Entidades ligadas ao jornalismo repudiaram, em nota nesta quarta-feira (24), um episódio de violência sofrido pela jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, na tarde de terça-feira (23).
As entidades consideraram o episódio “inaceitável e absurdo” e apontaram ter havido “grave violência” e “coação” profissional que estava no exercício da função dentro de uma Casa legislativa.
O documento é assinado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), pelo Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, pela Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e pela Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ.
Ontem, Manuela Borges foi cercada e intimidada por um grupo de cerca de 20 servidores de gabinetes de parlamentares. As violências ocorreram depois de ela questionar parlamentares do PL sobre a instalação de outdoors no Distrito Federal com imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal, Bia Kicis (PL-DF).
Ela cobria uma entrevista à imprensa de parlamentares opositores ao governo federal em que estavam presentes assessores e também pessoas que filmavam sem credenciamento. Depois de fazer a pergunta sobre os outdoors no Distrito Federal, Manuela passou a ser hostilizada. Ela conta que simpatizantes dos políticos passaram a colocar os celulares muito perto de seu rosto e houve gritos em tom de intimidação.
“Nosso papel é o de fazer perguntas. Doa a quem doer. Não podemos sofrer violência por causa disso”, disse a jornalista em entrevista à Agência Brasil.
Violência de gênero
Para as entidades, o cerco agressivo contra uma mulher jornalista tem por objetivo silenciar os questionamentos e fragilizar a presença feminina nos espaços de poder.
“A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e não pode ser cerceada por métodos de coação física e psicológica praticados por servidores públicos pagos com o dinheiro da sociedade”, destacou a nota.
Para os representantes dos profissionais, a violência excede o ataque individual à profissional, e se constitui um ataque frontal contra a categoria de jornalistas, contra a profissão e contra o próprio jornalismo.
As entidades afirmaram ainda que a Polícia Legislativa, que estava presente no local, não interferiu de nenhuma forma para garantir a integridade da jornalista durante o episódio.
Responsabilização
Na nota, os representantes da categoria pedem à presidência da Câmara dos Deputados a imediata e rigorosa apuração do caso e exigem a “responsabilização administrativa e legal de todos os servidores e parlamentares envolvidos na violência contra a jornalista”.
As entidades ainda querem medidas de segurança que “garantam o livre exercício da profissão por jornalistas em todas as dependências do Congresso Nacional”. Os representantes da categoria farão uma representação formal à Presidência da Câmara, com imagens e vídeos que auxiliem na identificação dos agressores.
De acordo com as entidades, entre os agressores, havia, inclusive, pessoas com crachá de servidores de gabinetes parlamentares, além de militantes políticos.
Apesar desse episódio de violência, a jornalista Manuela Borges disse que não vai se intimidar e que pretende continuar a cobertura na Câmara dos Deputados normalmente, como faz há mais de 20 anos. Em 2014, ela também foi ofendida pelo então deputado federal Jair Bolsonaro depois de fazer perguntas sobre o golpe de 1964.
A reportagem da Agência Brasil buscou posicionamento do Partido Liberal e da presidência da Câmara sobre o episódio, que ainda não se manifestaram. O espaço está aberto para manifestação.
O Dia da Conquista do Voto Feminino, celebrado em 24 de fevereiro, marca uma das transformações mais importantes da democracia brasileira e reforça o protagonismo do Rio Grande do Norte nessa história. Antes mesmo do reconhecimento nacional do direito, o estado já havia permitido que mulheres participassem do processo eleitoral, tornando-se referência no país e abrindo caminho para mudanças que seriam consolidadas anos depois.
O marco nacional ocorreu em 1932, quando o Código Eleitoral passou a reconhecer oficialmente o direito das mulheres ao voto, posteriormente incorporado à Constituição de 1934 e tornado obrigatório em 1965. A data comemorativa foi instituída pela Lei nº 13.086/2015 como forma de reconhecer a luta histórica das brasileiras por participação política e igualdade de direitos.
No entanto, o pioneirismo potiguar antecede essa conquista. Em 1927, o estado aprovou a Lei nº 660, que não fazia distinção de sexo para o exercício do voto. Foi nesse contexto que a professora Celina Guimarães Viana, moradora de Mossoró, tornou-se a primeira mulher a se alistar como eleitora no Brasil, aos 29 anos. No ano seguinte, ela e outras 14 mulheres participaram das eleições locais. Embora esses votos tenham sido posteriormente anulados pela Justiça Eleitoral, o episódio consolidou o Rio Grande do Norte como precursor da inclusão feminina no sistema democrático.
O gesto repercutiu nacionalmente, com telegramas de autoridades e apoio de lideranças como Juvenal Lamartine e o governador José Augusto de Medeiros, e impulsionou o alistamento de outras mulheres no Rio Grande do Norte, marcando o estado como referência na luta pela emancipação política feminina em um período ainda profundamente marcado pelo conservadorismo e pela exclusão das mulheres da vida pública.
Outro símbolo dessa trajetória foi a eleição de Alzira Soriano, escolhida prefeita do município de Lajes em 1928. Sua vitória representou não apenas um avanço para o estado, mas também um marco histórico para toda a América Latina, evidenciando o papel decisivo das mulheres potiguares na construção da política nacional.
Apesar dessas conquistas, o desafio da representatividade feminina permanece. As mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, mas ocupam menos de um quinto das cadeiras no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, elas correspondem a aproximadamente 18% dos parlamentares, enquanto no Senado a participação feminina permanece abaixo de 20%. O Brasil segue entre os países com menor presença de mulheres nos Parlamentos, segundo levantamentos internacionais.
A advogada Joyce Mendes afirma que a data representa não apenas uma conquista histórica, mas também um chamado à continuidade da luta por igualdade política. “O Rio Grande do Norte teve um papel pioneiro. Celebrar essa data é reconhecer a coragem dessas mulheres e, ao mesmo tempo, refletir sobre a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços e ampliar nossa representatividade. Hoje estamos em muitos lugares, mas podemos ocupar ainda mais espaço e direitos”, pontua.
Noventa e quatro anos após o reconhecimento nacional do voto feminino, a data reforça não apenas a importância dessa conquista histórica, mas também o papel decisivo do Rio Grande do Norte na construção desse direito. O pioneirismo potiguar permanece como símbolo da luta por inclusão política e inspira novas gerações a ocupar os espaços de decisão e representação no país.
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Um incêndio de grandes proporções atingiu, na tarde desta terça-feira (24), a estátua de Nossa Senhora de Fátima que estava em fase de construção no conjunto Parque das Dunas, bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal. As chamas consumiram quase toda a estrutura e geraram uma intensa fumaça escura, visível de diferentes pontos da capital potiguar. Até o momento, não há confirmação oficial sobre as causas do fogo. Confira imagens:
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte, equipes de combate a incêndio e salvamento foram mobilizadas e atuaram no local para conter as chamas e isolar a área. Em nota divulgada por volta das 14h30, a corporação informou que a ocorrência ainda estava em andamento e que novas informações seriam divulgadas após a conclusão dos primeiros levantamentos.
Testemunhas relataram em vídeos nas redes sociais, no momento do incidente, três trabalhadores operavam um guindaste durante a montagem da imagem. Não havia confirmação, até a última atualização, sobre o estado de saúde deles.
Moradores da região afirmaram que o fogo se espalhou rapidamente e destruiu quase toda a imagem, restando apenas parte da cabeça da escultura. A densidade da fumaça levou à evacuação preventiva da Escola Municipal Professora Maria Alexandrina Sampaio, localizada nas proximidades, como medida de segurança.
O monumento fazia parte do Complexo Turístico Religioso Nossa Senhora de Fátima, um projeto coordenado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), com investimento estimado em cerca de R$ 15 milhões. A proposta previa a construção de uma estátua com 35 metros de altura sobre uma base de 8 metros, totalizando aproximadamente 43 metros, além de obras de urbanização no entorno, como pavimentação de vias, iluminação pública, acessibilidade, cercamento, estacionamento e estrutura de apoio ao visitante.
A construção teve início em novembro de 2024 e a conclusão estava prevista para abril de 2026, incluindo as etapas de acabamento e pintura. O objetivo do projeto era consolidar um novo polo de turismo religioso em Natal, ampliando o fluxo de visitantes e fortalecendo a dimensão cultural e espiritual da região.
Autoridades municipais e equipes técnicas devem avaliar os danos e apurar as circunstâncias do ocorrido. Até o momento, não há registro oficial de vítimas. A Prefeitura do Natal soltou uma nota sobre o incêndio, confira:
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O atacante brasileiro Vinicius Júnior foi o grande destaque da vitória de 2 a 1 do Real Madrid (Espanha) sobre o Benfica (Portugal) na partida de volta dos playoffs de oitavas de final da Liga dos Campeões. Com o triunfo, alcançado nesta quarta-feira (25) no estádio Santiago Bernabéu, os Merengues se garantiram na próxima fase da competição continental.
Este foi o segundo jogo consecutivo entre o Real e a equipe portuguesa decidido pelo atacante brasileiro. Na semana passada, o jogador da seleção marcou o gol da vitória de 1 a 0. Porém, Vinicius Júnior acabou também se destacando naquela oportunidade por um motivo negativo, ao denunciar que sofreu uma agressão racista ao ser chamado de “mono”, termo em espanhol para macaco, em discussão com Gianluca Prestianni, do Benfica.
Nesta quarta o brasileiro foi protagonista apenas por motivos positivos. Após o Real tomar um susto aos 13 minutos do primeiro tempo, ao ver o Benfica abrir o placar com o meio-campista português Rafa Silva, a equipe espanhola igualou dois minutos depois com o francês Tchouaméni acertando uma chapada da entrada da área.
Após o intervalo as equipes criaram menos oportunidades, e Vinicius Júnior conseguiu levar a equipe de Madri à vitória com um belo gol aos 34 minutos. O uruguaio Valverde lançou o brasileiro em velocidade, que, com muita liberdade, avançou até a entrada da área e bateu, com muita categoria, na saída do goleiro Trubin.
Desde que o ano de 2026 começou, ou deveria ter começado, a 1 de janeiro, que ao abordar amigos, conhecidos, parceiros, interessados e alhures, sobre projetos e afins ouço a frase, quase um mantra: “Certo, Cefas, mas vamos conversar melhor depois do carnaval”.
Sei de longa data que o conceito “depois do carnaval” significa o verdadeiro início do ano. A partir do primeiro dia de janeiro o país passa por uma sucessão de ressaca pós-réveillon, espera e planejamento para o carnaval e os dias da festa momesca em si, quase uma semana de folia.
No caso de residentes em Natal, a bela capital potiguar, ainda há o feriado de Santos Reis, 6 de janeiro, colaborando para mais um dia de inatividade. E na mesma Natal, assim como na vizinha Parnamirim e na “capital do Oeste”, o país de Mossoró, há a cultura secular do “veraneio”, quando parte da população das classes média e alta vai para casa de praia em municípios vizinhos.
De forma que há uma lógica em muita gente começar o ano de fato, pelo menos no sentido de projetos e produtividade efetiva, após o carnaval. Portanto, esta segunda-feira 23 de janeiro pode ser considerada o primeiro dia efetivo do ano, digamos.
Mas, muita calma nessa hora para os workaholics, ansiosos, acelerados e hiperprodutivos. Este, como ocorre a cada quatro anos, será um ano atípico. Ano de Copa do Mundo, a primeira na história em três países (EUA, Canadá e México) e a primeira com 48 seleções, o que obviamente a tornará a com mais partidas: 104. O torneio começa dia 11 de junho e termina em 19 de julho, ou seja, teremos 38 dias de futebol quase ininterruptos.
E a seleção brasileira? Por mais que a relação do povo com a “canarinho” não seja mais a mesma de copas passadas, é certo que o país vai parar em dia de jogo. O primeiro será num sábado contra Marrocos, depois a seleção pega o Haiti na quarta 19, e fecha a primeira fase quarta dia 24 contra a Escócia. Em se classificando, o que deve acontecer, vai para os 16 avos de final (novidade da copa) para, em passando, ir para oitavas de final e mais dois jogos para chegar a grande final. Isso acontecendo, o Brasil terá 8 dias de “feriado” (descontando os jogos aos domingos ou em horário noturno). A Copa do Mundo é uma maravilha e por mim, que amo futebol, assistiria todos os jogos. Mas que o torneio interrompe projetos culturais, por exemplo, é um fato.
Passada a Copa, teremos todos dias de tranquilidade para planejar e produzir. Nem pense nisso. Na verdade, o país durante o torneio futebolístico já estará em plena pré-campanha eleitoral, e se prepare para, entre um gol e outro, ver pré-candidatos passando de bar em bar para apertar sua mão. Inclusive, um dia depois da final da Copa, em 20 de julho, terão início as convenções partidárias para oficializar as candidaturas. Dia 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral oficial, de maneira que os candidatos estarão na rua. Em outubro, no dia 4, teremos o primeiro turno e no dia 25, quando for necessário, o segundo turno.
Poderíamos até especular: em outubro, após o resultado eleitoral, o ano começará? Que nada. Estaremos todos com a cabeça no planejamento do réveillon. Vamos que vamos.
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG) informou na noite desta quarta-feira (25) que o número de mortos nas enchentes e nos deslizamentos causados pelas chuvas que atingem a Zona da Mata subiu para 47.
Ao todo, até o momento, foram recuperados 41 corpos de vítimas em Juiz de Fora e outros 6 em Ubá. O número de desaparecidos está em 20.
O efetivo empregado pelo Corpo de Bombeiros no trabalho de resgate e salvamento envolve cerca de 120 profissionais. De acordo com o coronel Joselito Oliveira de Paula, do 3º Comando Operacional de Bombeiros, em Juiz de Fora, uma das preocupações é que as famílias retiradas de áreas de risco não retornem aos locais.
“Pessoas que foram retiradas das áreas de risco voltaram, mas elas precisam desocupar essas áreas”, alertou em coletiva de imprensa para atualizar os números da operação, no Parque Jardim Burnier, uma das localidades mais atingidas da cidade mineira.
A previsão indica a continuidade de chuvas na Zona da Mata, segundo o Corpo de Bombeiros, mas elas devem ser moderadas, o que pode facilitar o trabalho de resgate, e também de restabelecimento de serviços essenciais, como água e fornecimento de energia elétrica.
Desabrigados
Segundo a Defesa Civil estadual, mais de 400 pessoas estão desabrigadas em Juiz de Fora e outros 197 estão desalojados. Em Ubá, são 38 desabrigados e 321 desalojados. Mais de 200 pessoas já foram resgatadas de áreas de risco.
Desalojados são pessoas que deixaram suas casas por risco ou dano, mas têm para onde ir, como casa de parentes ou amigos. Já os desabrigados perderam ou não podem retornar às suas casas e dependem de abrigos públicos ou sociais.
Em visita à região, nesta quarta, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que equipes enviadas pelo governo federal permanecerão no estado por tempo indeterminado, incluindo técnicos especialistas do Grupo de Apoio a Desastres (Gade), vinculado à pasta.
Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde também atuam no atendimento à população.
Calamidade pública
A Defesa Civil Nacional reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora e, de forma sumária, nas cidades de Ubá e Matias Barbosa.
As portarias com os reconhecimentos foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
O reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública permite que os municípios solicitem recursos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para ações de defesa civil.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, informou, nesta quarta-feira (25), que duas unidades da Casa da Mulher Brasileira serão inauguradas em março. A primeira delas no dia 6 de março, em Macapá, e a outra no dia 27, em Aracaju.
O local reúne diversos serviços para atender mulheres vítimas de violência, com alojamento, atendimento psicossocial, espaço para acolhimento das crianças e há representantes da Defensoria Pública, Ministério Público, Delegacia Especializada e Patrulha Maria da Penha.
“O serviço passará a referenciar, não só a capital, mas a região, o estado. [A Casa] vai demonstrar o método de trabalho necessário para fazer a prevenção, a orientação, os encaminhamentos e o atendimento às mulheres”, destacou a ministra, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Atualmente, o país conta com 11 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento. A previsão é inaugurar mais seis unidades até o fim do ano. Desde 2023, 19 serviços especializados no atendimento a mulheres em situação de violência foram lançados, como 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira.
Somente em 2025, foram investidos R$ 47 milhões nas Casas da Mulher Brasileira. Desde 2023, o montante soma R$ 373 milhões.
Além das capitais, o ministério planeja ofertar serviços públicos regionalizados e consórcios para atender cidades menores, em parceria com os entes federados.
Cuidado
Em março, o governo federal instalará também uma lavanderia coletiva em Mossoró (RN), com o objetivo de reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico para as mulheres.
Outras 20 “cuidotecas” estarão em funcionamento até o fim do ano, prevê a ministra.
O serviço é destinado a apoiar pessoas responsáveis pelo cuidado de crianças que precisam estudar, se qualificar ou trabalhar. Os espaços oferecem atividades lúdicas e recreativas e cuidados.
Proteção das mulheres
Sobre a efetividade das medidas protetivas a mulheres em situação de violência, a ministra aponta falhas no monitoramento e a necessidade de fluxos padronizados e mais rápidos, visto que alguns estados podem levar até dez dias para conceder uma medida protetiva, enquanto outros levam quatro horas.
Márcia Lopes defende a implantação de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres.
“Temos que ter passos muito claros, ter prazos, nós temos que ter a segurança de que cada organismo: seja do sistema de segurança, do Judiciário como um todo, do Legislativo apresentando e aprovando leis e não as engavetando. E também cada estado tem que ter um plano estadual de política para as mulheres”, disse.
Márcia Lopes mencionou a adesão de 19 estados ao Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, instituído em agosto de 2023.
A ministra citou ainda a criação do Painel de Monitoramento de dados para dar suporte às políticas públicas e o aumento no número de atendentes do Ligue 180, que, atualmente, conta com 350 atendentes e realiza quase 3 mil atendimentos diários.
“Ao receber a denúncia, as servidoras identificam de onde são essas mulheres, e aí entram em contato com as delegacias, com a Patrulha Maria da Penha, com o Ministério Público”.
A ministra alerta para a importância da denúncia de casos de feminicídio. “Nós estamos partindo do princípio de quando uma mulher é morta, que isso seja caracterizado como feminicídio.”
Participação política
A ministra defende que as mulheres ocupem a metade das cadeiras em qualquer esfera de poder. Ela pede que as mulheres não votem em candidatos acusados de agressão nas próximas eleições, em outubro de 2026.
“Nós, mulheres, podemos eleger uma nova geração de homens e mulheres absolutamente comprometidos com a igualdade de gênero.”
A governadora Fátima Bezerra (PT), em mais uma demonstração de que está empenhada em liderar a articulação política do seu grupo, reuniu-se com representantes de partidos aliados, na última segunda-feira (23), para alinhar a estratégia de olho nas eleições de 2026.
A petista reafirmou que renunciará ao cargo no início de abril para disputar uma vaga de senadora, reforçou que o candidato do partido ao mandato-tampão será o secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier e disse que está em diálogo com os deputados estaduais para assegurar a vitória na eleição indireta que será realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).
O encontro foi coordenado pela vereadora de Natal Samanda Alves, que acumula o cargo de presidente estadual do PT. Além dos petistas, a reunião contou com a presença de dirigentes do PV, PCdoB, PSB, PDT, Rede e Cidadania. O PSOL, segunda a dirigente, justificou a ausência.
O pré-candidato a governador Cadu Xavier também participou da reunião. De acordo com Samanda Alves, o partido mantém a indicação do nome dele tanto para a eleição indireta quanto para a disputa regular de outubro.
A vereadora chegou a citar que o deputado estadual Francisco do PT poderia ser o candidato do partido ao mandato-tampão, mas assegurou que “o nome que está colocado é o de Cadu Xavier”.
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Líder do governo admite que teve nome cogitado, mas reafirma que candidato do PT será Cadu
Francisco do PT, líder do governo na ALRN. Foto: Alisson Almeida
O próprio deputado, líder do governo na ALRN, já havia admitido que seu nome chegou a ser cogitado para a eleição indireta, disse que tem “compromisso com o projeto coletivo” e afirmou que “não teria a menor dificuldade” em encarar o desafio se houvesse necessidade.
O parlamentar, no entanto, enfatizou que está focado em sua pré-candidatura à reeleição à Assembleia Legislativa e que “Cadu Xavier é o nosso nome para a eleição do chamado mandato-tampão e para as eleições que se avizinham agora em 2026”.
Francisco do PT disse acreditar que, apesar de a bancada de situação não ser maioria na ALRN, “dá para ganhar” a eleição indireta.
Ele defendeu que o caminho é “o diálogo amplo com os partidos aliados”, mas pontuou que é preciso construir pontes com os parlamentares da oposição.
“Eu não vou aqui falar em números agora, porque seria muito prematuro, mas temos sim a confiança de que com muito diálogo poderemos sair vitoriosos nessa eleição indireta para elegermos alguém que possa dar continuidade ao governo da professora Fátima Bezerra, alguém que tenha compromisso com o projeto político que foi eleito em 2022 pelo povo do Rio Grande do Norte”, analisou.
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Governo tenta “viabilizar nome de consenso”, diz Cadu Xavier
Cadu Xavier foi indicado pelo PT para concorrer tanto à eleição indireta quanto à disputa regular em outubro para o Governo do Estado. Foto: Divulgação
Cadu Xavier comentou que o PT trabalha para “viabilizar um nome para a eleição indireta”, disse que a prioridade do partido é que esse nome seja o dele, mas não descartou a possibilidade de a legenda pode escolher outro candidato ao mandato-tampão.
O petista, no entanto, disse estar confiante que o governo sairá vitorioso desse processo: “Nós vamos esgotar esse diálogo para que ele se encerre com a eleição indireta de um candidato que seja do PT. A prioridade é que seja o meu nome, porque eu estou posto como pré-candidato ao governo, mas, se não for possível, vamos achar dentro do partido um nome de consenso”.
O governo precisa do voto de pelo menos 13 dos 24 deputados estaduais potiguares para ganhar a eleição indireta na ALRN.
De acordo com as contas dos governistas, o grupo conta atualmente com o apoio fiel de sete parlamentares. Faltariam, portanto, seis para chegar aos 13.
A governadora disse estar otimista, afirmou que as conversas com os parlamentares estavam sendo intensificadas e, ao mesmo tempo, admitiu que a situação “está em aberto ainda”.
Durante o Carnaval, Fátima foi a Caicó, na segunda-feira (16), onde se encontrou com o deputado estadual Nélter Queiroz (PSDB). No mesmo dia, a governadora esteve em Apodi com o deputado estadual Neilton Diógenes (PP).
Os dois apoiam a pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), mas estariam abertos a votar no petista Cadu Xavier na eleição indireta da ALRN.
Divisão na ALRN pode favorecer PT, aposta Samanda Alves
Foto: Eduardo Maia/ALRN
Samanda Alves comentou que a nova “divisão de grupos” em três blocos políticos na Assembleia Legislativa – o primeiro ligado ao governo, o segundo próximo do prefeito de Mossoró e o terceiro aliado à pré-candidatura a governador do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) – pode favorecer a eleição de Cadu Xavier.
“Existem três grupos na Assembleia Legislativa, mas nenhum deles tem maioria para eleger o governador para o mandato suplementar. Isso mostra que está a eleição em aberto. A governadora tem tomado as rédeas da articulação, tem feito diálogos com os parlamentares e está trabalhando para construir uma maioria que garanta a eleição de alguém indicado por ela para terminar o governo”, comentou.
Para Samanda, olhando de fora, “parece que o grupo ligado a Allyson Bezerra não vai querer ver alguém ligado a Álvaro Dias no Governo do Estado”.
O contrário, segundo ela, também parece ser verdade: os aliados do ex-prefeito de Natal não querem ver ninguém ligado ao prefeito de Mossoró no Governo do Estado.
“Nesse sentido, a governadora tem conversado colocando que é legítimo que o PT continue à frente do Executivo, uma vez que o vice-governador anunciou que não assumirá o cargo”, pontuou.
Walter Alves (MDB), como citou a dirigente petista, comunicou em janeiro que não assumiria o cargo após da desincompatibilização da governadora. Além disso, ele rompeu a aliança política com o PT para declarar apoio a Allyson Bezerra.
Samanda disse ainda que a governadora também continua dialogando com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que ainda não anunciou quem apoiará na possível eleição indireta nem no pleito regular de outubro.
Partidos apresentaram nomes para segunda vaga ao Senado
Foto: Divulgação
A respeito da composição da chapa ao Senado Federal, Samanda informou que os dirigentes do PDT, PSB e PV reafirmaram o desejo de indicar o segundo nome para fazer a dobrada eleitoral com a governadora Fátima Bezerra.
O nome mais cotado para dividir a chapa com a governadora é o do ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, que teve a pré-candidatura lançada oficialmente no início de fevereiro pelo PDT.
Jean foi primeiro suplente de Fátima em 2014 na vitoriosa campanha ao Senado. Em 2019, quando ela assumiu o Governo do Estado, ele herdou a titularidade do cargo, onde ficou até janeiro de 2023.
O espaço, no entanto, está longe de ser consenso. O PSB também reivindica protagonismo e apresentou dois nomes: o advogado, empresário e professor Luiz Gomes e o ex-prefeito de Carnaubais Luizinho Cavalcante.
Já o PV apresentou o nome do presidente estadual da legenda, Rivaldo Fernandes, como alternativa para compor a chapa com Fátima.
“Os partidos tiveram a oportunidade de colocar de que forma querem contribuir com a formação da chapa. Tivemos também uma discussão sobre a vaga de vice, a segunda vaga para senador e as duas suplências. A governadora ouviu atentamente e ficou definido que a definição será tomada por esse conjunto de partidos coletivamente”, revelou a presidente estadual do PT.
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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (25) que o decreto sobre as salvaguardas do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) será enviado para a Casa Civil, onde passará por análise jurídica antes da publicação. A salvaguardas são instrumentos de proteção a produtores nacionais. O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas, caso sejam sancionados por organismos europeus. Isso porque, no final do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul, cujas medidas seriam acionadas se importações em grande volume causarem ou ameaçarem prejuízo grave aos produtores europeus.
O setor do agronegócio nacional quer que essas salvaguardas sejam assumidas também pelo governo brasileiro, em caso de aumento das importações de produtos europeus concorrentes.
“Sempre há uma preocupação de alguns setores. Então, nós estamos encaminhando hoje a proposta, para passar pelos ministérios, o decreto de salvaguardas”, declarou o vice-presidente.
A fala foi feita após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto que ratifica o acordo entre o bloco europeu e o sul-americano, que vai criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com produção avaliada em US$ 22 trilhões e mercado consumidor de 720 milhões habitantes.
A Casa Civil poderá consultar outros ministérios, como a Fazenda, para depois enviar o decreto para assinatura do Presidente da República, antes que o Senado Federal aprove a ratificação do acordo. O texto da ratificação foi aprovado nesta quarta pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Como funcionam as salvaguardas
Salvaguardas são mecanismos previstos em acordos comerciais que permitem a um país reagir a surtos de importação decorrentes da redução de tarifas negociadas. Caso fique comprovado dano grave à produção nacional, o governo pode:
Estabelecer cotas de importação;
Suspender a redução tarifária prevista no acordo;
Restabelecer o nível de imposto anterior à vigência do tratado.
O decreto deverá definir prazos, procedimentos de investigação e condições para aplicação das medidas.
O Governo do RN empossou, nesta segunda-feira (23), 28 novos bolsistas da segunda etapa do Programa Estadual Transcidadania, em cerimônia realizada no auditório da Governadoria, em Natal. A iniciativa é voltada à inclusão social de pessoas travestis, transexuais e não binárias em situação de vulnerabilidade no Rio Grande do Norte e integra a política estadual de promoção de direitos e enfrentamento à exclusão histórica dessa população.
Os selecionados por edital público passarão a receber uma bolsa mensal de R$ 600 pelo período de um ano, com investimento total de aproximadamente R$ 220 mil, viabilizado por emenda parlamentar da deputada federal Natália Bonavides e contrapartida do Governo do Estado. Além do auxílio financeiro, o programa prevê qualificação profissional, apoio à permanência escolar e acompanhamento institucional, com o objetivo de ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho e fortalecer a autonomia econômica das pessoas beneficiadas.
Durante o evento, a secretária de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Júlia Arruda, destacou que o programa busca enfrentar barreiras estruturais que dificultam o acesso da população trans à educação e ao emprego formal. “Vai possibilitar o acompanhamento e a conclusão do curso, porque sabemos que, por muitos anos, essa população foi marginalizada e o que pesa muitas vezes é a falta de capacitação. Por meio da qualificação e da inserção no mercado de trabalho, promovemos mais cidadania e dignidade para essa comunidade”, afirmou.
A secretária também ressaltou que a continuidade do Transcidadania foi possível graças à destinação de recursos federais e manifestou expectativa de que a nova etapa amplie os resultados positivos alcançados até agora.
Nesta fase, o programa também será expandido para além da Região Metropolitana de Natal, passando a atender municípios da região do Trairi, no Agreste potiguar. Segundo o governo, a interiorização das ações busca alcançar pessoas que enfrentam dificuldades ainda maiores de acesso a políticas públicas de formação e renda.
Para a vice-coordenadora da Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Norte (ATTTRANSPARÊNCIA RN), Amanda Ramos,fala sobre a iniciativa que representa a possibilidade concreta de retomada de direitos e de acesso à educação:
“A importância é muito grande, porque para essas mulheres trans e travestis ocupar esse espaço é ocupar um lugar que historicamente nos foi tirado. Em um país que mais mata pessoas trans e travestis, trazer especialmente as mulheres trans da terceira idade para dentro das escolas e garantir que elas consigam estudar é assegurar que tenham as mesmas oportunidades que qualquer outra pessoa”, declarou.
Criado como parte das políticas estaduais de enfrentamento à LGBTfobia, o Transcidadania oferece bolsas de permanência estudantil, acompanhamento técnico e articulação com serviços públicos, incluindo educação e saúde. Entre os critérios de seleção estão renda familiar, escolaridade, tempo de desemprego e condições de moradia. A proposta é contribuir para a qualificação profissional e ampliar o acesso dessa população ao trabalho formal, reduzindo a informalidade e promovendo inclusão social no estado.
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