O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro. Nascido em 1945, o ex-presidente interino do Banco Central (BC) estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, no bairro Botafogo.
A morte foi confirmada por meio de um comunicado da família. A unidade de saúde não informou a causa.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Chico Lopes, economista de trajetória marcante e um dos nomes mais respeitados do pensamento econômico brasileiro”, diz trecho do comunicado da família.
“Com atuação relevante na construção e no debate da política econômica nacional, Chico Lopes deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do país, sendo reconhecido por sua inteligência, firmeza intelectual e dedicação ao Brasil ao longo de décadas de trabalho”, completa a mensagem.
Banco Central
O economista era formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutor pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Chico Lopes foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) e da Universidade de Brasília (UnB), além de fundador da empresa de consultoria Macrométrica.
Com passagem pelo Ministério da Fazenda (1987), o economista foi diretor do Banco Central de 1995 e 1998 e presidente interino em janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
À época, o Brasil enfrentava uma crise cambial. Lopes foi sucedido por Armínio Fraga e, em março daquele ano, deixou o BC.
Na curta presidência, Chico Lopes vivenciou a transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante (sem controle rígido) no Brasil.
A passagem pelo BC coincidiu com a polêmica que envolveu a operação para tentar salvar os Bancos Marka e FonteCidam, em dificuldades por causa da cotação do dólar.
A operação rendeu prejuízo ao BC. Lopes sustenta que as ações eram legais e quis evitar a quebra das instituições e uma possível crise financeira.
A operação de socorro chegou a ser tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Sistema Financeiro.
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Pesar
Por meio de nota, o Banco Central informou que recebeu a notícia da morte com profundo pesar.
“Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990.”
O BC lembra que a contribuição “mais duradoura” do economista foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão que conduz a política monetária do país, “conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros [Selic]”.
Para o BC, Chico Lopes “marcou a história da estabilização econômica brasileira” e deixa para a instituição “um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país”.
Em 2019, o Banco Central publicou um depoimento autobiográfico, em formato de entrevista, cobrindo a trajetória pessoa, acadêmica e profissional do economista. Clique aqui para acessar.
Na trajetória de vida, Chico Lopes participou de discussões sobre planos anti-inflacionário, como Cruzado e Bresser, e ajudou a consolidar o Real.
“Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária. Eu dizia que era preciso ter um ritual e que a reunião para definir a taxa de juros deveria ser gravada”, dizia ele sobre o Copom.
Despedida
O velório será realizado neste sábado (9) no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.
A cerimônia de despedida começa às 13h, e a cremação está marcada para as 16h.
Chico Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos. Ele tinha três filhos e sete netos.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) vai elaborar, junto com o IFRN, Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) de dois territórios quilombolas no estado: as comunidades Bela Vista Piató, em Assú, e Negros do Riacho, em Currais Novos.
A produção dos relatórios é um dos passos para a regularização fundiária das terras. Entre os meses de abril e julho de 2026, equipes técnicas estarão em campo nas duas comunidades quilombolas realizando estudos que irão subsidiar a elaboração dos RTIDs.
Os documentos devem conter um Relatório Antropológico, o cadastro das famílias quilombolas e o Levantamento Fundiário dos dois quilombos.
“Assim que os RTIDs forem publicados vão se abrir os prazos para o contraditório dos interessados, após essa fase o TQ é reconhecido e o INCRA passa a conduzir os procedimentos para regularizar os diversos tipos de situações fundiárias identificadas nos TQs, tais como terras do Estado, da União, de particulares ou dos municípios para ao fim do processo titular a área reconhecida como de propriedade dos quilombolas”, explica o superintendente do INCRA no RN, David Soares.
Atualmente, o INCRA no estado atua diretamente na regularização de 12 territórios quilombolas em suas mais diversas fases do processo. Dois já estão totalmente regularizados (Jatobá, em Patu, e Boa Vista dos Negros, em Parelhas), embora existam 28 processos abertos.
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De acordo com David Soares, ainda não há prazo para a finalização de um processo de regularização fundiária de territórios quilombolas.
“Uma vez que, além da enorme complexidade e encadeamento de diversas fases e estágios, é um processo também, mas não só, político. Dependendo de vários fatores que vão além da governança das Divisões de Territórios Quilombolas, mas principalmente da agenda política da própria sociedade e da mobilização dos sujeitos coletivos”, explica.
As negociações para a formalização do convênio tiveram início em 2023, com a participação do IFRN, do INCRA, órgão responsável pela condução do processo, e da Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) como instituição parceira.
Reconhecimento
As terras de quilombo no Brasil são asseguradas pela Constituição Federal de 1988, sendo dever do Estado brasileiro promover sua demarcação e titulação. O processo é regulamentado pelo Decreto nº 4.887/2003, que orienta os procedimentos administrativos para identificação, reconhecimento e delimitação dessas áreas. Nesse contexto, o Rio Grande do Norte retoma a realização de estudos antropológicos especializados.
Com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) em parceria com o Ministério Público deflagraram nesta sexta-feira (8) a Operação Caronte.
Os agentes estão cumprindo 11 mandados de busca e apreensão em oito cidades paulistas: Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga.
Segundo as investigações, empresas do ramo de transportes e uma outra de rodeio eram usadas para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras práticas criminosas, por meio de sócios “laranjas”, para dar aparência de legalidade aos valores obtidos ilegalmente.
Durante a investigação foram descobertas movimentações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas pelos investigados.
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Foram apreendidos até o momento caminhões, automóveis, valores em espécie e animais, entre eles bois e cavalos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias dos investigados, além da apreensão de veículos e outros bens registrados em nome dos suspeitos.
De acordo com informações da Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) um dos alvos da operação de hoje foi preso preventivamente em investigação no ano passado, suspeito de envolvimento em um plano de uma facção criminosa para assassinar o promotor de Justiça.
A governadora Fátima Bezerra (PT) sancionou uma lei que estabelece um banco de dados elaborado a partir de notificações de todas as formas de violência contra a mulher registradas no Rio Grande do Norte. Os relatórios e estatísticas produzidas vão balizar estudos, campanhas de prevenção à violência e políticas públicas para as mulheres em situação de violência e sobreviventes.
A lei 12.721/2026 é de autoria da deputada Divaneide Basílio e foi publicada nesta quinta-feira (7) no Diário Oficial do Estado (DOE). A medida faz parte da Política de Sistematização de Dados Integrados de Violência Contra Mulher, que deverá ainda formar um grupo específico integrado entre os órgãos que atendam a mulher vítima de violência.
A ação vai envolver profissionais da administração estadual das áreas de saúde, assistência social, educação, segurança pública e demais áreas interessadas no debate para a formulação de políticas públicas específicas para mulheres.
Anualmente, deverão ser publicados um ou mais relatórios com as principais análises, dados, indicadores e sugestões de políticas públicas que possam contribuir para o enfrentamento da violência contra a mulher.
De acordo com o texto, o Governo deverá elaborar um plano de ação para esta Política, além de articular com as redes existentes no estado. Um comitê gestor será formado, composto por representantes do Poder Executivo, Judiciário, Legislativo, Ministério Público e Defensoria Pública, além de conselhos e entidades da sociedade civil ligadas ao tema.
A proposta havia sido apresentada por Divaneide Basílio em fevereiro de 2025, e foi aprovada pela Assembleia em abril deste ano. Em sua justificativa, a parlamentar diz que o Brasil possui uma legislação robusta sobre a proteção das mulheres, como a Lei Maria da Penha. No entanto, segundo ela, a implementação dessas normas ainda enfrenta desafios, especialmente em relação à coleta e análise de dados sobre a violência de gênero.
“A falta de informações precisas e integradas dificulta a formulação de políticas públicas eficazes, a alocação de recursos e a avaliação de programas existentes”, diz.
Com a criação da Política de Sistematização de Dados Integrados de Violência Contra a Mulher, afirma a deputada, o problema poderá ser enfrentado de forma mais eficaz, “garantindo que as políticas públicas sejam direcionadas e que as mulheres tenham acesso à proteção e ao apoio que necessitam.”
O faturamento da indústria de transformação brasileira cresceu em março, indicando uma recuperação parcial da atividade industrial. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (8), o setor ainda acumula perdas na comparação com o ano passado, apesar da melhora mensal, reflexo dos juros elevados e da desaceleração da demanda.
O faturamento industrial avançou em março na comparação com fevereiro, mas continua abaixo do desempenho registrado no ano passado.
Principais números:
• Alta de 3,8% do faturamento em março em relação a fevereiro;
• Nível ficou 9,8% acima de dezembro de 2025;
• Queda acumulada de 4,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
Em nota, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que os juros elevados continuam afetando o setor.
“De lá para cá [desde o primeiro trimestre do ano passado], a demanda por bens industriais começou a perder força por causa da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, contribuindo para a queda do faturamento na comparação interanual”, explicou.
Ele ressalta que juros altos encarecem o crédito e reduzem o consumo e os investimentos, diminuindo as encomendas para as fábricas.
Produção avança
As horas trabalhadas na produção cresceram pelo terceiro mês seguido, sinalizando aumento gradual do ritmo de atividade nas fábricas.
• Alta de 1,4% em março;
• Queda acumulada de 1,5% no trimestre frente a 2025.
O indicador mede o tempo efetivamente dedicado à produção industrial. Quando sobe, costuma indicar aumento da atividade nas linhas de produção.
Ociosidade persiste
A indústria também aumentou levemente o uso de sua capacidade produtiva, mas ainda opera abaixo do nível observado no ano passado.
• Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,5% para 77,8%;
• Alta de 0,3 ponto percentual entre fevereiro e março.
O indicador mede quanto do parque industrial está efetivamente em uso. Segundo Marcelo Azevedo, o dado mostra que ainda existe espaço para elevar a produção sem necessidade de grandes investimentos.
“Há maquinário e pessoal, mas a indústria vem produzindo menos do que pode por causa de uma demanda mais fraca”, afirmou.
Emprego cai
O mercado de trabalho industrial segue pressionado, com redução nas contratações.
• Emprego industrial caiu 0,3% em março;
• Quinta queda em sete meses;
• Recuo acumulado de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O resultado mostra que as empresas continuam cautelosas diante do cenário econômico mais fraco.
Salários recuam
Os salários pagos aos trabalhadores da indústria caíram em março, embora os indicadores ainda permaneçam acima dos níveis do ano passado.
• Massa salarial caiu 2,4% em março;
• Rendimento médio real recuou 1,8%;
• Massa salarial acumula alta de 0,8% no trimestre;
• Rendimento médio sobe 1,5% ante primeiro trimestre de 2025.
A massa salarial representa o total pago pelas empresas aos trabalhadores do setor. O rendimento médio real considera os salários descontada a inflação.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apontou a existência de fissuras em áreas do Hospital Municipal de Natal, infiltrações e “ausência de frentes de trabalho ativas” na obra. As falhas foram constatadas em uma inspeção técnica realizada pelo órgão e estão presentes em um relatório entregue em dezembro do ano passado, ao qual o g1 teve acesso.
A vistoria da equipe técnica ocorreu em novembro, um mês antes da publicação do documento. A avaliação é parte do Projeto Obra Fácil, que acompanha e fiscaliza obras de engenharia em andamento.
De acordo com a publicação, foram identificados problemas em locais como a área administrativa, ambulatório e no bloco destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias.
O Hospital Municipal de Natal foi inaugurado em dezembro de 2024 pelo ex-prefeito Álvaro Dias (PL) e até hoje não começou a funcionar. O equipamento localizado na Avenida Omar O’Grady, próximo à UPA de Cidade Satélite, vem também adiando o começo dos atendimentos; a nova previsão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é que os primeiros pacientes sejam acolhidos em julho de 2026.
Na área administrativa, os problemas encontrados foram: rufos (peças metálicas no telhado) com detalhamento inadequado; desplacamento de soleiras; fissuras em chapins (peças de concreto) e platibandas (mureta construída para esconder telhado); irregularidades no assentamento de pisos; e falhas de acabamento em corrimãos e início de corrosão em válvulas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).
Já no ambulatório, o MP identificou fissuração estrutural extensa em paredes externas; indícios de infiltração; tubulações expostas em ambientes internos; descontinuidade de junta de dilatação vertical no piso; e desplacamento de drywall.
No Bloco Hospital, além do efetivo reduzido, armaduras estavam com indício de corrosão, além de haver acúmulo de entulho no canteiro; presença de fissuras em alvenarias externas; e pilares com armaduras expostas e restos de formas não removidas. Essa parte da obra, à época, estava em fase inicial, mas apresentava um bom padrão de acabamento externo.
“Contudo, atualmente a obra encontra-se com um efetivo extremamente reduzido onde não se identificou a execução de serviços nessa etapa durante a inspeção técnica”, apontou a inspeção, de acordo com o g1.
Apesar disso, o documento citou um “avanço significativo” nas áreas técnica e administrativa do hospital e disse que apesar da falta de acesso aos projetos e planilhas para avaliar o percentual físico-financeiro, “de forma geral, observou-se um ritmo avançado de execução”. O relatório ainda emitiu recomendações, incluindo a elaboração de um laudo técnico estrutural.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informou que o relatório reforçou que, no geral, a obra apresenta boa qualidade. “O MPRN também realizou algumas recomendações específicas e pontuais ao projeto, com intervenções corretivas já iniciadas (pela empresa responsável pela execução da construção)”, disse a pasta.
Segundo a SMS, nenhum dos itens apontados compromete a estabilidade global da estrutura nem a segurança dos ocupantes.
“O projeto de construção do Hospital de Natal foi distribuído em duas etapas. Para iniciar o funcionamento da primeira fase, foi necessária também a execução de alguns serviços que estavam inicialmente inseridos na segunda etapa e que atenderão a todo o complexo, como a construção de dois centros cirúrgicos. A obra segue em fase final de conclusão, com previsão de que os primeiros acolhimentos sejam iniciados no mês de julho de 2026”, comunicou a Secretaria.
O goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza foi preso na noite desta quinta-feira (7) em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Ele era considerado foragido desde o último dia 11 de março pela Justiça por não ter se apresentado após o mandado de prisão expedido contra ele por descumprimento das regras da liberdade condicional.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que equipes se deslocaram até a Rua A, s/n, em São Pedro da Aldeia, onde o jogador foi localizado e conduzido à 125ª DP para cumprimento de mandado de prisão. Durante a ação, o acusado não apresentou resistência e colaborou com as equipes.
Segundo a decisão da Vara de Execuções Penais, Bruno se ausentou do estado do Rio de Janeiro sem autorização e, por isso, perdeu o benefício. O goleiro deve voltar para a prisão, no regime semiaberto.
Em 2013, o jogador foi condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, sua ex-namorada. A sentença foi de 23 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação do cadáver de Eliza, que desapareceu em junho de 2010.
Na data que marca a segunda chacina da Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, o Instituto de Estudos da Religião (Iser) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) lançam nesta sexta-feira (8) o sumário executivo do Caso Favela Nova Brasília. As chacinas ocorreram em outubro de 1994 e em maio de 2025, deixando 13 mortos em cada uma.
Em menos de sete meses, foram cometidas duas chacinas na comunidade pela Polícia Civil do Rio. A primeira delas ocorreu em 18 de outubro de 1994, quando 13 pessoas foram assassinadas. A chacina teria sido cometida como represália a um ataque à delegacia policial de Bonsucesso (21ª DP), onde um policial civil foi atingido por tiro de fuzil e perdeu uma das pernas. Homens armados passaram de carro atirando e atingiram o policial, que estava na porta da delegacia. Dias depois, mais de 50 policiais civis e militares invadiram a favela e promoveram a morte de moradores indiscriminadamente, a maioria deles sem antecedentes criminais.
A segunda chacina foi no dia 8 de maio de 1995. A Polícia Civil entrou na favela, alegando uma ação contra o tráfico de drogas. Houve confronto e oito pessoas, a maioria menores de idade, se refugiaram numa casa, onde foram localizadas e mortas sem reagir, após se entregarem. Outra foi atingida pelo atirador de um helicóptero das forças de segurança do estado e mais quatro foram mortas em outros pontos da comunidade, chegando a 13 mortos. Os processos foram arquivados pela Justiça à época, sob a alegação que “as mortes foram fruto de resistência à prisão”.
Nesta sexta-feira (8), que marca 31 anos da primeira chacina do Caso Nova Brasília, as duas organizações reconhecidas na defesa e promoção dos direitos humanos trazem a análise de sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), instituição judicial autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Mais do que uma síntese do descumprimento da decisão internacional, o Sumário é um manifesto coletivo de crítica e denúncia da condução deliberada da política de segurança pública no estado do Rio de Janeiro, que tramita entre a violência ostensiva contra as periferias negras e pobres e o abandono desses mesmos territórios.
O relatório aponta que os mais de 30 anos de luta dos familiares das chacinas são também, 30 anos de luto. Um luto interditado, contido, injustiçado, agredido pela negligência e pelo descaso com o direito de enlutar. Há três décadas, vidas que não foram dignas de luto permanecem vivas na memória e na resistência de familiares que não se permitiram ser vencidos e vencidas pelo tempo e pelo cansaço.
“Falar do luto que não há é outra forma de falar das sucessivas violações da exigência de não repetição feita pela Corte IDH”.
O documento diz ainda que “para a construção de um projeto verdadeiramente democrático, é preciso curar feridas sociais profundas que comprometem a coesão social, interrompendo a repetição de práticas, políticas e culturas violentas arraigadas em nossa sociedade”.
No campo da segurança pública, o que se observa “é o avanço, na contramão da sentença internacional, de políticas de repetição, violência e execuções, a partir de investidas de operações caóticas nas periferias. Esse é justamente o ponto nevrálgico que precisa ser enfrentado”.
O coordenador da área de Direitos e Sistemas e Justiça do Iser, Lucas Matos, falou sobre a ação mais letal ocorrida no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão, com a morte de 122 pessoas, configurando um extermínio de pessoas pelo Estado brasileiro, negras e pobres em sua maioria.
“A democracia brasileira tem como uma de suas características decisivas a violência de Estado contra a população negra e periférica e seus territórios. Há um pacto macabro entre diversas forças políticas e sociais que naturaliza a violência racial das instituições de Estado, das polícias ao sistema de justiça”., disse ele.
Lucas Matos explicou que o Sumário Executivo do Caso Favela Nova Brasília mostra essa dimensão estruturante do Estado, sem negar a relevância do debate conjuntural sobre, por exemplo, a centralidade da barbárie para o projeto político da extrema direita que governa o Rio de Janeiro desde 2019. “A sentença proferida pela Corte Interamericana em 2017 aponta alguns caminhos para o enfrentamento do genocídio em curso operado pela política de segurança pública no Rio de Janeiro e no Brasil, como um todo”.
O coordenador do Iser disse ainda que o Estado deve desenvolver e executar um plano de redução da letalidade policial, métricas e instrumentos de monitoramento pela sociedade civil”, avaliou.
Ele falou ainda da importância da garantia da independência e autonomia das perícias, o que significa retirar os órgãos periciais da estrutura das policias e da segurança pública como um todo”, observou Matos.
O Iser e o Cejil representam as vítimas e familiares do Caso Favela Nova Brasília na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em busca de justiça e reparação, as organizações atuam na disputa pelo cumprimento dos pontos resolutivos da sentença, incluídas as medidas de reparação específica, como efetiva responsabilização dos agentes de Estado que protagonizaram as chacinas e tortura sexual, reparação individual, políticas públicas de redução da letalidade policial e promoção de direitos sociais nos territórios de favelas.
A diretora do Programa para o Brasil e Cone Sul do Cejil, Helena Rocha, disse que “a indenização das famílias é apenas um dos elementos das medidas e reparação determinadas pela Corte IDH. Pontuar isso não é secundário. Como lembram os movimentos de familiares de vítimas de violência do Estado, a reparação não pode ser encarada como um pagamento que vai consertar algo, pois não é possível reparar o irreparável”, explicou.
Helena Rocha disse que em relação às indenizações devidas, a maior parte já foi paga. “As pendências, no entanto, concentram-se sobretudo nos casos que envolvem questões sucessórias, que têm avançado com lentidão. São situações em que as vítimas não receberam o valor em vida, e o pagamento passou a ser devido aos seus filhos e, em alguns casos, netos, que também vivenciam os efeitos da violência de Estado e da demora na reparação”, acrescentou.
Na sentença condenatória de 2017, a Corte IDH afirma que as duas chacinas se inserem no contexto estrutural de violência policial no Rio de Janeiro, destacando que a letalidade policial é distribuída de forma brutalmente desigual em termos de raça e classe, atingindo de forma predominante, jovens, negros, pobre e desarmados. Esse contexto é impulsionado pelo acumpliciamento de diversos órgãos de Estado, que legitimam uma política de segurança pública violenta e racista.
“Apesar de farto material sobre as duas chacinas e os episódios de violência sexual de Estado, as ações de investigação, no âmbito interno, não foram capazes de apesentar respostas efetivas para a identificação e responsabilização dos agentes do Estado, assim como medidas de reparação adequadas para os familiares e vítimas da violência estatal”.
Resposta
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro esclarece que as forças policiais atuam de forma integrada e permanente no combate às organizações criminosas, com foco na prisão de lideranças, na apreensão de armamentos e na desarticulação de estruturas financeiras de facções e milícias, priorizando sempre a preservação de vidas.
Dados do Instituto de Segurança Pública – órgão responsável pela consolidação e análise dos indicadores de criminalidade do governo do estado – mostram que os crimes contra a vida, encerraram o primeiro trimestre com queda.
O número de homicídios dolosos apresentou redução de 11% no período, saindo de 801 vítimas em 2025 para 716 em 2026. A letalidade violenta caiu 10,2%, de 1.084 mortes em 2025 para 973 – é a primeira vez em dez anos que o número de mortes fica abaixo de mil. Além disso, as mortes por intervenção de agente do Estado reduziram 6,8%, registrando 206 mortes em 2025 e 192 em 2026.
O resultado é reflexo do trabalho contínuo das polícias Militar e Civil no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no estado. Os indicadores de produtividade policial também registraram resultados positivos no período.
A apreensão de fuzis, por exemplo, aumentou 11,6%, passando de 189 em 2025 para 211 em 2026, atingindo a média de dois fuzis retirados de circulação por dia.
A 2ª Promotoria de Justiça do Rio junto ao 1° Tribunal do Júri da Capital denunciou os policias militares Rafael Assunção Marinho e Rodrigo da Silva Alves pelo homicídio doloso triplamente qualificado do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, ocorrido na madrugada de 22 de abril deste ano, no barro da Pavuna, zona norte do Rio.
Segundo o Ministério Público (MP) do Rio, os agentes, do 41º batalhão da PM, em Irajá, dispararam mais de 20 tiros de fuzil contra a picape em que estavam Daniel e mais três pessoas. A vítima foi atingida na cabeça e morreu no local. Os demais ocupantes do carro não foram atingidos.
A denúncia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com as investigações, os policiais acompanharam a movimentação do empresário na região por mais de uma hora, com acesso a informações em tempo real por um informante pelo telefone e, a partir daí, definiram previamente a abordagem do veículo.
Investigações
As apurações mostram que não houve bloqueio, blitz ou ordem de parada ao empresário. Quando o carro do empresário foi avistado, um dos militares com um fuzil na mão, disparou mais de 20 vezes contra o veículo da vítima.
Depois, tentaram forjar uma situação para o crime, ao alegar que “deram ordem de parada ao motorista e não foram atendidos”. O álibi foi logo desfeito pela Corregedoria da corporação, que ouviu as falas dos militares, que estavam com as câmeras corporais ligadas. Em seguida, eles receberam voz de prisão.
A denúncia foi recebida pelo 1° Tribunal do Júri da Capital.
O estudante de ensino superior pré-selecionado no processo de oferta de vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), referente ao primeiro semestre de 2026, deve validar as informações declaradas no momento da inscrição a partir desta sexta-feira (8) até a próxima segunda-feira (11).
Para validação, o estudante deve procurar a Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da instituição de ensino superior privada onde foi pré-selecionado.
A documentação exigida pode ser entregue no formato físico ou digital, conforme definido pela faculdade privada.
Consulta
Os nomes dos pré-selecionados podem ser consultados na página do programa no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, com a senha da plataforma Gov.br.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou o resultado das vagas remanescentes do Fies 2026, nesta quinta-feira (7).
O Fies financia a graduação de estudantes matriculados em cursos presenciais não gratuitos em faculdades privadas e com avaliação positiva do Ministério da Educação.
O programa é destinado prioritariamente a estudantes que não tenham concluído o e não tenham sido beneficiados por outro financiamento estudantil.
Depois da validação das informações, ocorrerá a validação das informações pelo banco (agente financeiro) responsável pelo financiamento, conforme previsto no edital público.
O prazo para essa última validação é de até dez dias, contados a partir do terceiro dia útil, logo após a data da validação da inscrição pela faculdade privada para a qual o estudante foi selecionado.
Fies Social
O pré-selecionado na vaga do Fies Social com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa tem a situação distinta. Nesse caso, o estudante não precisa comprovar a renda familiar junto à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição privada.
No entanto, o estudante deverá comparecer à comissão para validar as demais informações no mesmo prazo, de 8 a 11 de maio.
Lista de espera
Os candidatos que não foram pré-selecionados na chamada única serão incluídos automaticamente na lista de espera.
A convocação dos candidatos dessa lista ocorrerá no período de 15 a 29 de maio.
A classificação seguirá a ordem decrescente das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com prioridade para candidatos:
sem ensino superior que nunca foram beneficiados pelo Fies;
sem ensino superior que quitaram financiamentos anteriores;
com ensino superior que nunca foram beneficiados pelo Fies;
candidatos com ensino superior que quitaram financiamentos anteriores.
Fies
O Fies realiza anualmente dois processos seletivos regulares, um para o primeiro semestre e outro para o segundo semestre de cada ano letivo, além de processos seletivos para vagas remanescentes.
Se ainda tiver dúvidas, o interessado pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800-616161.