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Lideranças denunciam intolerância religiosa após fala de vereador na Câmara de Natal

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Uma fala do vereador Subtenente Eliabe (PL) durante sessão da Câmara Municipal de Natal provocou reação de lideranças religiosas, movimentos sociais e parlamentares ligados à defesa da liberdade religiosa. O episódio, ocorrido no último dia 11, é apontado por representantes dos povos tradicionais de matriz africana como um caso de intolerância religiosa e racismo religioso.

Durante discurso no plenário, ao criticar setores da oposição, o parlamentar mencionou entidades cultuadas em religiões afro-brasileiras. “Essa turma que pede as divindades aí, até o Exu Caveira, Zé Pilintra, o que eles entendem aí, para que a coisa dê errada”, afirmou. A declaração repercutiu entre praticantes de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada, que consideraram a associação ofensiva e discriminatória.

Babá Cláudio Oliveira, sacerdote de Candomblé, responsável pela Ilê Axé Olorum Malê, na Zona Norte de Natal, e representante da Federação de Umbanda, Candomblé e Jurema do Rio Grande do Norte (Fejuc-RN), afirma que a fala reforça preconceitos historicamente direcionados às religiões de matriz africana. Segundo ele, a comunidade foi surpreendida pela circulação do vídeo nas redes sociais e decidiu reagir de forma organizada.

“Durante todos esses anos, nunca teve uma fala tão pesada e tão racista quanto foi agora do vereador Eliabe”, afirmou. “Foi uma fala extremamente racista e preconceituosa, onde nós, povos tradicionais de matriz africana, ficamos extremamente revoltados.”

De acordo com Babá Cláudio, lideranças religiosas, entidades representativas e integrantes do movimento negro elaboraram uma carta aberta à sociedade e iniciaram uma série de medidas para cobrar responsabilização pelo ocorrido. O grupo registrou um boletim de ocorrência e prepara uma representação junto ao Ministério Público.

“Ele precisa aprender que liberdade de expressão não dá o direito de ser racista e colocar aquilo que vem à cabeça”, declarou em entrevista à Agência Saiba Mais. “A intolerância e o preconceito dão voz ao racista e ao discriminador. Por isso entendemos que esse episódio não pode passar sem resposta.”

Para o líder religioso, a controvérsia vai além de uma divergência política e evidencia um problema estrutural enfrentado por comunidades tradicionais de matriz africana. Segundo ele, ataques dessa natureza atingem não apenas a dimensão religiosa, mas também aspectos raciais e culturais historicamente associados às populações negras e indígenas.

“Nós sofremos diariamente perseguição pelo fato de sermos povos tradicionais de matriz africana. Nunca foi só uma questão religiosa. É uma tradição de negro, de preto e de indígena, e a gente não aceita esse tipo de postura”, disse. “É criminoso e nós iremos tomar as providências cabais para que atos como esse não se repitam.”

O caso também repercutiu entre parlamentares. A deputada estadual Divaneide Basílio informou ter recebido a denúncia das mãos de Babá Cláudio e defendeu a apuração do episódio. Em publicação nas redes sociais, afirmou que “racismo e intolerância religiosa não são liberdade de expressão” e classificou o caso como grave.

A vereadora Brisa Bracchi também se manifestou. Segundo ela, discursos dessa natureza não podem ser normalizados em espaços institucionais. “É inadmissível que um parlamentar ainda tenha esse tipo de fala em qualquer plenário que seja sem sofrer as devidas consequências”, escreveu.

A Constituição Federal garante a liberdade de consciência e de crença e assegura o livre exercício dos cultos religiosos. Além disso, a Lei nº 7.716/1989 estabelece punições para práticas de discriminação ou preconceito motivadas por religião. Nos últimos anos, o debate sobre racismo religioso tem ganhado destaque no país, especialmente em casos envolvendo ataques a religiões de matriz africana.

Os representantes dos povos de terreiro afirmam que continuarão acompanhando o caso e cobrando providências dos órgãos competentes.

A equipe de reportagem não obteve resposta da equipe do vereador até o fechamento dessa matéria.

SAIBA MAIS:
Fórum reúne povos de terreiro e reafirma luta por direitos no RN
Projeto mapeia comunidades tradicionais de matriz africana e ameríndia no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Câmara de Natal aprova projeto de Samanda que garante meia inscrição para estudantes em corridas de rua

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A Câmara Municipal de Natal aprovou, na sessão desta quinta-feira (25), o projeto de lei de autoria da vereadora Samanda Alves (PT), que garante aos estudantes o pagamento de meia inscrição nas corridas de rua realizadas na capital. A proposta busca ampliar o acesso da juventude ao esporte e incentivar a prática de atividades físicas.

O projeto assegura desconto de 50% no valor das inscrições para estudantes regularmente matriculados em instituições de ensino públicas e privadas em corridas promovidas ou autorizadas pelo município. A medida acompanha o crescimento da modalidade em Natal, que reúne milhares de participantes ao longo do ano.

Para Samanda, o incentivo contribui para democratizar o acesso ao esporte e reduzir uma barreira que ainda afasta muitos jovens das competições. “As corridas de rua se consolidaram como uma importante atividade de lazer, saúde e integração social. Com essa aprovação, damos um passo para que mais estudantes possam participar desses eventos, independentemente da condição financeira”, afirmou.

A parlamentar destaca que a prática esportiva promove qualidade de vida, fortalece a convivência comunitária e contribui para a formação cidadã. Após a aprovação em plenário, o projeto segue para sanção do Executivo Municipal.

Styvenson se diz ‘retraído’ com Flávio Bolsonaro após caso Master

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O senador Styvenson Valentim (Podemos) reconheceu estar “retraído” em relação ao apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência por conta das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.

A declaração se deu em entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM, na terça-feira (23).

“Eu anunciei o apoio ao Flávio, mas aí eu tô pouco retraído pelas condições que a gente tá acompanhando. Não vou mentir para vocês que esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado, de ministérios”, afirmou.

Styvenson é pré-candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. O grupo conta com Álvaro Dias (PL) para governador, Babá Pereira (PL) para vice, e Coronel Hélio (PL) na segunda vaga ao Senado. 

Por outro lado, o senador teceu elogios a outro pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), que é ex-governador de Goiás.

“Eu tenho uma atração política pelo Caiado por conhecer Goiás, por conhecer Goiânia. É muito tranquilo, é muito tranquilo. Quem conhece Goiânia diz: ‘Olha, é uma tranquilidade”’, afirmou.

Ainda na entrevista, o parlamentar foi questionado sobre a ausência de agendas com os demais pré-candidatos do seu grupo, mas justificou que as limitações ocorrem pelo fato das entregas do seu mandato não coincidirem com os demais compromissos.

O parlamentar já tentou se afastar do bolsonarismo em janeiro, dia em que o senador Rogério Marinho, presidente estadual do PL, comunicou a desistência de concorrer ao Governo do RN e anunciou apoio a Álvaro. O evento, com presença de Styvenson, ocorreu na sede estadual da sigla bolsonarista.

“Eu sempre fiz questão de dizer, não sou bolsonarista, temos ideias semelhantes, temos ideias alinhadas”, declarou o parlamentar na ocasião.

Saiba Mais: Apoiados pelo PL, Álvaro Dias e Styvenson dizem não ser bolsonaristas

Os “abalos” no bolsonarismo após o caso “Dark Horse” também foram reconhecidos anteriormente pelo coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador potiguar Rogério Marinho.

Neste mês, em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar reconheceu que o caso causou abalo à campanha e provocou efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto.

“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B. Ele (Vorcaro) foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário (Lula). Não há perplexidade nem indignação. Quando você fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E na hora em que do nosso lado tem uma relação privada, é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, disse.

Saiba Mais: Rogério reconhece “abalo” na pré-campanha de Flávio Bolsonaro após caso “Dark Horse”

Em 22 de maio, dias após a revelação das conversas, pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em intenção de votos Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois pré-candidatos saiu de três para nove pontos percentuais, em comparação com o levantamento anterior, de 13 de maio.

Dark Horse

Em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.

Saiba Mais: Áudio vazado de Flávio Bolsonaro com banqueiro investigado repercute entre políticos do RN

Já na terça (19), Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.

Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.

Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.

Fonte: saibamais.jor.br

Igor Cabral vai a júri popular por tentativa de feminicídio em Natal

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O ex-atleta de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral será submetido a julgamento pelo júri popular. A decisão é da 1ª Vara Criminal de Natal, que pronunciou o réu por tentativa de feminicídio, com duas qualificadoras, em caso que alcançou repercussão nacional. Cabral é acusado de agredir a então namorada, Juliana Soares, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio no bairro de Ponta Negra. O caso aconteceu em julho do ano passado.

O júri popular ainda não tem data para acontecer. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) apontou na decisão — que manteve a prisão preventiva — que Cabral possui periculosidade social e risco de cometer novo crime caso retorne à liberdade.

“A gravidade concreta do crime, evidenciada pelo modus operandi de extrema violência e crueza — traduzido no espancamento contínuo de sua namorada em ambiente confinado, desfigurando-lhe a estrutura óssea facial e impondo-lhe severa sequela neurológica permanente —, demonstra a acentuada periculosidade social do agente e o risco real de reiteração delitiva caso restituído à liberdade”, destacou a decisão.

A Justiça ainda apontou que a materialidade do crime foi demonstrada por meio de elementos técnicos e documentais, atestando que a vítima sofreu fraturas severas no esqueleto facial. Juliana Soares precisou de cirurgia reconstrutiva complexa com a fixação de 7 placas de titânio e 31 parafusos, evoluindo com sequela neurológica consolidada de paralisia facial periférica total à direita (grau VI).

“A autoria material é inequívoca e repousa, primordialmente, nas contundentes mídias gravadas pelo circuito interno de segurança do elevador. As imagens revelam o acusado encurralando a ofendida no interior do cubículo e desferindo contra ela uma sucessão ininterrupta e violenta de socos concentrados na região vital da face, prolongando as agressões enquanto a vítima se encontrava caída e indefesa no chão”.

Defesa argumentou que agressões não causaram ‘perigo de vida’

A decisão também afastou a argumentação da defesa do réu de que as lesões ocasionadas “embora graves, não geraram um ‘perigo de vida’ clínico, concreto ou imediato sob a ótica estritamente pericial”. Conforme a decisão, tais argumentos não se revelam aptos a afastar, na atual fase, a admissibilidade da tese acusatória.

“A ausência de um quadro clínico imediato de ‘perigo de vida’ não exclui, por si só, a configuração do crime na modalidade tentada. O dolo de matar não se afere exclusivamente pelo sucesso do dano biológico ou pela letalidade imediata constatada em laudo pós-fato, mas sim pela idoneidade dos atos de execução e pelo potencial letal do comportamento no momento da ação. O ato de desferir múltiplos golpes concentrados na cabeça e na face da vítima, utilizando-se, inclusive, de apoio em barra do elevador para conferir maior potência mecânica aos impactos, impede a rejeição sumária do intento homicida por parte do juiz togado”, anotou o juízo da 1ª Vara Criminal de Natal.

Relembre o caso

Igor Cabral, 29, foi detido em um sábado (26 de julho) depois de espancar a então namorada, Juliana Soares, de 35 anos, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio, no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal.

Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos. A violência deixou a vítima com o rosto desfigurado. O segurança do condomínio, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

Quando o elevador chegou ao térreo, o agressor foi contido pelos moradores até a chegada dos policiais. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.

A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia. Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, Igor teve a prisão preventiva decretada.

A discussão, segundo a Polícia Civil, teria começado em uma área comum do condomínio, onde eles faziam um churrasco com amigos. Juliana relatou que Igor teve uma crise de ciúmes quando ela lhe mostrou mensagens que havia recebido em seu celular.

Outras violências

Em depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS), Juliana revelou que Igor Cabral, antes de cometer a tentativa de feminicídio, havia lhe estimulado a cometer suicídio.

Ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, contou a delegada.

Ela estava com o psicológico abalado e aí ele a estava incentivando [a tomar os remédios]. Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescentou a delegada.

Em entrevista à TV Tropical, Juliana também contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la.

Ele disse que ia me matar”, relatou escreveu a vítima em bilhete

Em um bilhete escrito à mão, no dia do crime, Juliana relatou aos policiais de plantão que Igor disse que iria matá-la.

No mesmo bilhete, ela contou ficou no elevador porque sabia que o agressor iria bater nela. “Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu.

Como denunciar

Polícia Militar: ligue 190

Polícia civil: ligue 181

Central de Atendimento à Mulher: ligue 180

Fonte: saibamais.jor.br

MPRN recomenda avaliação de divisão de vagas por gênero em concurso para policial penal

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A medida considera as demandas do sistema prisional estadual e as características específicas da função exercida pelos servidores

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou que a Secretaria de Estado da Administração (Sead) avalie a necessidade de retificar o edital do concurso público para policial penal, analisando a possibilidade de divisão das vagas por gênero. A medida considera as demandas do sistema prisional estadual e as características específicas da função exercida pelos servidores.

De acordo com a recomendação, a Constituição Federal garante a igualdade de acesso aos cargos públicos entre homens e mulheres. No entanto, o MPRN ressalta que o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) admite exceções quando houver justificativa baseada em critérios proporcionais, razoáveis e relacionados à natureza das atividades desempenhadas.

O órgão destaca que a atuação dos policiais penais envolve contato físico frequente e direto com pessoas privadas de liberdade, incluindo procedimentos como revistas pessoais, imobilizações e conduções. A legislação penal brasileira prevê que essas atividades sejam realizadas, preferencialmente, por agentes do mesmo gênero dos custodiados, com o objetivo de preservar a intimidade e a dignidade humana.

Na avaliação do Ministério Público, a definição das regras do concurso deve levar em conta as necessidades operacionais de cada unidade prisional e das atividades administrativas. A divisão prévia de vagas por gênero poderia ser justificada em situações específicas, como a inauguração de presídios femininos, a criação de alas destinadas à população transfeminina ou a necessidade de reforço em equipes especializadas que atuam em unidades masculinas.

Dados do sistema prisional

O levantamento realizado pelo MPRN mostra que o último concurso para policial penal no Rio Grande do Norte, realizado em 2017, adotou a separação de vagas por gênero, destinando 79% das oportunidades para homens e 21% para mulheres.

Além disso, uma análise de 24 editais de concursos semelhantes em outros estados identificou que 17 deles também utilizaram a divisão de vagas com base no gênero dos candidatos.

Os dados oficiais apontam que a população carcerária potiguar é composta por 8.277 pessoas, sendo aproximadamente 95% homens e 5% mulheres. Já o quadro atual de policiais penais em atividade no Estado conta com 1.381 servidores, dos quais 77% são homens e 23% são mulheres.

Falta de justificativa motivou recomendação

Segundo o Ministério Público, a recomendação foi expedida após a constatação de que o processo administrativo que fundamentou a abertura do novo concurso não apresentou justificativa detalhada para a decisão de publicar o edital sem a separação de vagas por gênero.

Diante disso, o órgão orientou que o tema seja debatido formalmente pela comissão organizadora do certame, considerando os dados do sistema penitenciário e as necessidades do serviço público.

A Secretaria Estadual da Administração terá prazo de 10 dias para informar ao MPRN se irá acatar a recomendação e quais providências administrativas poderão ser adotadas em relação ao edital do concurso.

Governo do RN inaugura Central do Cidadão de Jucurutu e vai realizar mais de 300 atendimentos por dia

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O Governo do Rio Grande do Norte inaugurou, nesta quarta-feira (24), a Central do Cidadão “Adonias Januário de Medeiros”, em Jucurutu. A nova unidade, a 31ª em funcionamento no estado, fortalece a rede de atendimento ao cidadão e amplia o acesso da população aos serviços públicos, consolidando o processo de interiorização e modernização promovido pela gestão estadual.

A Central do Cidadão foi entregue pela governadora Fátima Bezerra e resulta de um investimento de R$ 300 mil, realizado em parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Jucurutu. Os recursos foram destinados à instalação da unidade, reforma do prédio e adequações estruturais voltadas ao conforto, à acessibilidade e à melhoria do atendimento à população.

A unidade reúne serviços essenciais em um único espaço, incluindo atendimentos da Polícia Científica para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), orientações sobre a Carteira de Trabalho Digital, serviços do Detran, Sine, Caern, Ipem, Defesa Civil Municipal, além de programas vinculados ao Cadastro Único (CadÚnico) nas esferas federal e municipal.

Em funcionamento desde março deste ano, a Central já realizou cerca de 9 mil atendimentos. A unidade opera de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h, registrando uma média diária de aproximadamente 300 atendimentos, número que evidencia a demanda reprimida existente na região. A expectativa é ampliar ainda mais a oferta de serviços e reduzir a necessidade de deslocamentos da população para outras cidades, especialmente Caicó.

Saiba onde torcer e assistir Brasil x Escócia em Natal nesta quarta (24)

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Reza a lenda que os escoceses são um dos maiores consumidores de cerveja do mundo. O desafio está lançado ! Hoje você pode até ficar em casa, mas a verdade é uma só: quarta-feira de Brasil x Escócia, Natal já está escalada para o pós-jogo. Se a Seleção confirmar o favoritismo, o apito final emenda direto no pagode, no samba, no forró e até no karaokê.

De Ponta Negra a Parnamirim, tem roda de samba no Figa Bar, Pagode Legal DMais no Só Mais Uma, forró na Casa do Matuto e no Vilarte, além de uma maratona de bares preparados para transformar cada gol brasileiro em motivo oficial para pedir mais uma.

E se o jogo for daqueles de testar o coração do torcedor, a cidade também oferece terapia coletiva em forma de música. Tem karaokê no Bardallos e no Eletromusic, DJs no Donana Pub e no Casanova, shows na Arena das Dunas e playlists liberadas em vários pontos da cidade. Em resumo: independentemente do placar, Natal já garantiu a prorrogação da diversão. A única derrota possível nesta quarta é ficar em casa sem aproveitar nada.

O #MeGuia caiu em campo já na preleção para oferecer as melhores opções para você.

FUTEBOL E MÚSICA  ______________________

Figa bar: Pagode do Cabeça após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Figa bar (Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, 633, Vila de Ponta Negra)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @figa.bar

Bardallos: Karaokê após o jogo  | 24.06 QUARTA
LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @bardallosnatal

Sempre Rock :Playlist da casa antes e depois do jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Sempre Rock (Av. Praia de Ponta Negra, 9045, Ponta Negra)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @semprerockbar

La Luna: Playlist aberta após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | La Luna (Rua Alameda das Acácias, Neópolis)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @lalunanatal

Donana Pub: Jéssica Meyrelles e Dj Grazi após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Donana Pub (Rua José Aguinaldo Barros, 400A, Candelária)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @donanapubnatal

Só mais uma: Pagode Legal DMais e Fabinho Fernandes antes e após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Só mais uma (Av. Eng. Roberto Freire, 8750, Ponta Negra)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @somaisumabar

Seu Zezin Botequim: Pagode do Kevinho após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Seu Zezin Botequim (Av. Praia de Ponta Negra, 9076, Ponta Negra)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Couvert
INFORMAÇÕES | @seuzezinbotequim

Eletromusic: Karaokê após o jogo | 24.06 QUARTA
LOCAL | Eletromusic bar (Av. Prudente de Morais, 5823, Candelária)
HORÁRIO | 20h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @eletromusicpub

Prainha Via Costeira: Sambarelove, Mesa Doze e PK | 24.06 QUARTA
LOCAL | Prainha (Via Costeira, 4077-B)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | ingressos no Outgo
INFORMAÇÕES | @pracimabrasilrn

Casanova Eco Bar: DJs Larissa Dantas, Allan César e João Marcos após o jogo  | 24.06 SEXTA
LOCAL | Casanova (Av. Senador Salgado Filho, 3526 – Candelária, Natal)
HORÁRIO | 18h
ENTRADA | Entrada gratuita
INFORMAÇÕES | @casanova

Sussurro Bar: Playlist da casa antes e após o jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Sussurro Bar
HORÁRIO | 18h às 01h
LOCAL | Sussurro Bar
INFORMAÇÕES | @sussurronatal

Arena das Dunas: Tito (forró), Vilk (eletrônica) e Math Gomes (funk)24.06 SEXTA
LOCAL | Arena das Dunas
HORÁRIO | 18h
ENTRADA | Ingressos pela **Sympla**
INFORMAÇÕES | @ginga.natal

Mestiços Bar: playlist da casa após o jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Mestiços Bar e Espaço Cultural (Rua Dr. Manoel A. B. de Araújo, 425, Ponta Negra)
HORÁRIO | 18h30
INFORMAÇÕES | @mesticosespaco

Real Botequim: música ao vivo após o jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Real Botequim (Praia Shopping)
HORÁRIO | 18h
INFORMAÇÕES | @realbotequim.natal

Zona Abissal: playlist da casa | 24.06 SEXTA
LOCAL | Zona Abissal Brewpub (Rua Ipê Caboclo, 45, Parnamirim)
HORÁRIO | a partir das 18h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @abissal_bp

Arriégua Bar: Jamaci Soares e grupo Bons Sambas| 24.06 SEXTA
LOCAL | Arriégia Bar (Av. Maria LAcerda Montenegro, 1154, Nova Parnamirim)
HORÁRIO | a partir das 18h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @oarrieguabar_e_restaurante

Casa de Mãe: Música ao vivo após o jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Casa de Mãe (Rua Pedro Afonso, 153, Praia do Meio)
HORÁRIO | a partir das 18h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @casademae.gastrobar

Bafafá Bar: Amigos do Samba após o jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Bafafá Bar (Praça Dr. Amaro Marinho, 07, Lagoa Nova)
HORÁRIO | a partir das 18h
ENTRADA | Open bar (R$ 49,90) ou entrada normal
INFORMAÇÕES | @bafafa.bar

Cervejaria Black Sheep: Happy hour até o final do jogo | 24.06 SEXTA
LOCAL | Cervejaria Black Sheep (Rua Carlos Lama, 1500, Candelária)
HORÁRIO | Casa abre 18h
INFORMAÇÕES | @cervejariablacksheep

Forró do Candieiro, na Casa do Matuto | 24.06 QUARTA
LOCAL | Casa do Matuto (Av. Presidente Café Filho, 700, Praia do Meio, Natal)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @casadomatutonatal

Forró pé de serra, no Vilarte | 24.06 QUARTA
LOCAL | Vilarte (Av. Engenheiro Roberto Freire, 4090, Ponta Negra)
HORÁRIO | 17h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @shoppingvilarte

RECITAL  _______________________

EMUFRN: Recital Camille Hofman | 24.06 QUARTA
LOCAL | Escola de Música da UFRN (Rua Coronel João Medeiros, Lagoa Nova)
HORÁRIO | 19h
ENTRADA | Gratuito
INFORMAÇÕES | @escolademusicaufrn

EXPOSIÇÕES __________________________

Exposição “Unir Verso às Cores” | Até 12 de JULHO
A trajetória de Pedro Pereira passa pela poesia, pela pintura, pela fotografia, pela música, pela produção cultural e por uma relação permanente com a liberdade criativa. Parte desse percurso, construído ao longo de 45 anos, será apresentada ao público na exposição “Unir Verso às Cores”.
LOCAL | Pinacoteca do Estado – Cidade Alta
HORÁRIO | A partir das 10h
INFORMAÇÕES | Leia reportagem da Agência SAIBA MAIS

“Futebol, arte e cultura no coração de Natal”, no Bardallos
LOCAL | Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta, Natal)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @bardallosnatal

“No limiar da romanceira coroada, no IFRN Cidade Alta
LOCAL | IFRN Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743, Cidade Alta)
HORÁRIO | a partir das 12h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @ifrncentrohistorico

“Contra a máquina de moer mundos”, na Pinacoteca
LOCAL | Pinacoteca do Estado (Praça Sete de Setembro, s/n, Cidade Alta)
HORÁRIO | a partir das 8h
ENTRADA | Gratuita
INFORMAÇÕES | @pinacotecapotiguar

CINEMA ____________________

Confira as programações completas:
MOVIECOM, Praia Shopping, todo mundo paga meia de segunda à quarta-feira.
CINÉPOLIS, Natal Shopping
CINEMARK, Midway Mall
CINEFLIX, Partage Norte Shopping

EQUIPAMENTOS PÚBLICOS _______________________

PINACOTECA POTIGUAR
Reúne a maior parte do acervo de Artes Visuais pertencente ao Governo do Estado, com obras de artistas como Newton Navarro, Maria do Santíssimo, Abraham Palatinik, Dorian Gray Caldas e Zaíra Caldas. Até 10 de dezembro, segue aberta a exposição “Objetos do Cotidiano”, que reúne uma coletânea dos trabalhos produzidos por 38 participantes das oficinas de fotografia do Projeto “Narrativas do Silêncio”.
LOCAL |Praça Sete de Setembro, s/n Cidade Alta, ao lado da Assembleia Legislativa do RN
HORÁRIO |de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos finais de semana, das 9h às 16h
Entrada gratuita.

CIDADE DA CRIANÇA
O parque público, fundado em 1962, compreende parque Infantil, pista de cooper, Lagoa Manoel Felipe, pedalinhos, igrejinha, anfiteatro, Escola de Artes Newton Navarro, Biblioteca Infanto-juvenil Mirian Coeli, Casa de Vovozinha, praça de alimentação com quiosques, Espaço Eureka de Ciência e Tecnologia.
LOCAL |Cidade da Criança (Av. Rodrigues Alves – Tirol)
HORÁRIO | aberto das 8h às 18h
ENTRADA | R$ 2 (menores de 5 anos e maiores de 65 não pagam)
INFORMAÇÕES | @cidadedacriancanatal

FORTE DOS REIS MAGOS
O monumento, administrado pela Fundação José Augusto, está aberto à visitação. Visitas em grupo devem ser encaminhadas com antecedência para o e-mail [email protected], contendo data, horário e o descritivo da atividade a ser realizada.
LOCAL |Forte dos Reis Magos (Praia do Forte)
HORÁRIO | das 8h às 16h (de terça a domingo), fechando apenas às segundas-feiras para manutenção
ENTRADA | R$ 5 (entrada inteira) e R$ 2,50 (meia entrada) aos visitantes da Fortaleza dos Reis Magos. Crianças até sete anos e os idosos a partir dos 60 anos estarão isentos dessa cobrança.
INFORMAÇÕES | Aqui

CAJUEIRO DE PIRANGI Localizado na praia de Pirangi do Norte, Parnamirim, o Cajueiro cobre uma área de aproximadamente 9.000 m², com perímetro de aproximadamente 500 metros. Em virtude da sua extensão, a árvore gigante entrou para o Guinness Book “O Livro dos Recordes”, em 1994, como o Maior Cajueiro do Mundo. A árvore faz parte da vida da comunidade e do roteiro turístico dos visitantes do RN. A entrada custa R$ 8. Crianças, de sete a 12 anos pagam meia-entrada, assim como estudantes, professores e idosos, portando carteira comprobatória.LOCAL | Av. S. Sebastião, s/n, Pirangi do NorteHORÁRIO | 7h30 às 17h30 – ESTÁ FECHADO PARA RECUPERAÇÃO NOS DIAS 16 e 17 de SETEMBRO TELEFONE | (84) 3113 – 6191E-MAIL | [email protected]

BOSQUE DAS MANGUEIRAS
Área pública de 14.125 m², do bioma Mata Atlântica, conforme classificação do Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). O local dispõe de passeios acessíveis para prática de atividades físicas como caminhada e corrida.
LOCAL |entre a Av. Nascimento de Castro, Jaguarari e Rua Tertius Rebelo, bairro Lagoa Nova
HORÁRIO |de segunda a sexta das 8h às 14h
CONTATOS | [email protected]e Ouvidoria Semurb: (84) 3616-9829.

COMPLEXO CULTURAL RAMPA
O centro cultural edificado às margens do Rio Potengi está aberto à visitação. O Complexo é formado por edificações destinadas a abrigar o Museu da Rampa, o Memorial do Aviador, o Grêmio da Rampa, além de outros espaços voltados à realização de eventos, exposições, cursos e oficinas. Atualmente, os visitantes têm acesso a quatro mostras: “Natal Encruzilhada do Mundo”, “Sala da Paz”, “O Maior Feito Náutico do Mundo: 70 Anos da IOLE RN 2” e “Jornada na Cidade”.
LOCAL |Rua Cel. Flamínio, 1 – Santos Reis, Natal
HORÁRIO |das 9h às 18h (de terça a domingo), fechado apenas às segundas-feiras
Entrada gratuita.



Fonte: saibamais.jor.br

como as Big Techs ameaçam o jornalismo independente no Nordeste

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A exclusão repentina da conta da Rede Cajueira no Instagram não atingiu apenas um perfil com milhares de seguidores. Para as jornalistas que constroem há cinco anos uma das mais importantes iniciativas de fortalecimento do jornalismo independente nordestino, a decisão representa algo maior, a demonstração concreta do poder quase absoluto que as plataformas digitais exercem sobre a circulação de informação no século XXI.

Sem aviso prévio, sem justificativa detalhada e sem direito efetivo de defesa, a conta da Cajueira foi retirada do ar. O episódio levanta questionamentos sobre transparência, liberdade de expressão, concentração de poder nas Big Techs e a crescente dependência do jornalismo em relação a plataformas privadas que operam segundo regras pouco claras.

Criada por jornalistas nordestinas, a Rede Cajueira nasceu como uma newsletter gratuita e se transformou em uma rede de circulação de conteúdos, análises e iniciativas produzidas por veículos comprometidos com o jornalismo independente na região. Hoje, reúne quase oito mil assinantes, produz podcasts, mantém um portal próprio e desenvolveu o primeiro banco de fontes nordestinas do país.

Ainda assim, uma parcela significativa do público chegava aos seus conteúdos por meio do Instagram.

Foi justamente essa ponte que desapareceu de um dia para o outro.

“Nós fomos informadas de que a conta seria excluída por suposta violação das regras da plataforma, mas nunca nos disseram quais regras teríamos violado“, relata a jornalista Mariama Correia, cofundadora da Rede Cajueira.

Segundo ela, a equipe tentou recorrer por diferentes canais oferecidos pela plataforma, sem sucesso.

O Instagram sinalizou que a conta seria excluída, mas nunca explicou exatamente o motivo. Tentamos recorrer tanto pelos mecanismos da própria plataforma quanto por outras vias, mas até agora não recebemos nenhuma explicação. Foi uma surpresa enorme porque nosso conteúdo trata de jornalismo e da valorização das identidades nordestinas. Nunca publicamos conteúdo sensível que pudesse justificar esse bloqueio.”

A ausência de respostas é um dos aspectos mais preocupantes do caso. Em um ambiente digital cada vez mais central para a comunicação pública, decisões tomadas por sistemas automatizados ou por estruturas corporativas inacessíveis podem determinar quem fala, quem alcança audiência e quem desaparece do debate público.

Para Mariama, o impacto da medida é imediato e profundo.

Você está silenciando uma iniciativa que trabalha pela valorização do jornalismo independente nordestino. E a gente sabe o quanto isso é importante em um país onde a mídia continua extremamente concentrada no eixo São Paulo-Rio-Brasília.

Ela destaca que a Cajueira é mantida de forma voluntária, sem financiamento governamental, empresarial ou institucional.

Somos um grupo de jornalistas nordestinas que trabalha de forma independente. Construímos uma comunidade ao longo de cinco anos. Havia um público que nos acompanhava exclusivamente pelo Instagram. Essas pessoas não necessariamente assinavam nossa newsletter ou ouviam nossos podcasts. Elas consumiam o conteúdo por ali.”

A exclusão da conta interrompe justamente esse fluxo de comunicação.

Estávamos ampliando nosso alcance, realizando colaborações com várias iniciativas nordestinas, fortalecendo o debate sobre identidade regional e combatendo preconceitos históricos. Para uma organização de pequeno porte como a nossa, as perdas são incalculáveis.

Dependência digital e vulnerabilidade

O caso da Cajueira evidencia uma contradição que atravessa o jornalismo contemporâneo. Ao mesmo tempo em que as redes sociais se tornaram ferramentas indispensáveis para alcançar audiências, elas também criaram uma dependência estrutural.

Veículos independentes, coletivos de comunicação e projetos jornalísticos de pequeno porte frequentemente não possuem recursos para investir em distribuição própria de conteúdo. As plataformas digitais acabam funcionando como praças públicas privatizadas: espaços onde o debate acontece, mas cujas regras são definidas unilateralmente por empresas multinacionais.

Quando uma conta desaparece, desaparece também parte da audiência construída ao longo de anos.

O problema se torna ainda mais grave para iniciativas localizadas fora dos grandes centros econômicos e políticos do país.

Num cenário marcado pela concentração histórica da mídia brasileira, projetos como a Cajueira cumprem o papel de ampliar vozes, narrativas e perspectivas frequentemente invisibilizadas pelos grandes conglomerados de comunicação.

Por isso, Mariama rejeita a ideia de que o episódio seja um incidente isolado.

Infelizmente, nosso caso não é único. Outros projetos independentes passaram recentemente pela mesma situação.”

Ela cita como exemplos o Pedreirense, do Maranhão, e o Tapajós de Fato, da Amazônia.

Todos são projetos independentes que têm a diversidade regional como uma de suas bandeiras. Não vejo isso apenas como um erro técnico. Estamos falando de censura.”

A palavra é forte, mas reflete uma preocupação crescente entre pesquisadores, jornalistas e organizações da sociedade civil que acompanham a atuação das plataformas digitais.

Embora as empresas aleguem combater desinformação, discurso de ódio e conteúdos nocivos, os mecanismos utilizados para moderação permanecem amplamente opacos.

Na prática, usuários e organizações frequentemente recebem notificações genéricas, sem acesso às razões específicas da punição ou aos critérios utilizados para determinar a remoção de conteúdos ou perfis.

O poder sem contrapoder

A discussão vai além da exclusão de uma conta. O que está em jogo é a capacidade das plataformas de exercerem controle sobre o fluxo informacional sem mecanismos equivalentes de responsabilização pública.

Acredito que as plataformas se valem do poder que detêm. É um poder desproporcional, porque elas podem fazer o que querem sem sequer oferecer uma explicação“, afirma Mariama.

A crítica toca em um dos principais debates contemporâneos sobre democracia digital. Nas últimas duas décadas, empresas de tecnologia assumiram um papel central na mediação da vida pública. Elas determinam o que ganha visibilidade, o que é ocultado pelos algoritmos e, em casos extremos, quem pode continuar existindo digitalmente.

Ao mesmo tempo, essas corporações não estão submetidas aos mesmos mecanismos de transparência exigidos de instituições públicas.

Para iniciativas jornalísticas independentes, o desequilíbrio é ainda maior.

Estamos nas mãos das Big Techs. Elas operam numa lógica de captura da atenção e lucram em cima do trabalho não remunerado de milhares de comunicadores“, diz a jornalista.

Diante desse cenário, ela defende que o debate ultrapasse a recuperação da conta da Cajueira.

A gente precisa encontrar formas de responsabilizar as plataformas e também construir novos caminhos para distribuir conteúdo sem depender exclusivamente dos algoritmos.

Um alerta para além da Cajueira

A retirada da Rede Cajueira do Instagram ocorre em um momento de crescente tensão entre plataformas digitais, veículos jornalísticos e organizações da sociedade civil em diferentes partes do mundo.

Mais do que um problema operacional, o episódio expõe a fragilidade de projetos que dependem de infraestruturas privadas para existir publicamente.

Quando uma Big Tech pode retirar do ar, sem explicação transparente, uma iniciativa jornalística construída ao longo de cinco anos, o debate deixa de ser apenas sobre tecnologia. Passa a ser sobre democracia.

Porque, em um país marcado por profundas desigualdades regionais e pela histórica concentração dos meios de comunicação, silenciar vozes independentes do Nordeste significa reduzir a diversidade informativa disponível para toda a sociedade brasileira.

E quando isso acontece sem justificativa, sem contraditório e sem transparência, a pergunta deixa de ser apenas o que aconteceu com a Cajueira.

A pergunta passa a ser quem será o próximo.

Fonte: saibamais.jor.br

Fórum reúne povos de terreiro e reafirma luta por direitos no RN

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Numa conjuntura marcada pelo avanço da intolerância religiosa e pela disputa por reconhecimento dos territórios tradicionais, lideranças de religiões de matriz africana de todo o Rio Grande do Norte voltam a se reunir neste sábado (27), em Natal, para a realização do III Fórum Estadual das Comunidades Tradicionais de Terreiros do RN.

O encontro acontece no Complexo Cultural da Zona Norte, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), e deve reunir cerca de 800 participantes de pelo menos 32 municípios potiguares, além de representantes da Paraíba e de Pernambuco. Com o tema “A força do que fizemos guia o que queremos ser”, o evento marca a retomada das articulações estaduais dos povos de terreiro após sete anos sem a realização do fórum, cuja última edição ocorreu em 2019.

Mais do que um espaço de celebração religiosa, o encontro se consolida como uma arena de debate sobre direitos, memória, igualdade racial, preservação cultural e enfrentamento ao racismo religioso. A programação reúne lideranças religiosas, pesquisadores, estudantes, juventudes de terreiro, movimentos sociais, representantes de universidades e gestores públicos.

A realização é do Grupo de Articulação de Matrizes Africanas e Ameríndias do Rio Grande do Norte (GAMA/RN), da Rede de Jovens de Matriz Africana e Terreiros do RN (REJOMATE/RN) e da UERN, por meio do projeto de extensão “As Religiões numa Perspectiva Afrocentrada”.

Para os organizadores, o fórum representa um marco na consolidação das políticas de reconhecimento dos povos e comunidades tradicionais de terreiro no estado. A construção desta edição envolveu anos de articulação entre comunidades, universidades e instituições públicas, num processo coletivo iniciado ainda em 2019.

Entre os destaques da programação está o lançamento estadual do Museu Virtual – Arquivo Afro-Religioso: Memória e Patrimônio das Comunidades de Terreiro do RN. A iniciativa reúne pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da UERN e lideranças religiosas de diversas regiões do estado, com o objetivo de preservar e difundir a memória das tradições afro-religiosas potiguares.

Também será apresentado o Mapa do Axé Potiguar, uma cartografia inédita dos terreiros existentes no Rio Grande do Norte. A proposta é contribuir para a visibilidade desses territórios, ampliar a produção de conhecimento sobre as comunidades tradicionais e subsidiar políticas públicas voltadas à proteção do patrimônio cultural afro-brasileiro e afro-ameríndio.

A invisibilidade histórica dos povos de terreiro continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas comunidades. Apesar de desempenharem papel fundamental na preservação de saberes ancestrais, práticas de cuidado, manifestações culturais e redes de solidariedade, os terreiros ainda convivem com episódios recorrentes de discriminação e violência motivados pelo racismo religioso.

Nesse contexto, a defesa da memória ocupa lugar central na programação do fórum. Uma das homenagens previstas recebeu o nome de “Às mãos que cuidam e guardam o sagrado” e reconhecerá lideranças responsáveis pela preservação dos conhecimentos ancestrais nas comunidades tradicionais. Também serão realizadas homenagens póstumas a pessoas que tiveram papel relevante na organização política dos povos de terreiro no estado.

Além dos debates políticos e das atividades formativas, o encontro contará com a Feira dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro. O espaço reunirá cerca de 30 expositores ligados a terreiros e três associações comunitárias, com a comercialização de artesanato, ervas, vestimentas religiosas, alimentos tradicionais, livros e produtos culturais.

A feira busca fortalecer experiências de economia solidária e geração de renda, evidenciando uma dimensão muitas vezes invisibilizada dos terreiros: seu papel como territórios de produção cultural, desenvolvimento comunitário e circulação de conhecimentos tradicionais.

Ao longo do dia, serão discutidos temas como igualdade racial, saúde, educação, juventude, cultura, direitos humanos, segurança alimentar e preservação patrimonial. A expectativa é que o encontro fortaleça as articulações entre comunidades e amplie a incidência política dos povos de terreiro na formulação de políticas públicas.

Em um estado onde as religiões de matriz africana ainda enfrentam estigmas históricos, o III Fórum Estadual das Comunidades Tradicionais de Terreiros surge como um espaço de afirmação coletiva. Ao reunir diferentes gerações em torno da ancestralidade, da memória e dos direitos, o encontro reafirma os terreiros como territórios vivos de resistência, produção de conhecimento e construção de futuros.

Fonte: saibamais.jor.br

Médica e sindicalista Sônia Godeiro é lançada ao Senado pelo PSOL

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O PSOL anunciou nesta terça-feira (23) a pré-candidatura da médica pediatra e sindicalista Sônia Godeiro ao Senado. A militante da saúde vai compor chapa própria para a eleição, que também terá os já anunciados Sandro Pimentel para a primeira cadeira do Senado e Robério Paulino para o Governo do Rio Grande do Norte.

Sônia Godeiro possui uma trajetória de mais de 40 anos de militância. Iniciou sua trajetória na então Convergência Socialista, grupo que fazia oposição à ditadura militar, e depois integrou o PSTU, de onde saiu em 2009. Também se notabilizou na direção do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde/RN), entidade da qual foi fundadora.

Ela diz que a pauta da saúde vai continuar sendo sua prioridade, e defende a luta por mais concursos públicos. 

“Nos últimos anos são muito poucos e, quando tem, são poucas vagas, demora a chamar”, diz.

“Então, nós queremos os planos de cargos e salários, queremos o fim dessas filas. A gente não consegue encaminhar os pacientes, as crianças, para um especialista. É uma dificuldade”, afirma, ao defender mais investimentos para o setor.

A pré-candidata também afirma que a inclusão do seu nome é uma forma de ter mais mulheres na política. “As mulheres são maioria, mas estão sub-representadas nos espaços representativos”, aponta.

Para ela, é preciso “mudar a cara do Senado”.

“Botar senadores e, principalmente, senadoras que olhem o lado do povo. Lutar para diminuir esse salário de senadores, deputados. Eles ganham muito”, critica Godeiro.

Trajetória

Sônia Maria Godeiro é médica pediatra, nascida em Patu, formada pela UFRN e com residência médica em Brasília. Reconhecida por sua dedicação às lutas sociais, iniciou sua militância ainda na juventude, durante a ditadura militar, vinculando-se à Convergência Socialista. Há mais de 40 anos atua em movimentos sociais, sindicais e populares.

Sua principal marca está na luta sindical, como as mobilizações que garantiram a convocação de mais de mil concursados, oriundos do certame realizado em 2018. Nessa pauta, segue atuando na defesa dos concursados da saúde de 2025 e na busca pela nomeação de cerca de dois mil servidores. Atualmente, dirige a Associação de Aposentados da Saúde do Rio Grande do Norte (Apas/RN).

Fonte: saibamais.jor.br