O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), atacou a deputada federal Natália Bonavides e o vereador Daniel Valença, ambos do PT, pelas críticas que a dupla faz em relação aos alagamentos na capital. Valença retrucou e afirmou que, ao invés de defender sua gestão, o chefe do Executivo ataca “quem fiscaliza e defende os interesses da ampla maioria da população natalense”.
Nesta quinta-feira (7), em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o prefeito disse que Natália “desaparece de Natal” e “só aparece aqui na época que tem alguma desgraça”. Ele ainda questionou quais emendas ela enviou para a cidade. Em relação a Valença, comentou que o parlamentar petista “não tem trabalho nenhum para Natal”.
“É revelador que ao invés de defender sua gestão, explicar o crime da engorda, as rachaduras no hospital municipal inaugurado e fora de funcionamento, ou o Mercado da Redinha, em funcionamento graças a pressão de permissionárias e nosso mandato, ou mesmo a Jerônimo Câmara, símbolo da incompetência desse grupo político, o que ele faz é rebaixar a política, atacar quem fiscaliza e defende os interesses da ampla maioria da população natalense”, respondeu Daniel Valença.
“De nossa parte, é um bom sinal saber que estamos em lados opostos, defendemos projetos de cidade distintos, e somos lembrados por isto”, continuou.
A reportagem não conseguiu contato com Natália Bonavides até o fechamento desta matéria. Segundo a assessoria de imprensa, ela estava durante a manhã palestrando em um evento. Nas redes sociais, nesta quinta (7), a deputada federal afirmou que já destinou mais de R$ 77 milhões em emendas para a capital. De acordo com as informações repassadas, o montante foi enviado para beneficiar hospitais, como o Walfredo Gurgel e o Onofre Lopes; para infraestrutura, como a construção dos quiosques da Redinha e as quatro novas estações da CBTU; para educação, garantindo auxílio digital para estudantes da UFRN e IFRN. Na assistência social, citou benefícios aos CRAS e CREAS; na segurança, com viaturas, equipamentos e estrutura; e mais.
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte deve acelerar a tramitação do projeto de lei complementar que prevê a suspensão de promoções e progressões funcionais de servidores públicos acusados de feminicídio e outros crimes hediondos. A proposta foi debatida nesta semana durante reunião entre o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira, deputadas estaduais e representantes de órgãos ligados à proteção dos direitos das mulheres.
O projeto altera uma série de leis complementares estaduais para estabelecer que servidores investigados judicialmente por feminicídio ou crimes hediondos não possam receber promoções enquanto os processos estiverem em andamento. A medida vale para diferentes carreiras do serviço público estadual e busca impedir que acusados continuem sendo beneficiados administrativamente durante a tramitação das ações judiciais.
Pela proposta, caso o servidor seja absolvido, os direitos funcionais serão restabelecidos de forma retroativa, garantindo a reparação administrativa. Segundo o Governo do Estado, o objetivo é fortalecer mecanismos institucionais de enfrentamento à violência de gênero e ampliar as medidas de responsabilização dentro da estrutura pública.
O texto é tratado como uma iniciativa inédita no Brasil com esse alcance específico. Atualmente, o Rio Grande do Norte já possui legislação que impede a contratação de pessoas acusadas de feminicídio para cargos públicos, mas o novo projeto amplia as restrições para atingir também promoções e progressões na carreira.
Durante a reunião, o presidente da Assembleia se comprometeu a dar celeridade à tramitação da matéria. Para as parlamentares envolvidas na discussão, o projeto representa uma resposta institucional diante do aumento dos casos de violência contra as mulheres e da pressão por medidas mais rígidas no âmbito do serviço público.
A deputada Divaneide Basílio afirmou que a proposta também possui um caráter simbólico ao reconhecer o impacto deixado pelos casos de feminicídio nas famílias das vítimas. “É uma resposta para todas as mulheres e também para as mães que perderam suas filhas para o feminicídio”, declarou.
A secretária estadual das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Julia Arruda, também participou da reunião e defendeu o fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher. Também participaram do encontro as deputadas Cristiane Dantas e Terezinha Maia, além da subsecretária de Políticas para as Mulheres do RN, Joseane Bezerra, da assessora jurídica da Semjidh, Érica Araripe, da assessora parlamentar Luciene Santana Peralta e da presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres do RN, Joana Lopes.
O caso da jovem Zaira Cruz também foi citado durante a discussão como exemplo da necessidade de endurecimento das medidas administrativas contra acusados que seguem recebendo benefícios funcionais enquanto respondem judicialmente pelos crimes.
SAIBA MAIS: Caso Zaira: sargento é condenado a 20 anos de prisão por homicídio e estupro
Feminicídio em alta no RN e debate sobre punições administrativas
Os casos de feminicídio e de violência contra a mulher seguem em crescimento no Rio Grande do Norte. Dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine) apontam que o estado registrou 19 feminicídios em 2024. Em 2025, o número subiu para 21 casos, segundo levantamentos divulgados pela imprensa local com base em dados da segurança pública estadual.
Além dos crimes consumados, as tentativas de feminicídio também apresentaram aumento expressivo. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou que o RN teve alta de 71,3% nas tentativas de feminicídio em 2024, passando de 39 para 67 registros.
O avanço dos índices tem ampliado a pressão por medidas mais rígidas de combate à violência de gênero e fortalecido discussões sobre punições administrativas para acusados de feminicídio no serviço público.
Projetos semelhantes no Nordeste
Embora o projeto em tramitação no Rio Grande do Norte seja tratado como pioneiro por prever a suspensão de promoções de servidores investigados por feminicídio e crimes hediondos, outros estados e iniciativas legislativas no Nordeste já discutiram restrições administrativas relacionadas à violência contra a mulher.
Na Paraíba, projetos apresentados na Câmara Federal pelo deputado Mersinho Lucena propuseram impedir a nomeação de pessoas condenadas por feminicídio, violência doméstica e crimes hediondos para cargos públicos.
O próprio Rio Grande do Norte já possui legislação estadual que proíbe a contratação de pessoas acusadas de feminicídio para cargos públicos, medida citada pelas parlamentares durante a reunião na Assembleia Legislativa. O novo projeto amplia esse alcance ao incluir promoções e progressões funcionais de servidores que estejam respondendo judicialmente pelos crimes.
SAIBA MAIS: Parnamirim aprova lei “Juliana Soares” que veta nomeação de agressores para cargos públicos
Foi a partir do Rio Grande do Norte que uma das campanhas mais importantes pela repatriação de fósseis brasileiros ganhou força nos últimos anos. A paleontóloga Aline Ghilardi, professora e pesquisadora do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, está entre os principais nomes da mobilização pelo retorno do Irritator challengeri, dinossauro brasileiro de cerca de 113 milhões de anos que está sob guarda do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, na Alemanha.
O caso teve um novo capítulo durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, em abril de 2026. Em declaração conjunta assinada em Hannover, os governos do Brasil e da Alemanha registraram a disposição do Estado de Baden-Württemberg e do Museu Estatal de História Natural de Stuttgart em devolver o fóssil do Irritator challengeri ao Brasil, no contexto de uma cooperação científica entre os dois países.
Nas redes sociais, Aline comemorou o avanço, mas fez questão de lembrar que a conquista não veio sem desgaste. “Estou genuinamente feliz em ver um sinal tão forte em direção ao retorno de Irritator challengeri ao Brasil. Lutamos muito por isso”, escreveu. Para ela, o retorno do fóssil vai muito além da devolução de uma peça científica. Representa a reparação de uma história marcada pela retirada de patrimônio brasileiro, pela exclusão de pesquisadores locais e pela necessidade de reconhecer que fósseis também carregam memória, identidade e pertencimento.
O Irritator challengeri é um dos fósseis mais importantes já retirados do Brasil. O crânio, encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará, foi comprado pelo museu alemão em 1991 de um negociante privado. Pesquisadores que estudaram o material identificaram nele o crânio de espinossaurídeo mais completo conhecido até hoje.
O nome “Irritator” surgiu justamente da irritação dos cientistas ao descobrirem que o fóssil havia sido adulterado, com partes do focinho modificadas para parecer mais completo e, portanto, mais valioso no mercado. A segunda parte do nome, “challengeri”, é uma homenagem ao professor Challenger, personagem de “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle.
A discussão central, no entanto, ultrapassa a curiosidade científica. Desde 1942, a legislação brasileira estabelece que os depósitos fossilíferos são propriedade da Nação e que a extração de espécimes fósseis depende de autorização prévia e fiscalização do órgão competente. Por isso, pesquisadores brasileiros argumentam que fósseis retirados do País sem autorização não devem permanecer em museus ou coleções estrangeiras como se fossem apenas objetos de pesquisa internacional.
A campanha pelo retorno do Irritator ganhou força depois de outra vitória simbólica: a repatriação do fóssil de Ubirajara jubatus, também retirado da Bacia do Araripe e mantido por anos na Alemanha. A partir desse precedente, paleontólogos, juristas e pesquisadores passaram a pressionar pela devolução de outros exemplares brasileiros. No caso do Irritator, uma carta aberta reuniu centenas de assinaturas de especialistas, enquanto uma petição pública ultrapassou 34 mil apoios. A pesquisadora da UFRN é uma das líderes das campanhas.
Aline Ghilardi destacou que a mobilização popular foi decisiva. Em sua publicação, agradeceu aos pesquisadores que estiveram na linha de frente da campanha e também às pessoas que compartilharam a hashtag, assinaram o abaixo assinado e pressionaram instituições alemãs e brasileiras. “Independentemente do que digam, foram vocês, sobretudo vocês, que tornaram isso possível”, escreveu.
Ainda não há data definida para a chegada do fóssil ao Brasil, nem confirmação oficial sobre a instituição que ficará responsável por sua guarda. Também existem críticas ao vocabulário usado na declaração conjunta, que fala em “entregar” o fóssil ao Brasil, e não em “repatriar” ou “restituir”. Para parte dos especialistas, essa diferença importa porque evita reconhecer de forma mais direta a dimensão histórica e política do caso.
Mesmo assim, o avanço é considerado um marco. Para a paleontologia brasileira, o retorno do Irritator challengeri pode fortalecer a pesquisa nacional, ampliar o acesso de cientistas brasileiros ao material original e aproximar a população do patrimônio fossilífero do País. Para o Nordeste, especialmente para a região do Araripe, o fóssil tem ainda um peso simbólico maior: ele pertence a uma história geológica enraizada no sertão e pode ajudar a formar novas gerações de pesquisadores.
Ilustração do Irritator
Como resumiu Aline, a luta é difícil, expõe pessoas e cobra um preço. Mas também pode mover instituições, governos e museus. “Acreditem: revoluções são possíveis. E são vocês que as fazem acontecer.”
Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) voltam a se mobilizar na próxima segunda-feira (11), em defesa de auxílios e por respostas da administração da universidade diante de denúncias sobre falta de professores, intérpretes de Libras, problemas na assistência estudantil e precarização das residências universitárias. A Assembleia Geral está marcada para as 17h, em frente à Reitoria.
O novo ato ocorre após a entrega de um abaixo-assinado com cerca de 2 mil assinaturas, realizada nesta semana por estudantes, técnicos administrativos e residentes universitários. O documento cobra a contratação de professores e intérpretes de Libras, além de melhorias no Restaurante Universitário (RU), ampliação do atendimento psicológico e melhores manutenção de auxílios que garantem condições de permanência (na vida acadêmica) de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Integrante da gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e representante da cadeira das residências universitárias, Arara Amazonas afirmou que o principal problema enfrentado atualmente é a limitação no acesso às políticas de assistência estudantil:
“Hoje, um dos principais problemas é o acesso limitado dos auxílios, pois há uma demanda super alta de estudantes que precisam dessa política de permanência, só que, infelizmente, não está sendo o suficiente. Se esse acesso fosse ampliado, principalmente se houvesse mais recursos, mais pessoas de baixa renda teriam esse acesso”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo Arara, a assembleia convocada para segunda-feira terá caráter mobilizador e busca ampliar a participação dos estudantes nas reivindicações.
“São muitos os problemas que nos afetam e a assembleia de segunda-feira tem um caráter mobilizador fundamental para a gente aglutinar mais estudantes em torno da defesa da assistência estudantil. Cada demanda apresentada surge porque algo está impactando diretamente a vida acadêmica do aluno e, consequentemente, a sua permanência na universidade”, disse.
Entre as denúncias apresentadas pelos estudantes estão falhas na estrutura das residências universitárias, falta de equipamentos básicos e dificuldades de acessibilidade. De acordo com a representante do DCE, há cozinhas sem estrutura adequada e salas de estudo com poucos computadores funcionando.
“Tem residências em que só há um micro-ondas e fogões com apenas duas bocas. Além disso, os estudantes reclamam do circular sempre lotado e quente, enquanto o auxílio transporte está sem reajuste há anos”, relatou.
Os estudantes também apontam dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência e denunciam ausência de adaptação de materiais, elevadores quebrados e prédios sem rampas de acesso.
Na área da acessibilidade, Arara afirmou que a situação atinge especialmente o curso de Letras Libras. Segundo ela, a falta de professores e intérpretes tem provocado cancelamento de disciplinas e limitado a participação de estudantes surdos em atividades acadêmicas.
“A precarização atinge o coração da acessibilidade, que é o curso de Letras Libras, onde faltam professores até para disciplinas básicas. O estudante surdo acaba isolado, sem conseguir cursar disciplinas em outros departamentos ou participar de eventos por falta de intérpretes”, afirmou.
Ainda segundo a estudante, o déficit de profissionais já teria impactado mais de 16 disciplinas neste ano. “O que o DCE reforça é que não dá mais para tapar buraco com contrato temporário que vence e deixa a turma na mão. A pauta exige contratação imediata de concursados”, disse.
Os estudantes também criticaram a postura da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proae) durante reunião realizada após o ato da última quarta-feira (6). Segundo Arara, a resposta da gestão causou indignação entre os alunos.
“Eles sempre estão dando desculpa para tudo que a gente fala. Tudo que eles falam é ‘vamos ver’. A gente não quer esse tipo de resposta. Queremos que eles aprendam a ouvir e respeitar os estudantes e procurem soluções”, declarou.
Em nota enviada à reportagem, a assessoria da Reitoria da UFRN informou que a gestão se reuniu com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proae) e com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) para discutir as reivindicações apresentadas pelos estudantes.
“A Reitoria da UFRN reuniu-se com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proae) e com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp), na manhã da quarta-feira, 7, quando foi informada sobre os pontos de pauta reivindicados por um grupo de estudantes da instituição de ensino. Nesse sentido, os setores responsáveis estão avaliando a situação para buscar alternativas, a fim de solucionar as questões apontadas pelos alunos”, informou a universidade.
A mobilização da próxima segunda-feira foi convocada pelo DCE com o slogan “Nenhum estudante a menos” e deve reunir estudantes, residentes universitários, movimentos estudantis e técnicos administrativos em greve desde fevereiro.
SAIBA MAIS: Ato na UFRN denuncia falta de professores e intérpretes e cobra melhorias no RU Estudantes da UFRN pedem mais intérpretes de Libras e professores
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai relatar as ações que contestam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, promulgada nesta sexta-feira (8) pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Moraes foi relator das ações penais em que os acusados foram apenados. A norma permite a redução das penas dos réus que foram condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, o Supremo recebeu ações protocoladas pela Federação PSOL-Rede e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Os partidos e a associação contestam a deliberação do Congresso, que, na semana passada, derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei.
Para a federação, a redução das penas incide sobre crimes contra a democracia e representa uma “gravidade institucional”.
“Trata-se de matéria que transcende interesses individuais e alcança a própria preservação da ordem democrática e da integridade das instituições republicanas, circunstância que exige atuação cautelar firme e imediata do Supremo Tribunal Federal”, afirmaram os partidos.
No entendimento da ABI, a lei “banaliza” os ataques à democracia brasileira.
“A multidão que pega em armas e se propõe a abolir o Estado Democrático de Direito de forma violenta, por meio de golpes de Estado, deve ter os seus membros mais fortemente sancionados pelo Direito Penal exatamente pelo potencial que têm de agir sem quaisquer amarras morais”, defendeu a entidade.
Após ser escolhido relator do caso, Moraes deu prazo para cinco dias para a Presidência da República e o Congresso se manifestarem sobre a questão.
Em seguida, será a vez da Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Depois de receber as manifestações, o ministro vai decidir se a lei será suspensa. Não há prazo para decisão.
PT, PCdoB e PV
A federação partidária formada pelo PT, PCdoB e PV também anunciou que vai contestar a Lei de Dosimetria no Supremo.
Segundo os partidos, não há qualquer justificativa constitucional para que crimes contra a democracia tenham penas abrandadas.
“Os crimes contra o Estado Democrático de Direito constituem o núcleo mais grave de ofensas ao ordenamento jurídico, pois atentam contra as próprias bases do sistema constitucional”, argumentaram as legendas.
A abertura parcial do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro levou o público ao prédio icônico da Avenida Atlântica, em Copacabana, após quase duas décadas de obras e expectativas.
A primeira exposição da reabertura, Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som, apresenta os bastidores da construção do novo museu e antecipa a experiência cultural que será oferecida quando o complexo estiver totalmente concluído, com previsão estimada para o primeiro trimestre do ano que vem.
Erguido na orla de Copacabana, o novo MIS começou a ser projetado em 2008, a partir de um concurso internacional de arquitetura promovido pela Fundação Roberto Marinho, com apoio da Secretaria de Cultura do estado.
O edifício, concebido pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro, chama atenção pela integração com a paisagem carioca e pelo diálogo com o calçadão de Burle Marx.
“Quem passa por aqui, ninguém fica indiferente. Tem pessoas que logo de cara acham um prédio lindo e tem gente que tem um certo estranhamento. Então, com essa exposição, o prédio que ainda está na fase final de obras, vem para mostrar para o público que ele pode entrar no prédio, conhecer um pouco da arquitetura aqui do térreo, do mezanino”, explicou a gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho, Larissa Graça, que também assina a curadoria da mostra ao lado de Ana Paula Pontes.
Rio de Janeiro (RJ), 08/05/2026 – A gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho, Larissa Graça, foi uma das curadoras da exposição. Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil
Segundo Larissa Graça, o conceito do prédio surgiu da ideia de transformar o famoso calçadão de Copacabana em um “boulevard vertical”:
“O escritório vencedor percebeu a importância da rua para o carioca. Eles propõem a verticalização da calçada e ela vira essa escada que se transforma num grande mirante da praia mais famosa do mundo. Então é um projeto muito democrático”, afirmou.
A exposição ocupa o térreo e o mezanino do museu e apresenta maquetes, vídeos, croquis, protótipos e registros da obra. O percurso mostra desde a concepção arquitetônica até os desafios técnicos da construção, incluindo a execução de um auditório subterrâneo de 280 lugares, instalado a cerca de 10 metros de profundidade, próximo ao mar.
A mostra também relembra os percalços enfrentados ao longo da execução do projeto.
As obras foram divididas em três etapas. A primeira incluiu a demolição do antigo prédio da Boate Help, em 2010. A segunda fase contemplou as fundações e a estrutura de concreto, concluídas em 2014. Já a terceira etapa, responsável pelas instalações e acabamentos, sofreu interrupções em 2016, durante a crise fiscal do estado do Rio de Janeiro, e só voltou a ganhar ritmo nos últimos anos.
“De certa forma, a história da construção do MIS reflete a história do Rio de Janeiro nesses anos, de todas as dificuldades vividas, depois da pandemia e de todos esses impactos”, disse Larissa.
Ela destacou ainda que o financiamento da obra reúne recursos públicos e privados. Segundo a curadora, quase metade dos investimentos necessários para a construção do museu vem de parcerias:
‘’O governo financia uma parte da obra e também parte da museografia, mas a gente tem uma parceria muito importante com o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, pela qual parceiros privados aportam recursos no museu’’.
A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, definiu a abertura da exposição como um marco simbólico para a retomada do espaço cultural.
Rio de Janeiro (RJ), 08/05/2026 – A secretária de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, participa da abertura para o público da exposição Arquitetura em cena, o MIS Copa antes da imagem e do som. Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil
“É uma enorme alegria. A gente está hoje cortando a fita de uma exposição que trata exatamente disso, contando um pouco da história desde a escolha do concurso que definiu a arquitetura desse prédio até esse momento em que inauguramos uma primeira exposição que celebra todo esse legado”, disse.
A secretária ressaltou que o MIS abrigará parte de um acervo com mais de 1 milhão de itens, incluindo coleções ligadas ao fotógrafo Augusto Malta, à cantora Carmen Miranda e ao músico Pixinguinha.
“É um museu de muita brasilidade, de muita imagem, de muitos legados”, resumiu.
Além das áreas expositivas, o projeto prevê restaurante panorâmico, café, loja, áreas educativas, espaços de pesquisa, cinema ao ar livre no terraço e ambientes imersivos dedicados à música, à fotografia e à cultura carioca.
Entre os primeiros visitantes da exposição estava a professora de arte Marta Azambuja, de 93 anos, gaúcha radicada no Rio de Janeiro. “Eu não via a hora de ser inaugurado e hoje fiquei feliz da vida”, contou.
Rio de Janeiro (RJ), 08/05/2026 – A professora de artes Marta Azambuja de Oliveira foi a primeira a retirar ingresso para a abertura da exposição Arquitetura em cena, o MIS Copa antes da imagem e do som. Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil
Moradora de Copacabana, ela disse que nunca tinha visto um museu integrado à paisagem daquela forma. “Eu viajei muito pelo mundo e nunca encontrei um museu tão diferente como esse, integrado à natureza”, afirmou.
A exposição também antecipa o futuro percurso museográfico do MIS. Os pavimentos terão experiências dedicadas ao espírito carioca, à música brasileira, à trajetória de Carmen Miranda, à relação do Rio com o mar e à vida noturna da cidade.
No subsolo, haverá um espaço voltado às “Noites Cariocas” e à história do funk. Já o terraço funcionará como mirante e cinema a céu aberto.
Larissa Graça afirmou que acompanhar o projeto desde o concurso internacional até a fase atual transformou a obra em uma experiência pessoal: “Para mim, é uma missão de vida entregar esse museu para a população. Eu estava grávida quando fiz o concurso de arquitetura. Minha filha hoje tem 16 anos. Então, a história do MIS coincide também com a minha história da maternidade”, disse.
Serviço
Exposição Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Atlântica, Copacabana, Rio de Janeiro Visitação mediante agendamento prévio
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (8), no Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de revisão criminal para anular a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da trama golpista.
De acordo com os advogados, a condenação deve ser revista porque houve “erro judiciário”.
“O que esta revisão criminal demonstrou, assim, foi um quadro de erro judiciário em sua acepção mais grave, precisamente aquela que legitima a atuação rescindente desta Suprema Corte”, afirmaram os advogados.
No ano passado, Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Conforme determina o regimento interno do Supremo, a revisão criminal deverá ser julgada pela Segunda Turma, composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.
Durante o julgamento de Bolsonaro, Fux mudou para a Segunda Turma após votar pela absolvição do ex-presidente.
Recurso
No recurso, a defesa contestou a tramitação do processo que condenou Bolsonaro. Para os advogados, por estar na condição de ex-presidente, Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo plenário da Corte, e não pela Primeira Turma.
Os advogados também afirmaram que a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid não foi voluntária e deve ser anulada. A falta de acesso integral às provas da investigação também foi suscitada.
No mérito, a defesa afirma que não foram indicadas provas da participação de Bolsonaro nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e na liderança de um plano para planejar um golpe de Estado.
“É incontroverso nos autos que não há nenhuma ordem ou orientação do ex-presidente em relação ao 8 de janeiro”, afirmaram os advogados.
Bolsonaro foi condenado por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar por razões de saúde.
A brasileira Sarah Souza assegurou o primeiro pódio para o país no Grand Slam de Astana (Cazaquistão) que começou nesta sexta-feira (8), com mais de 300 atletas, e vai até domingo (10), com transmissão ao vivo no canal da Federação Internacional de Judô (IJF). Cabeça de chave número 5, Sarah faturou o bronze ao derrotar a italiana Veronica Toniolo na categoria abaixo dos 57 quilos. A brasileira, que começou o Grand Slam como 45ª colocada no ranking, como somou 500 pontos com o bronze e deve subir para a 30ª posição.
Foi a primeira medalha da judoca de 22 anos no circuito mundial da modalidade. Nesta temporada ela foi campeã da Seletiva Nacional e também arrematou ouro Open Europeu de Ljubljana e prata Campeonato Pan-Americano.
“Esse ano está sendo muito bom para mim, com vitórias muito importantes. Conquistar essa medalha significa muito. O esforço que eu, minha equipe e todos que estão comigo vem sendo recompensado e o trabalho está dando certo”, com comemorou a judoca.
Sarah Souza iniciou a campanha em Astana com duas vitórias seguidas. Na estreia nas oitavas, despachou a uruguaia Maya Leopold, com dois waza-aris. Em seguida, em embate 100% brasileiro, levou a melhor sobre Jéssica Lima ao desferir um contragolpe e selar o triunfo com waza-ari.
Na semifinal, Sarah sofreu o primeiro e único revés: levou um ippon da francesa Faiza Mokdar. Com a derrota, a brasileira caiu para a disputa do bronze. Quem também disputou o bronze na mesma categoria foi Jéssica Lima, no entanto, ela terminou em quinto lugar, após ser superada ´pela holandesa Shannon Van De Meeberg com um waza-ari.
A delegação brasileira conta com 19 atletas na competição.
Programação dos atletas brasileiros
Sábado (09) — Rafaela Silva (-63kg), Nauana Silva (-63kg), Guilherme de Oliveira (-73kg), David Lima (-81kg) e Gabriel Falcão (-81kg)
Horários: Preliminares — a definir | Bronzes e Finais — a partir das 9h
Domingo (10/08) — Beatriz Freitas (-78kg), Karol Gimenes (-78kg), Giovanna Santos (+78kg), Thauana Silva (+78kg), Guilherme Schimidt (-90kg), Rafael Macedo (-90kg), Giovani Ferreira (-100kg) e Leonardo Gonçalves (-100kg)
Horários: Preliminares — a definir | Bronzes e Finais — a partir das 9h
Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram nesta sexta-feira (8) a ocupação da reitoria da instituição, reivindicando a reabertura de diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. De acordo com os alunos, a negociação em curso foi encerrada unilateralmente pela reitoria nesta semana, sem que diversas reivindicações dos estudantes fossem atendidas.
Os estudantes estão no local desde quinta-feira (7). Entre as principais demandas estão o aumento no valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e também nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões.
“O estopim para a ocupação é a extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade”, diz texto divulgado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP.
De acordo com eles, o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) apresenta uma “situação insalubre” marcada pela falta de água e pela proliferação de mofo nos apartamentos.
“Além disso, a insegurança alimentar agravou a revolta, com problemas diários nos bandejões, que incluem desde o fornecimento de comida estragada até refeições contendo larvas”, acrescenta o documento.
Segundo o estudante do curso de Jornalismo e membro do DCE, Guilherme Farpa, na semana passada o reitor ofereceu um aumento de R$27 no PAPFE, valor considerado insuficiente pelos alunos.
“Ele apresentou uma proposta extremamente insuficiente de um aumento de R$ 27 no auxílio permanente, para quem recebe o valor integral, e de R$ 5, para quem recebe o valor parcial”, disse.
De acordo com Farpa, atualmente o valor integral é de R$ 885, e o parcial, R$ 320. Segundo ele, são quantias “insuficientes para poder conseguir sobreviver na região do Butantã e nas outras regiões onde ficam os campi da USP”.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Os estudantes argumentam ainda que a USP tem um orçamento de cerca de R$ 9 bilhões para 2026 e que, em março, aprovou uma bonificação para os professores de R$ 240 milhões. “Fica essa dúvida: se há esses R$ 240 milhões de reais para aprovar a gratificação dos professores, por que não haveria para as outras questões também?”, questiona.
De acordo com os estudantes, a ocupação só será encerrada quando a reitoria aceitar reabrir as conversas.
“Tudo que nós queremos é ser ouvidos. O estudante vive a universidade em um âmbito muito diferente dos professores e da reitoria. Eles não pegam a fila de uma hora e meia do bandejão, eles não comem no bandejão cheio de larvas, não pegam o quarteirão de fila para pegar o ônibus circular. Eles não têm noção dessa realidade”, afirma o estudante do curso de Ciências Moleculares e membro do DCE, Felipe, que não quis informar o sobrenome.
Outro lado
Procurada, a reitoria da USP disse, em nota, que lamentava profundamente “a escalada de violência que levou à invasão do prédio principal da Reitoria por manifestantes, com danos ao patrimônio público”.
A reitoria afirmou ainda que adotou medidas cabíveis, “acionando as forças de segurança pública que, já presentes no local, atuam para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais”.
Antes da ocupação da reitoria, no último dia 5, a reitoria divulgou texto que mencionava avanços nas negociações.
“O bem-estar da comunidade acadêmica é prioridade da gestão. Nesse sentido, a reitoria da Universidade de São Paulo realizou reuniões, a partir do dia 14 de abril, em diálogo com representantes dos estudantes, com duração total de cerca de 20 horas. Diversos avanços foram alcançados em benefício de estudantes de todos os campi”, afirmou.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em diversos produtos da indústria Ypê, é uma bactéria de grande resistência a antibióticos, afirma o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho em entrevista à Agência Brasil.
“Agora, excepcionalmente, ela causa doenças de forma espontânea. Ela vai causar doenças dentro de um hospital, em uma pessoa com traqueostomia, com respirador, com cateter venoso”, completou.
Segundo o infectologista, como se trata de uma bactéria ambiental, esponjas usadas normalmente para lavar louça ou panos de chão podem estar contaminados, já que a bactéria permanece viva na água.
De acordo com ele, a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, ou seja, diferente de outras bactérias como a Escherichia coli, que vive dentro do intestino, ou o meningococo, que vive nas fossas nasais das pessoas.
“Nós não vivemos em um ambiente que não tem micro-organismos. Existem outras bactérias de vida livre, como a Burkholderia que, eventualmente, podem causar doenças no homem”.
Celso Ferreira é membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De acordo com a decisão da Anvisa, divulgada nessa quinta-feira (7), lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com lote de numeração final 1 terão de ser recolhidos e não poderão ser usados pelos consumidores.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Característica
Segundo ele, a bactéria pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária a infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.
“Colocam um tubo na traqueia e a bactéria pode entrar por ali. Também pode ocorrer em pessoas que estejam fazendo quimioterapia, o que faz com que haja um comprometimento maior e prévio da saúde da pessoa”, explicou Celso Ferreira.
Pessoas imunocomprometidas
A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à Agência Brasil que o maior problema dessa bactéria ocorre quando pessoas imunocomprometidas, que têm o sistema imunológico enfraquecido, entram em contato com ela.
“Ela consegue causar infecções em pessoas que têm o sistema imune debilitado”.
Em pacientes que têm fibrose cística, por exemplo, ela é causa comum de pneumonia. E o tratamento é muito difícil. Advertiu, por outro lado, que ela pode causar também problemas em pessoas saudáveis.
“Dependendo da cepa da Pseudomonas, mesmo a pessoa saudável pode desenvolver uma infecção, como a otite de nadador, em pessoas que nadam em águas recreativas, como piscinas, rios, praias”, ressaltou Chamon.
Para a profissional de saúde, o maior problema é quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar, e a porta de entrada, geralmente, são as pessoas que trabalham ali ou entram no hospital, explicou a profissional de saúde.
A médica relatou ainda que, dentro do ambiente hospitalar, onde uma pressão seletiva de antibióticos é muito grande, a bactéria carrega dentro dela uma série de resistências.
Segundo Chamon, isso pode provocar infecções mais graves, associadas a pessoas que usam sonda urinária, têm infecção de corrente sanguínea, estão com pneumonia, pessoas com ventilação mecânica, E o tratamento, por conta da gravidade da infecção, é mais difícil, além da questão de a bactéria aumentar o poder de resistência.
“Esse é o pior cenário de todos”, afirmou.
Contaminação
Como a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que vive muito bem no solo, na água e em ambientes úmidos, Raiane acredita que a contaminação pode ter ocorrido no momento de produção.
“Não houve um controle microbiológico adequado. Provavelmente, algum reagente na hora de fabricação desses produtos estava contaminado pela Pseudomonas, e acaba que ela consegue se multiplicar nesses ambientes úmidos também”, explicou.
“Na falta do controle microbiológico nas etapas necessárias de fabricação, pode ter tido um crescimento descontrolado de uma cepa específica, que vive melhor em ambientes com detergentes, por exemplo, e a gente acaba detectando, ela, nesses materiais”.
Segundo a médica, existem níveis aceitáveis de contaminação microbiana em todos os produtos. O que não pode é ultrapassar esse nível para não oferecer risco à saúde, principalmente nos indivíduos que estão mais comprometidos em seu sistema imune.
Comunicado
Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê esclareceu que está colaborando integralmente com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.
A empresa informou ainda que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo apresentados à Anvisa, “reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.
A indústria se compromete ainda a incorporar de forma imediata eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da Agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a própria Anvisa desde dezembro de 2025.
A Agência Brasil procurou a Ypê nesta sexta-feira (8), mas não houve resposta por parte da assessoria de imprensa da empresa até a publicação desta matéria.