Policiais federais cumprem desde o início da manhã desta quinta-feira (7) um mandado de prisão temporária e dez de buscas e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O senador Ciro Nogueira (PP-PI) está entre os investigados.
De acordo com a PF, as ações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrem nos estados do Piauí, de São Paulo, de Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão do STF autorizou, ainda, o bloqueio de bens, de direitos e de valores no valor de R$ 18,85 milhões.
A operação de hoje objetiva de aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, informou a PF.
Compliance Zero
Na 4ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 16 de abril deste ano, foram presos, em caráter preventivo, o ex-presidente do banco público do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema fraudulento montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que está detido desde o início de março.
Nas quatro primeiras fases da Compliance Zero, a PF cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades federativas (BA, DF, MG, RJ, RS e SP). A pedido da PF e do Ministério Público (MP), a Justiça determinou o sequestro ou o bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões e o afastamento dos investigados de eventuais cargos públicos.
As seis dezenas do concurso 3.005 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 21h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.
O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 36 milhões.
As apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília), nas casas lotéricas em todo o país ou pela internet, no site das Loterias Caixa e pelo aplicativo da Caixa.
O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.
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Por se tratar de um concurso com final cinco, ele recebe um adicional das arrecadações dos cinco concursos anteriores, conforme regra da modalidade.
O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa.
Um projeto de lei apresentado pela Prefeitura de Natal foi retirado de tramitação após protesto de servidores da saúde. O texto continha dois pontos considerados negativos pela categoria, sendo um deles que poderia a longo prazo rebaixar o salário desses trabalhadores para abaixo do mínimo.
O Projeto de Lei Complementar (PLC) 9/2026 foi enviado pelo Executivo à Câmara em 27 de abril. O texto concede reajuste aos servidores públicos municipais integrantes do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos profissionais da saúde mas, ao mesmo tempo, revoga dois artigos que poderiam prejudicar a categoria.
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde) foi uma das entidades que, junto com o sindicato dos Enfermeiros (Sindern) e Odontologistas (Soern), realizou um protesto na Câmara na última quinta (30). Fátima Menezes, da diretoria do Sindsaúde, diz que a categoria conversou com alguns dos vereadores para solicitar a retirada de tramitação do texto para uma negociação. Os sindicalistas também abriram diálogo com o secretário municipal de Administração (Semad), Brenno Queiroga, o secretário da Casa Civil e o secretário de Finanças da Semad.
Saiba Mais: Natal: servidores da saúde protestam contra projeto que pode reduzir salários
“Entramos em consenso em retirar o processo da tramitação da Câmara para uma reavaliação do texto que prejudicaria o trabalhador. Eles pediram tempo e eu creio que até o dia 14 a gente tem essa resposta”, explicou.
Em assembleia na semana passada, o advogado trabalhista Andrey Leirias, que compõe a assessoria jurídica do Sindsaúde/RN em Natal, explicou os dois pontos alvo de conflito.
Um deles é o artigo 18 da Lei Complementar nº 120, de 3 de dezembro de 2010 — o Plano de Cargos da saúde, que dispõe que nenhum salário das categorias será menor do que o salário mínimo vigente no país.
“Está muito claro que a gestão municipal quer transformar o Plano de Cargos da saúde, que já não é bom, no Plano geral, em que os servidores recebem menos do que o mínimo e têm que amargar um abono constitucional para atingir o mínimo. Então isso historicamente vem sendo realizado com o Plano geral e essa revogação do artigo 18 está autorizando a gestão municipal a fazer isso também com a saúde: revogar a proibição de que o salário do servidor da saúde não seja menor do que o salário mínimo”, alerta o advogado trabalhista Andrey Leirias, que compõe a assessoria jurídica do Sindsaúde/RN em Natal.
A Constituição Federal proíbe que o servidor público receba menos do que o salário mínimo. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) possui uma súmula vinculante em que estabelece que a proibição não se refere ao salário base, e sim ao total da remuneração.
“Remuneração é salário mais todo e qualquer penduricalho que haja”, explica Andrey Leirias. O advogado dá um exemplo: “se você tem no seu salário básico o valor de R$ 500, ele está abaixo do mínimo, mas você tem mais R$ 1 mil de gratificação e mais R$ 2 mil de um adicional, para o STF está tudo certo”.
Outro ponto criticado pelos servidores é a revogação do artigo 1º da Lei Complementar nº 134, de 5 de setembro de 2013, que institui a tabela A, em que os auxiliares de enfermagem constam com o salário equivalente ao de técnico.
De acordo com Leirias, os auxiliares de enfermagem e de saúde bucal já conquistaram em 2013 a isonomia com os técnicos de enfermagem — bastando para isso apresentar um diploma de curso técnico reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).
“A Prefeitura, é bem verdade, paga os auxiliares como se técnicos fossem, mas isso não está escrito em lugar nenhum. E o que a gente queria era só mesmo que isso fosse escrito e regulamentado. Uma situação que já existe na prática, cujo impacto financeiro é zero, não tem um custo”, diz.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve decisão favorável para que Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, permaneça acautelado na Penitenciária Federal em Brasília, onde se encontra por força de decisão emitida pelo Juízo da 3ª Vara Federal Criminal em 26 de fevereiro deste ano. No pedido, acatado pela 1ª Vara Criminal da Capital, o Gaeco destacou a posição de liderança de Adilsinho em uma organização criminosa voltada à prática de crimes violentos.
O Juízo ressaltou que os fatos apresentados pelo MPRJ demonstraram que o grupo criminoso liderado pelo denunciado praticava homicídios vinculados ao comércio ilegal de cigarros do Paraguai e tinha envolvimento com o jogo do bicho, mantendo contato com órgãos de segurança estaduais.,
Por esse motivo, “a transferência para presídio federal se mostra necessária, para impedir eventual interferência do denunciado na colheita de provas e na intervenção de investigações”, destaca a decisão.
Adilsinho foi preso em 26 de fevereiro deste ano, em sua casa de praia em Cabo Frio, na Região dos Lagos. De acordo com a PF, a prisão foi possível “após um trabalho aprofundado de inteligência, análise de dados e monitoramento, que contou com o apoio do Serviço Aeropolicial, garantindo segurança e eficiência no cumprimento do mandado”.
“A ação visava desmontar uma organização criminosa armada e transnacional, especializada no comércio ilegal de cigarros por meio do domínio de regiões e da imposição de violência e medo”, acrescentou, em nota, a PF.
Abrir um álbum de família como gesto de memória e pertencimento coletivo. Essa é a base do projeto Álbum da Memória Familiar Periférica, iniciativa do fotógrafo e pesquisador Everson Andrade que propõe transformar imagens guardadas em casas de bairros periféricos em um arquivo digital acessível, construído a partir da participação direta do público.
A proposta convida moradores de Natal, Parnamirim e outras cidades do Rio Grande do Norte a enviarem fotografias acompanhadas de relatos pessoais por meio de formulário online. O material será reunido em uma publicação digital gratuita, funcionando como documento histórico e afetivo das comunidades.
O projeto aposta no processo de revisitar essas memórias como ponto central da experiência. “O que mais amplia o sentido dessas memórias é o gesto da pessoa. Ela parar, pegar o álbum e começar a revisitar essas imagens, talvez com o pai, com a mãe, com alguém da família. Esse movimento já é muito potente”, afirma Everson em entrevista à Agência Saiba Mais.
A iniciativa se estrutura em três etapas: coleta digital das imagens e relatos, realização de encontros virtuais com convidados e, por fim, a construção do álbum coletivo. Segundo o idealizador, a prioridade neste momento é garantir a participação. “Eu estou focado em realizar o projeto de uma forma que seja executável e que cumpra suas demandas. Minha maior preocupação é que as pessoas cheguem e compartilhem suas histórias”, diz.
A expectativa, inclusive, não está na natureza das narrativas, mas na diversidade delas. “Eu não estou esperando histórias específicas. Quero que venham histórias. Pequenas, grandes, engraçadas, emocionantes. O importante é compartilhar.”
Sem uma curadoria rígida, o projeto busca preservar a pluralidade de vozes. A única possibilidade de seleção ocorre caso um envio individual comprometa o equilíbrio do conjunto. “A princípio, eu não pretendo fazer seleção. Só se houver um volume muito grande de uma única pessoa que acabe destoando do todo”, explica.
O foco nas periferias está diretamente ligado à ausência histórica dessas vivências nos registros oficiais. “As cidades são formadas, em sua maioria, por periferias. Mas quando a gente olha para os arquivos institucionais, muitas dessas histórias não estão lá. Elas estão nos álbuns de família”, afirma Everson. Ele reforça que esses acervos domésticos guardam uma dimensão da cidade que não aparece em documentos públicos ou na cobertura tradicional da imprensa.
A proposta também dialoga com debates contemporâneos da fotografia, que têm revisitado o álbum familiar como campo de criação e investigação. “Hoje existe uma produção muito forte em torno desses acervos. Trabalhos que revisitam o álbum e, a partir disso, constroem narrativas, às vezes até ficcionais”, observa.
Outro eixo do projeto é a acessibilidade. A partir do trabalho com uma equipe especializada, será incorporada a prática da descrição afetiva das imagens, buscando tornar o conteúdo acessível a pessoas com deficiência visual. “Não é só descrever o que está na imagem, mas colocar também o que ela carrega de emoção”, explica.
Entre as atividades previstas para as próximas semanas do projeto, estão encontros virtuais com artistas e pesquisadores que trabalham com memória e fotografia. A pesquisadora Elisa Elsie apresenta estudos sobre álbuns de família e o conceito de maternografia. Já Kely Araújo conduz a atividade “Guia audiodescritivo poético”, voltada à construção de descrições sensíveis das imagens. Também participam artistas e pesquisadores que exploram arquivos pessoais em seus trabalhos, além de um historiador que atua com memória local em Parnamirim.
Apesar do potencial de alcance, Everson adota uma perspectiva cautelosa sobre os impactos do projeto. “Eu não espero que seja transformador de comunidades. Transformador é saneamento básico, educação de qualidade. Mas se tocar algumas pessoas, se motivar alguém a contar a história do seu bairro, isso já é muito significativo.”
A iniciativa nasceu, em parte, da própria experiência do fotógrafo com o território onde vive há mais de duas décadas. Ao acompanhar as transformações do bairro e revisitar imagens familiares, ele identifica nesses registros um valor que ultrapassa o âmbito privado. “Tem fotos aqui em casa que contam muito da história da nossa rua, do que era o bairro. São imagens íntimas, mas que também falam do território”, relata.
A proposta, segundo ele, é somar ao debate sobre memória e cidade, sem pretensão de esgotá-lo. “Meu trabalho não busca ser ponto final de nada. Ele procura colaborar com um debate que é muito maior.”
Ao final, o projeto resulta em um álbum digital coletivo, disponível gratuitamente. Mais do que um produto final, a iniciativa se apresenta como um processo de ativação de memórias e conexões entre territórios. “O projeto tenta cumprir algumas funções, compartilhar saberes e, principalmente, conectar pessoas”, resume Everson.
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Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), junto a técnicos administrativos e residentes, realizaram nesta quarta-feira (6) a entrega de um abaixo-assinado com cerca de 2 mil assinaturas cobrando a contratação de intérpretes de Libras e de professores. A mobilização também denunciou problemas na assistência estudantil, especialmente no funcionamento do Restaurante Universitário (RU) e nas condições de permanência de alunos residentes.
Além da entrega do documento, os manifestantes reivindicaram a retomada da janta aos finais de semana e da chamada “quarta refeição”, suspensa desde a pandemia. Segundo os estudantes, a ausência dessas políticas afeta diretamente alunos em situação de vulnerabilidade.
De acordo com relatos apresentados durante o ato, a resposta da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis teria sido considerada insatisfatória. “Ontem a resposta do Pró-Reitor de assistência estudantil foi que tinha mais o que fazer do que tratar da questão, ignorando os estudantes com fome em nossa universidade”, afirmaram, em nota, representantes do Centro Acadêmico de Letras Poeta Jorge Fernandes.
A Reitoria informou, por meio de uma representante presente no local, que será realizada uma reunião nesta quinta-feira (7) para tratar da falta de professores em disciplinas. Segundo os estudantes, a gestão alegou precisar de mais informações sobre os casos. O grupo afirmou que pretende acompanhar a reunião.
Também foi informado que o reitor Daniel Diniz está em viagem e retorna na próxima sexta-feira. Diante disso, estudantes, Diretório Central dos Estudantes (DCE) e técnicos administrativos decidiram convocar uma assembleia geral para a próxima segunda-feira (12), com o objetivo de organizar as reivindicações e cobrar respostas da administração central.
A mobilização contou com apoio de parte dos servidores técnico-administrativos, que estão em greve desde fevereiro. A assessora de comunicação do sindicato da categoria (Sintest-RN), afirmou que a participação dos trabalhadores ocorreu após convite dos próprios estudantes. “Tivemos assembleia hoje de manhã e, no final, os alunos pediram uma fala. Eles estavam fazendo esse protesto e nós nos juntamos a eles”, disse.
Segundo ela, integrantes do comando local de greve acompanharam o ato, que também contou com a presença da pró-reitora de Gestão de Pessoas. “Mirian Dantas esteve aqui, conversou com eles e abriu uma sala para ouvir as denúncias. São denúncias gravíssimas, como falta de professores em vários cursos e problemas no RU”, afirmou.
Entre os problemas relatados estão a ausência de docentes em disciplinas obrigatórias, inclusive em cursos como Design e Letras, além de denúncias sobre a qualidade das refeições e a estrutura do restaurante universitário.
O abaixo-assinado apresentado nesta quarta-feira reúne apoio de entidades estudantis, sindicatos e organizações políticas e sociais. A pauta pela contratação de intérpretes de Libras já vinha sendo levantada por estudantes, especialmente do curso de Letras, que relatam prejuízos no acesso às aulas por parte de alunos surdos.
Em mobilização anterior, no fim de abril, estudantes apontaram que a falta de intérpretes tem levado ao cancelamento de aulas e limitado a participação de alunos surdos em disciplinas fora de seus cursos de origem. Segundo a universidade, parte do déficit está relacionado à adesão de servidores à greve, o que reduziu o número de profissionais em atividade.
A equipe de reportagem da Agência Saiba Mais entrou em contato com a Reitoria da UFRN, que informou que irá se posicionar oficialmente em breve sobre o ato desta quarta-feira (6) e as reivindicações apresentadas pelos estudantes.
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Os números do CVV no Rio Grande do Norte cabem numa imagem simples. No fim de 2025, partiu do estado uma média próxima de 98 chamadas por dia para o 188. Ou seja, a cada 15 minutos, uma pessoa com DDD potiguar tentou chegar ao serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio. Por trás de 8.982 ligações registradas entre outubro e dezembro, existe gente procurando alguém capaz de ficar do outro lado da linha.
É nesse cenário que o Centro de Valorização da Vida em Natal está abrindo espaço para novos voluntários. A instituição recebe inscrições para o curso de seleção e capacitação, com início marcado para este sábado, 9, na unidade da Universidade Potiguar, UnP, localizada na Avenida Senador Salgado Filho, 1610, em Lagoa Nova.
A demanda local acompanha uma rede nacional de grande alcance. Ao longo de 2025, o CVV registrou mais de 3 milhões de apoios emocionais pelo telefone 188, email, chat e atendimento presencial. A estrutura é sustentada por 3.200 voluntários preparados, distribuídos em 88 postos de atendimento em 20 unidades da federação.
No Rio Grande do Norte, foram 2.970 chamadas em outubro, 2.904 em novembro e 3.108 em dezembro.
Outro dado ajuda a entender o tipo de demanda que chega ao CVV. O tempo médio das conversas cresceu no fim de 2025. Em outubro, a ligação média chegou a 10 minutos e 19 segundos, maior marca da série apresentada no relatório. Novembro e dezembro também ficaram acima de 9 minutos.
Para o voluntário, a entrada começa antes do telefone. O curso integra o Programa de Seleção de Voluntários e terá 13 aulas presenciais, sempre a partir das 14h. A formação trabalha princípios de escuta empática, acolhimento de pessoas em sofrimento emocional e ética no atendimento gratuito e sigiloso. O objetivo é preparar pessoas capazes de oferecer presença, respeito e disponibilidade em momentos de grande vulnerabilidade.
Para participar, é preciso ter 18 anos ou mais, reservar pelo menos quatro horas por semana para o serviço, comparecer a reuniões mensais e participar das capacitações periódicas promovidas pela instituição. As inscrições devem ser feitas previamente pelo portal oficial do CVV.
Quem precisa de apoio emocional pode ligar gratuitamente para o 188, em qualquer dia e horário. O serviço funciona 24 horas por dia e também divulga orientações pelo perfil @cvvoficial nas redes sociais.
Abrir um caderno em branco, puxar pela memória e transformar a própria vida em verso. É nesse movimento simples, mas potente, que o projeto “Cria Poesia”, oficinas de cordel para mulheres potiguares, encontra sua força. A segunda edição da iniciativa foi confirmada e visa ampliar o alcance e aprofunda o espaço, escuta e coragem para mulheres escreverem suas próprias histórias.
A nova edição vai percorrer quatro cidades do Rio Grande do Norte, Natal, Apodi, Caicó e São José de Mipibu, reunindo 80 mulheres em oficinas de escrita criativa, estrutura do cordel, processos poéticos e rodas de conversa sobre identidade e território. Ao final, os textos produzidos ganham forma em uma publicação coletiva, além de apresentações abertas ao público.
Mas o que sustenta o projeto vai além da técnica. Segundo a diretora Lu Bezerra, a primeira edição revelou algo essencial. “Tem muita mulher potiguar com vontade de escrever, de se reconhecer na cultura e de contar as próprias histórias, mas muitas vezes faltava oportunidade, incentivo e um espaço onde ela se sentisse à vontade para começar”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.
Ela conta que o processo vivido nas oficinas foi, muitas vezes, transformador. “A gente viu mulheres chegarem dizendo que nunca tinham escrito um verso e, aos poucos, irem criando coragem, soltando a voz e percebendo que a vida delas também cabia dentro do cordel.” A experiência, segundo ela, atravessou não só as participantes, mas toda a equipe envolvida.
É dessa escuta que nasce a segunda edição. Mais experiente, o projeto agora se expande, respeitando os tempos de cada turma e as particularidades de cada território. “O Cria Poesia não chega nesses lugares querendo ensinar cultura para ninguém. Pelo contrário. O projeto cresce quando encontra os sotaques, as histórias e os modos de viver de cada cidade”, explica Lu.
A escolha das cidades também revela esse cuidado. Em Natal, o urbano dialoga com tradições populares; em São José de Mipibu, os saberes do interior seguem vivos nas manifestações culturais; em Caicó, a poesia e a oralidade fazem parte da identidade local; e Apodi se destaca pela força dos movimentos comunitários e da cultura popular. A proposta é descentralizar e alcançar mulheres que, muitas vezes, estão fora dos grandes circuitos culturais.
Dentro das oficinas, o cordel aparece como linguagem e como espelho. “Quando uma mulher escreve um cordel falando da própria vida, ela também está dizendo: ‘minha história merece ser ouvida’”, diz a diretora. Para muitas participantes, o primeiro desafio não é rimar, mas se reconhecer como alguém capaz de criar.
Esse gesto ganha ainda mais força em um campo historicamente marcado pela presença masculina. “Durante muito tempo, muitas mulheres participaram da cultura popular mais nos bastidores do que no centro da cena”, pontua Lu. Ao ocupar esse espaço, escrevendo, declamando e publicando, elas não apenas mantêm a tradição viva, mas também a transformam. O site reúne alguns dos versos criados na edição anterior, confira:
O projeto também se constrói a partir da diversidade. Mulheres negras, indígenas, periféricas, com deficiência, jovens, mais velhas, mães, LGBTQIAPN+. “Quanto mais vozes aparecem, mais viva a cultura popular continua”, resume.
Ao fim do percurso, o impacto esperado não se mede apenas em páginas impressas. “A gente espera deixar vontade de continuidade”, afirma. Para ela, o legado está nos desdobramentos cotidianos: na mulher que continua escrevendo, na que incentiva outra, na que perde o medo de ocupar espaços.
As inscrições da nova edição serão abertas em breve e divulgadas no Instagram da Ampare (@amparepotiguar).
Quem faz o projeto acontecer
Criada em 2016, a Associação da Mulher Potiguar (Ampare) nasceu com a proposta de construir pontes entre mulheres e fortalecer lutas, especialmente as mais invisibilizadas. Desde 2023, com sede na Casa de Cultura da Mulher Potiguar, na Ribeira, em Natal, a associação se consolida como um espaço de acolhimento, formação e troca.
A segunda edição do Cria Poesia é realizada pela Ampare, com apoio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, por meio da Baluarte e da Lei Câmara Cascudo, o que possibilita a ampliação do projeto e a chegada a novos territórios.
É nesse ambiente que o Cria Poesia se ancora. Um projeto que entende tradição como algo vivo, em movimento. Como diz Lu Bezerra, “o cordel continua vivo justamente porque consegue conversar com o presente sem perder a raiz”.
No fim, a proposta é direta, mas carregada de sentido. É fazer com que mais mulheres deixem de ser apenas leitoras da cultura para se tornarem também autoras dela. E que, verso a verso, ampliem o que pode caber dentro de um cordel.
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O Fluminense arrancou um empate de 1 a 1 com o Independiente Rivadavia (Argentina), na noite desta quarta-feira (6) no estádio Malvinas Argentinas, na cidade de Mendoza, e se manteve vivo em busca da classificação para as oitavas de final da Copa Libertadores da América. A Rádio Nacional transmitiu o confronto.
— CONMEBOL Libertadores (@LibertadoresBR) May 7, 2026
Com o este resultado, o Tricolor das Laranjeiras chegou aos dois pontos, permanecendo na lanterna da classificação do Grupo C da competição. Desta forma, o time comandado pelo técnico Luis Zubeldía precisa vencer os seus dois próximos compromissos, que serão disputados no estádio no Maracanã. No dia 19 de maio, diante do Bolívar (Bolívia), o triunfo terá de ser por três os mais gols de diferença, e no dia 27 uma vitória simples sobre o Deportivo La Guaira (Venezuela) será suficiente.
Diante de um Independiente Rivadavia que se destaca pela força física e aplicação tática, o Fluminense encontrou muitas dificuldades de criar oportunidades de marcar apesar de manter mais a posse de bola. E a situação ficou ainda mais complicada após o intervalo, aos 20 minutos, quando Gómez levantou a bola na área e Arce aproveitou a fragilidade da defesa do tricolor para cabecear e superar o goleiro Fábio.
Vendo sua equipe em desvantagem no marcador, Luis Zubeldía começou a mudar as peças. E um dos jogadores que saiu do banco, o atacante John Kennedy, foi decisivo aos 45 minutos, aproveitando uma bola que sobrou na entrada da área para bater de primeira para marcar o gol que assegurou o empate final.
Corinthians fica no 1 a 1
Quem também garantiu um empate importante fora de casa foi o Corinthians, que ficou no 1 a 1 com o Independiente Santa Fé (Colômbia) no estádio El Campín, em Bogotá. Com o resultado o Timão permanece na liderança do Grupo E da Libertadores, agora com dez pontos conquistados.
Representantes do Parlamento Europeu foram recebidos nesta quarta-feira (6), no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin.
No encontro, foram discutidos os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e o bloco europeu, que entrou em vigor na semana passada, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reduzindo significativamente tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.
Os termos do pacto comercial foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos.
A aplicação do tratado, no entanto, ocorre de forma provisória por decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. O processo pode demorar até dois anos.
“Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim”, afirmou o deputado português Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu.
Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passaram a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao continente poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.
Na prática, a redução de tarifas diminui o preço final dos produtos e aumenta a competitividade frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já terão tarifa zero nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.
Entre os quase 3 mil produtos com tarifa zerada já no início, cerca de 93% são bens industriais. Isso indica que a indústria brasileira tende a ser a principal beneficiada no curto prazo.
Durante a reunião, Geraldo Alckmin afirmou que acordo com a União Europeia foi elaborado com equilíbrio e prevê salvaguardas para os setores produtivos.
“O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade. O acordo foi muito bem elaborado e tem salvaguardas. É um ganha-ganha”, disse.
Na última semana, o Brasil definiu as chamadas tarifárias, que são quantidades máximas de algumas mercadorias que podem ser importadas ou exportadas com imposto reduzido ou até zerado.
Segundo o governo, as cotas abrangem cerca de 4% do total das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações.
Na prática, os percentuais indicam que a maior parte do comércio entre Mercosul e União Europeia vai acontecer sem limite de quantidade, com redução ou eliminação integral de tarifas.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia envolve 31 países, com um público consumidor de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) somado de mais de US$ 22 trilhões.