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Justiça cobra dados mensais sobre perda de areia na engorda

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Morro do Careca perdeu metade da areia depositada na engorda de Ponta Negra

A Prefeitura de Natal terá que fornecer, mensalmente, dados de acompanhamento da volumetria de areia na engorda da praia de Ponta Negra. A determinação é da Justiça Federal do Rio Grande do Norte e atende a um pedido do Ministério Público Federal. A decisão cita um estudo realizado pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), que indicou uma perda de sedimentos de 39% a 51% em diferentes áreas da engorda.

A decisão da última quarta-feira (17) foi assinada pelo juiz federal Magnus Augusto Costa Delgado, da 1ª Vara Federal do Rio Grande do Norte. O MPF entrou com uma ação civil pública para que a Prefeitura resolvesse possíveis irregularidades técnicas e omissões administrativas no sistema de drenagem pluvial da praia de Ponta Negra, as quais estariam comprometendo a integridade da obra de aterro hidráulico e gerando danos ambientais e sanitários na região. 

A Prefeitura iniciou a execução da obra de engorda com o aporte de recursos federais, mas o MPF sustentou que a administração municipal negligenciou a reforma necessária do sistema de drenagem pluvial, priorizando o aterro hidráulico por conveniência orçamentária e política, em detrimento da funcionalidade técnica do conjunto ambiental e urbanístico. 

Saiba Mais: Morro do Careca perdeu metade da areia depositada na engorda de Ponta Negra

Relatórios técnicos acostados aos autos indicaram a existência de falhas estruturais críticas, tais como galerias obstruídas por sedimentos, tubulações inoperantes e a ausência de mecanismos eficazes de dissipação de energia das águas pluviais. “Tal cenário resulta no acúmulo de águas servidas, que atingem profundidades superiores a 90 centímetros na via pública, além de favorecer a proliferação de vetores e a contaminação por esgoto clandestino”, diz trecho do documento.

O MPF destacou ainda que a ineficiência da drenagem atua como agente erosivo direto sobre o novo aterro, colocando em risco a vida útil de investimento público de alto valor e acelerando o processo de degradação no sopé do Morro do Careca, patrimônio geológico e turístico do Rio Grande do Norte. 

Pedidos

Em sede de tutela provisória de urgência, o MPF requereu: 

a) a apresentação, em até 15 dias, do Projeto Executivo completo, memória de cálculo e modelagem hidrodinâmica atualizada, além dos contratos das empresas executoras; 

b) o fornecimento mensal dos dados de acompanhamento da volumetria de areia no aterro; 

c) a execução, em 30 dias, de obras emergenciais de manutenção e limpeza semanal dos dispositivos de drenagem; 

d) a interdição e o isolamento de áreas de risco e dissipadores com erosão ou águas contaminadas; 

e) a interdição da base do Morro do Careca para garantir a incolumidade de frequentadores; 

f) a suspensão da emissão de novas licenças urbanísticas que impliquem adensamento ou impermeabilização do solo na área afetada até a reestruturação do sistema. 

O juiz Magnus Augusto Costa Delgado deferiu parcialmente a tutela de urgência. Em relação ao fornecimento mensal de dados de volumetria de areia, o magistrado afirmou que a transparência e o monitoramento contínuo são imperativos em obras de grande impacto ambiental e vultoso investimento público. 

“O dever de prestação de contas e fiscalização em intervenções estruturantes, garante a integridade do patrimônio público e ambiental”, disse o juiz.

Entretanto, quanto aos demais pedidos, referentes a obras emergenciais, interdições e suspensão de licenças, o magistrado negou os pedidos. 

“Tais medidas possuem caráter drástico e demandam dilação probatória técnica (perícia judicial), sob pena de configurar ingerência indevida na esfera administrativa e risco de dano reverso. A interdição de estruturas ou da base do Morro do Careca, sem prova inequívoca de risco geotécnico iminente, poderia agravar o escoamento descontrolado das águas, conforme alertado pelo ente municipal”, argumentou.

Perda de areia

A perda de areia na engorda, citada no documento, foi constatada em um relatório comparativo da Funpec, que observou a situação da engorda entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 e dividiu a análise em três pontos: área A (Via Costeira), área B (Ponta Negra) e área C (Morro do Careca). No período de um ano, o volume de areia no Morro do Careca saiu de 214,2 mil m³ para 103,1 mil m³, uma redução de 111,1 mil m³ (-51,87%).

A Via Costeira apresentou a maior redução absoluta, com perda de 207.059,2 m³, correspondendo a aproximadamente 49,74% do volume inicialmente disposto. Já a área B (Ponta Negra) registrou perda volumétrica de 82.748,3 m³, o que corresponde a 21,21% do volume inicial. No total, a redução total de areia foi de 39,27%.

Área Fev. 2025 Fev. 2026 Diferença de volume Erosão
Via Costeira  416,3 mil m³ 209,2 mil m³ 207,0 mil m³ 49,74%
Ponta Negra 390,2 mil m³ 307,4 mil m³ 82,7 mil m³ 21,21%
Morro do Careca 214,2 mil m³ 103,1 mil m³ 111,1 mil m³ 51,87%
Total 1,02 milhão m³ 619,8 mil m³ 400,9 mil m³ 39,27%

Fonte: Funpec

O relatório aponta que houve perda de sedimentos em todas as zonas analisadas, ainda que processos naturais, como o transporte de sedimentos do fundo oceânico para a zona emersa, possam gerar acréscimos temporários e localizados no estoque arenoso.

De acordo com a conclusão do documento, a análise dos dados evidencia que o aterro hidráulico apresentou efeito temporário em alguns pontos. A engorda aumentou o estoque sedimentar na maior parte da praia, sobretudo na Zona B (Ponta Negra), mas não conseguiu conter os processos erosivos no extremo sul, na Zona C (Morro do Careca), onde os processos naturais associados à drenagem concentrada continuam a atuar como principal agente de instabilidade.

Episódios críticos de erosão

O estudo revela que, durante o período analisado, ocorreram quatro eventos críticos de rompimento do aterro hidráulico. O primeiro foi em 6 de fevereiro de 2025, poucos dias após a entrega da obra, quando uma voçoroca se abriu e precisou ser aterrada. 

Saiba Mais: Engorda: Ponta Negra tem quiosques fechados e turistas revoltados

O segundo episódio aconteceu em 18 de junho do ano passado, quando novo rompimento causou erosão no sopé do Morro do Careca, desta vez sem recomposição imediata. Ambos os episódios foram desencadeados pela concentração de fluxos oriundos da drenagem da área urbana adjacente à praia, ocasionando o extravasamento dos dissipadores que acabou direcionando o fluxo de água de grande parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.

Saiba Mais: Engorda da praia de Ponta Negra volta a alagar mais uma vez

O terceiro foi em outubro de 2025 em que se observou acúmulo de água na região pós-praia da engorda. A situação foi ocasionada, segundo o estudo, por uma maré alta coincidente com a superlua.

Saiba Mais: Mar avança sobre engorda de Ponta Negra e derruba cerca do Morro do Careca

O quarto foi novamente desencadeado pela concentração de fluxos de água pluviais adjacente à praia em fevereiro de 2026, direcionando o fluxo de água de parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.

Saiba Mais: Área da engorda da praia de Ponta Negra volta a alagar após chuvas

Fonte: saibamais.jor.br

Projeto garante destaque a autores potiguares em livrarias de Natal

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Um projeto de lei aprovado em Natal garante espaço para autores potiguares nas vitrines de livrarias de Natal. O PL 418/2025, do vereador Daniel Valença (PT), estabelece a exibição mínima de dois títulos, respeitada a equidade de gênero. 

O projeto foi aprovado em segunda discussão em 11 de junho. A exposição dos livros deverá ser permanente, ficando a critério das livrarias a escolha dos títulos e autores, em caráter rotativo.

Em caso de descumprimento, os estabelecimentos poderão ser notificados ou receber multa, em caso de reincidência.

Saiba Mais: RN amplia acesso a bibliotecas em escolas do interior e periferias

Após a aprovação, Daniel Valença afirmou que a proposta foi construída em diálogo com autores e autoras do Rio Grande do Norte.

“Queremos ampliar a visibilidade da produção literária potiguar e fortalecer as políticas públicas voltadas ao livro e à leitura em Natal. É uma iniciativa que valoriza nossa cultura e incentiva o acesso da população à literatura local”, explicou o parlamentar.

Na justificativa da matéria, o vereador destacou a riqueza da literatura produzida no estado e a necessidade de visibilidade para estas obras.

“Indiscutivelmente as livrarias exercem papel relevante na formação de leitoras e leitores, influenciando diretamente o interesse do público leitor. Ao se garantir espaço para obras de autores locais, essas livrarias contribuem para a democratização da cultura, fortalecem a identidade regional e apoiam a cadeia produtiva literária no Estado”, informou.

“Trata-se, inclusive, de medida de baixo custo para as livrarias, mas com um impacto simbólico e prático na promoção da literatura potiguar”, prosseguiu o parlamentar.

O texto aguarda a sanção do prefeito Paulinho Freire (União). 

Veto a bibliotecas

Em dezembro, o chefe do Executivo vetou integralmente um outro projeto de lei que tornava obrigatória a implantação de bibliotecas nas instituições de ensino público municipal.

Saiba Mais: Paulinho veta projeto que estabelecia obrigatoriedade de bibliotecas em escolas

O texto, de autoria da ex-vereadora e atual deputada estadual Divaneide Basílio (PT), foi subscrito por Brisa Bracchi (PT) e Daniel Valença (PT). A proposta determinava que toda escola da rede pública do município deveria obrigatoriamente implantar e manter sua biblioteca, dando preferência às demandas oriundas dos conteúdos curriculares de suas respectivas séries, módulos, ciclos e etapas.

O texto foi aprovado em primeira discussão em 11 de novembro, numa sessão plenária acompanhada por estudantes, bibliotecários e professores do curso de Biblioteconomia da UFRN, e em segunda discussão em 13 de novembro. Já o veto foi assinado em 5 de dezembro.

O prefeito justificou que o projeto é inconstitucional, por adentrar indevidamente na esfera de competência privativa do chefe do Poder Executivo Municipal. 

“Embora apresente linguagem de caráter educativo, o texto cria obrigações administrativas concretas para órgãos da Administração (especialmente a SME), definindo tarefas, atribuições,metas, modelos de organização, responsabilidades funcionais e exigências operacionais que configuram verdadeira política pública educacional. A implantação, estruturação física, aquisição de acervo, contratação de profissionais habilitados, organização dos serviços de biblioteconomia,ações pedagógicas, planejamento orçamentário e operacionalização de sistemas são providências que integram o núcleo de gestão administrativa, cuja definição compete privativamente ao Poder Executivo”, disse trecho da justificativa.

Em publicação nas redes sociais, o Comitê Norte-Rio-Grandense de Bibliotecários (CNRB) criticou o veto e disse que “o atual prefeito posiciona-se contra políticas públicas voltadas à melhoria da educação.”

“Ademais, a Prefeitura de Natal segue ignorando a presença de bibliotecários em seu quadro de servidores. Todas as escolas devem possuir bibliotecas — e isso é garantido pela Lei Federal nº 14.837/2024. As bibliotecas, quando funcionam de forma articulada ao Projeto Político-Pedagógico, contribuem significativamente para o desempenho dos estudantes”, disse.

Fonte: saibamais.jor.br

Segunda de samba, jazz, feira livre e forró pé de serra em Natal

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A segunda-feira em Natal chegou com aquele recado importante: a semana mal começou, mas a preguiça já perdeu a disputa. Tem recital na Escola de Música da UFRN com Arthur Souza às 17h e Gisele Paixão às 20h, jazz no Bar de Nazaré a partir das 19h e até uma “Segunda de Vagabundo” nas Rocas, porque nem todo mundo leva o nome do evento ao pé da letra. Para quem prefere um passeio tranquilo, a Feira Raimundo Costa, no Zé Reeira, abre os trabalhos às 16h com entrada gratuita.

Já quem não resiste a um bom arrasta-pé ou a um samba caprichado encontra opções para todos os gostos: tem Forró do Candieiro na Casa do Matuto, forró pé de serra no Vilarte e o Samba do Véi no Seu Chico Botequim. Em Ponta Negra, os fãs do Rei ainda podem cantar junto na playlist dedicada a Roberto Carlos, na Taverna Pub. E se a vontade for apenas curtir o ar-condicionado e uma boa história na telona, os cinemas da cidade também seguem com programação variada para fechar a noite em grande estilo.

MÚSICA ________________________

Jazz Band no bar de Nazaré  | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Bar de Nazaré (rua Coronel Cascudo, Cidade Alta)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Gratuita

Segunda de Vagabundo | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Rua Pereira Simões, 43 B, Rocas
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @jazzbardanazare

Zé Reeira: Feira Raimundo Costa | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Zé Reeira (Rua Professor Zuza, Cidade Alta – ao lado do IFRN)
HORÁRIO | 16h
ENTRADA | Gratuita

Serginho Fonseca, no Taverna Pub | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Taverna Pub (rua Dr. Manoel A B de Araújo, 500, Ponta Negra)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | R$ 15

Recital do pianista Arthur Souza | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Cel João Medeiros, 725, Lagoa Nova)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | gratuito
INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn

Recital Gisele Paixão | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Cel João Medeiros, 725, Lagoa Nova)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | gratuito
INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn

Samba do Véi: Bolinha do Cavaco e Pagode S.O.S | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Seu Chico Botequim (Av. Engenheiro Roberto Freire, 8750, Capim Macio)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @seuchicobotequim

Forró do Candieiro, na Casa do Matuto | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Casa do Matuto (Av. Presidente Café Filho, 700, Praia do Meio, Natal)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @casadomatutonatal

Forró pé de serra no Vilarte | 22.06 SEGUNDA
LOCAL | Vilarte (Av. Engenheiro Roberto Freire, 4090, Ponta Negral)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @shoppingvilarte

CINEMA _______________________

Confira as programações completas:
MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira.
CINÉPOLIS, Natal Shoppin
CINEMARK, Midway Mall
CINEFLIX, Partage Norte Shopping



Fonte: saibamais.jor.br

Suspeita de comida estragada leva 500 presos a atendimento médico em Mossoró

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Cerca de 500 detentos de unidades prisionais de Mossoró receberam atendimento médico após apresentarem sintomas de infecção intestinal nos últimos dias. Os casos foram registrados na Cadeia Pública Manoel Onofre de Souza e no Complexo Penal Estadual Agrícola Dr. Mário Negócio, que juntos abrigam aproximadamente 1,5 mil presos.

A principal suspeita da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (Seap) e da Secretaria Municipal de Saúde é de que os sintomas tenham sido provocados pela alimentação fornecida às unidades. Entre os relatos recebidos pelas autoridades estão reclamações sobre refeições com odor forte e até a presença de larvas nas quentinhas distribuídas aos internos.

A secretária municipal de Saúde de Mossoró, Morgana Dantas, confirmou que recebeu, na última sexta-feira (19), um pedido de reforço emergencial dos diretores das duas unidades prisionais diante do aumento dos casos de diarreia, vômitos e febre entre os detentos.

Para atender a demanda, o município deslocou uma força-tarefa composta por 12 profissionais de saúde, entre eles quatro médicos, além de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Os internos receberam hidratação e tratamento medicamentoso ainda dentro das unidades prisionais.

Segundo a Seap, cerca de um terço da população carcerária das duas unidades apresentou algum tipo de sintoma gastrointestinal. Apesar do elevado número de casos, não houve necessidade de transferências para hospitais da rede pública.

A preocupação das autoridades era evitar justamente um cenário de internações em massa. Caso centenas de presos precisassem de atendimento hospitalar simultaneamente, haveria impacto tanto na disponibilidade de leitos quanto na logística de segurança necessária para escolta dos pacientes.

Enquanto o atendimento era realizado, amostras das refeições servidas pela empresa Líder Refeições foram recolhidas e encaminhadas para análise laboratorial. O objetivo é identificar se há a presença de bactérias, vírus ou outros agentes que possam ter provocado o adoecimento dos internos.

Diante da situação, a Seap enviou a Mossoró equipes da Vigilância Sanitária, da Ouvidoria do Sistema Prisional e o fiscal responsável pelo acompanhamento do contrato de alimentação. A missão é apurar as circunstâncias do caso e verificar possíveis irregularidades no fornecimento das refeições.

A empresa investigada é responsável pela produção de cerca de 4,5 mil refeições diárias destinadas ao sistema prisional da região. Segundo a Seap, os pagamentos do contrato estão em dia e cabe à fornecedora garantir a qualidade dos alimentos entregues às unidades.

As investigações continuam e os resultados dos exames laboratoriais deverão apontar se os casos têm relação direta com a alimentação servida aos presos ou com outro agente causador da infecção.

SAIBA MAIS:
Criança negra que vendia paçocas é alvo de humilhação em Mossoró; MPRN investiga caso

Fonte: saibamais.jor.br

Garis paralisam atividades em seis cidades do RN por piso salarial nacional

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Responsáveis pela coleta de lixo, varrição de ruas e outros serviços considerados essenciais para a saúde pública das cidades, os trabalhadores da limpeza urbana do Rio Grande do Norte interromperam parcialmente as atividades nesta segunda-feira (22) em seis municípios do estado. A mobilização integra um movimento nacional que reivindica a aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas, que propõe a criação de um piso salarial nacional para a categoria.

A paralisação teve início às 6h e atinge Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim e Mossoró. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Higienização e Limpeza Urbana do RN (Sindlimp-RN), cerca de 40% do efetivo permanece em atividade para garantir os serviços essenciais, conforme determina a legislação.

Segundo o presidente do Sindlimp-RN, Milklenilson Leite, a mobilização tem como principal objetivo pressionar o Senado a pautar a proposta, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Ele argumenta que a regulamentação ajudaria a reduzir as diferenças salariais e de benefícios existentes entre os profissionais da limpeza urbana em diferentes regiões do país.

A entidade informou que a paralisação é temporária e que a expectativa é de retomada integral dos serviços nesta terça-feira (23). O sindicato também orientou a população a evitar colocar lixo para coleta ao longo desta segunda-feira, já que o atendimento pode ser afetado.

O projeto em tramitação no Congresso Nacional estabelece jornada semanal de 40 horas e piso equivalente a dois salários mínimos, com atualização anual. A proposta também prevê adicional de insalubridade em grau máximo, correspondente a 40% do salário-base, além do direito à aposentadoria especial.

O texto ainda reconhece como atividades essenciais da limpeza urbana serviços como coleta de resíduos, varrição de vias públicas, conservação de espaços públicos e destinação adequada dos resíduos para tratamento, reciclagem ou aterros sanitários.

SAIBA MAIS:
Atrasos salariais provocam paralisação no transporte intermunicipal do RN

Fonte: saibamais.jor.br

Casa Durval Paiva inicia venda de tickets físicos do McDia Feliz 2026

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38ª edição do McDia Feliz vai acontecer no dia 22 de agosto. Renda da venda antecipada será totalmente revertida para a realização do Projeto Diagnóstico Precoce 2027

A Casa Durval Paiva inicia a venda antecipada dos tickets da 38ª edição do McDia Feliz, uma das maiores campanhas de mobilização em prol da saúde e educação de crianças e jovens do Brasil. As chances de cura do câncer infantojuvenil são de até 80%, se for diagnosticado precocemente. Neste ano, a ação vai acontecer no dia 22 de agosto (sábado).

A venda de tickets antecipados do sanduíche Big Mac já está disponível, no valor de R$ 21, para venda física na instituição, através do 4006.1600. Ao adquiri-lo, você garante um Big Mac, que será retirado no dia D do McDia Feliz, dia 22 de agosto, e ainda ajuda a Casa Durval Paiva a salvar muitas vidas, pois 100% do valor do tíquete retorna para a instituição e será direcionado para a continuidade do Projeto Diagnóstico Precoce, que capacita profissionais da atenção básica de saúde e estudantes da área, residentes no Rio Grande do Norte.

“O ato da doação pode ser feito em diversas formas e essa é uma delas. A Casa Durval Paiva é feita de afeto e colaboração mútua, valorizando e unindo pessoas. Através da nossa missão, que é acolher a criança e ao adolescente com câncer e doenças hematológicas crônicas, buscando a cura. Além de conscientizar e alertar, de forma ampla, sobre o diagnóstico precoce, que pode salvar muitas vidas”, comenta Rilder Campos, presidente da Casa Durval Paiva.

Acompanhe as redes sociais da Casa Durval Paiva e conheça todas as ações, que estão sendo realizadas pela instituição: @casadurvalpaiva.

Faça parte e ajude a salvar vidas!

Como a escala 6×1 molda a rotina de trabalhadores no RN

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O despertador toca antes do amanhecer para uns. Para outros, o expediente termina quando a noite já tomou conta das ruas. Em comum, todos compartilham uma mesma contagem regressiva: os dias que faltam para a única folga da semana. Para milhares de trabalhadores brasileiros, a escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, não é apenas uma forma de organizar jornadas. Ela influencia a relação com a família, interfere nos estudos, afeta a saúde física e mental e, muitas vezes, determina quanto tempo resta para viver além do trabalho.

O tema ganhou força no debate público nacional nos últimos meses. Movimentos sociais, entidades sindicais e parlamentares passaram a defender mudanças na legislação trabalhista que permitam jornadas menos exaustivas, com mais dias de descanso e melhor distribuição das horas trabalhadas. O assunto rapidamente ultrapassou os corredores do Congresso Nacional e chegou às redes sociais, aos ambientes de trabalho e às conversas cotidianas de quem sente na pele os efeitos de uma rotina marcada por poucos intervalos e pela dificuldade de conciliar emprego, vida pessoal e descanso.

No Rio Grande do Norte, os relatos de trabalhadores ajudam a traduzir o que os números e estatísticas nem sempre conseguem mostrar. São histórias de pessoas que passam boa parte da semana entre deslocamentos, metas, atendimentos e responsabilidades profissionais, enquanto tentam encaixar nos poucos espaços livres atividades simples como estudar, cuidar da saúde, resolver questões domésticas ou passar algumas horas com familiares e amigos.

Só no Rio Grande do Norte, 14,1 mil pessoas trabalham em regime de escala 6 x 1. No Brasil, segundo dados do IBGE, são 14 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, sendo 1,4 milhão empregadas domésticas.

O projeto de Lei que reduz a escala para 5 x 2 e diminui para 40 horas a jornada de trabalho que, hoje, é de 44 horas, foi aprovado na Câmara dos Deputados e tramita atualmente no Senado Federal. A pressão, em ano eleitoral, é para que o PL seja votado antes de outubro.

A Agência Saiba Mais conversou com três trabalhadores desse regime a fim de entender como é na prática a vivência desse regime.

SAIBA MAIS: Fim da escala 6×1 beneficia 141,4 mil trabalhadores no RN

O crachá da empresa simboliza, para muitos trabalhadores, uma jornada de cansaço

Aos 23 anos, Emma Fernandes é uma trabalhadora do setor de telemarketing e acumula cinco anos em jornadas organizadas pela escala 6×1. Recentemente, ela mudou de horário, mas a sensação de que o tempo continua insuficiente permanece. Atualmente, acorda às seis da manhã, se prepara para sair de casa às oito e enfrenta o trajeto de ônibus até chegar ao trabalho por volta das 9h30. O expediente termina às 15h50, mas o retorno para casa faz com que ela só consiga atravessar a porta de casa perto das cinco da tarde. Embora o novo horário tenha reduzido parte do desgaste que vivia anteriormente, a mudança ainda é recente demais para que ela saiba se conseguirá recuperar algo que considera essencial: tempo para si mesma.

Até poucas semanas atrás, a rotina era ainda mais pesada. O turno começava às 14h e terminava às 20h20. Antes disso, era preciso organizar a casa, preparar refeições e enfrentar o transporte público. As pausas durante o expediente somavam poucos minutos e mal permitiam um momento de respiro. Quando chegava em casa, já passava das 21h. O cansaço acumulado transformava o restante do dia em uma extensão do trabalho.

“Eu chegava cansada e não tinha mais tempo de fazer nada além de ir dormir”, relata.

A única folga semanal tampouco representava uma oportunidade real de lazer. Morando distante de áreas de entretenimento e dependente do transporte público, ela afirma que os domingos acabam limitados ao descanso dentro de casa.

“Só dá para dormir e mexer no TikTok. Não dá para ir para muitos lugares porque a maioria é fechada ou longe”, conta.

Para Emma, o impacto da jornada aparece tanto na saúde física quanto na emocional. As horas passadas sentada dificultam a prática de atividades físicas, enquanto o contato constante com clientes irritados e cobranças diárias contribui para o desgaste mental.

“Quando vêm muitos clientes atritados e a gente não tem tempo de respirar, acabo ficando um pouco perturbada”, diz.

A escolha do sacrifício

A percepção de que a vida acontece em um ritmo diferente daquele permitido pela escala também acompanha a consultora de vendas no Shopping, Hanna Haller de 22 anos, que trabalha no regime 6×1 há quatro anos. Ao falar sobre sua rotina, ela resume uma experiência comum entre muitos trabalhadores: a necessidade constante de escolher o que sacrificar. Descansar, estudar, resolver pendências pessoais ou encontrar a família raramente cabem no mesmo dia. Quando uma dessas necessidades é atendida, outra acaba ficando para depois.

No caso dela, a principal consequência foi a interrupção da vida acadêmica. A dificuldade de conciliar horários e o desgaste acumulado ao longo da semana levaram ao abandono da faculdade.

“A rotina se torna exaustiva. Muitas vezes tenho que escolher entre descansar ou fazer outras coisas. Nunca é possível fazer tudo”, afirma.

Ela avalia que os efeitos da escala ultrapassam o cansaço físico e atingem diretamente a saúde mental dos trabalhadores.

“São impactos desgastantes, deixando o trabalhador à beira de surtos psicológicos pela falta de descanso e extrema fadiga física”, diz.

As duas trabalhadoras também enxergam um recorte específico nesse debate. Como mulheres trans, acreditam que a discriminação ainda presente no mercado de trabalho reduz oportunidades e enfraquece o poder de negociação de pessoas trans diante dos empregadores. A consequência, segundo elas, é a aceitação de vagas em condições menos favoráveis por medo de enfrentar o desemprego ou novas barreiras de contratação. Uma delas relata que muitas empresas ainda resistem à contratação de pessoas trans, especialmente quando documentos não foram retificados. A outra afirma ouvir frequentemente relatos de amigas travestis que encontraram apenas empregos marcados pela informalidade, longas jornadas e baixa remuneração.

Dia livre para resolver pendências da semana

A sensação de que o único dia livre nunca é suficiente também aparece no relato de Adauto Nunes Ferreira, de 30 anos, que trabalha há cerca de três anos na escala 6×1. Para ele, o principal problema não está apenas nas horas trabalhadas, mas na impossibilidade de viver plenamente os demais aspectos da vida. O domingo, que deveria representar descanso, costuma ser consumido por tarefas domésticas, compromissos pendentes e necessidades acumuladas ao longo da semana.

“O único dia que a gente tem de folga acaba sendo para resolver várias outras coisas que a gente não conseguiu fazer durante a semana”, afirma.

Na avaliação dele, a possibilidade de contar com mais um dia livre teria impacto direto na convivência familiar, no lazer e até mesmo na forma como as pessoas projetam o futuro.

“A felicidade traz perspectiva de vida. O descanso traz perspectiva de vida”, resume.

Os relatos ajudam a compreender por que o debate sobre a escala 6×1 ganhou tanta repercussão no país. Mais do que uma discussão sobre números ou modelos de jornada, a questão envolve a maneira como trabalhadores distribuem seu tempo entre sobrevivência e bem-estar. Em diferentes profissões, idades e trajetórias, emerge um sentimento semelhante, a impressão de que o trabalho ocupa quase todos os espaços disponíveis, deixando para a vida apenas aquilo que sobra.

Para quem passa seis dias consecutivos entre ônibus, metas, clientes, cobranças e responsabilidades, o descanso deixa de ser apenas uma pausa. Ele se transforma em uma reivindicação por tempo, por convivência e pela possibilidade de existir para além do expediente.

SAIBA MAIS: Fim da escala 6×1: esquerda celebra e bolsonaristas recuam no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Trem do Forró e Banda Grafith levam multidão à última noite do São João de Extremoz

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O encerramento do “Grude em Nós – São João de Extremoz 2026” foi marcado por uma verdadeira multidão na Arena Estrela do Mar. Com o tradicional Trem do Forró lotado e grandes atrações no palco principal, a última noite dos festejos confirmou o evento como um dos maiores e mais prestigiados do Rio Grande do Norte.

A programação começou ainda no percurso entre Natal e Extremoz, com muita música, dança e animação nos vagões do Trem do Forró. Ao chegar à Estação Estrela do Mar, os passageiros foram recebidos pelo cantor Hygo Sanfoneiro, enquanto milhares de pessoas já aguardavam o início dos shows.

Na arena principal, Denny Cruz, Núzio Medeiros e Rafinha mantiveram o público animado durante toda a noite. O ponto alto da programação ficou por conta da Banda Grafith, que encerrou a festa em grande estilo. Com um repertório repleto de sucessos, a banda levou a multidão ao delírio e transformou a arena em um grande espetáculo de música, dança e celebração.

A prefeita Jussara Sales destacou o sucesso do evento e a importância dos festejos para o município. “Além de valorizar nossa cultura e tradições, o São João movimenta a economia local, fortalece o turismo e gera oportunidades para comerciantes e empreendedores”, afirmou.

Nova Central do Cidadão na Ribeira será inaugurada nesta segunda-feira após investimento de R$ 600 mil

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A mais nova Central do Cidadão de Natal será inaugurada nesta segunda-feira (22). Localizada na Avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira, na Zona Leste da capital, a unidade recebeu um investimento de R$ 600 mil em reforma e adaptação, e oferecerá diversos serviços públicos à população. A solenidade de inauguração está marcada para as 10h30 e terá presença da governadora Fátima Bezerra.

Inicialmente, a Central da Ribeira disponibilizará os serviços de emissão de carteira de identidade (RG), além de atendimentos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Sistema Nacional de Empregos (Sine), Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e Secretaria da Fazenda (Sefaz).

Com a inauguração, Natal passará a contar com cinco Centrais do Cidadão, garantindo cobertura de Norte a Sul da cidade. Em todo o Rio Grande do Norte, já são 29 unidades em funcionamento, distribuídas em 24 municípios, reforçando a capilaridade dos serviços estaduais.

Foto : Sandro Menezes

#CentraldoCidadão #Ribeira #Inauguração #Natal #RN

Por um mundo kid-friendly

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Por Lorena Gurgel*

O meu filho era bebê, tinha um ano. Fomos à praia em Natal, minha cidade natal, com direito ao combo potiguar: mar morninho, ginga com tapioca e bebida gelada pra aplacar o calor da Cidade do Sol.

No pós-praia, paramos para almoçar em um restaurante de comida regional que eu amo. Se praia dá sono em adulto, imagine em criança. Claro que ele dormiu no caminho e entrou apagado no restaurante.

Não estávamos com a cadeirinha, por isso o mantive quietinho no meu colo, de bruços, e sentei com ele na cadeira. O peso, somado à impossibilidade de ver meu próprio prato, me deixou um pouco chateada, mas estava resignada. Faz parte da maternidade ter de se virar pra cuidar.

Eis que, como um ser iluminado, surge uma atendente e me pergunta:

– Você quer colocá-lo na redinha?

Olhei, sem entender muito bem o que ela estava falando, cansada da praia e dos quilos que segurava. Respondi:

– Redinha?

Com olhar e voz de uma ternura que nunca esquecerei, ela confirmou:

– Sim, temos uma redinha portátil para as crianças dormirem. Vou trazer e colocar aqui ao lado da mesa.

Foi graças a esse pequeno imenso gesto que consegui almoçar tranquilamente, degustando cada garfada daquele banquete potiguar do qual estava com tanta saudade (na época, eu morava no Rio de Janeiro. Estava em Natal a passeio).

A redinha salvadora.

Na contramão desse gesto que acolheu criança e cuidadores, o que vejo atualmente é uma sociedade que, cada vez mais, trata o público infantil como presença incômoda, quase como uma mosca inconveniente zumbindo ao ouvido.

Hotéis child-free se multiplicam; são comuns restaurantes sem menu infantil ou sequer opções de bebidas saudáveis para crianças; é raro ver espaços públicos com estrutura mínima para famílias; muitas empresas ainda veem os filhos como um gargalo para a produtividade dos seus funcionários. Essa é uma realidade constante, presente, crescente, opressora.

Na Europa, o debate sobre hotéis e espaços “adults only” ganhou força a ponto de autoridades francesas discutirem medidas contra estabelecimentos que excluem crianças. Nos Estados Unidos, uma pesquisa recente apontou que 75% dos entrevistados apoiam algum tipo de experiência “adults only” em restaurantes, seja por meio de áreas separadas, restrições em determinados horários ou ambientes voltados exclusivamente para adultos. Ou seja, a ausência de crianças passou a ser quase um modelo de negócio.

O alto custo para ter um filho também pesa. Um estudo do Insper, feito a pedido do Estadão, estimou que criar um filho até os 18 anos no Brasil pode custar de R$ 480 mil, em famílias de classe C, a mais de R$ 3,6 milhões, em famílias de renda mais alta.

Quando se considera educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, lazer, tempo de cuidado e a sobrecarga invisível (a tal da economia do cuidado), fica evidente que a maternidade e mesmo a paternidade seguem sendo tratadas como responsabilidades privadas, embora sustentem o futuro coletivo.

O decréscimo da natalidade também precisa ser evidenciado aqui. Claro que é fruto de causas profundas, como envelhecimento populacional, autonomia feminina (a qual defendo com faca nos dentes) e aumento dos custos de vida. Mas, para reflexão: será que, em uma sociedade que muitas vezes trata criança como inconveniência, ter filho pode ser tarefa cada vez mais solitária?

A realidade é que, segundo o IBGE, a taxa de fecundidade no Brasil caiu para 1,55 filho por mulher no Censo 2022, a menor já registrada pelo instituto e abaixo do nível de reposição populacional. O envelhecimento da população também avança.

Em Portugal, o envelhecimento é ainda mais visível: em 2024, havia 192,4 pessoas idosas para cada 100 jovens, e as crianças e adolescentes até 17 anos representavam apenas 15,5% da população. Para terem uma ideia, no bairro onde moro, em Portugal, meu filho é a única criança numa fileira de quatro prédios. Claro que é o astro da rua – e ele, leonino que é, adora.

Meu filho estuda em escola pública em Portugal. Alimentação, vestuário e lazer me parecem ligeiramente mais acessíveis aqui.

Embora em alguns aspectos seja mais barato ter filhos, a realidade em terras lusas não é tão diferente. A União Europeia registrou, em 2024, taxa de fecundidade de 1,34 filho por mulher, a menor desde o início da série histórica europeia.

Veja bem, com esses dados, não defendo que famílias tenham mais filhos. Cada pessoa tem o direito de escolher se quer ou não, e está tudo bem se optar por não ter. O que trago aqui é a possível ligação entre a queda da natalidade e a dificuldade em criar crianças em um mundo que muitas vezes as ignora e/ou hostiliza. Não é o principal fator, mas o contexto social pode, sim, impactar negativamente.

Na minha humilde percepção oficiosa, o que vejo é o espaço para crianças encolhendo tanto nas vidas de pessoas que conheço quanto nos ambientes coletivos que frequento.

Vivemos num sistema que empurra as crianças para um não-lugar. A sensação é de rumarmos para um estágio em que não haverá acolhimento nem incentivo para que esses pequenos existam plenamente no mundo. Só que nos esquecemos de um fator essencial: as crianças são o futuro da humanidade. Sem elas, como sobreviveremos enquanto espécie?

A lógica de consumo segmentado no sistema capitalista transformou a ausência de crianças em produto: vende-se silêncio, exclusividade e conforto como se a presença infantil fosse, por si só, um problema.

Urge reinserir esses pequenos seres na vida coletiva, protegê-los e encontrar mecanismos para que crianças e cuidadores se sintam integrados, respeitados e desejados enquanto seres sociais.

Clamo por um mundo onde crianças e cuidadores se sintam à vontade para entrar de cabeça erguida em espaços públicos e privados, sem aqueles olhares julgadores a cada movimento de uma criança sendo criança. Que a sensação de estar errado só pelo fato de ter uma criança ao lado seja substituída pela de pertencimento.

Quero políticas que obriguem restaurantes a oferecer opções voltadas ao público infantil, tanto nos menus quanto em atividades de lazer.

Quero regras que impeçam estabelecimentos abertos ao público de excluir crianças apenas por serem crianças. Quero fraldários acessíveis a mães e pais (sim, pai também troca fralda), cadeiras infantis disponíveis, espaços de espera mais acolhedores, empresas que respeitem a parentalidade e cidades pensadas também para quem anda com criança no colo ou de mãos dadas. Por que não?

Se o futuro da humanidade depende das crianças de hoje, sejamos, pois, uma sociedade kid-friendly. Como diria o sábio provérbio africano, “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.

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*Lorena Gurgel é jornalista e potiguar.

Fonte: saibamais.jor.br