar, da economia local, da fé, da cultura e da forma como esses territórios se reconhecem.

Durante as oficinas, os estudantes foram convidados a fotografar o que conhecem de perto. A proposta era transformar em imagem aquilo que costuma circular dentro das casas, nas conversas com familiares, nos caminhos até o mar e nas práticas ligadas à pesca. O resultado reúne registros sobre a lida marinha, o artesanato, o pertencimento territorial e os vínculos entre diferentes gerações.

“A oficina foi pensada para despertar nos jovens o desejo de transformar o cotidiano pesqueiro em memória viva. Eu quis fazer eles se apaixonarem pela fotografia, mostrando que pelas lentes a gente encontra uma dimensão única da nossa realidade. E, pela imagem, a gente consegue traduzir isso em sentimento”, afirma Malu Didier.

O projeto começou a ser apresentado ao público na quarta-feira, 25 de junho, pelo Instagram @enquantohouver.mare. O perfil vai reunir fotografias, vídeos, bastidores das oficinas, estudos e etapas da pesquisa desenvolvida por Malu sobre narrativas visuais em territórios pesqueiros. A página também servirá para a circulação do fotolivro em versão digital.

Com lançamento marcado para 29 de junho, “Enquanto Houver Maré” terá recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição parcial por QR Code. A edição impressa será limitada a 50 exemplares, distribuídos para bibliotecas das escolas parceiras: Escola Estadual Tabelião Júlio Maria, em Touros; Escola Municipal Germano Gregório, em Maxaranguape; e Escola Municipal Ana de Paiva, em Rio do Fogo. A Associação de Maricultoras de Algas de Rio do Fogo, a AMAR, também receberá a publicação.

A relação de Malu Didier com o tema vem de uma investigação pessoal e profissional sobre água, território e documentação visual. “O projeto nasce do desejo de compreender essa relação tão antiga e afetiva que tenho com as águas, mas ele ganha força de verdade quando encontra na documentação, em especial na formação de jovens fotógrafos, uma forma de movimentar a memória de comunidades que vivenciam o mar como território”, afirma.

Pernambucane radicade no Rio Grande do Norte, Malu Didier atua entre comunicação, fotografia documental e produção cultural. Jornalista especialista em Narrativas Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual pela Unicap, tem passagens pela Fundação Joaquim Nabuco, pela Folha de Pernambuco e pela Fundação Cultural Capitania das Artes. A pesquisa atual da artista acompanha manifestações das culturas tradicionais e populares do RN, com atenção à sociobiodiversidade do litoral potiguar e às relações entre memória, identidade e território.

“Enquanto Houver Maré” é viabilizado pelo Edital 08/2024 (PNAB-2025), com apoio da Fundação José Augusto, Secretaria de Cultura do Rio Grande do Norte, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço

Fotolivro “Enquanto Houver Maré”
Lançamento digital: 29 de junho
Instagram: @enquantohouver.mare
Municípios participantes: Maxaranguape, Touros e Rio do Fogo

Fonte: saibamais.jor.br

Em três anos, abandono escolar cai de 11,3% para 3,1% no RN

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O ensino médio da rede pública do Rio Grande do Norte vem apresentando sinais consistentes de melhora nos principais indicadores de permanência e trajetória escolar. Dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam uma queda expressiva nas taxas de abandono, reprovação e distorção idade-série entre 2022 e 2025, indicando que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola e avançar regularmente nos estudos.

O indicador que mais chamou atenção foi o abandono escolar. Em três anos, a taxa caiu de 11,3% para 3,1% na rede pública estadual. A reprovação também apresentou recuo significativo, passando de 15,6% para 3,6%. Já a distorção idade-série, que mede o percentual de alunos com atraso em relação à etapa adequada de ensino, diminuiu de 42,1% para 34,2%.

Os resultados colocam o estado em sintonia com um movimento observado em todo o país. No mesmo período, a rede pública brasileira registrou redução de 62% nas taxas de reprovação e de 61% no abandono escolar do ensino médio. A distorção idade-série também encolheu 28%, enquanto a aprovação avançou 11%, segundo dados do Ministério da Educação.

A nova divulgação do Censo Escolar reforça uma trajetória de recuperação iniciada após os impactos mais severos da pandemia e consolidada a partir de 2023. Para o MEC, a melhora dos indicadores está associada à ampliação de políticas voltadas à educação básica, entre elas o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Programa Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e iniciativas relacionadas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Entre as ações destacadas pelo governo federal está também o programa Pé-de-Meia, criado em 2024 para estimular a permanência dos estudantes no ensino médio por meio de incentivos financeiros. Desde sua implantação, 151.094 alunos do Rio Grande do Norte foram contemplados. As mulheres representam 51,9% desse total, enquanto os homens correspondem a 48,1%.

A melhora não se restringe aos índices de evasão e repetência. O Ministério da Educação aponta que o número de concluintes da rede pública inscritos no Enem cresceu 46% entre 2022 e 2025, ampliando a participação desses jovens no principal exame de acesso ao ensino superior do país.

Outro dado divulgado pela primeira vez pelo Inep também ajuda a dimensionar a permanência dos estudantes na escola. A chamada taxa de não retorno, que mede quantos alunos deixam de se matricular no ano seguinte, apresentou queda de 28% entre 2022 e 2025. O resultado sugere que mais jovens estão conseguindo dar continuidade aos estudos e concluir a etapa final da educação básica.

Os números dialogam com os resultados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, a taxa ajustada de frequência escolar líquida entre jovens passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2016.

Como reflexo desse avanço, diminuiu também o contingente de adolescentes de 15 a 17 anos que estavam fora do ensino médio. O percentual caiu de 23,2% para 19,4% entre 2024 e 2025, uma redução de 16,3% em apenas um ano. O resultado supera o ritmo observado entre 2019 e 2022, quando o índice recuou de 28,6% para 24,7%, uma queda de 13% ao longo de quatro anos. O cenário reforça a tendência de ampliação do acesso e da permanência dos jovens na educação básica, um dos principais desafios históricos do sistema educacional brasileiro.

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Fonte: saibamais.jor.br

A vesga e a lésbica

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Lá vinha a moça, um tanto tímida, com seus 30 e poucos anos, uma beleza incomum, um passo atrás do outro, olhos fixos à frente, passando pelo meio de uns oito adolescentes entregues ao ócio debaixo do bloco, em Brasília. Os olhos, como eu disse, permaneciam presos a um ponto adiante e revelavam um evidente grau de estrabismo. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos naquela época e ainda procurava o significado das palavras.

A mulher passou prendendo a respiração, meio constrangida diante do súbito silêncio da molecada. Quando já estava a uma boa distância, quase a perder de vista, fiz o comentário, quase um sussurro, que deixou meus amigos atônitos e sem chão:

– Vocês viram? Essa mulher é lésbica.

Os olhos se voltaram para mim arregalados. Como assim? Nossa vizinha ? Como você sabe? Você viu alguma coisa? Onde ela mora? Que história é essa !?  

Para cada cabeça e mente poluída pelas descobertas sexuais da adolescência, um canavial de dúvidas e um balaio de curiosidades. Instalou-se ali, por alguns minutos, um tribunal rodrigueano. Eu, moleque candango, mascote da turma, filho de pais funcionários públicos, fui por alguns minutos o próprio menino que enxergava a vida pelo buraco a fechadura.

O garoto que via – e vivia – a vida como ela é. Um autêntico personagem de Álbum de Família, uma das peças censuras de Nelson Rodrigues: o filho que aparentemente viva numa família margarina feliz, mas nas entocas estava imerso em relações incestuosas e ideias meticulosamente pervertidas.

Naquele instante, admito, não entendi o alvoroço da turma.

“Vocês não perceberam? Está na cara”, devolvi, entre o blasé e a inocência, uma única resposta para o interrogatório.  

Meus amigos se entreolharam meio que tentando entender a maior revelação de que se tinha notícia no Plano Piloto desde a chegada de Juscelino. Estávamos na primeira metade dos anos 1990, ainda armazenávamos nossa memória em disquetes, e a vida era tudo aquilo que passava, para lá e para cá, debaixo dos blocos armados de concreto e seus pilotis coloridos.

Não lembro quem foi o mais incisivo – se o Batata, o Marquinho ou Ganso -, aquele que me arrancou a confissão pública, no fundo buscando os mínimos detalhes:

“Como você sabe que a mulher é lésbica?”

Com a minha resposta, instaurou-se o universo em desencanto:

– Gente, vocês não viram a cara dela, os olhos trocados?

“O quê ? Que a mulher é vesga !?”

– Sim. Então… lésbica, né ? Não é a mesma coisa?

O tempo parou por dois segundos e, se lembro bem, até seo Dedé, o zelador que ouvia conversa limpando o chão do bloco, rachou o bico.

A rua é a gramática da vida.

Pior que esse dia só quando desci com o terceiro olho estampado na testa.

Mas essa é história para outro dia.  

Fonte: saibamais.jor.br

No fim do corredor, um sebo guarda histórias e memórias em Parnamirim

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Quem passa apressado pela Travessa Brigadeiro Everaldo Breves, no Centro de Parnamirim, dificilmente imagina o que existe escondido atrás de uma discreta galeria comercial. É preciso desacelerar. Entrar. Caminhar por um corredor. No fim dele, entre estantes abarrotadas, capas amareladas, discos de vinil empilhados e objetos que parecem ter escapado de diferentes décadas, surge o Sebo Zahir. O lugar não chama atenção por uma grande fachada nem por letreiros luminosos. Seu encanto está justamente no contrário: em permanecer quase invisível para quem não sabe onde procurar.

Cada prateleira parece guardar mais do que exemplares usados. Há marcas de antigos donos, dedicatórias esquecidas, páginas dobradas e memórias que continuam viajando de mão em mão.

Por trás do balcão está Vicente Januário, de 64 anos, um homem que fala dos livros com o entusiasmo de quem nunca deixou de ser leitor. Há 21 anos ele mantém o sebo em Parnamirim, mas sua relação com esse universo começou muito antes. Antes de abrir o próprio negócio, passou mais de uma década trabalhando em um sebo em Natal, aprendendo os caminhos da profissão e convivendo diariamente com leitores, colecionadores e curiosos. Quando surgiu a oportunidade de ocupar uma pequena sala em Parnamirim, trazida pelo convite de um amigo que lhe falou sobre um espaço disponível na galeria, decidiu arriscar.

A decisão, porém, nunca esteve ligada ao desejo de enriquecer ou construir uma empresa nos moldes tradicionais. Vicente rejeita até mesmo a ideia de que tenha se tornado um empreendedor. Para ele, tudo começou e continua sendo movido por uma paixão antiga. “Não foi nem uma ideia de empreender. É uma questão de gostar dos livros mesmo. Desde menino eu gosto de ler. A gente vai alimentando esse gosto”, conta em entrevista à Agência Saiba Mais. O acervo inicial era pequeno. Durante anos, ele foi ampliando as estantes aos poucos, comprando coleções, recebendo livros de clientes, realizando trocas e incorporando exemplares que apareciam pelo caminho.

A biblioteca pessoal construída ao longo da vida continua preservada em sua casa. Ainda assim, ela frequentemente dialoga com as estantes do sebo. Quando alguém procura uma obra rara ou difícil de encontrar e o exemplar não está disponível na loja, Vicente às vezes recorre ao próprio acervo para atender o pedido. “Quando alguém procura um livro e eu não tenho aqui, às vezes eu tenho em casa. Aí pego da minha biblioteca particular. Depois aparece outro exemplar e eu recupero.” É uma relação pouco convencional com o comércio, mais próxima da lógica de um guardião de livros do que da de um vendedor.

Ao longo dessas duas décadas, o Sebo Zahir acompanhou as mudanças nos hábitos culturais da cidade. Houve um período em que revistas eram responsáveis por boa parte das vendas. Publicações esportivas, semanais de informação e até revistas adultas figuravam entre os itens mais procurados. Com a popularização da internet, esse mercado praticamente desapareceu. Os livros permaneceram, mas passaram a dividir espaço com outro protagonista inesperado: os discos de vinil.

Vicente observa com curiosidade o ressurgimento de uma mídia que muitos consideravam ultrapassada. Nos últimos anos, uma nova geração passou a frequentar o sebo em busca dos antigos LPs. Muitos são estudantes que descobriram o universo dos vinis através dos pais ou das redes sociais. Alguns chegam depois de ganhar um toca-discos de presente. Outros simplesmente se encantam pela experiência de ouvir música em um formato que exige tempo, atenção e ritual. “Tem uma turma jovem que está cultuando o vinil. Estão comprando discos e viraram clientes daqui”, relata.

A clientela também ajuda a derrubar alguns estereótipos sobre leitura. Segundo o livreiro, uma parcela significativa dos compradores de livros é formada por jovens, especialmente mulheres. Ao longo dos anos, ele percebeu que elas costumam frequentar mais o sebo e demonstrar maior interesse pela leitura. São observações acumuladas em milhares de conversas realizadas entre uma venda e outra, em um ambiente onde a troca de ideias parece tão importante quanto a circulação dos próprios livros.

Essa valorização do encontro presencial ajuda a explicar a resistência de Vicente ao universo digital. Embora o Sebo Zahir tenha presença nas redes sociais graças à iniciativa de uma cliente, ele próprio mantém distância desse ambiente. Não realiza vendas online e prefere o contato direto com os frequentadores. Para ele, boa parte da riqueza do trabalho está justamente na conversa que acontece antes da compra. “Eu gosto do cliente tete a tete. Gosto de conversar sobre livros, indicar leituras. Minha paixão é a literatura”, afirma.

Quem frequenta o espaço entende rapidamente o que ele quer dizer. Muitas vezes, uma visita que começa com a procura por um título específico termina em longas conversas sobre escritores, personagens, discos antigos ou acontecimentos da cidade. O Sebo Zahir funciona como um ponto de encontro informal onde diferentes gerações compartilham referências e descobertas. A lógica da permanência acaba se impondo sobre a da pressa.

Essa vocação para a convivência se torna ainda mais evidente aos sábados. Além dos livros e discos, o local também vende bebidas e recebe um grupo de frequentadores habituais que transformou o sebo em extensão da própria rotina. No final da tarde, as mesas começam a ser ocupadas. A conversa se espalha pelo ambiente. A televisão conectada à internet dá lugar ao karaokê. Amigos cantam, comentam músicas e prolongam a noite entre risadas e reencontros. Muitas vezes, Vicente só encerra as atividades perto das dez da noite. “É um lugar de convivência também”, resume.

Em uma cidade que cresce rapidamente e vê muitos de seus espaços tradicionais desaparecerem diante das transformações urbanas e tecnológicas, o Sebo Zahir permanece quase escondido no final daquela galeria. Talvez justamente por isso tenha se tornado um pequeno patrimônio afetivo para seus frequentadores. Não apenas porque guarda livros raros, discos antigos ou objetos difíceis de encontrar, mas porque preserva algo cada vez mais escasso: a possibilidade de descobrir histórias sem a mediação dos algoritmos.

O maior mistério do Sebo Zahir talvez não esteja em sua localização discreta, escondida dos olhares mais apressados. Está na capacidade de continuar reunindo pessoas em torno da leitura, da música e da convivência, provando que algumas experiências permanecem insubstituíveis mesmo em um mundo cada vez mais digital.

SAIBA MAIS:
Sebo Magno e as três décadas do ofício de guardar memórias
O Sebo do Irmãozinho: o sonho, a resistência e a magia dos livros

Fonte: saibamais.jor.br

RN transforma luta dos terreiros em política de Estado

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“A bênção, meu Pai. A bênção, minha mãe.” Antes de falar sobre leis, políticas públicas ou direitos, Iya Mawo Beatriz de Oxumarê pediu licença aos mais velhos. A saudação, repetida diante de um auditório lotado no Complexo Cultural da UERN, na Zona Norte de Natal, é a força do respeito e sintetizou o espírito do III Fórum Estadual das Comunidades Tradicionais de Terreiros do Rio Grande do Norte: uma conquista construída pela ancestralidade e projetada pelas novas gerações.

Foi nesse cenário que a governadora Fátima Bezerra sancionou, neste sábado (27), a lei que institui a Política Estadual de Combate à Intolerância Religiosa. De autoria da deputada estadual Isolda Dantas, a legislação cria diretrizes para enfrentar a discriminação motivada por crenças religiosas, promover ações educativas, capacitar profissionais da educação e da segurança pública e fortalecer a garantia constitucional da liberdade de culto.

Mas, para quem acompanha há décadas a violência sofrida pelas comunidades de terreiro, a assinatura da lei representa mais do que um novo instrumento jurídico. É o reconhecimento de uma luta coletiva.

Nós jovens não somos apenas aqueles que darão continuidade a essa caminhada. Nós já fazemos parte dela“, afirmou Beatriz de Oxumarê, representante da Rede de Juventude de Povos Tradicionais de Terreiro (REJOMATE-RN). Em sua fala, ela ressaltou que a preservação dos saberes depende do diálogo entre gerações e defendeu a participação da juventude na construção das políticas públicas.

A continuidade só é possível quando a memória dos nossos mais velhos encontra o compromisso de nós que somos mais jovens.

Ao longo do encontro, a dimensão política da mobilização também foi destacada pela ialaxé Flaviana de Oxum, coordenadora do Grupo de Articulação das Matrizes Africanas (GAMA-RN), uma das entidades responsáveis pela organização do fórum.

A gente enfrenta muita violência juntos. E é juntos mesmo que a gente vai diluir tudo isso”, afirmou, recorrendo ao simbolismo da água como elemento de cura e renovação.

Ao definir o encontro, Flaviana fez questão de romper qualquer tentativa de separar espiritualidade e participação política.

“Esse é um evento religioso? É também. Mas é um evento político. É um evento político que a gente lutou muito para estar aqui.

A lei sancionada estabelece uma política permanente de combate à intolerância religiosa no Rio Grande do Norte. Entre as medidas previstas estão campanhas educativas, incentivo à produção de pesquisas, ações de conscientização, enfrentamento da discriminação em escolas, locais de trabalho e instituições públicas, além da formação de profissionais para acolher e atuar em casos de violência motivada por preconceito religioso.

Autora da proposta, a deputada estadual Isolda Dantas destacou que a existência da política pública parte do reconhecimento de um problema histórico.

Ter uma política de combate à intolerância religiosa é o reconhecimento de que essa intolerância existe e que precisa ser combatida. Essa é a grande razão. Então isso vai acontecer com visibilidade, com mapeamento e com fortalecimento.

Durante a cerimônia, Fátima Bezerra afirmou que a nova legislação responde a uma realidade ainda marcada por ataques a terreiros, discriminação contra praticantes de religiões de matriz africana e violações da liberdade religiosa.

“Isso tem nome. Isso é intolerância religiosa. Isso é também racismo religioso. E combater a intolerância e o racismo religioso é defender a Constituição, os direitos humanos e a democracia”, declarou.

Foto: Carmem Félix

A governadora também ressaltou que a iniciativa é resultado da mobilização dos próprios povos tradicionais.

Nenhuma lei nasce apenas dentro de um gabinete. As leis mais importantes nascem da luta do povo.”

Segundo ela, a política estadual deverá ser regulamentada e implementada pelo governo para que seus dispositivos saiam do papel.

Além da sanção da lei, o III Fórum Estadual lançou o Museu Virtual das Comunidades de Terreiro e o Mapa do Axé Potiguar, iniciativas voltadas ao registro da memória, dos territórios e dos saberes das comunidades tradicionais.

No encerramento, a mensagem que ficou foi a mesma anunciada logo no início da manhã, quando Beatriz pediu bênção aos mais velhos antes de tomar a palavra. A nova lei representa um avanço institucional importante, mas, para as comunidades de terreiro, ela é sobretudo mais um passo de uma caminhada iniciada muito antes da chegada do Estado — e que seguirá sendo conduzida pela memória, pela ancestralidade e pela organização coletiva.

Fonte: saibamais.jor.br

a mulher que enfrentou o muro de Maracaípe

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“Medo a gente sente. Dorme com ele, acorda com ele. A diferença é que eu não pratico o medo.”

Helena Ivalda do Nascimento faz uma pequena pausa antes de continuar.

À frente do meu medo está Deus. E ao meu redor estão meu povo, minha família, meus amigos e toda a rede de apoio que construí. Se eu tivesse medo, já teria desistido.”

No litoral sul de Pernambuco, quase ninguém a chama pelo nome de batismo. Para todos, ela é Leninha.

Tem 39 anos, é mulher negra, mãe, avó, pescadora artesanal e presidenta da Associação Mangue Mulher Maracaípe. Nos últimos três anos, seu rosto passou a circular por audiências públicas, manifestações, reportagens e processos judiciais. Também passou a ser alvo de ameaças de morte.

Tudo por causa de um muro.

Erguida em 2023 no Pontal de Maracaípe, a barreira alterou a circulação de pescadores, marisqueiras, ambulantes, jangadeiros e comerciantes. O conflito ganhou repercussão nacional e se tornou um dos principais símbolos da disputa entre interesses privados e o direito das comunidades tradicionais ao território.

Em maio deste ano, a 35ª Vara Federal de Pernambuco determinou a retirada da estrutura. O prazo para que o proprietário realizasse a demolição terminou no último dia 25 de junho sem que a decisão fosse cumprida. Agora, a Justiça autorizou que a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o Ibama executem a remoção, cobrando posteriormente os custos do responsável pela obra.

Para Leninha, no entanto, a decisão judicial representa apenas uma etapa.

A luta não acabou.

Uma pescadora antes de ser liderança

Leninha costuma dizer que não escolheu a pesca. Foi a pesca que a escolheu.

Pesco desde os 11 anos. Sou filha de pescador, neta de pescadora e bisneta de pescadora. É uma raiz muito forte.”

Ela nasceu e cresceu em Maracaípe. Aprendeu ainda menina a caminhar pelo manguezal, reconhecer as marés, coletar mariscos e transformar os crustáceos em artesanato. “Nunca imaginei minha vida longe daqui. Eu sobrevivo da minha pescaria.

Mas, segundo ela, a disputa pelo território antecede em muito a construção do muro. “Sempre houve esses atropelos por parte desse fazendeiro. Isso não começou em 2023. Vem desde o pai dele. O muro foi apenas o auge de uma violência que a comunidade enfrenta há muitos anos.

O muro que fechou caminhos

A autorização concedida pela CPRH previa uma obra de contenção costeira com cerca de 250 metros. Segundo moradores, porém, a estrutura construída alcançou aproximadamente 570 metros, ocupando uma extensa faixa entre a praia e o estuário.

Relatórios produzidos pelo Ibama e pela Superintendência do Patrimônio da União apontaram impactos ambientais, avanço sobre área pública e obstáculos ao livre acesso à praia. O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública pedindo a retirada da estrutura.

Enquanto o processo seguia na Justiça, a rotina da comunidade mudava.

Maracaípe ficou sem o direito de ir e vir.

Leninha explica que, para vender o pescado aos barraqueiros da praia, dependia do horário da maré.

Se a maré estiver cheia, eu não consigo passar. Ou me arrisco pela água, ou espero baixar. Isso interfere diretamente no meu sustento.

Segundo ela, o problema nunca atingiu apenas as marisqueiras. “O muro prejudicou barraqueiros, ambulantes, jangadeiros, comerciantes. Tem vídeos de vendedores sendo arrastados pela força da água porque não conseguem passar com segurança.

Ela observa que a economia local sempre funcionou como uma engrenagem.

“Uns pescam. Outros transportam. Outros vendem. Outros cozinham. Quando você interrompe um caminho, não atinge só uma pessoa. Atinge toda a comunidade.”

“É um muro que oprime”

Durante a entrevista, Leninha evita falar apenas sobre concreto. Para ela, a estrutura representa outra coisa.

É um muro que veio para oprimir.

Ela lembra que, durante muitos anos, utilizou aquele trecho da praia para vender artesanato produzido a partir de conchas e outros materiais encontrados no mangue. “Quando minha primeira filha nasceu, há 24 anos, eu vendia artesanato ali. Hoje olho para aquele lugar e não consigo acreditar que está fechado.

Segundo ela, não era um comércio que destruía a paisagem. “Nós usávamos as próprias árvores para expor nosso trabalho. Não derrubávamos nada. Nós amamos esse território.”

Por isso, acredita que a retirada da estrutura terá um significado que ultrapassa a questão jurídica.

“Quando aquele muro cair, muitas feridas também vão começar a cicatrizar.”

A luta virou rotina

A mobilização da comunidade começou logo após a construção da barreira. Vieram manifestações, atos públicos, denúncias aos órgãos ambientais, audiências na Assembleia Legislativa de Pernambuco e no município de Ipojuca, além da atuação de organizações como a Comissão Pastoral dos Pescadores, da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público Federal e de entidades ligadas aos direitos humanos.

Leninha esteve em praticamente todos esses espaços. “Nós fizemos tudo o que você puder imaginar para chegar até essa decisão da Justiça Federal.”

Ela reconhece, porém, que o desgaste foi enorme.

“Foram quase três anos. Sai uma decisão, ele recorre. Sai outra, ele recorre. E nós seguimos resistindo.

O preço de denunciar

A visibilidade também trouxe consequências. Leninha passou a receber ameaças de morte. Conta que teve números de telefone divulgados, recebeu ligações intimidatórias e mensagens constantes.

Em outra ocasião, diz que um carro tentou atingi-la quando seguia para o trabalho.

Também relata uma tentativa de abordagem à força em um ponto de ônibus. “Um homem segurou meu braço e queria que eu entrasse na caminhonete. Só consegui sair porque outra pessoa apareceu.

No fim de 2023, ela foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

Mesmo assim, acredita que os riscos permanecem.

“Tenho certeza de que, quando o muro cair, as ameaças podem até aumentar.

Resistir também é permanecer

Em determinado momento da conversa, a entrevista deixa de tratar apenas da disputa judicial. Passa a falar de futuro.

Leninha conta que sua neta, hoje com quatro anos, também se chama Helena. Na família, explica, o nome atravessa gerações. Assim como a pesca. Assim como a luta.

“Hoje eu luto por ela.”

Pergunto se já pensou em desistir. Ela responde sem hesitar. “Se eu parar de lutar, quem vai lutar por elas?”

Depois acrescenta:

Em Maracaípe muita gente tem medo de se expor. O medo vem antes da luta. Mas eu jamais vou deixar de lutar.”

O mangue como lugar de cura

Ao falar do território, Leninha abandona a linguagem dos processos judiciais. Fala de pertencimento. Conta que enfrentou uma depressão durante seis anos e atribui ao retorno ao manguezal parte importante de sua recuperação.

O mangue curou minha depressão.”

Ela sorri. “É minha segunda casa. Em alguns momentos, chega a ser a primeira.”

Para quem olha apenas um mapa, Maracaípe pode parecer uma faixa de areia entre o rio e o mar.

Para ela, é outra coisa.

Você pode viajar o mundo inteiro. Mas, quando chega em Maracaípe e molha os pés naquela água, sente algo diferente.”

Uma decisão que vai além do concreto

A retirada do muro ainda não aconteceu. Mas, para Leninha, há algo que ninguém consegue desfazer. A mobilização transformou a comunidade. Mulheres que antes evitavam aparecer passaram a ocupar audiências, reuniões, entrevistas e espaços de representação.

A discussão sobre acesso à praia tornou-se também uma discussão sobre racismo ambiental, direito ao território, pesca artesanal e democracia.

Quando pergunto o que espera do dia em que o muro finalmente cair, ela não fala em vingança. Fala em festa.

A gente vai rir. Vai dançar. Vai celebrar.

Depois faz outra pausa. “Porque essa vitória não é minha.É das mulheres. Dos homens. Das crianças. Dos idosos. De todo mundo que sabe que aquele muro nunca deveria ter existido.

E, antes de encerrar a conversa, volta à frase que resume sua trajetória.

Eu costumo dizer que vou morrer gritando.”

Não é uma metáfora. É um compromisso. “Gritando para defender meu território. Gritando para defender meu povo. Porque é ali que está minha vida.”

Série especial | Mulheres do Mangue

Esta reportagem integra uma série especial da Saiba Mais sobre mulheres pescadoras artesanais do litoral pernambucano — mulheres que defendem o mangue, o mar e modos de vida ameaçados pela especulação imobiliária, pelas mudanças ambientais e pela ausência de políticas públicas.

Na primeira reportagem, mostramos como o Festival do Mangue transformou a defesa do território em um espaço de organização política.

Fonte: saibamais.jor.br

PT e PSOL iniciam diálogo sobre eleições de 2026 no Rio Grande do Norte

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Representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) se reuniram na manhã desta segunda-feira (29), na sede estadual do PT, em Natal, para iniciar o diálogo sobre a construção de uma aliança para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. Participaram do encontro a presidenta estadual do PT, Samanda Alves, integrantes do Grupo de Trabalho Eleitoral do partido, o presidente estadual do PSOL, Sandro Pimentel, o ex-vereador Robério Paulino e a secretária-geral do PSOL Natal, Camila Barbosa.

A reunião foi solicitada pelo PT e ocorre após o envio de uma carta assinada por Samanda Alves ao Diretório Estadual do PSOL, reafirmando a disposição do partido de aprofundar o diálogo entre as duas legendas em defesa da democracia, da justiça social e da continuidade de um projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte.

O documento também destaca a parceria construída entre PT e PSOL no cenário nacional e defende a união das forças democráticas diante dos desafios políticos de 2026.

Para Sandro Pimentel, o encontro representou um passo importante na construção desse diálogo. “A reunião foi muito boa e muito produtiva, como deve ser, e ajuda a fortalecer o campo democrático. Estamos juntos já no plano nacional, PT e PSOL, e vamos levar o conteúdo da conversa para o diretório estadual, para que possamos fazer uma discussão madura e responsável.

”Samanda destacou que a conversa reforça uma relação política construída ao longo dos últimos anos. “Nossa carta reafirma exatamente esse espírito de fortalecer o diálogo entre forças comprometidas com a democracia, a justiça social e o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

PT e PSOL já caminham juntos nacionalmente, estiveram lado a lado nas eleições de 2024 e acreditamos que é com diálogo permanente, generosidade política e compromisso com aquilo que nos une que podemos construir um projeto capaz de fazer o Rio Grande do Norte seguir avançando, sem abrir mão das conquistas já alcançadas”, afirmou.

As conversas entre os dois partidos terão continuidade nas próximas semanas. O PSOL levará o conteúdo do diálogo ao seu Diretório Estadual, dando sequência ao processo de discussão sobre a construção de uma aliança para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.

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Copa do Mundo pode colocar o emagrecimento em risco? Especialista explica como manter os resultados

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Mudanças na alimentação, noites mal dormidas e excesso de petiscos costumam marcar o período da competição. A farmacêutica magistral Luciana Liberato explica como estratégias desenvolvidas pela Formule Farmácia de Manipulação podem auxiliar quem deseja manter os resultados conquistados

Entre churrascos, petiscos, bebidas alcoólicas e noites em claro para acompanhar os jogos da Copa do Mundo, muitos brasileiros acabam interrompendo hábitos que levaram meses para construir. Para quem está em processo de emagrecimento ou busca manter a perda de peso, esse conjunto de mudanças pode comprometer resultados e dificultar a retomada da rotina após o campeonato.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, reforçando a importância de estratégias que auxiliem na prevenção, no tratamento e na manutenção de hábitos saudáveis, principalmente em períodos de mudanças na rotina.

A farmacêutica magistral Luciana Liberato, especialista em Manipulação Magistral Alopática e diretora da Formule Farmácia de Manipulação, explica que o emagrecimento depende da atuação conjunta de diferentes mecanismos do organismo, como controle da fome, saciedade, metabolismo e aproveitamento de nutrientes.

“Assim como um time precisa de jogadores com funções diferentes para conquistar uma vitória, o organismo também depende do equilíbrio entre diversos processos fisiológicos. O resultado acontece quando esses mecanismos trabalham em sintonia”, afirma Luciana Liberato.

Nos últimos anos, os avanços da ciência ampliaram significativamente o conhecimento sobre hormônios intestinais como GLP-1, GIP e GLP-2, envolvidos no controle do apetite, da saciedade e do metabolismo energético. Com base nesse conhecimento e em mais de 25 anos de experiência na manipulação magistral, a Formule Farmácia de Manipulação desenvolveu uma linha exclusiva de formulações voltadas à integração de protocolos personalizados de emagrecimento, sempre associados à alimentação equilibrada, à atividade física e ao acompanhamento profissional.

A linha exclusiva reúne formulações como o PROGO®, desenvolvido pela Formule Farmácia de Manipulação para oferecer suporte a mecanismos relacionados ao GLP-1, GIP e GLP-2, auxiliando processos ligados ao controle da fome, à saciedade, ao metabolismo energético e ao melhor aproveitamento dos nutrientes.

Além do PROGO®, essa linha inclui o AKKERMAT®, voltado ao equilíbrio metabólico e ao estímulo natural de mecanismos relacionados ao GLP-1 e ao GIP, e o CLONAPURE®, que complementa os protocolos personalizados desenvolvidos pela Formule Farmácia de Manipulação, reforçando que resultados consistentes dependem da atuação conjunta de diferentes mecanismos fisiológicos.

Segundo Luciana Liberato, a personalização é um dos principais diferenciais da manipulação magistral.

“Cada paciente possui necessidades diferentes. Por isso, as formulações desenvolvidas pela Formule integram protocolos individualizados, elaborados conforme avaliação profissional. Elas não substituem hábitos saudáveis, mas oferecem suporte dentro de uma estratégia completa de cuidado”, explica Luciana Liberato.

Na avaliação de Luciana Liberato, pequenas atitudes durante a Copa do Mundo fazem diferença para quem deseja preservar os resultados conquistados. Dormir bem, manter uma boa hidratação, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, priorizar proteínas e fibras antes das confraternizações e retomar a rotina alimentar após os jogos ajudam a reduzir os impactos desse período.

“A Copa do Mundo é um momento de celebração e não precisa ser sinônimo de culpa. Com planejamento, acompanhamento profissional e estratégias individualizadas, é possível aproveitar os jogos sem abrir mão dos objetivos de saúde. O emagrecimento é resultado da constância e de escolhas conscientes ao longo do tempo”, conclui a especialista Luciana Liberato.

Para mais informações e conteúdos, acesse os perfis no Instagram: @formulefarmacia e @lucianaliberato.farmaceutica

Sobre a especialista

Luciana Liberato é farmacêutica magistral, especialista em Manipulação Magistral Alopática e dirige a Formule Farmácia de Manipulação há mais de 25 anos. É reconhecida por desenvolver formulações magistrais exclusivas e protocolos personalizados voltados à promoção da saúde, bem-estar e qualidade de vida. Sua atuação une ciência, inovação e atendimento individualizado.

Cadu Xavier vai ao 2º turno se convencer quem aprova o governo Fátima

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Cadu Xavier precisa convencer quem aprova o governo Fátima de que somente ele representa a continuidade do projeto político do PT, no poder desde 2019 no Rio Grande do Norte.

Segundo a média das pesquisas de intenção de voto registradas até o momento, o percentual do eleitorado que avalia a gestão petista como boa ou ótima gira em torno de 40%.

Levantamento do Instituto Atlas, divulgado em maio pela rádio 94 FM, mostrou que 39,2% do eleitorado deseja um governo de continuidade a partir de 1º de janeiro de 2027.

Para o ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Norte chegar ao 2° turno, basta convencer esse eleitorado de que ele é o único candidato capaz de dar continuidade ao legado do atual governo.

Os próprios números das pesquisas indicam que Cadu Xavier ainda está longe de atingir seu potencial máximo de votos. Essa é uma boa notícia, pois tem muito a crescer ainda. No núcleo da campanha petista, o principal desafio identificado ainda é justamente seu baixo índice de conhecimento junto ao eleitorado.

Além de se apresentar à população, Cadu já vem enfrentando uma campanha sistemática e permanente de desinformação promovida pela oposição, amplificada por setores da imprensa alinhados ao bolsonarismo.

Nada indica que as fake news e os ataques da oposição diminuirão ao longo da campanha. A boa notícia é que ainda não se conhece o impacto que o fator Lula poderá ter em uma disputa que, na prática, ainda nem começou.

Na próxima quinta-feira (2), o presidente da República estará no Rio Grande do Norte para inaugurar o último trecho da transposição do Rio São Francisco no estado. É possível que esta seja a única agenda de Lula em território potiguar antes das eleições.

Mais do que vão registrar as fotografias e os vídeos para as redes sociais, o palanque da solenidade precisa revelar, enfim, a simbiose entre Lula, Cadu, Fátima e o povo.

Com mais de 55% de aprovação no Rio Grande do Norte, Lula precisa deixar claro que seu candidato no estado é Cadu Xavier.

Porque, se para chegar ao 2º turno Cadu precisa convencer o eleitor de que representa a continuidade do governo Fátima, caso consiga fazer esse eleitor perceber também que é o único candidato de Lula, aumentará muito suas chances de vencer a eleição.

Fonte: saibamais.jor.br

Saudades da ingenuidade do São João

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Na semana em que os festejos juninos se despedem da agenda do Nordeste brasileiro, e os sanfoneiros podem, enfim, descansar do peso do instrumento e contabilizar o apurado pelas tantas horas, dias e noites de abre e fecha do fole, confesso que senti falta de uma das marcas mais presentes em minha memória de menino: as fogueiras de Santo Antônio, São Pedro e São João.

Lembro das ruas embandeiradas, da criançada soltando traques e da competição entre os vizinhos para saber quem faria a fogueira mais alta ou aquela que permaneceria acesa por mais tempo, espantando os males que nos afligem desde os tempos ancestrais.

Era um tempo em que o coração festeiro que habita o peito de todos nós explodia de alegria.

Mas a modernidade apagou das ruas essa tradição, e as noites juninas ficaram mais frias e mais tristes, sobretudo para aqueles que não encontraram seu novo amor nas quadrilhas ingênuas que um dia dançamos.

Pelas fotos que vejo das festas, todos se vestem com o mesmo figurino, como se fossem cowboys de filme americano: camisa quadriculada, calça jeans, cintos de fivelões, saias de couro brilhante e chapéus de abas largas.

Nos palcos financiados com emendas milionárias, cantores de sucesso, com suas calças apertadas, enchem os bolsos com o dinheiro que deveria ir para quem faz forró de verdade e anima o povo nas ruas.

Neste ano, duas figuras presentes em qualquer playlist junina ficaram de fora de muitas festas. Santana, o Cantador, querido intérprete da alma e do cancioneiro nordestino, e Flávio José, sanfoneiro que conheço há anos — fui eu quem levou os LPs de Caboclo Sonhador para tocar nas rádios de Natal — ficaram sem se apresentar onde sempre foram atrações.

Outros artistas se submeteram a ocupar palcos menores ou a encerrar seus shows antes da hora porque um DJ paulista ou um cantor sertanejo — que só sobem ao palco com o dinheiro no bolso — precisavam antecipar suas apresentações para voar de volta ao Sudeste.

É mais uma festa que termina, e a saudade aumenta a cada ano, porque “aquele tempo em que o São João ainda era fogueira e o levantar da poeira do arrastado do chinelo do povo no chão” ficou apenas na lembrança da música Saudade de São João, de Maciel Melo, gravada por Félix Porfírio.

Chora, coração…

Fonte: saibamais.jor.br