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Brisa lança abaixo-assinado por investigação da engorda de Ponta Negra

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“Espelhos d’água” em Ponta Negra são propositais, diz secretário

A vereadora Brisa Bracchi (PT) lançou um abaixo-assinado para pressionar pela abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a obra da engorda de Ponta Negra. A iniciativa busca reunir assinaturas da população em defesa de uma investigação sobre os impactos, os custos, a execução do projeto e as irregularidades apontadas por órgãos como Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU).

“A cidade merece respostas. Natal precisa de transparência sobre uma obra que afeta diretamente a vida da população, o meio ambiente e o futuro da nossa orla”, declarou.

O abaixo-assinado pode ser acessado por meio do link clicando aqui.

Uma Comissão Especial de Inquérito só pode ser aberta com o apoio de um terço da Câmara, ou seja, 10 vereadores. Até o momento, além de Brisa, assinaram os vereadores Samanda Alves (PT), Daniel Valença (PT), Thabatta Pimenta (PV) e Matheus Faustino (União).

A vereadora pediu a instauração da CEI em 12 maio. No documento, a parlamentar cita o histórico de avanço contínuo da erosão costeira sobre a principal orla turística de Natal e diz que a recuperação da faixa de areia nunca foi o principal problema.

“A necessidade da obra sempre foi evidente. O grande debate que se consolidou ao longo dos últimos anos dizia respeito à forma apressada, politizada e tecnicamente questionável com que sua execução foi conduzida”, afirma.

Saiba Mais: Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra

Ela afirma que a execução da obra, estimada em mais de R$ 100 milhões em investimentos públicos somando drenagem, aterro hidráulico e intervenções estruturantes, foi marcada por um discurso oficial de excelência e robustez técnica. 

Foto: Francisco de Assis

“A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Infraestrutura sustentavam que o novo sistema de drenagem impediria alagamentos e protegeria a areia recém-depositada contra processos erosivos. Em março de 2025, a SEINFRA chegou a anunciar oficialmente a conclusão do sistema de drenagem com a instalação de 16 dissipadores, apresentando a estrutura como suficiente para suportar eventos climáticos e garantir a estabilidade da engorda. A realidade, entretanto, rapidamente desmontou a narrativa institucional. Menos de um ano após a conclusão das principais intervenções, as fortes chuvas registradas em 24 de abril de 2026 expuseram o colapso precoce do sistema implantado”, afirma.

No requerimento, Brisa Bracchi pede apuração de possíveis irregularidades administrativas, técnicas, financeiras e ambientais relacionadas à execução da obra de engorda, realizada pela Prefeitura com recursos públicos federais e municipais. A vereadora questiona, especialmente, as falhas estruturais do sistema de drenagem, a deterioração precoce do aterro hidráulico, o eventual desperdício de recursos públicos e os possíveis danos ambientais decorrentes da execução contratual. 

“A degradação precoce da engorda compromete diretamente uma das principais atividades econômicas da cidade. A Praia de Ponta Negra constitui o principal polo turístico do Município do Natal, concentrando significativa parcela da cadeia produtiva ligada ao turismo, hotelaria, gastronomia, comércio informal e prestação de serviços. A instabilidade estrutural da obra, a repercussão negativa nacional dos alagamentos e o comprometimento visual e funcional da orla afetam diretamente a imagem turística da capital potiguar, gerando insegurança econômica para comerciantes, trabalhadores e investidores que dependem da atividade turística local”, destaca.

Neste mês, a ação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) relativa aos alagamentos na área da engorda da praia de Ponta Negra apontou a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas propositalmente. Além disso, o documento demonstra o risco de “desastre estrutural iminente” devido à “ausência de dissipadores eficientes e o grande desnível topográfico de 40 metros”. 

O MPF afirma que a drenagem no local foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. O órgão busca obrigar o município de Natal a realizar obras emergenciais que evitem o agravamento dos alagamentos na engorda.

Saiba Mais: MPF aponta tubulações falsas e galerias bloqueadas em drenagem de Ponta Negra 

Antes do MPF, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra da engorda de Ponta Negra registrou fragilidades técnicas nos estudos de impacto ambiental e que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) foi obstruído de exercer o controle e o acompanhamento das condicionantes do empreendimento. Além disso, mostrou que já houve uma perda significativa de aterro hidráulico no Morro do Careca menos de um ano após a conclusão.

Saiba Mais: TCU aponta falhas e perda de aterro na engorda de Ponta Negra 

Um dos pontos diz que houve insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento (EVTEA), dos estudos referentes a EIA/RIMA, bem como dos projetos básico e executivo. O EIA/RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, um conjunto de documentos técnicos obrigatório para o licenciamento de atividades que possam causar impactos ao meio ambiente. Já o EVTEA verifica se os benefícios estimados justificam os custos com os projetos e execução das obras previstas.

Em outro apontamento, o documento atesta que houve prejuízos ao rito regular de licenciamento da obra de aterro por parte da Prefeitura de Natal, além de obstrução ao Idema. Ainda segundo o relatório preliminar, já há uma alta perda do aterro, bem como indícios de inadequação do material sedimentar extraído de jazida não autorizada.

Fonte: saibamais.jor.br

UFRN integra discussão sobre repatriação de fósseis retirados ilegalmente do Brasil

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UFRN integra discussão sobre repatriação de fósseis retirados ilegalmente do Brasil

A atuação de pesquisadores e instituições do Rio Grande do Norte tem ganhado destaque no debate sobre a repatriação de fósseis brasileiros levados ilegalmente ao exterior. A paleontóloga Aline Ghilardi, coordenadora do Laboratório de Dinossauros (DinoLab) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), está entre os nomes envolvidos nas discussões sobre o chamado “colonialismo científico”, prática marcada pela retirada de patrimônios naturais brasileiros para museus e coleções estrangeiras.

O tema voltou ao centro das atenções após a repatriação do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, devolvido ao Brasil em 2023 depois de permanecer por décadas na Alemanha. O exemplar, encontrado na região da Bacia do Araripe, foi levado por pesquisadores estrangeiros nos anos 1990 e estava no Museu Estadual de História Natural Karlsruhe. Hoje, integra o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará.

Segundo Aline Ghilardi, a mobilização popular nas redes sociais foi decisiva para pressionar o museu alemão a devolver o fóssil. “As redes do museu foram devastadas por comentários de brasileiros. Esse foi justamente o ponto de virada na história.”

Ela avalia que o caso evidenciou a lógica histórica de exploração científica de países do Sul Global. “A maior parte dos museus europeus está recheada com materiais de territórios que foram colônias ou que têm sido, até hoje, explorados numa lógica de assimetria de poder”, disse.

Pesquisas com participação da paleontóloga potiguar apontam a dimensão do problema. Um estudo publicado na revista científica Palaeontologia Electronica identificou que ao menos 490 fósseis de macroinvertebrados foram retirados irregularmente da Bacia do Araripe entre 1955 e 2025. Quase metade das publicações analisadas foi produzida exclusivamente por pesquisadores estrangeiros, sem participação de brasileiros.

Outro levantamento, publicado pela Royal Society Open Science, mostrou que 88% dos fósseis descritos em estudos sobre macrofósseis da região do Araripe entre 1990 e 2020 foram levados para museus estrangeiros e ainda não retornaram ao Brasil.

Além do caso do Ubirajara jubatus, outras iniciativas recentes de repatriação evidenciam o esforço brasileiro para recuperar patrimônios retirados ilegalmente do país. Em 2024, o Brasil conseguiu o retorno de um manto Tupinambá do século 17, que estava na Dinamarca, e, neste ano, outros 45 fósseis originais da Bacia do Araripe foram devolvidos pela Suíça. Também houve a restituição da aranha fóssil Cretapalpus vittari, que homenageia a cantora Pabllo Vittar e foi repatriada pelos Estados Unidos em 2021 após a Universidade do Kansas reconhecer a irregularidade da exportação. Os casos reforçam o debate sobre colonialismo científico.

Para a pesquisadora da UFRN, a saída ilegal desses materiais compromete diretamente a produção científica nacional. “Quando esses bons fósseis vão para fora, quem faz as grandes descobertas e recebe o prestígio acadêmico são os estrangeiros”, afirmou.

Além do Ubirajara, outras peças vêm sendo devolvidas ao Brasil nos últimos anos. Em fevereiro deste ano, 45 fósseis originais da Bacia do Araripe retornaram da Suíça. Já um acordo entre Brasil e Alemanha também prevê a repatriação do dinossauro Irritator challengeri, retirado ilegalmente do Ceará e mantido desde 1991 em um museu alemão.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil mantém pelo menos 20 negociações internacionais para recuperar fósseis e patrimônios culturais espalhados em ao menos 14 países. Os Estados Unidos lideram o número de processos de devolução, seguidos por Alemanha e Reino Unido.

SAIBA MAIS: Brasil pode ter fóssil de dinossauro de volta; paleontóloga da UFRN liderou campanha

A campanha liderada do RN

O fóssil, encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará, está sob guarda do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart desde 1991. Considerado um dos exemplares mais importantes já retirados do Brasil, ele corresponde ao crânio de espinossaurídeo mais completo conhecido até hoje.

O caso teve um avanço diplomático em abril de 2026, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha. Em declaração conjunta assinada em Hannover, os governos brasileiro e alemão registraram a disposição do Estado de Baden-Württemberg e do museu alemão em devolver o fóssil ao Brasil dentro de um acordo de cooperação científica.

Nas redes sociais, Aline comemorou o avanço e destacou a mobilização popular como peça-chave na pressão pela devolução do material. A campanha ganhou força após a repatriação do Ubirajara jubatus, também retirado do Araripe e devolvido pela Alemanha em 2023. No caso do Irritator, uma carta aberta reuniu centenas de assinaturas de especialistas, enquanto uma petição pública ultrapassou 34 mil apoios. Assine aqui.

O nome “Irritator” surgiu da irritação dos cientistas ao descobrirem que partes do fóssil haviam sido adulteradas para aumentar seu valor comercial. Já “challengeri” homenageia o personagem Professor Challenger, do livro O Mundo Perdido.

Embora o acordo represente um marco para a paleontologia brasileira, ainda não há data definida para o retorno do fóssil ao país nem confirmação sobre qual instituição ficará responsável pela guarda do material.

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Fonte: saibamais.jor.br

RN registra aumento de crianças sem certidão de nascimento, aponta IBGE

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RN registra aumento de crianças sem certidão de nascimento, aponta IBGE

O Rio Grande do Norte registrou crescimento no número de crianças que nasceram sem o devido registro civil em 2024. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recentemente mostram que a taxa de sub-registro no estado chegou a 0,72%, o equivalente a pelo menos 270 bebês sem certidão de nascimento emitida dentro do prazo legal.

A ausência do documento compromete o acesso imediato a uma série de direitos básicos. Sem a certidão, crianças podem enfrentar dificuldades para serem atendidas em unidades de saúde, ingressarem em creches e escolas ou serem incluídas em programas sociais e políticas públicas.

O cenário é mais preocupante em municípios do interior potiguar. Segundo o levantamento, mais de 50 cidades apresentaram índices superiores a 1% de sub-registro. Em Lagoa de Velhos, quase metade dos nascimentos ocorridos no período não teve registro formalizado em cartório, alcançando 49,8%. Também chamaram atenção os percentuais registrados em Francisco Dantas (16,67%), Patu (14,71%) e São Fernando (9,69%).

Para a assistente social Andrea Alves, a falta do registro civil aprofunda desigualdades sociais e impede que crianças tenham acesso pleno à cidadania desde os primeiros dias de vida:

“Sem a certidão de nascimento, a criança praticamente não existe para o Estado. Isso dificulta o acesso à saúde, à educação e a benefícios sociais, além de aumentar a vulnerabilidade dessas famílias. Aqui no RN esse aumento ainda é pequeno comparado com outros lugares do país, mas não deixa de ser um dado preocupante”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.

De acordo com a análise do IBGE, fatores como pobreza, dificuldade de deslocamento e a ausência de cartórios em pequenas cidades ajudam a explicar os números. Em muitos casos, famílias precisam viajar para municípios vizinhos para realizar o registro, o que gera custos que acabam inviabilizando o procedimento.

O levantamento também revelou problemas relacionados ao registro de óbitos no estado. Embora a taxa de sub-registro de mortes tenha caído para 7,22% em 2024, o número ainda representa 1.737 pessoas que morreram sem emissão oficial da certidão de óbito no Rio Grande do Norte.

Lagoa de Velhos voltou a aparecer entre os municípios em situação mais crítica, ocupando a quinta posição no ranking nacional de sub-registro de óbitos, com 66,89% das mortes sem documentação oficial. Outras cidades potiguares também registraram índices elevados, como Pedra Grande (22,37%), João Dias (21,22%) e Rio do Fogo (20,44%).

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Fonte: saibamais.jor.br

RN cria Central de Libras para facilitar atendimento à população surda

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RN cria Central de Libras para facilitar atendimento à população surda

O Governo do Rio Grande do Norte lançou a Central de Libras, serviço voltado à ampliação da acessibilidade para pessoas surdas e com deficiência auditiva em todo o estado. A iniciativa busca facilitar a comunicação da população com órgãos públicos estaduais por meio de atendimento mediado por intérpretes de Libras.

O serviço é coordenado pela Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, por meio da Coordenadoria de Promoção e Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CORDE), em parceria com a Secretaria de Estado da Administração (SEAD). A proposta é permitir que cidadãos surdos consigam acessar serviços públicos estaduais com mais autonomia, reduzindo barreiras de comunicação que ainda dificultam atendimentos presenciais e burocráticos.

A Central de Libras funciona gratuitamente por videochamada. Para acessar o atendimento, o usuário precisa escanear um QR Code disponível em cartazes instalados em repartições estaduais. A partir disso, ele é direcionado automaticamente para um intérprete de Libras, que realiza a mediação entre o cidadão e o servidor responsável pelo atendimento.

Além da modalidade virtual, o programa também conta com um ponto de apoio presencial instalado na Central do Cidadão Leonardo Arruda, localizada na Zona Oeste de Natal. No espaço, usuários podem receber orientações sobre o funcionamento da plataforma, suporte para utilização do sistema e auxílio em atendimentos específicos.

Segundo a secretária da SEMJIDH, Júlia Arruda, a criação da Central representa um avanço nas políticas de inclusão desenvolvidas pelo estado. “Estamos fortalecendo o direito à comunicação e garantindo que pessoas surdas tenham acesso mais digno e igualitário aos serviços públicos”, afirmou.

A implementação de centrais de atendimento em Libras tem avançado em diferentes regiões do país nos últimos anos. Em Curitiba, por exemplo, a prefeitura mantém uma Central de Libras com atendimento virtual e presencial voltado à comunidade surda. O serviço municipal oferece videochamadas com intérpretes e ações de promoção da comunicação acessível.

Em nível federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também passou a oferecer atendimento especializado em Libras por videoconferência, permitindo que pessoas surdas realizem consultas e tirem dúvidas sem precisar sair de casa.

A existência de iniciativas semelhantes em outros estados e órgãos públicos reforça uma tendência nacional de ampliação da acessibilidade digital e comunicacional. Desde 2013, o Governo Federal mantém uma política de incentivo às Centrais de Interpretação de Libras, destinadas a facilitar o acesso de pessoas surdas aos serviços públicos por meio da mediação de intérpretes.

A expectativa no RN é que a nova Central contribua para ampliar a inclusão social e fortalecer a garantia de direitos da população surda, especialmente em atendimentos considerados essenciais, como saúde, assistência social e acesso à documentação.

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Fonte: saibamais.jor.br

mês de festa, resistência e devoção

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Maio cigano: mês de festa, resistência e devoção

Maio, mês dos ciganos. Um povo que segue tendo sua história silenciada ou distorcida pelas narrativas populares, fruto de um imaginário coletivo que insiste em nos estereotipar. São inúmeras referências negativas que perpassam desde a visão popular da bailarina hiperssexualizada e oraculista trapaceira até o cigano ladrão e preguiçoso, como já nos adverte o pesquisador e cigano Rom, Ian Hancock. A indústria cultural favorece estas imagens de controle: em novelas e programas de auditório, seguem representando os povos ciganos de maneira pejorativa, desvalorizando o caráter plural de nossas identidades e fixando-nos em um lugar simplista do “exótico” ou criminoso.

Um povo historicamente perseguido e desumanizado, sem direito à educação ou a atendimentos dignos na área da saúde em todo o mundo. Pessoas que tiveram suas casas e tendas derrubadas, sofreram com falsas acusações policiais e, até hoje, sofrem com a desinformação e o preconceito dos não ciganos. Somos muitos, somos diversos, mas sempre referenciados de forma genérica como “ciganos”, sendo destituídos de nossas culturas e tradições particulares de cada grupo étnico e clã.

Além disso, com o crescente número de adeptos à religião da Jurema Sagrada, tem se tornado cada vez mais comum o número de pessoas que se caracterizam com acessórios e vestimentas ciganas e performam nossa existência em alguns terreiros. O mesmo cenário acontece com cartomantes e oraculistas que se autointitulam ciganas. Hoje, muitos ateliês se ocupam em confeccionar nossos vestidos e saias, que são fascinantes, mas, como afirma a romi Vivian, “dor coletiva não é performance espiritual. Sangue não é tendência.”

Muitos se referem ao povo cigano como um povo desapegado e livre, mas não assumem a responsabilidade sobre os seus antepassados que nos perseguiram e nos impediram de fixar residência. É fácil romantizar uma cultura quando não se vê o sangue derramado em mais de 500 anos de escravidão. Eu, mais que ninguém, sempre que falo sobre as culturas dos povos que percorrem minhas veias, busco “falar de nós vencendo”, como sugere nosso grande filósofo quilombola, Nêgo Bispo. Mas, diante de tanta fantasia que cerca a realidade e de pessoas assumindo o lugar de fala de pessoas que sofreram e sofrem, até os dias de hoje, com o descrédito e a desconfiança, não dá pra ficar em silêncio e não relembrar um passado que a fantasia coletiva insiste em enterrar.

Precisamos lembrar dos nossos primos Rom e Sinti que morreram nos campos de Auschwitz-Birkenau, os chamados “campos familiares ciganos”. Vocês sabem disso ou a comoção de vocês é seletiva? Felizmente, existe algo que nunca conseguiram matar: a nossa força. E, em nome de todos os Rom e Sinti que sofreram com o holocausto cigano, o dia 16 de maio de 1944 ficou conhecido como o Dia Internacional da Resistência Roma e Sinti.

É por esta razão que, no dia 16 e no dia 24 de maioDia de Santa Sara Kali, a padroeira de muitos ciganos que vivem em países como França e Brasil —, nos ajoelhamos, acendemos velas e elevamos nosso coração em prece, pedindo dias de paz para o nosso povo. São dias de introspecção, silêncio, respeito e oração. Graças a Ela e, principalmente, a Kristesco, nos ajoelhamos para depois seguirmos firmes, de pé.

No Brasil, foram muitos os caminhos já percorridos e, sem dúvida, obtivemos avanços significativos para a nossa comunidade Romani, como o decreto do Dia Nacional dos Povos Ciganos (2006) e o Plano Nacional de Políticas para os Povos Ciganos (2024), visando combater o preconceito e a discriminação. Há ainda o Estatuto dos Povos Ciganos, que se trata de um projeto de lei que visa garantir a inclusão social, política e econômica dos povos ciganos, combatendo a discriminação e a intolerância étnica, além de proteger nossos direitos.

Aqui na cidade de Natal, não podemos esquecer dos esforços incansáveis do nosso Kaku e ciganólogo, Zarco Fernandes, que, apesar dos anos, das portas fechadas e da falta de apoio de lideranças políticas, segue sendo um dos maiores pesquisadores do Brasil, mantendo viva a nossa história e repassando-a para nós em grupos de estudo e discussão. Zarco é nossa referência de luta e resiliência. É a pessoa que nos inspira e nos dá forças para seguir pelas estradas da vida.

Outra pessoa importante é a romi Luna Yasmina, que há anos ensina a dança e a cultura cigana no Studio Alma Cigana com muito amor e dedicação, apesar das intempéries da vida. Nosso coletivo de dança é formado por ciganas e não ciganas que amam a cultura do povo Romani, mas também estudam sobre um passado doloroso e cruel. Cada gesto, cada balançar de saias ao vento é mais que uma apresentação: é um movimento poderoso de mulheres que buscam manter vivo nosso legado.

Não somos nada sem nossos mais velhos. Não somos nada sozinhas. Somos fortes e resistentes porque sempre estivemos juntos, e desistir nunca foi uma opção. Dançamos, rezamos e celebramos a vida de quem deu a vida por nós. Mantchê!

Ana Paula Campos (Lua Callin)- Indígena Potyguara, Cigana Calon, mãe atípica, candomblecista e juremeira, Professora da rede pública, escritora, pesquisadora orgânica, bailarina e cartomante.

Fonte: saibamais.jor.br

A farsa do vaqueiro

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A farsa do vaqueiro

A enxurrada de comentários veio como sempre vem: disfarçada de opinião, embrulhada em moralismo barato e perfumada com hipocrisia de curral. Bastou eu repostar uma publicação da Associação TRANSERIDÓ para aparecer um vaqueiro desses de masculinidade encourada, berrando nos comentários se nós, pessoas Trans e Travestis, éramos “normais”.

Engraçado como certos homens perguntam em praça pública aquilo que já responderam no privado. Porque o mesmo sujeito que espuma ódio no Instagram é, muitas vezes, o mesmo que manda “oi, delícia” no meio da manhã. O mesmo que pergunta endereço, manda nude tremido no sigilo e pede discrição como quem está negociando segredo de Estado. No curral da macharia, posa de garanhão moralista; no escuro do WhatsApp, vira poeta do desejo proibido. E depois nós é que somos as farsantes?

Ah, me poupe!

Chamaram a gente de zumbi, múmia, “não-gente”. E eu fiquei pensando como deve ser triste uma vida tão vazia que precise transformar o ódio em passatempo. Porque ninguém que esteja em paz consigo mesmo acorda disposto a perseguir existências alheias na internet. Isso não é convicção. Isso é buraco emocional com acesso à internet.

Eu sempre digo: a gente externaliza aquilo que é. O amor, a raiva, a frustração, a inveja, tudo escapa pelos dedos, pelos comentários, pelas violências miúdas do cotidiano. E aquele homem lá, tão empenhado em nos desumanizar, talvez esteja apenas tentando fugir da própria verdade. Tenho minhas dúvidas sobre quem está “fantasiado” nessa história. Afinal, na boca dessa gente, somos farsantes.

Nós, Travestis e mulheres Trans, sentimos muita coisa antes mesmo que nos contem. A gente sabe pelo olhar torto, pela voz que muda de tom, pelo desejo mal resolvido escondido atrás da Bíblia, da fivela grande ou da foto com filtro de vaquejada. Tomando emprestado o bordão amplamente divulgado em forma de meme pelas gigantes Thabatta Pimenta e Nicole Bahls: “a gente que tem prótese sente, né, Nicole?”. E sente mesmo. Sente quando o desprezo vem carregado de atração. Sente quando o insulto é só desejo frustrado vestido de ódio.

O curioso é que tentam nos reduzir a “corpinhos para usar e descartar”, sem perceber que também aprendemos a olhar esses homens com a frieza que eles mesmos cultivaram. Porque sobreviver neste país sendo Travesti é aprender cedo que romantizar certas masculinidades pode custar a própria vida.

E ainda assim seguimos.

Seguimos montadas, trabalhadas no brilho, na coragem e na afronta. Seguimos ocupando ruas, universidades, redações, movimentos sociais e até os pesadelos dos conservadores. Não clamamos aos deuses porque, sinceramente, temos ocupado muito bem esse cargo. Somos entidades femininas, faraônicas, quase mitológicas. Sobrevivemos a espancamentos simbólicos e reais, ao abandono familiar, à fetichização e ao deboche cotidiano. Uma Travesti brasileira já acorda todo dia vencendo uma pequena guerra civil.

Então quando um cidadão qualquer aparece nos comentários perguntando se somos normais, talvez a pergunta precise voltar para ele como um espelho mal-educado:

Normal é desejar escondido aquilo que você agride em público?

Normal é transformar frustração pessoal em cruzada moral?

Normal é viver uma vida inteira encenando uma masculinidade que desmorona no primeiro “online” do WhatsApp?

Porque, veja bem, eu até aceito ser chamada de exagerada, debochada, escandalosa. Agora farsante? Logo nós?

Meu amor… farsante é quem passa o dia performando ódio e a madrugada implorando atenção de Travesti.

Fonte: saibamais.jor.br

Com apoio de lideranças estaduais, Jorge inicia caminhada rumo à Assembleia

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Em clima de emoção, entusiasmo e forte mobilização popular, Jorge do Rosário lançou oficialmente sua pré-candidatura a deputado estadual durante um grande encontro realizado na noite desta quinta-feira (21), no Hotel Villa-Oeste, em Mossoró.

Com o salão de eventos completamente lotado e centenas de pessoas ocupando também as áreas externas do local, o evento reuniu lideranças políticas, apoiadores e representantes de diversos municípios da região Oeste. A estimativa é de que pelo menos mil pessoas participaram da mobilização.

Durante o discurso, Jorge destacou a necessidade de Mossoró e da região voltarem a ter uma representação forte e atuante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

“O povo clama e quer voltar a ter representatividade forte na Assembleia Legislativa. Quero ser deputado para levar a voz do povo pra AL, garantir segurança e emprego para a população”, afirmou.

Emocionado, Jorge também ressaltou sua trajetória pública e pessoal, defendendo uma política pautada pela honestidade e compromisso com a população.

“Minha história fala por mim, de mãos limpas, quero levar os sonhos de vocês para um mandato que possa se traduzir em uma vida melhor para todos”, declarou sob aplausos e gritos da multidão.

O evento contou ainda com a presença do pré-candidato a vice-governador Babá Pereira, além dos pré-candidatos a deputado federal Dr. Heider e Cabo Dayvison, que irão formar dobradinha política com Jorge no pleito de 2026.

Diversas lideranças estaduais também participaram por meio de mensagens em vídeo, entre elas o senador Rogério Marinho, o deputado General Girão e o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio.

O ato político marcou o início oficial da caminhada de Jorge rumo à Assembleia Legislativa, em um evento marcado por forte participação popular e demonstrações de apoio à pré-candidatura.

Emenda apoiada por Girão, Gonçalves e João Maia é retirada após críticas

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Deputados do RN assinam emendas contra fim imediato da escala 6x1

Partidos da direita e do Centrão anunciaram nesta quarta-feira (20) a retirada de tramitação da emenda que mantém a jornada de trabalho de 44 horas semanais para atividades essenciais e estabelece um prazo de 10 anos para que a redução para 40 horas entre em vigor. O anúncio veio após a reação negativa da medida, que foi assinada por três deputados federais do Rio Grande do Norte: General Girão (PL), Sargento Gonçalves (PL) e João Maia (PP). 

O comunicado partiu dos líderes do MDB, Republicanos, PSD, Podemos, União Brasil, PP e da federação PSDB-Cidadania. Em nota conjunta, eles afirmaram que diante de dúvidas sobre os reais efeitos da emenda nº 1 à PEC que altera a escala 6×1, os líderes do bloco, que totaliza 272 deputados, apresentaram requerimento para solicitar ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) a retirada de tramitação da emenda, “a fim de evitar distorções que comprometam a clareza do debate e a compreensão da proposta.”

A nota é assinada por Isnaldo Bulhões Jr., líder do MDB e do bloco parlamentar, Augusto Coutinho, líder do Republicanos, Antonio Brito, líder do PSD, Rodrigo Gambale, líder do Podemos, Pedro Lucas Fernandes, líder do União Brasil, Doutor Luizinho, líder do PP, e Adolfo Viana, líder da federação PSDB-Cidadania.

A emenda assinada por deputados da oposição também permitia que as empresas aumentassem em até 30% da jornada o teto em caso de acordo individual ou por instrumentos coletivos, o que poderia elevar a carga horária para 52 horas. A emenda à proposta que reduz a jornada de trabalho (PEC 221/19) foi apresentada pelos deputados Sérgio Turra (PP-RS) e Tião Medeiros (PP-PR) na última quinta-feira (14) com apoio de mais de 100 deputados da oposição — incluindo os três do RN.

Saiba Mais: Deputados do RN assinam emendas contra fim imediato da escala 6×1

A medida apontava que as atividades essenciais que manteriam o limite de 44 horas seriam aquelas que possam comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas. Apesar disso, o prazo para apresentação de sugestões à PEC que acaba com a jornada 6×1 já terminou. 

A proposta original em análise por uma comissão especial da Câmara também prevê um prazo de 10 anos para a vigência da redução da jornada, mas a ideia era reduzir a jornada máxima de 44 horas para 36 horas semanais.

A medida atendia a uma reivindicação do empresariado. Na última sexta-feira (15), a comissão da Câmara que analisa o fim da escala 6×1 realizou uma audiência pública em Porto Alegre (RS). O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul, Leonardo Dorneles, esteve presente e defendeu um tempo de transição maior. Já nesta segunda (18), outra audiência no Congresso contou com a participação de empresários, que sugeriram que a redução da jornada de trabalho no Brasil seja feita por meio de negociação coletiva e não por uma mudança na Constituição Federal.

Por outro lado, a redução da jornada de trabalho encontra respaldo na maioria da população do país. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda mostra que 68% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1 de trabalho, enquanto outros 22% se dizem contra a proposta.

O relatório sobre a redução da jornada estava previsto ser apresentado nesta quarta (20) na comissão especial. No entanto, o relator da proposta, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), afirmou na terça-feira (19) que o parecer sobre o fim da escala 6×1 deve ser apresentado na próxima segunda-feira (25).

Os deputados Fernando Mineiro e Natália Bonavides, ambos do PT do Rio Grande do Norte, participam da comissão na condição de suplentes e defendem a redução da jornada de trabalho.

O ponto de partida para as discussões no Congresso são Propostas de Emenda à Constituição apresentadas pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e pela deputada Erika Hilton (Psol-SP): a primeira (PEC 221/19) com previsão de redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas; e a segunda (PEC 8/25) com escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Além desses dois textos, o presidente Lula também enviou ao Congresso, em abril, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.

Fonte: saibamais.jor.br

São Gonçalo do Amarante: MPRN obtém condenação de homem a 41 anos e 6 meses de prisão por feminicídio contra adolescente

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MPRN obteve a condenação do réu que cometeu feminicídio contra uma adolescente, além de estupro de vulnerável, ocultação de cadáver e fraude processual

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve a condenação de Alex Moreira Silva a uma pena de 41 anos de reclusão, 6 meses de detenção e 30 dias-multa. Ele foi condenado pelo feminicídio contra uma adolescente, além de estupro de vulnerável, ocultação de cadáver e fraude processual.

O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri de São Gonçalo do Amarante nesta quinta-feira (21). A decisão acolheu integralmente os pedidos apresentados pelo MPRN durante as etapas do processo penal.

Crimes

Os crimes aconteceram no dia 31 de outubro de 2024, por volta das 12h30. A execução do crime começou no momento em que a vítima se deslocava para uma escola em São Gonçalo do Amarante. O réu completou os atos criminosos em uma área de mata localizada no município de Extremoz.

A vítima foi Maria Fernanda da Silva Ramos, uma adolescente de 12 anos de idade. Ela desapareceu no caminho para a escola após ser abordada por um carro vermelho com carroceria. Depois de conversarem por cerca de 10 minutos, a adolescente entrou no veículo, que seguiu para um rumo desconhecido.

A investigação da polícia identificou o veículo de modelo GM/S10 vermelho por meio de imagens de câmeras de segurança. O automóvel estava registrado em nome de outra pessoa, mas os policiais constataram que o verdadeiro proprietário era Alex Moreira Silva. O acusado foi localizado no município de Monte Alegre.

Confissão

Ao ser detido, o homem confessou que tirou a vida da vítima e indicou o local onde estava o corpo. Ele relatou que teve relação sexual com a adolescente e que ela teria se arrependido, afirmando que contaria o ocorrido para integrantes de uma facção criminosa. Diante disso, o réu cometeu o assassinato e escondeu o cadáver.

O réu também confessou que incendiou o veículo utilizado na ação criminosa. Ele adotou essa medida com o objetivo de esconder as provas dos crimes e evitar que a autoria do feminicídio fosse descoberta pela polícia. O corpo da adolescente e o veículo queimado foram localizados exatamente no ponto indicado pelo acusado.O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri reconheceu a materialidade e a autoria de todos os crimes imputados.

Os jurados rejeitaram a tese apresentada pela defesa, que pedia a desclassificação do crime para homicídio simples sob o argumento de que não houve motivação baseada na condição do sexo feminino.

A Justiça fixou o cumprimento inicial da pena em regime fechado e determinou o início imediato do cumprimento da pena por se tratar de uma decisão soberana do júri. O réu continuará preso preventivamente e terá que pagar as custas do processo.

Rogério anuncia mudança de marqueteiro de Flávio em meio à crise com Vorcaro

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Rogério anuncia mudança de marqueteiro de Flávio em meio à crise com Vorcaro

O senador potiguar Rogério Marinho (PL), coordenador-geral da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, comunicou nesta quarta-feira (20) a mudança na chefia de chefia de comunicação do presidenciável. Foi a primeira baixa anunciada na equipe depois da crise gerada pela revelação de conversas e do encontro entre Flávio e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O comunicado veio às 22h. Rogério disse que a decisão partiu do então marqueteiro, Marcello Lopes, que teria pedido para deixar a coordenação de comunicação para dedicar-se integralmente aos seus projetos empresariais.

“A pré-campanha agradece a Marcello pela contribuição prestada durante o período em que esteve à frente da área e deseja sucesso em seus novos desafios”, diz a nota assinada por Rogério Marinho.

Em seu lugar, entra Eduardo Fischer, profissional com mais de três décadas de experiência no mercado publicitário brasileiro e eleito Publicitário do Ano em cinco ocasiões.

“Inicialmente, Eduardo Fischer atuará na estruturação da equipe e na definição das diretrizes estratégicas da comunicação, assumindo posteriormente a coordenação da área. A transição ocorrerá de forma planejada e gradual, assegurando a continuidade das ações e o alinhamento dos objetivos da pré-campanha”, prossegue o comunicado.

A base bolsonarista foi pega de surpresa com a revelação, pela imprensa, de materiais que comprovam a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. 

Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.

Saiba Mais: Áudio vazado de Flávio Bolsonaro com banqueiro investigado repercute entre políticos do RN

Já na terça (19), Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.

Até a semana passada, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.

Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.

Nos últimos dias, Flávio também passou por sessões de ‘media training’ —  um treinamento de comunicação voltado para lidar com a imprensa e entrevistas públicas — conduzidas por seus advogados, assessores e por Rogério Marinho, segundo revelou a jornalista do UOL, Letícia Casado. O objetivo foi preparar Flávio para lidar com os questionamentos sobre o dinheiro para o financiamento do filme Dark Horse.

Fonte: saibamais.jor.br