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Embaixador de Cuba chama de genocídio medidas de Trump sobre petróleo

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O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classifica o bloqueio econômico e energético dos Estados Unidos (EUA) contra a ilha caribenha como uma “política genocida” que busca privar a população dos seus meios de subsistência. O representante do governo cubano recebeu a Agência Brasil na embaixada do país, em Brasília, para falar sobre o endurecimento do bloqueio econômico a ilha. O embargo já dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo após a Revolução Cubana, de 1959.  

“Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, afirmou Curbelo.

No último 29 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump editou nova Ordem Executiva classificando Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington, citando, como justificativa, o alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã.

A decisão prevê a imposição de tarifas comerciais aos produtos de qualquer país que forneça ou venda petróleo a Cuba. A ameaça tem agravado a crise energética do país, que dependia, até 2023, de derivados de petróleo para cerca de 80% da energia consumida, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). 

Em 5 de fevereiro, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel denunciou a decisão de Trump como mais uma tentativa para derrotar a Revolução Cubana, que viria a instalar o primeiro governo de inspiração comunista na América Latina, desafiando a política de Washington para o continente. 

Durante a entrevista, o embaixador Adolfo Curbelo destacou que Cuba vive uma situação de guerra não convencional, o que explicaria as atuais dificuldades enfrentadas pela população. Para o diplomata, a nova medida tem efeitos “devastadores” sobre a ilha, que tem adotado medidas de austeridade extrema e tem apostado na ampliação da energia solar e na solidariedade internacional.   

Confira abaixo a entrevista exclusiva:


12.02.2026 - Brasília - Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
12.02.2026 - Brasília - Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Agência Brasil: Como a nova medida dos EUA contra o comércio de petróleo prejudica a economia e a sociedade cubanas?

Adolfo Curbelo: Há um acúmulo de fatores. Viemos de um bloqueio de 67 anos, reforçado durante o primeiro mandato de Trump, com mais 243 medidas adicionais que permaneceram em vigor durante toda a presidência de Biden.

Nós vivemos sob um bloqueio rigoroso que incluiu, por muitos anos, medidas de guerra não convencional para atingir, por exemplo, navios que transportavam petróleo para Cuba, ou companhias de seguros para navios. Muitas embarcações foram abordadas para impedir que o petróleo chegasse a Cuba.

Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA emitiu decreto que diz que qualquer país que vendesse petróleo a Cuba estaria sujeito a sanções. Eles já haviam garantido que nenhum petróleo da Venezuela chegaria a Cuba. Toda essa medida busca, precisamente, subjugar Cuba. Dizemos que é uma medida que constitui genocídio declarado.

Agência Brasil: Por que é um genocídio?

Adolfo Curbelo:  Porque priva o povo cubano de seus meios de subsistência. A economia de um país depende de energia. Com energia, o país se move, cuida dos doentes nos hospitais, produz alimentos, movimenta e transporta a população. Sem energia, tudo isso fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Acho que essas coisas precisam ser chamadas pelo nome.

Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. Agora, a soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba. Os efeitos disso na economia e no país são devastadores. Agora, isso não significa que estejamos indefesos.

Agência Brasil: Como Cuba pretende enfrentar esse momento?

Adolfo Curbelo: A situação é muito tensa. O país teve que tomar medidas de austeridade extremas para priorizar a proteção do que é mais necessário. Em primeiro lugar, a população. Embora haja longos apagões em todo o país, foram adotadas medidas de organização do trabalho para que as pessoas trabalhem de casa, priorizando aqueles que mais precisam sair para trabalhar.  

Foram feitos trabalhos de eletrificação em áreas que exigem proteção especial: hospitais, escolas, e até casa com crianças que, devido às suas condições de saúde, precisam de eletricidade. Essas casas estão sendo priorizadas.

Estamos trabalhando para aumentar a extração e o refino de petróleo no país. Temos trabalhado para aumentar a instalação de painéis solares no país para gerar eletricidade a partir de energia fotovoltaica. No ano passado, conseguimos instalar painéis solares para gerar 1.000 megawatts. Essa instalação nos permitiu ter agora quase 40% da geração de eletricidade diurna do país proveniente de painéis solares.

Esse investimento permitiu aumentar a porcentagem da geração total de eletricidade nacional, a partir de energia solar fotovoltaica, de 3% para 10%. O sistema bancário, hospitais, escolas e centros de produção de alimentos estão sendo protegidos com painéis solares.

Isso não quer dizer que estamos bem, pois ainda há um déficit muito agudo na geração de eletricidade, que está ligado à falta de combustível. Ainda não temos a capacidade de armazenamento necessária para distribuir essa eletricidade. A maior parte da infraestrutura de geração instalada no país consiste em usinas termelétricas e a maioria delas possui tecnologia obsoleta que não podemos modernizar porque é muito caro.

Agência Brasil: Algumas empresas de aviação suspenderam os voos para Cuba por falta de combustível para retornar, como empresas do Canadá. Qual é o efeito desse bloqueio sobre o turismo?  

Adolfo Curbelo: O turismo é uma das principais atividades do país para obtenção de divisas. Com as divisas obtidas, importa-se inclusive petróleo. Quando não tem petróleo, não tem combustível para abastecer os aviões que transportam turistas.

Os EUA também estão tentando interromper o fluxo turístico para o nosso país e impedir a entrada de dinheiro. É por isso que falei de genocídio, porque o objetivo dessa medida é justamente privar o povo cubano de seus meios de subsistência. O bloqueio é parte de uma política de genocídio.


12.02.2026 - Brasília - Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
12.02.2026 - Brasília - Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, na Embaixada de Cuba em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Entrevista exclusiva com o Embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Agência Brasil: Como você avalia a resposta da comunidade internacional a essa nova medida do governo Trump?

Adolfo Curbelo: Há uma rejeição generalizada da política dos EUA no mundo. Ninguém aceita as tarifas, ninguém aceita a agressão, ninguém aceita nada disso, a política de chantagem.

Também acredito que a solidariedade aumentará com a resistência do povo cubano. Houve uma significativa condenação internacional. O Movimento Não Alinhado, que engloba a maioria dos países do mundo — o chamado Sul Global — emitiu uma declaração rejeitando a ordem do governo do presidente dos EUA. Países importantes como a Rússia e a China, entre outros, emitiram fortes declarações de rejeição e solidariedade a Cuba, afirmando que prestarão auxílio ao país. A China doou 70 mil toneladas de arroz para Cuba.

O México tem mantido uma posição firme, defendendo, digamos, seu direito de ajudar Cuba. Há dois dias, vários navios da Marinha mexicana enviaram mais de 900 toneladas de ajuda humanitária para Cuba. Enviados especiais de Cuba visitaram a China e o Vietnã, e Cuba recebeu importantes visitas da Rússia.

Agência Brasil: Mas as medidas práticas de ajuda internacional não seriam ainda tímidas?

Adolfo Curbelo: Acreditamos que a mobilização internacional é muito importante. A denúncia e o diálogo político são muito importantes, mas também acreditamos que a solidariedade prática é importante, a possibilidade de ajudar e apoiar o povo cubano a resistir.

José Martí, o apóstolo da independência cubana, disse que fazer é a melhor maneira de falar. Todos nós podemos desempenhar um papel. Não devemos nos limitar a contar uma história, mas devemos agir para mudar essa história para derrotar a política dos EUA.

Isso não tem apenas a ver com uma defesa de Cuba, mas como uma defesa da América Latina, de todos nós. O ataque contra Cuba não é apenas contra Cuba. O ataque contra Cuba e a Venezuela é um ataque contra todos nós. Declaramos a América Latina uma zona de paz. E eles querem transformar isso em um espaço de guerra, de conflito, da imposição da lei do mais forte. Nós resistiremos e venceremos.

Agência Brasil: Até onde o governo cubano acredita que irá a política de bloqueio dos EUA?

Adolfo Curbelo: A decisão de Cuba de defender sua soberania e independência, mesmo com o uso de armas se necessário, é inabalável. Somos uma nação pacífica. Sempre declaramos nossa disposição em manter uma relação respeitosa com os EUA, inclusive com o atual governo americano, e nossa disposição em dialogar em pé de igualdade.

No entanto, não podem ser impostas condições, não pode haver interferência nos assuntos internos de Cuba, nem qualquer tentativa de subjugar ou subordinar nosso país aos interesses dos EUA. A independência e a soberania de Cuba são inegociáveis.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Maior Copa do Brasil da história inicia com recorde de clubes e jogos

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A noite dessa terça-feira (17) foi marcada pelo primeiro dos 155 jogos previstos na Copa do Brasil deste ano. No Estádio Lourival Gomes, em Saquarema (RJ), a Desportiva venceu o Sampaio Corrêa-RJ nos pênaltis, por 3 a 1, após empate por 1 a 1 no tempo normal.

A Locomotiva Grená, como o time capixaba é conhecido, abriu o placar aos 24 minutos do segundo tempo, em chute forte de Tiago Moura. O empate dos anfitriões saiu aos 42, em penalidade cobrada pelo também atacante Octávio.

Na disputa por pênaltis, o Sampaio pecou na pontaria. O lateral Guilherme e os atacantes Matheus Goiano e Lecarlos desperdiçaram as cobranças, para alegria da torcida da Desportiva, que viajou mais de 470 quilômetros para empurrar o time em Saquarema. Foi a primeira vez que o clube avançou de fase na Copa do Brasil.

A vitória valeu R$ 830 mil ao time capixaba pela classificação. Somados aos R$ 400 mil da cota de participação, a Locomotiva já acumula R$ 1,23 milhão em premiações no campeonato.

A primeira fase reúne os 28 times classificados à competição que são os piores colocados no ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Onze partidas movimentam o torneio nesta quarta (18) e mais duas na quinta-feira (19). Confira os confrontos, no horário de Brasília:

Jogos de quarta-feira (18)

16h – Porto-BA x Serra Branca – Agnaldo Bento, em Porto Seguro (BA)

16h30 – Maguary x Laguna – Arthur Tavares, em Bonito (PE)

17h – Baré x Madureira – Canarinho, em Boa Vista

19h30 – Araguaína x Primavera-SP – Mirandão, em Araguaína (TO)

20h – Betim x Piauí – Arena Urbsan, em Betim (MG)

20h – Santa Catarina x Iape – Alfredo Krieck, em Rio do Sul (SC)

20h – Gama x Monte Roraima – Bezerrão, em Gama (DF)

20h – América-SE x Tirol – Batistão, em Aracaju

20h30 – Ji-Paraná x Pantanal – Biancão, em Ji-Paraná (RO)

20h30 – Ivinhema x Independente-AP – Saraivão, em Ivinhema (MS)

21h – Vasco-AC x Velo Clube – Arena da Floresta, em Rio Branco

Jogos de quinta-feira (19)

20h – Primavera-MT x Bragantino-PA – Cerradão, em Primavera do Leste (MT)

21h – Galvez x Guaporé – Arena da Floresta, em Rio Branco

Novo formato

A edição 2026 da Copa do Brasil reúne o número recorde de 126 clubes. O regulamento sofreu mudanças. Se até o ano passado as equipes com vaga na Libertadores e os campeões nacionais (Séries B, C e D) e das copas regionais entravam na terceira fase, desta vez a inclusão de novos participantes ocorre da segunda até a quinta fase, a última antes das oitavas de final, que é quando os 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro chegam para a disputa.

A definição de confrontos em jogo único, restrita anteriormente às duas primeiras etapas, foi estendida até a quarta fase. A partir dai, os duelos terão partidas de ida e volta, exceto a final, que será realizada, de maneira inédita, em apenas uma partida e campo neutro.

Aos 14 times classificados da primeira fase, serão incluídos outros 74, totalizando 88 clubes. A Desportiva, pela classificação na terça, terá pela frente o Sport. A partida está marcada para o dia 5 de março, uma quinta-feira, às 19h, no Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica (ES).

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Coletivo transforma Felipe Camarão em território de arte-educação

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Na esquina entre a garagem de uma casa e a Praça Santa Paula Frassinetti, no bairro de Felipe Camarão, Zona Oeste de Natal, um grupo de jovens artistas decidiu transformar curiosidade em pedagogia e convivência em política cultural. O Coletivo A Gente nasceu oficialmente em 3 de janeiro de 2023, quando cinco amigos alugaram uma pequena sede para estudar e pesquisar artes integradas. Em poucos dias, o espaço deixou de ser apenas um laboratório artístico e virou ponto de encontro comunitário.

A data é lembrada como um divisor de águas. “Não alugamos só uma sede no dia 3 de janeiro de 2023, começamos a sonhar juntos e entender a força de um sonho sonhado em comunidade”, conta a integrante Érica Belizia.

O plano inicial era restrito: ensaiar, pesquisar e criar. Mas a comunidade atravessou o projeto antes que o coletivo pudesse definir seus próprios limites. Crianças começaram a observar os ensaios pelas frestas do portão, se aproximaram e passaram a participar das experiências. Vieram contações de histórias, depois jogos teatrais e oficinas. Em pouco tempo, mais de 40 crianças ocupavam a garagem.

Sem estrutura física para comportar a demanda, o grupo expandiu as atividades para a praça ao lado. O espaço público virou sala de aula. “O território e o cotidiano vêm se fazendo parte da nossa pedagogia”, afirma Alisson Lima. “A praça é o lugar do encontro.”

Arte feita de dentro

A escolha de atuar em Felipe Camarão não foi estratégica, mas orgânica. A maioria dos integrantes mora no bairro e construiu ali sua trajetória. O coletivo parte da experiência cotidiana para criar suas práticas.

“Criamos a partir de dentro do bairro, com pertencimento e responsabilidade”, explica Raphael Formiga. Segundo ele, o território influencia diretamente as urgências e o modo de fazer arte-educação do grupo.

O trabalho com crianças se tornou eixo permanente. Organizadas por faixas etárias, as turmas passaram a ter encontros semanais e deram origem ao projeto Rabiola, uma proposta de artes integradas envolvendo teatro, literatura e intervenções artísticas.

Os impactos aparecem no comportamento das crianças e no envolvimento das famílias. “As crianças demonstram ser cada vez mais participativas, criativas e afetivas”, relata Francisco Silva. “É comum estarem dispostas a ajudar nos eventos da praça mesmo quando não são direcionados a elas.”

O primeiro ano de atuação foi sustentado exclusivamente por trabalho voluntário. Aluguel, materiais pedagógicos e lanche das crianças saíam do bolso dos próprios integrantes ou de doações da comunidade.

Em 2024, o coletivo teve três projetos aprovados na Lei Paulo Gustavo e participou da coidealização de uma ação financiada pela Lei Rouanet, via Banco do Nordeste. Entre as iniciativas, estavam projetos de incentivo à leitura, formação de professores e exposições fotográficas com moradores do bairro.

As aprovações trouxeram alívio e reconhecimento institucional. “Representaram um importante sinal de esperança quanto ao funcionamento dos editais para coletivos comunitários”, avalia Alisson Lima.

Ainda assim, o financiamento não resolveu a sustentabilidade do projeto. O grupo segue majoritariamente sem remuneração fixa. “Os jovens que fazem o projeto acontecer não recebem pelo que fazem, mas fazem. Tiram do próprio bolso, mas fazem. Mas até quando isso será possível?”, questiona o integrante.

Praça como política pública

Além das oficinas semanais, o coletivo promove eventos culturais abertos. O (H)Á Gente na Praça reúne apresentações artísticas, contação de histórias e atividades educativas, sempre gratuitas. A proposta é simples: transformar o espaço público em experiência de pertencimento.

A praça também recebe apresentações teatrais e performances. A primeira montagem do grupo foi O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, reinterpretado a partir das vivências da periferia e apresentado em escolas e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Com o tempo, as atividades passaram a envolver jovens, adultos e idosos, consolidando a ideia de arte-comunidade defendida pelo coletivo.

Para o quarto ano de atuação, o objetivo principal não é expansão, mas permanência. “O principal desejo é seguir existindo e existir com mais dignidade”, afirmam os membros do grupo.

Entre as metas estão ampliar a equipe, retomar ações voltadas à juventude e desenvolver criações autorais, além de manter as atividades com crianças e eventos públicos. O coletivo também busca transformar o trabalho voluntário em atuação profissional remunerada.

Enquanto o financiamento contínuo não chega, a estratégia segue sendo a mesma que deu origem ao projeto: inventar caminhos.

Entre uma garagem que virou escola e uma praça que se tornou palco, o Coletivo A Gente construiu uma pedagogia própria baseada em convivência, arte e território. A experiência mostra como iniciativas culturais periféricas não apenas produzem arte, mas reorganizam relações sociais e educacionais dentro da cidade.

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Fonte: saibamais.jor.br

a preservação como política de destino

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Criado por empresários ligados à Associação de Hoteleiros de Tibau do Sul e Pipa e ao Pipa Convention & Visitors Bureau, o movimento Preserve Pipa completa oito anos consolidando uma atuação que mistura promoção turística, responsabilidade ambiental e articulação comunitária em Praia da Pipa, no município de Tibau do Sul. Ao longo desse período, a iniciativa privada passou a ocupar papel estratégico na organização do destino, funcionando como elo entre empresários, moradores, instituições de pesquisa e projetos socioambientais.

O movimento nasceu da necessidade de reposicionar a atuação dos hoteleiros na divulgação do destino. Co-fundador do projeto, Wanderson Borges explica, em entrevista à Agência Saiba Mais, que a criação de uma nova marca buscava ampliar o alcance público e indicar a direção da proposta. “O Movimento surgiu da necessidade de retomar as ações da associação de hoteleiros na promoção do destino turístico. Naquele momento entendemos que a sigla ASHTEP não tinha impacto midiático e decidimos pelo nome Preserve Pipa para uso comercial. O próprio nome já dá a direção do que queremos em relação ao tema ambiental e social”, afirma. Atualmente ele preside a associação e integra a direção do Convention Bureau.

Inicialmente focado na manutenção do Santuário Ecológico, parque privado com mais de 90 hectares de área verde considerado um dos principais patrimônios naturais da região, o Preserve Pipa ampliou seu escopo e passou a atuar em diversas frentes. Ao longo dos anos promoveu mutirões de limpeza, campanhas de conscientização ambiental, capacitação de profissionais do setor hoteleiro, incentivo à redução de resíduos e apoio a projetos voltados à conservação da fauna costeira. Parte dessas ações é financiada pela Room Tax, contribuição voluntária de R$ 4 por diária, cobrada por quarto, destinada à promoção do destino e ao custeio de iniciativas socioambientais.

Com esses recursos, o movimento já realizou repasses ao Projeto Tamar e à AMAPPIPA, instalou lixeiras e contêineres de coleta, promoveu seminários de educação ambiental e patrocinou eventos culturais e esportivos que integram o calendário turístico local. No campo da gestão de resíduos, mantém parceria com a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Arez, responsável pela coleta semanal em hotéis participantes. Em 2025, foram destinados corretamente 8.062 quilos de resíduos sólidos recicláveis, entre plástico, papelão, vidro e metais ferrosos, encaminhados a recicladoras do Rio Grande do Norte conforme a legislação ambiental.

Segundo Wanderson, o impacto econômico é o mais perceptível, refletido na ocupação dos meios de hospedagem e na profissionalização do setor. “As ações do ponto de vista econômico são as mais visíveis, pois refletem na ocupação da cidade e dos hotéis associados. Nosso trabalho de promoção, divulgação, articulação e treinamento de vendas vem recebendo elogios há anos e colhendo bons frutos.” Ainda assim, ele ressalta que a atuação privada tem limites. “O Preserve Pipa não consegue sozinho mudar nem 10% das ações do município. Precisamos da Prefeitura. Atuamos nas empresas; a massa do município só a gestão pública consegue atingir.”

A iniciativa também estruturou parcerias com instituições como a Embratur, a Emprotur, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Com a universidade foram desenvolvidos estudos voltados à proteção dos golfinhos da região, enquanto com o IFRN ocorreu a coleta de dados de público durante o Fest Bossa & Jazz, subsidiando o planejamento turístico do destino.

Ao completar oito anos, o movimento também passou a investir em promoção segmentada e inclusão. Em parceria com o Visite Rio Grande do Norte e a International LGBTQ+ Travel Association, lançou o ebook “Roteiro LGBT Pipa 7 noites” durante a ABAV Expo, no Rio de Janeiro. O material apresenta experiências, hospedagens, gastronomia e atrações pensadas para viajantes que buscam vivências autênticas e acolhedoras. Wanderson destaca o perfil plural do destino. “A Praia da Pipa é naturalmente cosmopolita e abraça todos os públicos, especialmente o público LGBTQIAP+. Nossos empreendimentos valorizam a inclusão, a diversidade e a autenticidade. Estamos de braços abertos para receber turistas de todos os lugares do Brasil e do mundo”, finaliza. Confira o ebook aqui.

Ao atingir oito anos de atividades, o Preserve Pipa reforça a proposta de construção coletiva de um destino equilibrado, onde preservação ambiental, desenvolvimento econômico e bem-estar social caminham juntos. A data simboliza não apenas a continuidade de um projeto empresarial, mas a tentativa de estabelecer um modelo de turismo no qual a conservação do território seja condição para sua própria sobrevivência econômica e social.

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Fonte: saibamais.jor.br

RN faz teste que pode levar feminicídio à lista de causas de morte da OMS

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O Rio Grande do Norte virou um dos pontos de teste de um experimento que tenta corrigir um apagão antigo: o feminicídio acontece, mas some no papel da saúde. Em municípios potiguares, a aplicação de uma matriz de decisão vem ajudando a reclassificar mortes de mulheres por níveis de evidência — e é desse ensaio, feito também em outras partes do país, que nasce uma proposta considerada inédita: levar à OMS (Organização Mundial da Saúde) o pedido para enquadrar o feminicídio na CID (Classificação Internacional de Doenças), a lista que orienta, no mundo inteiro, como se registra por que alguém adoece e por que alguém morre. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.

A proposta tem apoio do Ministério da Saúde e parte de um diagnóstico direto, quase constrangedor pela simplicidade: hoje, quando uma mulher morre em um crime de ódio marcado por gênero, os sistemas de informação em saúde tendem a carimbar o caso como “homicídio”, “agressão” ou “causa externa”. O resultado prático, apontam as pesquisadoras envolvidas, é que o feminicídio vira estatística genérica — e, como estatística genérica, perde a chance de acionar alertas, protocolos e políticas permanentes de vigilância, prevenção e intervenção, nos moldes do que já existe para outras emergências sanitárias.

O movimento ganha força em um momento em que, em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios. A resposta do governo federal veio com o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 4 de fevereiro, em parceria com os Poderes Legislativo e Judiciário — mas sem que fossem detalhados, naquele anúncio, os mecanismos práticos para transformar objetivos em execução.

A médica epidemiologista Fátima Marinho, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e colaboradora do projeto, explicou à Folha que a ideia é propor, na próxima atualização da CID-11, a criação de uma categoria chamada “Violência contra a Mulher” — e, dentro dela, incluir o feminicídio. A escolha, segundo ela, não é apenas semântica: com um código específico, seria possível organizar uma vigilância contínua e integrar bases que hoje andam em paralelo — saúde, segurança pública, Justiça, assistência social, entre outras.

“Se você não tiver vigilância, não consegue alimentar um sistema nem pensar em prevenção”, afirma Marinho. O tema vem sendo discutido com organismos internacionais como OMS, ONU Mulheres e UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).

Para sustentar a proposta, Fátima Marinho desenvolveu um marco conceitual e uma matriz de decisão baseada em evidências, com cinco níveis de classificação — do “feminicídio com 100% de certeza” até “não foi feminicídio”. A lógica segue um raciocínio típico da epidemiologia: trabalhar com probabilidades, como já se faz em doenças infecciosas, para que casos suspeitos também entrem no radar e possam ser investigados antes de virarem apenas um número — ou, pior, uma linha errada.

Além de municípios do Rio Grande do Norte, a matriz está sendo testada em Goiás, Pernambuco e Rio de Janeiro. No recorte potiguar, os estudos citados no texto original apontam um problema que muda o desenho do fenômeno: no estado, apenas mortes de mulheres com medida protetiva vigente entram na estatística oficial de feminicídio. A consequência é um retrato que privilegia quem consegue chegar ao sistema de Justiça. Mulheres brancas, com maior acesso a esse caminho, aparecem mais; mulheres negras e pobres — que recorrem mais à saúde e menos à polícia — acabam empurradas para a invisibilidade.

Pesquisadores citados no texto apontam que tratar o feminicídio como questão de saúde pública é uma chave para romper o ciclo porque a rede de saúde, muitas vezes, vê sinais antes do desfecho — e perde a chance de agir. A socióloga ouvida pela Folha, Paula Bevilacqua, da Fiocruz Minas, coordena um grupo de pesquisa sobre violência, gênero e saúde e afirma que estudos com dados do Ministério Público e de sistemas nacionais de saúde mostram um padrão recorrente: muitas vítimas de feminicídio passaram repetidas vezes por unidades básicas, ambulatórios e hospitais antes de morrer. Segundo ela, os dados ficam pulverizados e raramente conversam entre si — o que dificulta respostas coordenadas.

Nesse cenário, alguns estudos associam a violência de gênero a adoecimento crônico, sofrimento mental e morte, com impactos desiguais sobre mulheres negras, pobres, periféricas, indígenas e trans. Segundo os pesquisadores os dados mostram marcas de racismo, desigualdade social e controle territorial.

O grupo trabalha com calendário apertado: há prazo para enviar a proposta à OMS até o fim de fevereiro. A expectativa é que a estratégia se torne um bem público e possa incorporar ferramentas de inteligência artificial para identificar padrões de risco com base em dados da atenção primária, secundária e hospitalar.

Em nota enviada à Folha, o Ministério da Saúde afirmou que avalia uma proposta para aprimorar o registro de casos de feminicídio nos sistemas de informação em saúde, incluindo a possibilidade de incorporar esse modelo à CID. “Essa avaliação, ainda em fase inicial, envolve análises de viabilidade operacional, metodológica e normativa, além de discussões com especialistas e entes federativos”, diz o ministério.

RN fecha 2025 com alta no feminicídio — mesmo com queda em outros crimes

Enquanto participa do teste que pretende mudar a forma de registrar mortes de mulheres, o Rio Grande do Norte encerrou 2025 com aumento no número de casos de feminicídio. Foram 21 mulheres assassinadas, duas a mais do que os 19 casos de 2024. As 76 tentativas de feminicídio registradas em 2025 também superam as 67 de 2024. Os dados são da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine). A sequência recente indica tendência de crescimento: 13 casos em 2020, 20 em 2021, 18 em 2022, 24 em 2023, 19 em 2024 e 21 em 2025.

O avanço do feminicídio ocorre apesar de indicadores gerais de violência apontarem redução no estado em outros recortes, segundo os números disponíveis. Entre 2023 e 2024, houve queda de 31% nos roubos a estabelecimentos comerciais, de 1.060 para 729. No mesmo período, os roubos a residência recuaram 16%, de 1.021 para 856. Já o roubo a transeuntes caiu 17%, de 9.656 para 7.992. Os dados de 2025 desses indicadores ainda serão divulgados.

No quadro nacional, o Mapa da Segurança Pública de 2025 aponta que quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. O levantamento registra 1.459 vítimas em 2024, frente a 1.449 em 2023.

Fonte: saibamais.jor.br

RN abre editais de cultura com 293 vagas pela Lei Aldir Blanc

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O Rio Grande do Norte abriu, nesta semana, as inscrições para um novo pacote de editais de cultura financiados pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN). O prazo vai até 9 de março, com 293 vagas distribuídas entre diferentes áreas artísticas e culturais.

Ao todo, o Bloco III do Ciclo 2 da PNAB no estado prevê investimento de R$ 8,25 milhões. O valor faz parte de um montante superior a R$ 25 milhões reservado para os editais de 2026, dentro da programação anual da política pública. Este é o terceiro de cinco blocos previstos para este ano.

As chamadas abertas contemplam uma lista ampla de linguagens: Artes Integradas e Outras Expressões, Audiovisual, Artes Circenses, Artes Visuais, Dança, Jogos Eletrônicos, Livro, Leitura e Literatura, Música e Teatro.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, por meio da plataforma Mais Cultura, no endereço  Para cada edital, será disponibilizada uma Cartilha Acessível com orientações sobre a documentação exigida, em linguagem simplificada e detalhada.

Dúvidas sobre os editais do Bloco III podem ser encaminhadas para o e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp (84) 98614-4427. A Secretaria também informou que oferece atendimento individualizado, on-line ou presencial, no Complexo Cultural Rampa, mediante agendamento prévio via WhatsApp. O serviço funciona em dias úteis, das 9h às 17h.

A execução da PNAB RN em 2026 ainda prevê o lançamento de mais dois blocos “ainda no início do ano”, o que deve levar o total a 27 editais ao final do processo. O Bloco IV será dedicado ao Apoio à Diversidade Cultural, com foco em propostas que promovam a representatividade de Mulheres na Cultura, Cultura LGBTQIAPN+, Cultura Negra e Cultura Urbana e Periférica. Já o Bloco V, de Aquisição e Manutenção, inclui apoio financeiro para compra de bens e insumos, subsídio para manutenção de espaços artísticos e o edital voltado à gestão do Cine Panorama.

O investimento previsto para o ciclo também contempla reformas em equipamentos culturais citados no planejamento: o Teatro Adjuto Dias, a Pinacoteca Potiguar e a Casa de Cultura de Macau.

Fonte: saibamais.jor.br

UFRN inicia cultivo de cannabis para pesquisa científica

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A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) iniciou o plantio de cannabis para fins de pesquisa científica após obter autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para cultivo controlado e processamento da planta — a primeira instituição do país a conquistar esse aval. Com o começo do cultivo, o reitor José Daniel Diniz Melo visitou, na manhã desta sexta-feira (13), o laboratório do Instituto do Cérebro (ICe-UFRN), onde são conduzidos os projetos que avaliam a eficácia e a segurança de combinações da substância.

No momento, o Instituto do Cérebro já mantém mudas plantadas com séries diferentes de fitocanabinoides. A condução do cultivo segue um roteiro de etapas, detalhado pelo professor Claudio Queiroz, do ICe-UFRN: começa com o plantio, passa por podas voltadas à clonagem do vegetal, segue para a floração e termina na extração dos fitocanabinoides. É esse material que será posteriormente analisado nas pesquisas científicas.

As investigações desenvolvidas no laboratório se debruçam sobre diferentes áreas, com estudos voltados para epilepsia, zumbidos, autismo, sono e dor. A proposta é avaliar, de forma científica, tanto a eficácia quanto a segurança das combinações trabalhadas a partir dos compostos extraídos.

Na avaliação do reitor Daniel Diniz, o início do cultivo controlado marca um ponto de virada para a produção de conhecimento no país sobre o tema. “Após passarmos por um rigoroso processo junto à Anvisa, ver o início do cultivo da cannabis acontecendo no Instituto do Cérebro representa um passo importante para o avanço da pesquisa desenvolvida na UFRN e um marco histórico para a ciência brasileira”, afirmou.

Além do reitor, a visita ao laboratório reuniu a pró-reitora de Pesquisa (Propesq-UFRN), Silvana Zucolotto; o diretor da Agência de Inovação (Agir-UFRN), Jefferson Oliveira; e a chefe de Gabinete da Reitoria, Magda Pinheiro.

Foto: Williane Silva/Agecom UFRN

Histórico

Em 2020, a UFRN iniciou o processo para liberação, junto à Anvisa, do cultivo controlado e processamento da planta cannabis para pesquisa científica. Do ponto de vista prático, o órgão de vigilância sanitária autorizou a UFRN a importar, armazenar e germinar sementes da planta cannabis, bem como cultivá-la, por meio de sistema controlado, na modalidade indoor (ambiente fechado). 

O ICe-UFRN conduz projetos de pesquisa pré-clínica para avaliação da eficácia e segurança de combinações de fitocanabinóides, no manejo de sinais e sintomas associados a distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

Com informações da Agecom/UFRN

Fonte: saibamais.jor.br

Vini Jr marca golaço e denuncia caso de racismo em Liga dos Campeões

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O atacante Vinícius Júnior denunciou ter sido vítima de racismo na vitória de seu clube, o Real Madrid, da Espanha, sobre o Benfica, de Portugal, por 1 a 0, pelo mata-mata da Liga dos Campeões da Europa. O episódio ocorreu logo após o brasileiro marcar um golaço no Estádio da Luz, abrindo o marcador em Lisboa, capital portuguesa.

Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini Jr recebeu do atacante Kylian Mbappé na esquerda e bateu da entrada da área. A bola fez um arco e acertou o ângulo do goleiro Anatoliy Trubin. O camisa 7 do Real Madrid festejou dançando em frente à bandeira de escanteio, próximo a torcedores do Benfica.

Os jogadores do time português foram tirar satisfações com Vini Jr, que recebeu cartão amarelo do árbitro François Letexier. Quando a confusão parecia encerrada, o brasileiro se dirigiu ao juiz reclamando que foi chamado de “mono”, termo em espanhol para macaco. Ele tinha acabado de discutir com Gianluca Prestianni, do Benfica. As imagens da transmissão de TV mostraram que, em certo momento, o atacante argentino colocou a camisa em direção à boca.

Após a denúncia de Vini Jr, o juiz ergueu os braços em forma de “X”, acionando o protocolo antirracismo e interrompendo o jogo. A paralisação durou cerca de dez minutos e jogadores do Real Madrid cogitaram deixar o gramado, mas não houve punição e o duelo foi retomado. O brasileiro passou a ser vaiado pela torcida do Benfica em todo instante que encostava na bola.

O gol marcado nesta terça isolou Vini Jr como segundo jogador brasileiro que mais balançou as redes na Liga dos Campeões. Ele chegou a 31 gols, superando o ex-meia Kaká, que atuou por Real Madrid e Milan, da Itália. O líder da estatística é o atacante Neymar, que marcou 42 gols por Barcelona, da Espanha, e Paris Saint-Germain, da França.

Com o triunfo por 1 a 0, o Real Madrid tem a vantagem do empate no duelo de volta do confronto, que dá vaga às oitavas de final. As equipes se reencontram na quarta-feira da próxima semana (25), às 17h (horário de Brasília), no Santiago Bernabeu, em Madri, capital espanhola.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças no carnaval

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Ter algo gelado para beber no meio de um bloco de carnaval sob o sol escaldante na cidade do Rio de Janeiro pode ser um alívio. Os responsáveis por vender as bebidas em meio a multidões são os ambulantes, que circulam pela folia. 

Esses trabalhadores enfrentam condições precárias para se manterem horas sob o sol, longas jornadas, e cuidar dos próprios filhos durante os dias de feriado. Sem escolas abertas e sem apoio de outros cuidadores, a solução de muitos é levar as crianças junto com o isopor.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Ambulante Taís Epifânio, com a filha de 4 anos.
Foto: Movimento Elas por Elas
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Ambulante Taís Epifânio, com a filha de 4 anos.
Foto: Movimento Elas por Elas

 Ambulante Taís Epifânio com a filha de 4 anos. Foto: Movimento Elas por Elas

Essa é a situação de Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos. Ela mora na favela do Arará, na Zona Norte, e vai de ônibus, com bebidas e o carrinho para vender nos blocos da Zona Sul. Sua filha, de 4 anos, a acompanha. 

“Carnaval é quando a gente consegue ganhar mais dinheiro, é um evento grande, então, se eu não fizer isso, a gente não come, não bebe. E eu não posso deixá-la sozinha”, explicou. 

O filho mais velho, de 16 anos, fica em casa. “O que também me preocupa porque eu moro em comunidade”, disse, em função dos conflitos armados e do tráfico de drogas na região.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Lílian Conceição Santos não tem com quem deixar os filhos para trabalhar
Foto: Movimento Elas por Elas
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Lílian Conceição Santos não tem com quem deixar os filhos para trabalhar
Foto: Movimento Elas por Elas

Lílian Conceição Santos não tem com quem deixar os filhos para trabalhar Foto: Movimento Elas por Elas

No centro da cidade, Lílian Conceição Santos, de 34 anos, também carrega os filhos perto de si. Ela passa o dia com três filhos e sobrinhos, entre 2 e 14 anos, dentro da barraca. “O carnaval ajuda demais nas contas, não posso deixar de vir”, diz. 

Ela vende biscoitos, balas e bebidas, enquanto as crianças, em colchões no chão, refrescadas por ventiladores, estão com os olhos vidrados no celular. De noite, voltam para casa com a avó, que de dia ajuda nas vendas. 

“Aqui é precário. O banheiro que a gente usa é o bueiro, toma banho com água da polícia [do posto] e comida é na panela elétrica”, contou.

Apoio

O carnaval, que deve movimentar R$ 5,8 bilhões na economia do Rio, representa o maior faturamento do ano para os ambulantes e é considerado o décimo terceiro salário. Por isso, o esforço é necessário, de acordo com o Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Acolhimento aos filhos de ambulantes no Carnaval. .
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Acolhimento aos filhos de ambulantes no Carnaval. .
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Espaço de colhimento aos filhos de ambulantes no Carnaval. oto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em busca de melhores condições para atuar, elas cobram apoio do poder público, com a instalação de espaços de convivência para os pequenos e para elas descansarem, de dia e de noite, em áreas centrais e, perto dos grandes blocos.

Neste carnaval, o Elas por Elas, em uma articulação com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), conseguiu, com a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura, um espaço para deixar as crianças de noite, mas somente nas noites de desfiles.

No local, as crianças de 4 a 12 anos fazem atividades lúdicas, descansam, tomam banho, recebem refeições e dormem com mais conforto enquanto os pais e mães fazem as vendas na rua. A unidade, que funciona entre 18h e 6h, recebe cerca de 20 crianças por noite.

Taís chegou a deixar sua filha no centro no primeiro dia, sábado (14), e contou que foi um alívio grande.

“Minha filha gostou, eu também entrei e achei um espaço super bacana, a minha filha, quando acordou, me contou que brincou, viu televisão, tinha cama, coisas que na rua, a gente não tem como dar”, disse a ambulante. “Estamos na luta para tentar ampliar o horário para atender as mães que trabalham de manhã”, completou.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Luna Cristina Vitória Nunes Neves e Eduardo Vitor Nunes
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Luna Cristina Vitória Nunes Neves e Eduardo Vitor Nunes
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Luna Cristina e o filho Eduardo Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Vendendo churrasquinho quase em frente ao espaço das crianças, Luna Cristina Vitória, de 26 anos, também deixou os dois filhos, de 5 e 9 anos, lá, nos últimos dias. Ela mora na zona oeste e tem uma barraca próxima ao sambódromo. Os pais dela ajudam nas vendas e a solução foi aderir ao projeto. 

“Eles dão todo o suporte lá, as crianças jantam, tomam banho, dormem, saem umas 5h20, quando a gente já consegue pegar e levar para casa”, contou Luna. O seu filho, Eduardo Vitor Nunes Silva, de 9 anos, aprova. “Eu gosto mais de ficar no espaço que dá para desenhar”, disse ele, sobre a experiência domingo (15). 

Na segunda-feira (16), ele retornou para a família poder trabalhar. “Lá a gente come, brinca, dorme, tem uma televisão, é mais confortável”, completou.

Lílian Conceição, que trabalha no Largo da Carioca, gostaria que a prefeitura disponibilizasse esse tipo de serviço mais perto de onde está. “Lá na Sapucaí, é muito longe para mim. Mas se tivesse aqui, eu botava, porque senão, é só telefone (tela)”, lamentou.

Na avaliação das mães ambulantes, elas prestam um serviço ao carnaval carioca e recebem pouco apoio em troca. “Estamos falando de direitos nossos, como trabalhadoras, e das crianças”, disse Caroline Alves da Silva, umas das lideranças do Movimento Elas por Elas.

“No entanto, somos invisíveis. Faltam desde políticas públicas a itens básicos de proteção, como guarda-sol, blusa UV e chapéu”. Para ela, o lucro com o carnaval deveria prever benefícios para quem entrega os produtos ao público final. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Carol da Providência, vendedora ambulante
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Carol da Providência, vendedora ambulante
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 Caroline Alves da Silva, umas das lideranças do Movimento Elas por Elas Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A grande maioria das ambulantes no carnaval são mulheres negras, mães solo, que dormem embaixo de marquises”, disse Caroline.

“A gente faz parte [da economia do carnaval], a gente carrega cerveja, carrega carrinho pesado debaixo do Sol, nos blocos, na Sapucaí, mas somos invisíveis”. O movimento cobra mais diálogo sobre a organização do carnaval e a instalação dos pontos de apoio para elas e as crianças.

O vereador Leniel Borel (PP), publicou vídeos em suas redes sociais mostrando crianças e adolescentes trabalhando ou junto aos pais ambulantes à noite. Ele alerta também para abordagens de pedófilos e desaparecimentos. Nas imagens, conversa com os pais e cobra atuação da prefeitura. 

Ações de prevenção

A Secretaria Municipal de Assistência Social diz que faz ações permanentes e no carnaval com foco na prevenção de situações como o trabalho infantil, mas não deu detalhes. E destacou o espaço de convivência perto da Sapucaí.

“As nossas equipes circulam nos arredores da Sapucaí e oferecem o serviço, sempre que identificam a necessidade”, explicou a secretária Martha Rocha, em nota. “Os próprios ambulantes podem procurar os nossos profissionais, identificados com colete da SMAS, ou levar seus filhos e suas filhas direto ao espaço”, diz. 

O centro fica no Espaço de Desenvolvimento Infantil Rachel de Queiroz, em frente ao Edifício Balança Mas Não Cai.

Para aliviar o desgaste nos dias de trabalho, o Elas por Elas conseguiu que as ambulantes fossem incluídas, este ano, no Centro do Catador, perto da Sapucaí e a 15 minutos a pé do centro das crianças. 

“Não adianta a gente deixar os filhos dentro de um espaço seguro e ir dormir embaixo de marquise”, disse Caroline. “Tem algumas mulheres que trabalham no entorno da Sapucaí, mas, outras, só em bloco e dormem na rua”.

No Centro do Catador, que fica na Rua Viscondessa de Pirassununga, as ambulantes podem descansar, beber água, fazer refeições, tomar banho e pernoitar. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Casa do Catador 
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Casa do Catador 
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Casa do Catador ampliou o atendimento aos ambulantes Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Casa do Catador é uma iniciativa inédita da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima pensada para atender catadores de material reciclável. Muitos são oriundos de municípios da baixada fluminense e trabalham no sambódromo. No local, o atendimento às ambulantes foi ampliado com apoio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

A presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da casa, deputada Dani Monteiro (PSol), sabe da limitação do espaço, longe dos blocos. Mas disse que, mesmo assim, há um reconhecimento do papel das trabalhadoras no carnaval. 

“Garantir água, cuidado e um espaço digno é reconhecer que direitos humanos também são renda, saúde e respeito para quem mantém a cidade de pé no dia a dia e nas grandes festas”, disse, em nota. 

A prefeitura não comentou as críticas sobre o fornecimento de equipamentos de proteção aos ambulantes e a necessidade de ampliação do horário do centro de convivência para as crianças. 

Em 2026, a prefeitura limitou o credenciamento a 15 mil ambulantes, embora cerca de 50 mil tenham se cadastrado. Nas contas do movimento, é esse o número de trabalhadores pelas ruas.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski vencem mais uma no WTA de Dubai

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A parceria entre a paulista Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski segue na briga pelo título de duplas femininas do WTA 1000 de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Após se classificarem às quartas de final nesta terça-feira (17), elas aguardam a organização do torneio conformar a data e o horário da partida contra a mexicana Giulia Olmos e a estadunidense Jessica Pegula.

Número 14 do ranking de duplistas da Associação de Tênis Feminino (WTA, sigla em inglês), Luisa e Dabrowski (10ª) precisaram de uma hora e nove minutos para derrotarem a parceria da tcheca Marie Bouzkova (89ª) com a indonésia Janice Tjen (57ª) por 2 sets a 1.

Após fazerem 6/1 no primeiro set e perderem o segundo por 6/3, elas tiveram que disputar o super tie-break, um desempate no qual vence quem chegar a dez pontos, comum em partidas entre duplas. Com um jogo sólido, a brasileira e a canadense ganharam por 10 a 3 e se classificaram.

“Ótimo jogo, mais uma vitória, primeiro super tie-break do ano, super feliz de seguir adiante. Aqui [Dubai], as condições são bem rápidas e com esse sistema de placar sabemos que o jogo pode mudar rápido”, disse Luisa, em comunicado à imprensa.

Olmos (49ª) e Pegula (5ª do mundo em simples, 204ª em duplas), adversárias das quartas de final, alcançaram um grande resultado nas oitavas. Na segunda-feira (16), elas venceram, em dois sets (duplo 6/3), a parceria campeã do Aberto da Austrália, o principal torneio do início de temporada, formada pela chinesa Shuai Zhang (12ª) e a belga Elise Mertens, melhor duplista do ranking atualmente.

Se passarem por Olmos e Pegula, Luisa e Dabrowski podem ter pela frente a dupla que as eliminou das duas últimas competições, entre elas o Aberto da Austrália. Para isso, a parceria da cazaque Anna Danilina (7ª) e a sérvia Aleksandra Krunic (11ª) têm de vencer a formada pela indiana Rutuja Bhosale (142º) e a tailandesa Peangtarn Plipuech (128º), em confronto previsto para quarta-feira (18), ainda sem horário.

Os torneios nível WTA 1000 são os principais do circuito regular. Considerando o ano como um todo, este tipo de competição fica atrás somente dos quatro Grand Slams (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open).

Fonte: Agência Brasil de Noticias