O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta terça-feira (12) que não há indícios de um surto maior de hantavírus, doença identificada em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico.
“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior. Mas, é claro, a situação pode mudar. E, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas”, avaliou Tedros, durante coletiva de imprensa.
Segundo o diretor, até o momento, foram relatados 11 casos de hantavírus, incluindo três óbitos. Todos os casos ocorreram entre passageiros ou tripulantes do navio MV Hondius.
Nove dos 11 casos foram confirmados como sendo da cepa Andes, e os outros dois são tratados como prováveis.
“Não houve nenhuma morte desde o dia 2 de maio, quando a OMS foi informada pela primeira vez sobre o surto. Todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sendo acompanhados sob rigorosa supervisão médica, minimizando qualquer risco de transmissão.”
Repatriação
Tedros destacou ainda que os países para os quais os passageiros foram repatriados são responsáveis por monitorar a saúde de cada um deles.
“A OMS está ciente de relatos de um pequeno número de pacientes com sintomas compatíveis com o vírus Andes e estamos acompanhando cada um desses relatos junto aos respectivos países”.
A recomendação da entidade é de que os passageiros do cruzeiro sejam monitorados ativamente em uma instalação de quarentena específica ou mesmo em casa por um período de 42 dias a partir da última exposição, que aconteceu em 10 de maio – ou seja, até 21 de junho.
“Qualquer pessoa que apresentar sintomas deve ser isolada e tratada imediatamente. Nosso trabalho não terminou. A OMS continuará trabalhando em estreita colaboração com especialistas em todos os países afetados”, concluiu o diretor.]
Os estudantes com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) podem renegociar seus débitos a partir de quarta-feira (13), por meio do Desenrola Fies que prevê descontos para a quitação de até 99% sobre o valor da dívida. A Resolução CG-Fies nº 66, que trata da renegociação, está publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (12).
Pode participar o estudante com contrato firmado até 2017 e que estava em fase de amortização – ou seja, em fase de pagamento – em 4 de maio de 2026. A negociação pode ser feita até 31 de dezembro de 2026.
“Os estudantes do Fies que querem aderir ao Desenrola poderão renegociar débitos diretamente junto à Caixa Econômica e ao Banco do Brasil”, informou o ministro da Educação, Leonardo Barchini. Ele acrescentou que “a negociação deve ser realizada nos canais digitais dos bancos”.
“Neste Desenrola, temos também condições especiais para quem paga em dia e quer aproveitar as condições para quitar sua dívida mais rápido: os adimplentes terão 12% de desconto para zerar os débitos”, completou o ministro da Educação.
A expectativa do MEC é que mais de 1 milhão de estudantes sejam beneficiados com o refinanciamento de suas dívidas.
Desenrola
O Desenrola Fies faz parte do Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal em 4 de maio, que promove a reorganização financeira de milhões de brasileiros e a ampliação do acesso ao crédito em melhores condições.
A medida, no entanto, não prevê a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das dívidas, como acontece em outras renegociações do Desenrola Brasil.
Durante passagem por Mossoró, o pré-candidato a governador Álvaro Dias (PL) foi questionado sobre propostas relativas à privatização da Companhia de Águas e Esgotos (Caern) e federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) — e deixou o futuro da instituição de ensino em aberto. A fala gerou repercussão negativa, crítica de adversários e defesa da universidade por parte de gestores da Uern.
“Federalização, privatização, são questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas”, disse Álvaro Dias, que afirmou ter uma equipe dedicada a estudar as propostas, como por exemplo a privatização da Caern.
“É uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada. Hoje, para você privatizar a Caern, você precisa fazer um investimento importante para melhorar os serviços que a Caern oferece à população, ao povo e à coletividade”, continuou.
Em seguida, o ex-prefeito de Natal disse que possui uma estimativa de que é preciso investir cerca de R$ 10 bilhões no estado.
“Então, é realmente um assunto que precisa de um estudo, de um aprofundamento, como essa questão da Uern também. Então todas essas questões não precisam de uma decisão, de uma definição imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para, posteriormente, tomar essa decisão”, concluiu.
A declaração logo repercutiu. A reitora da instituição, Cicília Maia, disse que a universidade precisa ser defendida permanentemente e afirmou que falas contra a Uern não serão aceitas pela comunidade acadêmica.
“Nossa postura primeira é a da defesa permanente da nossa universidade, sempre. Postura de trabalho, apresentação de resultados concretos de desenvolvimento do estado, de apresentar cada vez mais a nossa qualidade institucional e de defender o que nossa comunidade realiza dia a dia seja no ensino, na pesquisa e na extensão”, posicionou-se.
“Qualquer pessoa ou projeto que fale contra a Uern, não será aceito por nossa comunidade, assim como pelas milhares de famílias potiguares que sabem o impacto transformador da Uern. Continuaremos defendendo quem defende a Uern. Porque nós somos prova viva da transformação que a educação causa na vida das pessoas. Vamos com coragem, assim como os reitores e reitoras que me antecederam, defendendo o maior patrimônio vivo do povo potiguar, a nossa Uern”, declarou.
O professor e Pró-Reitor de Extensão da Uern, Esdras Marchezan, disse que quem fala em federalização da Uern, “pensa nisso”.
“Os que agem assim tem um objetivo: desobrigar o Estado do compromisso com a única instituição pública de ensino superior estadual do RN. A Uern resiste há 57 anos. E seguirá assim”, afirmou.
Fala gera munição para adversários
Em ano eleitoral, a declaração do governadorável logo repercutiu entre os adversários nas eleições de outubro. Cadu Xavier (PT) falou que Álvaro tratou a universidade “como um problema para o nosso Estado”.
“É isso que nos diferencia. Nós valorizamos a educação, nós entendemos que a Uern é uma ferramenta de transformação social e econômica. 80% dos alunos da Uern são provenientes da rede pública do nosso estado. São filhos de zeladores, filhos de agricultores, filhos de trabalhadores que estão estudando na nossa Uern e tendo a sua vida transformada. Esse discurso é o discurso da direita, da extrema-direita. E a gente tem que ter muito cuidado também com oportunistas que defendem a Uern só pela ocasião de um ano eleitoral.”
O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União) disse que a Uern é solução para o RN.
“Essas pessoas que, de forma tão preconceituosa, se manifestam, não têm o mínimo conhecimento de Brasil, não têm conhecimento do Rio Grande do Norte, não têm conhecimento da nossa educação”, reagiu.
Álvaro tenta se explicar
Após a repercussão negativa, Dias emitiu nota em que disse que respeita a Uern. O texto, no entanto, não se posiciona firmemente contra a federalização ou privatização da universidade. Leia a nota na íntegra:
O pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, esclarece que em nenhum momento defendeu ou citou a privatização ou federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Durante entrevista, Álvaro apenas mencionou que o tema da educação superior estadual, assim como diversas áreas estratégicas da administração pública, vem sendo analisado por técnicos responsáveis pela construção do seu plano de governo.
Qualquer interpretação diferente disso não corresponde ao que foi efetivamente dito pelo pré-candidato.
Álvaro Dias reafirma seu respeito à UERN, instituição fundamental para o desenvolvimento educacional e social do Rio Grande do Norte, e destaca que todo debate sobre o futuro do Estado deve ocorrer com responsabilidade, seriedade e compromisso com a verdade.
Álvaro Dias também reafirma seu respeito pela instituição educacional, destacando que em sua própria equipe conta com formados pela Universidade Estadual, reforçando seu respeito pela instituição.
Caern
Álvaro Dias esteve em Mossoró para uma agenda política ao lado do senador Rogério Marinho (PL), e participou de um encontro com empresários e representantes das classes produtivas do município.
Embora tenha gerado menos eco neste momento, a proposta de privatização da Caern já foi tratada pelo senador em outros momentos. Rogério Marinho já defendeu vender a Caern totalmente, ao invés de fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 2024, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,8 bilhões devem ser investidos.
Saiba Mais: Rogério Marinho defende venda da Caern e fim de aumento real para servidores
“Você pega, por exemplo, essa questão da Caern, outra questão que vai desagradar muita gente. Por que fazer PPP com uma empresa que hoje não dá o serviço adequado à sociedade? Quantos norte-grandenses não têm esgoto tratado? Não têm água tratada? Vá para o Seridó. Se não fosse a doutora que nós estamos fazendo, a situação continuaria parecida. Vá para a região Agreste. Municípios passando seis meses sem água, quatro meses sem água, como Santo Antônio, como Nova Cruz. Municípios que têm o seu tratamento de esgoto praticamente concluído e a Caern não complementa. Então, é evidente que você precisa melhorar o serviço que vai ser ofertado à população. Tem que vender a Caern, tem que fazer a concessão da Caern”, justificou Rogério no ano passado.
Para comemorar as nove décadas da Rádio Nacional, a emissora pública lança a série Rádio Memória – 90 anos com um mergulho na história de um dos veículos de comunicação mais importantes do país. A novidade entra no ar em 12 de maio, a quatro meses da efeméride. Em formato de videocast, o programa reúne fatos marcantes e curiosidades que ajudam a contar a trajetória da emissora.
A cada encontro, o jornalista e apresentador Dylan Araújo recebe convidados que fazem parte dessa história para conversas que resgatam memórias e revelam bastidores de diferentes fases da Rádio Nacional. A emoção atravessa os episódios para conectar gerações que viveram – e ainda constroem – a programação nos dias atuais.
Os programas ficarão disponíveis no canal do YouTube da Rádio Nacional e recortes poderão ser acompanhados no dial para ampliação do alcance. O conteúdo é apresentado no Revista Rio, às 13h, para o Rio de Janeiro, e durante o Tarde Nacional local, às 15h, nas demais praças. Com material de acervo e entrevistas, a série presta homenagem a quem já passou pela emissora e valoriza quem segue mantendo vivo o legado da Rádio Nacional.
A iniciativa integra uma agenda de ações que celebram os 90 anos em 12 de setembro de 2026. Com o slogan “Do passado ao futuro. Sem Fronteiras”, a emissora pública que integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se mantém atual e relevante. Ao longo de sua história, a Nacional se firmou como uma das principais rádios do país e referência cultural na Música Popular Brasileira, no jornalismo e nas transmissões esportivas.
De acordo com o gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, a ideia é agregar ao calendário comemorativo, produzir conteúdo que se torna o acervo do futuro e gerar engajamento a partir da efeméride.
“Sentimos a necessidade de fazer o mapeamento da memória oral de profissionais que passaram pela rádio ou que tenham contato com temas caros à emissora. Adaptamos o quadro Rádio Memória para o formato de videocast que lançamos quatro meses antes dos 90 anos da Rádio Nacional”, explica
Paixão nacional, futebol marca estreia da série
O primeiro episódio da série de videocast Rádio Memória – 90 anos volta o olhar para o futebol no rádio e destaca como a Rádio Nacional ajudou a popularizar o esporte em todo o país. Para investigar o assunto, Dylan Araújo recebe os radialistas Eraldo Leite e Waldir Luiz, nomes consagrados no jornalismo esportivo que já integraram o time de profissionais da emissora.
O programa destaca o papel pioneiro da Rádio Nacional na consolidação da linguagem esportiva no rádio e na construção de uma cultura brasileira em torno do futebol. A edição lembra de que forma as transmissões esportivas ampliaram o alcance das partidas ao levar emoção a ouvintes de diferentes regiões. Entre narrações históricas e bastidores, o episódio mostra como o rádio transformou o futebol em um espetáculo coletivo, criou ídolos e aproximou o público dos clubes.
O papo também evidencia como a linguagem do futebol foi se atualizando ao longo do tempo – de expressões como “volante” e “ponta de lança” aos termos mais recentes, como “meia armador”, “camisa 10 clássico”, “falso 9”, “linha alta” e “terço final”.
Nos próximos programas, o videocast aborda temas como o samba e o choro. O primeiro assunto pauta o encontro com a cantora e compositora Dorina; o historiador, cantor e compositor Marquinho China e o jornalista, sociólogo e pesquisador Bruno Fillipo. Já o choro embala a conversa com a cantora e compositora Nilze Carvalho e o instrumentista Ronaldo do Bandolim. As entrevistas foram gravadas no Museu do Rádio, na sede da EBC, no Rio de Janeiro.
Serviço
Rádio Memória – 90 anos – estreia – terça-feira, 12/5, às 12h, no programa Revista Rio, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro Rádio Memória – 90 anos – estreia – terça-feira, 12/5, às 15h, no programa Tarde Nacional local, na Rádio Nacional nas demais praças da rede Videocast Rádio Memória – 90 anos – estreia – terça-feira, 12/5, no YouTube da Rádio Nacional
Saiba como sintonizar a Rádio Nacional Brasília: FM 96,1 MHz e AM 980 Khz Rio de Janeiro: FM 87,1 MHz e AM 1130 kHz São Paulo: FM 87,1 MHz Recife: FM 87,1 MHz São Luís: FM 93,7 MHz Amazônia: 11.780KHz e 6.180KHz OC Alto Solimões: FM 96,1 MHz Celular – App Rádios EBC para Android e iOS
O servidor público Fernando Antonio Soares dos Santos, o Nando Poeta, comemorou neste domingo (10) o avanço no seu processo de enquadramento na Secretaria da Educação, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte (Seec). Ele havia anunciado que iniciaria uma greve de fome nesta segunda (11) após ter seu salário reduzido, e agora disse que a mobilização foi fundamental para destravar o processo.
A situação teve início porque, mesmo trabalhando como técnico de nível superior exercendo a função de sociólogo, ele não foi enquadrado no Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) anterior porque estava num período de licença sem remuneração, e não teve o salário equiparado ao cargo que exerce. Com isso, o trabalhador teve uma brusca redução de salário, que classificou como injustiça.
Nando entrou no serviço público em 1984 como professor P8C, um tipo de nível específico de progressão funcional, e depois avançou. Três anos depois, passou a técnico de nível superior, exercendo a função de sociólogo. Em 1989, foi aprovado em novo concurso, desta vez para professor de Sociologia, mas optou por permanecer como técnico de nível superior devido à diferença salarial.
Saiba Mais: Servidor do RN tem salário reduzido e anuncia greve de fome na Seec
Em 2010, saiu de licença sem remuneração, renovada até 2016. Retornou em janeiro de 2017 ao Núcleo Estadual de Educação para a Paz e Direitos Humanos (NEEPDH) da Seec e retomou suas funções. Desde então, sem o devido enquadramento, seu salário diminuiu e ele precisou a recorrer a outros trabalhos por fora para conseguir sobreviver.
“Nos últimos dias, anunciei a realização de uma greve de fome para tentar destravar um processo meu que há três meses estava paralisado e que o analista não dava o seu parecer. A mobilização pela imprensa, pelos sindicatos, pelas pessoas, foi fundamental, mostrando que vale a pena lutar. Nós conseguimos, inclusive, com poucos dias de denúncia dessa paralisação, que o rapaz que estava segurando o meu processo fosse substituído por outro”, disse, em vídeo divulgado nas redes sociais na noite deste domingo.
“Em apenas quatro horas, esse novo analista conseguiu organizar o meu parecer, dando inclusive favorável ao meu enquadramento. Isso foi extremamente positivo. Continuamos a luta, porque vai passar ainda na mão da presidente da comissão de enquadramento, que vai assinar, vai para o gabinete, vai ser publicado, vai depois ser lançado na folha de pagamento. Mas nós agradecemos desde já toda essa mobilização e o apoio durante todo esse processo. E eu acredito que realmente a luta, a mobilização foi necessária para que a gente pudesse destravar o nosso processo”, celebrou o servidor e sindicalista.
Os gastos públicos não são o vilão da economia que leva, necessariamente, à elevação dos juros e da dívida pública do Brasil. Por outro lado, são os juros altos pagos pela União – que consumiram R$ 1 trilhão em um ano – que vêm pressionando a dívida do Estado, prejudicando a oferta de bens e serviços produtivos enquanto dão enormes lucros para os bancos do país.
Essa é a avaliação de três economistas consultadas pela Agência Brasil que desafiam a tese mais consolidada no jornalismo econômico de que os juros altos são uma resposta aos gastos públicos, assim como necessários para manter os preços sob controle.
A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Juliane Furno destaca que o principal fator de elevação da dívida pública no Brasil são os juros e não os gastos “primários”, usados para pagar funcionários e os serviços prestados à população.
“É uma hipocrisia apontar que os juros altos respondem à elevação da dívida, porque são os juros que a causam. Se você decompor os componentes da dívida pública você vai ver que o déficit primário é o que menos impacta a dívida”, afirmou a doutora em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Economista Juliane Furno diz que o principal fator de elevação da dívida pública no Brasil são os juros Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Nos últimos 12 meses até março, o Brasil gastou R$ 1,08 trilhão com juros, o que representa 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2026, a Dívida Bruta do Governo Central – que reúne União, INSS, estados e municípios – cresceu 1,4 ponto percentual (p.p.), chegando a 80,1% do PIB (R$ 10,4 trilhões).
Segundo o Banco Central, o principal responsável por esse aumento foram os juros nominais. “O aumento [da dívida] de 1,4 p.p. do PIB resultou da incorporação de juros nominais (+2,4 p.p.), das emissões líquidas de dívida (+0,4 p.p.)”, diz o comunicado.
A professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Maria Mello de Malta avalia que o atual modelo macroeconômico que combina altas taxas de juros com exigências de corte de gastos primários é fruto de decisão política – e não técnica – que favorece a economia focada no setor financeiro.
“O que mais me choca é usar um país que tem o tamanho do Brasil como uma simples plataforma financeira, como se fôssemos Suíça ou Ilhas Cayman, que são minúsculas. É condenar 210 milhões de pessoas a uma vida cara e endividada porque você quer beneficiar um setor que emprega tão pouco e que, enfim, já ganha bastante”, enfatizou a economista.
Juros, dívidas e gastos
O endividamento das famílias no Brasil, que levou o governo a lançar o Novo Desenrola, reacendeu o debate sobre os juros reais praticados no país, o segundo mais alto do mundo, atrás apenas da Rússia.
Nesse contexto, economistas com destaque na imprensa têm justificado que o Banco Central (BC) apenas está reagindo à trajetória dos gastos públicos do Estado, pois os gastos teriam o poder de estimular a demanda e pressionar a inflação para cima.
A solução apresentada seria então o corte de gastos públicos, o que poderia prejudicar serviços como saúde, educação, segurança e atingir direitos como a aposentadoria dos trabalhadores.
O próprio BC, por meio das suas atas do Comitê de Política Monetária (Copom), pede corte de gastos, chamado de “disciplina fiscal”.
“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros”, diz a ata do final de abril.
Tese alternativa
Por outro lado, há um grupo de economistas que divergem dessa avaliação. Para esses especialistas, os gastos públicos devem ser protegidos, pois favorecem mais os mais pobres, e os juros devem ser cortados, pois beneficiam apenas o mercado financeiro.
Ao mesmo tempo, por essa corrente, a inflação deve ser controlada, principalmente, estimulando a oferta e não apenas combatendo a demanda, como faz a taxa Selic praticada pelo BC. O próprio BC estima que cada 1 p.p. de aumento da Selic aumenta a dívida em mais de R$ 50 bilhões.
A professora da UFRJ Maria Malta destacou que, se o governo quiser reduzir a dívida pública, tem que cortar juros.
“Os juros são a maior conta que ele tem que pagar. Por outro lado, o gasto público tem um efeito multiplicador na economia. Gastar menos só tem um efeito: piorar o crescimento econômico, aumentar o desemprego e a dívida porque o lado da receita diminui quando o crescimento diminui”, explicou a doutora em economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Para a especialista, também não é possível comparar o Estado com uma família, ou com uma empresa, como alguns economistas fazem para criticar o endividamento do Estado, que tenderia a gastar mais do que arrecada.
“A lógica do indivíduo privado é completamente diferente da do Estado porque o indivíduo privado não emite sua própria moeda, nem define sua taxa de juros”, explicou.
Estimular a oferta
Professora de economia da UnB Maria Lourdes Mollo avalia que a dívida pública do país vem aumentando há muito tempo por causa dos juros. Foto: UNB/Divulgação
A professora de economia Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília (UnB), avalia que a dívida pública do país vem aumentando há muito tempo por causa dos juros.
“O governo gasta demais pagando juros. O governo precisa gastar protegendo a população mais vulnerável e garantindo que a capacidade produtiva da economia cresça, ao invés de beneficiar apenas o setor financeiro”, afirmou.
A professora Maria Lourdes, que é doutora em economia pela Universidade de Paris, reconhece que os juros altos reduzem a inflação, mas alerta para os “altíssimos” custos sociais.
“Quem está pagando esses juros altos são as pessoas que precisam do dinheiro para comer, morar, cuidar da sua saúde. E essas necessidades não podem diminuir. Por outro lado, quem está ganhando com esses juros altos são os que ganham no mercado financeiro. E isso é que está errado”, completou.
Para Lourdes, a inflação deve ser combatida também pelo lado da oferta, estimulando a produção como forma de baixar os preços. Porém, ela alerta que os juros altos impedem o crescimento da oferta.
“Há um impacto negativo da taxa de juros altos sobre a capacidade produtiva da economia. Isso é muito ruim porque inibe, a médio e a longo prazo, o crescimento da oferta e tira, inclusive, possibilidades de resolver o problema da inflação de uma forma mais definitiva”, completou a professora da UnB.
Gastos públicos
Professora de economia política da UFRJ Maria Mello de Malta diz qeu se o governo quiser reduzir a dívida pública, tem que cortar juros Foto: Maria Mello de Malta/Arquivo Pesssoal
Sobre a parte dos economistas que sustenta que o caminho para cortar juros é cortar os gastos públicos, Maria Mello de Malta responde que o Estado não controla as necessidades de educação, saúde e aposentadoria da população.
“Não tem como o governo, atendendo ao Banco Central, reduzir gastos do dia para a noite. O Estado não controla a saúde ou educação da população. Isso tem a ver com o crescimento populacional, com a idade dos trabalhadores, das pessoas que vão nascendo, etc.”, explicou a professora da UFRJ.
Para a professora Juliane Furno, da UFF, o Estado não “gasta demais” como costumam justificar alguns economistas porque a Constituição do Brasil prevê a prestação de serviços públicos que demandam um volume maior de recursos que outros países.
“É claro que o Estado brasileiro gasta mais do que o chileno, por exemplo, mas isso é resultado de escolhas distintas. O Estado brasileiro escolheu prover saúde de forma universal, ter educação pública, garantir assistência social”, lembrou a especialista.
A tese que apresenta o corte de gastos e as privatizações como solução para reduzir o endividamento público, o que abriria caminho para o corte de juros, é questionada pela professora Maria Mello de Malta.
Para ela, trata-se de uma “visão ideológica” que tem o objetivo de abrir, ao máximo, o espaço econômico para atuação do setor privado em busca do lucro.
“Na hora que você privatiza, você não privatiza só o custo. Você privatiza o lucro também. Privatizou-se a Eletrobras e não tem mais lucro da Eletrobras para ser distribuído para o Estado e melhorar a situação da dívida”, finalizou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança, nesta terça-feira (12), o programa Brasil Contra o Crime Organizado e anuncia medidas voltadas à segurança pública. O pacote prevê investimento de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento da União e R$ 10 bilhões via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os estados.
“O Brasil contra o Crime Organizado foi construído em diálogo com os estados, especialistas e forças de segurança pública, e tem por objetivo desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais das organizações criminosas em todo o território nacional”, diz comunicado da Presidência.
O programa será estruturado em quatro eixos estratégicos:
asfixia financeira das organizações criminosas;
fortalecimento da segurança no sistema prisional;
qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e
combate ao tráfico de armas.
Em coletiva de imprensa, na semana passada, o presidente Lula destacou que é preciso “destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”. Após a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 7, Lula afirmou que o Brasil está disposto a colaborar com outros países nesse sentido.
“Vamos fazer algumas frentes [com o programa Brasil Contra o Crime Organizado], uma delas é a questão financeira. Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais. Eles estão em vários países, no futebol, na política, no meio empresarial, estão em todo lugar, no poder Judiciário”, disse.
O programa deve ser formalizado por meio de um decreto presidencial e quatro portarias, exigindo a adesão dos estados para o acesso aos recursos do BNDES.
Segunda-feira não tem conversa: o esquenta começa no jazz no bar de Nazaré, na Cidade Alta, e termina na roda de samba das Rocas, a Segunda de Vagabundo. Hoje, quem ataca é a banda Jazz´in Out, a partir das 19h, no bar da dona Nazaré. E a partir das 20h30, o couro come com a rapaziada da Eskina Prime, nas Rocas.
O #MeGuia não dorme no ponto e preparou um roteiro bacana para você começar bem a semana. São eventos gratuitos e de muita qualidade.
Ainda tem recital na UFRN, teatro, exposições, cinema e outros salamaleques. Escolha e apenas vá.
MÚSICA ___________________________
Jazz´in Out, no bar de Nazaré | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Bar de Nazaré (rua Coronel Cascudo, 130, Cidade Alta) HORÁRIO | 19h ENTRADA | Gratuita
Segunda de Vagabundo | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Rua Pereira Simões, 43 B, Rocas HORÁRIO | 20h ENTRADA | Gratuita
Recital Quinteto de Professores, na EMUFRN | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Cel João Medeiros, 725, Lagoa Nova) HORÁRIO | 19h ENTRADA | gratuito INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn
TEATRO _______________________
As meninas da Orquestra Parisot, no TAM | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Teatro Alberto Maranhão (Praça Augusto Severo, s/n, Ribeira) HORÁRIO | 15h ENTRADA | Gratuita (ingressos com instituições parceiras) INFORMAÇÕES | @teatroalbertomaranhao.oficial
EXPOSIÇÕES ___________________________
“Entre cá & lá – Experiências do passado no tempo presente”, na EMUFRN | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova) HORÁRIO | Horário de funcionamento da escola ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn
“Exposição coletiva”, no Bardallos | 11.05 SEGUNDA LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta | 11.05 SEGUNDA LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta) HORÁRIO | a partir das 12h ENTRADA | Gratuita INFORMAÇÕES | @bardallosnatal
CINEMA _______________________
Confira as programações completas: MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira. CINÉPOLIS, Natal Shopping CINEMARK, Midway Mall CINEFLIX, Partage Norte Shopping
Comunidades indígenas de João Câmara, no Rio Grande do Norte, iniciaram neste primeiro quadrimestre de 2026 a colheita da primeira safra de mel produzida a partir do projeto Quintais Mendonça. A iniciativa reúne 30 famílias do Povo Mendonça Potiguara, nas comunidades Serrote de São Bento, Amarelão e Santa Terezinha, e foi criada para fortalecer a apicultura e a meliponicultura como alternativas de geração de renda.
O projeto é resultado de uma parceria entre o Sebrae-RN, o Grupo CPFL Energia e a State Grid. As atividades começaram em outubro de 2024 e incluíram capacitações técnicas, entrega de equipamentos, orientações sobre manejo, extração e comercialização, além de apoio à estruturação da produção.
Entre os participantes está José Nascimento Júnior, morador da Comunidade Indígena de Serrote de São Bento. Antes da formação, ele já convivia com abelhas jandaíra no quintal, mas não sabia como manejar a espécie nem extrair o mel. “Anos atrás, eu já tinha três abelhas jandaíra morando no meu quintal. O pessoal dizia para eu matar, e eu respondia: ‘não, deixa elas aí’, mesmo sem saber extrair o mel. Quando surgiu o projeto, no ano passado, eu me inscrevi logo, aprendi e já estou fazendo minhas primeiras vendas de mel produzido no meu quintal”, conta.
Assim como grande parte da população local, José Júnior tinha na queima da castanha sua principal atividade econômica. Com a meliponicultura, passou a contar com uma nova fonte de renda. Ele começou com 30 caixas de abelhas e pretende ampliar a estrutura. “Somente na semana passada, consegui R$ 1,2 mil de renda. Agora, quero aumentar o número de caixas para 60”, afirma.
No distrito de Santa Terezinha, o apicultor João Batista também passou a apostar na produção de mel depois da capacitação. Aos 63 anos, ele relata que a atividade abriu uma nova perspectiva econômica para a comunidade. “Aqui o povo vivia muito da castanha, mas agora surgiu essa nova fonte de renda, e estamos apostando que ela vai crescer ainda mais. Muitos já estão comprando mais caixas para ampliar a produção. Agradecemos muito aos técnicos enviados pelo Sebrae e à CPFL por acreditarem na gente. Hoje, aos 63 anos, tenho uma nova visão de renda para a vida”, relata.
Das 30 famílias atendidas, 25 trabalham com apicultura, por meio da criação de abelhas Apis, com ferrão. Outras cinco atuam na meliponicultura, com abelhas jandaíra, espécie sem ferrão. Durante 12 meses, os produtores receberam formação voltada ao manejo das colmeias, à extração do mel e às etapas necessárias para a comercialização.
O projeto beneficiou diretamente cerca de 150 pessoas e impactou aproximadamente 1.500 moradores das comunidades atendidas, por meio de ações de sustentabilidade e atividades realizadas em escolas locais. Também foram plantadas duas mil mudas de espécies frutíferas e nativas da Caatinga, com o objetivo de favorecer a preservação das abelhas e do ecossistema da região.
Segundo Nilson Dantas, gestor de Apicultura e Meliponicultura do Sebrae-RN, a expectativa é que, até o fim da safra, sejam produzidas cerca de duas toneladas de mel de abelha Apis e 200 quilos de mel de abelha jandaíra. O mel de jandaíra é considerado mais raro e tem maior valor agregado. A estimativa é que a atividade gere aproximadamente R$ 140 mil por safra nas comunidades participantes.
Além da geração de renda, a meliponicultura também está ligada ao resgate de práticas tradicionais do território Mendonça Potiguara. A criação de abelhas sem ferrão, como a jandaíra, conecta a produção à cultura indígena e à preservação da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro.
“A introdução dessas cadeias produtivas é uma medida sustentável, porque, além de representar uma atividade que oferece menos riscos à saúde dos produtores, também preserva o meio ambiente, gera renda e promove inclusão social”, destaca Nilson Dantas.
A estruturação da cadeia produtiva também incluiu apoio à legalização das casas de mel, incentivo ao plantio de espécies nativas e ações para aproximar os produtores do mercado. Segundo Mona Paula Nóbrega, gerente de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, o projeto buscou mudar a forma como as comunidades se relacionam com a atividade.
“Eles deixaram de ser meros coletores para se tornarem produtores de mel, adotando o manejo adequado e gerando suas primeiras fontes de renda. O projeto também introduziu dois atores estratégicos, já que a comunidade ainda não possuía maturidade para o beneficiamento e a inserção no mercado”, explica.
Um desses atores foi a Boutique da Abelha, que passou a atuar junto ao projeto para aproximar os produtores do mercado. A empresa, que comercializa produtos em grandes redes varejistas e integra o selo Feito Potiguar, acompanhou a colheita e realizou o beneficiamento do mel da apicultura.
Na meliponicultura, o apoio foi prestado pelo Ybi-Ira, que auxiliou na coleta e no processamento do mel. O beneficiamento foi feito na unidade da empresa, que possui Selo de Inspeção Federal, o SIF, além do apoio à inserção do produto no mercado.
“Unir esses elos foi fundamental para que o mel chegasse ao consumidor final com valor agregado, evitando a venda informal à beira de estrada, sem tecnologia ou embalagem adequada. Essa aproximação comercial foi o grande diferencial para os produtores”, complementa Mona.
Para Rodolfo Sirol, diretor de Sustentabilidade da CPFL, a capacitação das famílias permite que a produção tenha continuidade nas comunidades.
“São 30 famílias capacitadas, todas aptas a dar continuidade e avançar nessa atividade”, afirma.
Ele avalia que a venda do mel cria uma alternativa concreta de geração de renda e inclusão social para os produtores.
“A rentabilidade da venda do mel abre uma via concreta para a geração de renda e inclusão social em um patamar superior ao que existia anteriormente. Essa perspectiva traz luz para uma realidade que antes estava esquecida. Agora, esses cidadãos reconhecem o papel de uma empresa cidadã, que compartilha valor com a sociedade. Acreditamos que não é possível existir uma empresa de sucesso sem que a comunidade também prospere”, conclui.
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) se prepara para receber, entre os dias 27 e 29 de maio, a edição 2026 da Semana da África (SEMAF), iniciativa que propõe debates, oficinas e atividades culturais voltadas à valorização das culturas africanas e afro-brasileiras. Neste ano, o evento terá como tema “África: diversidade, resistência e futuro”, com foco na discussão sobre o continente africano “depois da colonização”.
A programação será realizada no Instituto Ágora e no Centro de Convivência da UFRN, reunindo estudantes, pesquisadores, artistas e integrantes da comunidade acadêmica em torno de atividades que abordam cultura, línguas, tradições e processos históricos ligados aos países africanos.
Segundo a organização da Associação do Programa Estudante-Convênio (APEC), a proposta da SEMAF vai além de revisitar o passado colonial. A ideia é discutir os desafios contemporâneos enfrentados pelos países africanos, ao mesmo tempo em que destaca a potência cultural, linguística e política do continente. A programação completa ainda está sendo finalizada, mas as primeiras atividades já foram divulgadas.
No dia 27 de maio, o primeiro dia do evento será dedicado às oficinas de línguas africanas no Instituto Ágora. Estão previstas uma oficina de Fang, às 14h, com Juan Edu e Luis Faustino, e uma oficina de Lingala, às 14h40, ministrada por Crys Banangouna. As atividades buscam aproximar os participantes das múltiplas identidades linguísticas africanas e das tradições orais preservadas pelos povos do continente. As incrições gratuitas estão abertas aqui.
“A SEMAF é um momento de valorização cultural, diálogo e aproximação entre povos”, destaca a organização do evento.
A realização da Semana da África acontece em um contexto de fortalecimento institucional das ações voltadas à valorização das culturas africanas no Rio Grande do Norte. Além das atividades culturais e acadêmicas, a programação também dialoga com a presença crescente de estudantes e pesquisadores africanos na UFRN. Há mais de duas décadas, a instituição desenvolve projetos de cooperação acadêmica com países como Moçambique e Uganda, recebendo estudantes e pesquisadores africanos em cursos de graduação e pós-graduação.
A semana também dialoga com pautas relacionadas ao combate ao racismo e à valorização da diversidade étnico-racial dentro dos espaços educacionais. A expectativa da organização é que a programação deste ano reúna estudantes brasileiros e africanos da UFRN em um ambiente de troca de experiências, produção de conhecimento e celebração da ancestralidade africana.
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Contexto da semana no RN
Desde dezembro de 2023, o estado conta oficialmente com a “Semana da África” no calendário estadual, instituída pela Lei nº 11.644, de autoria da deputada estadual Divaneide Basílio.
A legislação estabelece que a Semana da África deve ocorrer anualmente na semana do dia 25 de maio, data em que é celebrado o Dia Internacional da África. O objetivo da lei é incentivar ações educativas e culturais que promovam o reconhecimento das contribuições africanas para a formação da identidade potiguar e brasileira.
No ano passado, a programação da Semana da África no RN reuniu atividades em Natal, Mossoró e Ceará-Mirim, incluindo rodas de conversa em escolas, apresentações culturais, debates sobre memória negra e a encenação da peça “O Lendário Coração da África”, no Teatro Alberto Maranhão. As ações ocorreram em parceria com o Governo do Estado e instituições de ensino.
Divaneide Basílio afirmou que a iniciativa representa “um passo significativo para fortalecer a identidade cultural e reconhecer a enorme contribuição dos povos africanos na construção da nossa história.”
“A Semana da África é um projeto que visa promover o conhecimento, o respeito à diversidade e o combate ao racismo por meio da educação e da cultura. Com exposições, palestras, performances artísticas e ações pedagógicas, a iniciativa busca ampliar o diálogo sobre a contribuição dos povos africanos para a formação da identidade potiguar e brasileira”, reitera.
A programação estadual completa, incluindo as ações previstas em escolas, ainda está sendo finalizada e deverá ser divulgada em breve.
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