Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 3.005 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (7). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 45 milhões para o próximo sorteio.
25 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 70.003,53 cada
2.594 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.112,08 cada
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Apostas
Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de sábado-feira (9), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiu a patente de um método de tratamento que utiliza um composto considerado promissor no tratamento da malária, especialmente em casos resistentes aos medicamentos tradicionais.
A patente foi concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO) e reúne inventores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais.
O método utiliza o composto conhecido como DAQ, que demonstrou capacidade de atuar contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da doença. Segundo os pesquisadores, o diferencial está na capacidade de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo microrganismo.
Embora o DAQ não seja uma molécula inédita, já que sua atividade antimalárica foi descrita ainda na década de 1960, o grupo da Fiocruz coordenado pela pesquisadora Antoniana Krettli retomou os estudos utilizando abordagens mais recentes da química e da biologia molecular.
“Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química”, explica Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz.
O composto atua de forma semelhante à cloroquina, interferindo em um processo essencial para a sobrevivência do parasita. Durante a digestão da hemoglobina humana, o microrganismo produz substâncias tóxicas que normalmente consegue neutralizar. O DAQ bloqueia esse mecanismo de defesa, levando à morte do parasita.
Os estudos indicaram ação rápida do composto nas fases iniciais da infecção e eficácia tanto contra cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Os pesquisadores também identificaram resultados promissores contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o baixo custo potencial da molécula, fator considerado estratégico para países de baixa e média renda, onde a malária permanece endêmica.
As pesquisas contaram com colaboração de instituições como a University of California San Francisco (UCSF), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Novos estudos seguem em andamento em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Apesar dos resultados considerados promissores, o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda depende de novas etapas, como testes de toxicidade, definição de doses seguras e eficazes e desenvolvimento da formulação farmacêutica adequada.
Concedida em março deste ano, a patente tem validade até 5 de setembro de 2041. Para Antoniana Krettli, a estrutura da Fiocruz também pode acelerar futuras etapas de desenvolvimento do tratamento.
“A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos”, afirma.
Os pesquisadores alertam que, apesar da existência atual de tratamentos eficazes, o parasita da malária continua evoluindo e desenvolvendo resistência. Por isso, defendem que o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas precisa ocorrer desde já, para evitar uma possível escassez de medicamentos eficazes no futuro.
A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (7), a operação Off-Grade Coffee para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, embarcadas em contêineres, a partir do Porto do Rio de Janeiro.
As investigações apontam que o grupo estruturou um sofisticado esquema para viabilizar o envio de drogas ao exterior mediante simulação de operações comerciais lícitas de exportação de café.
Empresas de fachada, “laranjas” e complexas transações financeiras eram utilizadas para ocultar a origem ilícita dos valores e possibilitar a inserção da droga nas cargas exportadas, partindo do Porto do Rio de Janeiro.
Os agentes federais cumpriram três mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, contra investigados considerados principais na organização criminosa.
Outros alvos foram submetidos a medidas cautelares, como proibição de contato entre os envolvidos, restrição de deslocamento e monitoramento eletrônico.
De acordo com as provas colhidas, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre os integrantes. Um dos investigados exerceria papel de liderança, coordenando negociações internacionais, movimentação financeira e logística do envio da droga, enquanto outros atuavam na intermediação comercial, fornecimento de empresas e controle do carregamento dos contêineres.
As apurações também revelaram a utilização de recursos financeiros oriundos de atividades ilícitas, com indícios de lavagem de dinheiro por meio de transferências bancárias para dificultar o rastreamento dos valores empregados na operação.
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outros delitos que possam ser identificados durante as investigações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nas redes sociais nesta quinta-feira que seu encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca foi “muito bom” e que os dois discutiram comércio e tarifas.
A reunião entre os dois líderes, que incluiu discussões bilaterais e almoço, terminou sem uma aparição conjunta previamente agendada diante de repórteres.
Enquanto Lula se preparava para falar com os repórteres na embaixada brasileira, Trump disse em uma postagem na mídia social que sua reunião com “o dinâmico presidente do Brasil” se concentrou em muitos tópicos, principalmente tarifas.
“A reunião correu muito bem. Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns elementos-chave”, disse ele.
No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, entre as mais altas taxas aplicadas sobre exportações de outros países, acusando o Brasil de promover uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
Posteriormente, Trump retirou a maior parte das tarifas, incluindo as sobre a carne bovina e o café, pelo menos em parte para ajudar a conter a alta dos preços dos alimentos nos EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas que ele havia imposto sob uma lei de emergência nacional, eliminando muitas das tarifas restantes.
Os produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, que expira em julho.
No entanto, nas últimas semanas, o Brasil tem observado indícios de que suas exportações podem ser atingidas por novas tarifas relacionadas a uma investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais desleais.
Cerca de R$ 90 bilhões do governo federal foram utilizados pelo estado do Rio Grande do Sul e municípios gaúchos para reconstrução de escolas, unidades de saúde, ações de defesa civil, compra de imóveis e apoio a empresas prejudicadas pelas enchentes ocorridas em abril e maio de 2024.
O volume corresponde a 94% das verbas previstas no Auxílio Reconstrução. “Tem um tantinho [ainda não executado] que a gente quer terminar. Nós queremos bater a meta de 100%”, disse a ministra da Casa Civil Miriam Belchior.
Ela está em Porto Alegre nesta quinta-feira (7) participando de reuniões para avaliar a aplicação dos recursos e andamento das obras. De acordo com a ministra, o governo quer “identificar onde tão as dificuldades” para concluir os investimentos, sejam elas em níveis federais, como na Caixa, ou nas próprias prefeituras.
Além do Auxílio Reconstrução, que corresponde ao pagamento de R$ 5,1 mil em parcela única a famílias que ficaram desalojadas e desabrigadas nas 478 cidades que foram alagadas, a Caixa foi responsável por dispor o dinheiro do Saque Calamidade, com valores integrais do FGTS. Também ficou à cargo do banco público financiar a compra e reconstrução de imóveis.
Suspensão do pagamento da dívida
Na visita ao Rio Grande do Sul, a ministra se reuniu com o governador Eduardo Leite. Ele pediu que o governo federal prorrogue o prazo de suspensão de pagamento da dívida com a União.
Segundo ele, o estado quer o adiamento para uso das verbas em projetos de irrigação para municípios que agora sofrem com estiagem dos rios Jacuí e Sinos – como ocorre na região de Eldorado do Sul. A seca afeta a produção agrícola, o setor de pesca e o abastecimento da população.
Miriam prometeu que a demanda será avaliada por equipe técnica da Casa Civil, Ministério das Cidades e Caixa Econômica. “A gente precisa olhar com cuidado para ver o que é que está sendo proposto. Se não há um aumento de escopo ou se realmente a situação exige as alterações.”
Em 2024, o governo federal autorizou a suspensão do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União por 36 meses (abril de 2027). A medida zerou os juros do débito no período, o que permitiu alívio financeiro total estimado em R$ 23 bilhões.
Mais recursos
Na visita, a ministra assinou contratos para o repasse de recursos que totalizam R$ 5,4 bilhões. O dinheiro é do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece).
A cerimônia de oficialização do aporte de recursos também contou com a presença dos ministros André de Paula (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Vladimir Lima (Cidades).
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alertas nesta quinta-feira (7) para tempestades com chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo em diferentes regiões do estado. Entre as áreas sob maior risco estão o Oeste, a Campanha, as Missões e o extremo Sul gaúcho. Um dos municípios mais afetados até o momento é Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.
Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC), o avanço de uma frente fria favorece a formação de temporais entre a tarde desta quinta-feira e a madrugada de sexta-feira (8). As rajadas de vento podem ultrapassar os 90 km/h, acompanhadas de chuva forte e queda isolada de granizo.
Os acumulados previstos variam entre 10 e 60 milímetros por dia, com possibilidade de volumes acima de 90 milímetros em pontos do Oeste, Campanha e Sul do estado. Na sexta-feira, a condição de instabilidade permanece em regiões como Noroeste, Norte, Serra, Região Metropolitana de Porto Alegre, Vales e Litoral.
A Defesa Civil também alertou para riscos hidrológicos. O rio Ibirapuitã permanece acima da cota de inundação, com possibilidade de manutenção desse cenário devido às novas chuvas previstas. Foi indicada condição de inundação para o município de Alegrete.
Santana do Livramento
Em Santana do Livramento, a prefeitura publicou uma série de comunicados emergenciais ao longo do dia. A rede municipal de ensino suspendeu as aulas presenciais devido ao temporal e aos riscos provocados pelos ventos intensos.
Unidades de saúde também foram afetadas. O atendimento do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS AD) foi suspenso por falta de energia elétrica, com previsão de retomada nesta sexta-feira. A administração municipal informou ainda que os sistemas de bombeamento de água podem sofrer interrupções em razão das quedas de energia, o que pode comprometer o abastecimento em diferentes pontos da cidade.
A Defesa Civil municipal emitiu alerta de emergência para toda a população, citando risco extremo provocado por fios energizados caídos, árvores derrubadas e bloqueio de vias. O órgão orientou que moradores permaneçam em casa e evitem deslocamentos desnecessários.
Além disso, lonas estão sendo distribuídas às famílias atingidas pelos danos causados pelo temporal.
A previsão para sábado (9) é de melhora gradual do tempo em grande parte do estado, embora ainda possa chover de forma fraca a moderada em áreas do Norte, Nordeste e Litoral Norte. O mar permanece agitado. Até o fim do período de instabilidade, os acumulados totais de chuva podem chegar a até 120 milímetros em algumas regiões do Oeste, Campanha e Sul gaúcho.
A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) e especialistas em mineração criticaram o texto do projeto de lei (PL) sobre minerais críticos, aprovado nesta quarta-feira (6) na Câmara dos Deputados. Diferentemente das mineradoras privadas que elogiaram a matéria, a Amig alega que a proposta não é capaz de promover a industrialização desses minerais no Brasil, o que inclui também as terras raras.
Com a aprovação na Câmara, o PL 2780 de 2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), agora passará por análise do Senado.
Sessão da Câmara que votou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Relator, Deputado Arnaldo Jardim, cumprimenta Hugo Motta- Lula Marques/Agência Brasil.
Para analistas do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o PL da Câmara aprofunda o papel do Brasil como exportador de matéria-prima.
“As falas e depoimentos que tentam associar o atual PL a uma eventual reindustrialização se mostram desconectados da realidade e sem embasamento nos instrumentos incluídos na proposta”, afirma parecer do Inesc divulgado nesta quinta-feira (7).
O Instituto concluiu que o PL se baseia na noção de que a “mão invisível do mercado” vai garantir que o Brasil desenvolva a indústria de minerais críticos, grupo de materiais essenciais para a cadeia da tecnologia de ponta, da defesa militar e da transição energética.
“O perfil de exportação do país em setores como minério de ferro, cobre, lítio, entre outros, mostram como tal pressuposto é equivocado, independentemente de quanto mais incentivos e subsídios se concedam ao setor”, diz o documento.
O Inesc cita como pontos problemáticos do texto o “acesso preferencial ao Fundo Clima”; o uso de recursos públicos para outros minerais que não os críticos; a previsão de incentivo financeiro para extração de minérios; e uma financeirização excessiva.
Para o Instituto, os incentivos para minerais não críticos e setores de extração de minérios, e não apenas a industrialização, fragilizaria o objetivo de criar uma indústria desses insumos no Brasil.
Papel das terras raras
Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apesar das grandes reservas, o Brasil produz menos de 1% do consumo global.
A posição geográfica do Brasil tem sido apontada como uma vantagem importante em um mercado em desenvolvimento que opõem China e Estados Unidos (EUA) em uma disputa pelo controle desses materiais, considerados fundamentais para áreas de tecnologia, defesa e transição energética.
>>Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças
Municípios Mineradores
A Amig Brasil – que reúne 63 municípios mineradores do Brasil, a maioria em Minas Gerais (MG) – manifestou “profunda preocupação” com a forma “precipitada” com que a tramitação do PL foi conduzida.
“[O texto] ignora os municípios mineradores — justamente os entes que convivem diariamente com os impactos sociais, econômicos, ambientais e territoriais da mineração. Mais uma vez, os verdadeiros afetados foram excluídos do debate”, diz o comunicado.
A associação argumenta que o Brasil não possui uma estrutura regulatória robusta, fiscalização adequada ou capacidade institucional compatível com os riscos envolvidos na expansão da mineração de minerais críticos.
“Onde estão os mecanismos obrigatórios de industrialização local? Quem garante que os municípios não continuarão apenas exportando minério bruto enquanto absorvem destruição ambiental, pressão sobre infraestrutura pública e degradação territorial?”, diz a entidade.
A Amig ainda criticou os incentivos fiscais para o setor, que já é beneficiado pelas isenções fiscais da Lei Kandir. “A lógica tributária da mineração brasileira beneficia majoritariamente o setor exportador e penaliza municípios, estados e a própria Federação”, acrescentou a nota.
Mineradoras privadas
Por outro lado, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as mineradoras no país, defende o texto e elogia os incentivos fiscais e de financiamento para processos de industrialização.
O presidente do Ibram, Pablo Cesário, disse à Agência Brasil que a aprovação na Câmara foi um passo importante para o desenvolvimento desse setor dos minerais críticos e terras raras.
“O estabelecimento de incentivos para industrialização e processamento mineral é relevante, por exemplo, na área de financiamento, a industrialização em regiões especiais, créditos fiscais, incentivos em fundo de garantia, ou alguns mecanismos de pesquisa e desenvolvimento”, explicou.
Porém, o Ibram critica mecanismos de intervenção do Estado no mercado previstos no PL, como o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).
“O governo passará a ter a palavra final sobre todos os investimentos no Brasil. É um volume bastante grande de autorizações que precisam ser dadas, de homologações que precisam ser aprovadas”, reclamou.
O Conselho previsto pelo PL, formado majoritariamente por indicados do Poder Executivo, tem, entre as atribuições, a de homologar mudanças de controle societário de empresas; de contratos ou parcerias internacionais; entre outras.
Industrialização duvidosa
O PL aprovado na Câmara cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos da União, estimados em RS 2 bilhões, além de aportes de empresas privadas, o que poderia chegar, inicialmente, a R$ 5 bilhões.
O texto do projeto ainda prevê uma série de benefícios fiscais estimados em até outros RS 5 bilhões, a partir de 2030, tanto para minerais críticos, quanto para os minerais considerados estratégicos, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).
Um dos autores do estudo, o professor do programa de pós-graduação em geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Milanez ressaltou à Agência Brasil que os recursos podem ser usados para minerais não críticos, assim como atividades menos elaboradas, como extração e beneficiamento, tirando recursos necessários à industrialização.
“O fundo garantidor, como um todo, é para reduzir risco de investidor. Parte dele vai poder ser direcionado para pesquisa tecnológica, mas pode ser pesquisa sobre extração. Eles podem pegar quase todo esse dinheiro e colocar em extração. E, provavelmente, é o que vai acontecer”, avalia.
O artigo 36 define para os investimentos obrigatórios em pesquisa e inovação, entre outras finalidades, o “conhecimento geofísico, mapeamento geológico, pesquisa mineral, extração, beneficiamento e transformação mineral”.
Unidade de Tratamento de Minérios da UTM, em Caldas (MG) – Camila Forlin – Divulgação INB
Fundo Clima
O Inesc pontuou que o PL cria um acesso preferencial ao Fundo Clima, em “outra tentativa de facilitar ainda mais o acesso das mineradoras ao crédito climático”.
“Considerando a já mencionada definição vaga dos minerais beneficiados pelo projeto de lei, esse instrumento permitiria, por exemplo, o desvio de recursos voltados para o combate às mudanças climáticas para a produção de concentrado de minério de ferro”, afirma o Instituto.
A Associação dos Municípios Mineradores também teme os efeitos ambientais da mineração de terras raras no Brasil.
“Não existe hoje qualquer vantagem econômica concreta para um município se tornar produtor de terras raras. Os impactos ambientais potenciais são enormes, a demanda hídrica é elevadíssima e a compensação financeira recebida pelos municípios é irrisória”, diz a Amig.
Financeirização
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) critica ainda o capítulo que prevê mecanismos de financeirização que seriam prejudiciais ao país por meio de contratos de streaming e de royalties privados.
“Ambos os mecanismos tratam de novas formas de alavancagem financeira do setor, os quais, com graves riscos aos governos associados à redução na participação na forma de royalties públicos e impostos”, diz o documento.
Ainda segundo o Inesc, contratos de streaming amarram contratos que podem restringir eventual destinação de minerais críticos para indústria nacional.
“Um verdadeiro ‘tiro no pé’ de uma estratégia nacional e soberana para minerais críticos. Contratos de streaming podem facilitar e amplificar arranjos que têm como propósito adicional (além de ganhos financeiros) garantir fornecimento de minerais a baixos preços para empresas fora do país”, completa o Inesc.
ANM
Um dos autores do estudo, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Bruno Milanez, observa que o projeto cria uma série de novas obrigações à Agência Nacional de Mineração (ANM) que, segundo ele, está subfinanciada.
“A ANM não consegue nem garantir, fiscalizar quem está pagando royalties, que é a coisa mais básica. O texto coloca a Agência, que não tem capacidade, para rastrear se o minério é de terra indígena, se é ilegal”, comentou.
A Associação dos Municípios Mineradores também expressou preocupação com a falta de capacidade da ANM para monitorar e regular o setor.
“Faltam servidores, fiscais, investimentos em tecnologia, sistemas modernos de monitoramento, estrutura operacional adequada, entre outros pontos essenciais”, diz a nota da Amig Brasil.
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), operação para aprofundar investigação sobre dois funcionários do Banco de Brasília (BRB), um servidor público federal e empresários suspeitos de movimentar, irregularmente, cerca de R$ 15 milhões.
Os alvos da Operação Insider, cujos nomes não foram divulgados à imprensa, são suspeitos de lavagem de dinheiro e corrupção.
O BRB identificou e denunciou às autoridades financeiras e policiais as operações suspeitas ocorridas com o aval do gerente de uma de suas agências.
Dezessete mandados judiciais de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, com o apoio do Ministério Público distrital e da Polícia Civil fluminense.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
A Justiça também determinou o bloqueio financeiro de R$ 15 milhões das contas bancários dos investigados e da eventual transferência de oito veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, investigadores já reuniram indícios de transferências bancárias entre os investigados, inclusive por meio de contas ligadas a empresas dos suspeitos. Há ainda possibilidade de ocultação patrimonial, feita por meio da aquisição de veículos de alto valor e circulação fracionada de recursos.
A investigação também apura possíveis irregularidades envolvendo operações estruturadas no âmbito da BRB DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários).
Se condenados, os suspeitos podem responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com pena somada de até 30 anos de prisão.
Consultado pela Agência Brasil, o BRB não havia se pronunciado sobre a operação até a publicação desta reportagem.
Operação Compliance Zero
Criado em 1964 e controlado pelo Governo do Distrito Federal, o banco enfrenta crise institucional em meio à Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A PF expôs esquema fraudulento comandado pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
O BRB, que adquiriu bilhões em créditos financeiros do Master, somou prejuízo bilionário com a negociação. Técnicos haviam recomendado que a diretoria do BRB não avançasse. Os fatos revelados pela PF resultaram no afastamento e posterior prisão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Esta manhã, a PF deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. Os alvos são o senador e presidente do Partido Progressista (PP), Ciro Nogueira; seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima; um primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, e outros suspeitos de participação em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antônio da Cunha, foi preso novamente hoje (7) em São Paulo. Alvo da Operação Fim da Linha, que foi deflagrada em 2024, Cunha estava em liberdade desde janeiro, beneficiado por uma decisão da Justiça. Além dele, também foi preso novamente um sócio da empresa.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) eles foram presos por envolvimento com organização criminosa e por lavagem de dinheiro.
Cunha já havia sido preso em julho de 2024 durante a Operação Fim da Linha, que investigou a ligação de empresas de ônibus que operam na capital paulista com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os dois investigados deixaram a prisão em janeiro deste ano, após uma decisão judicial que substituiu a custódia preventiva por medidas cautelares. O Ministério Público interpôs recurso contra essa libertação e a Justiça acabou decretando novamente a prisão de Cunha e do sócio da UPBus.
No início deste ano, a prefeitura retirou a empresa UPBus do sistema de ônibus de São Paulo, em despacho que foi publicado em Diário Oficial em fevereiro. O contrato de concessão foi transferido para a empresa Alfa RodoBus.
A operação
A Operação Fim da Linha foi deflagrada em 2024 para desbaratar esquema de lavagem de recursos obtidos de forma ilícita pela facção criminosa conhecida como PCC. Os envolvidos no crime usavam a exploração do serviço de transporte público por ônibus na capital para esconder a origem ilícita de ativos ou capital provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos.
No mesmo dia em que a operação foi deflagrada, a prefeitura de São Paulo anunciou que assumiria a operação das linhas de ônibus da UPBus, nomeando um interventor.
A denúncia feita pelo Ministério Público revelou que, entre os anos de 2014 e 2024, uma pessoa que coordenava as atividades de tráfico do PCC e mais um outro indivíduo injetaram mais de R$ 20 milhões em recursos obtidos de forma ilícita em uma cooperativa de transporte público da zona leste, que viria a se transformar na UPBus. Fato viabilizou a participação da empresa na concorrência promovida pela prefeitura de São Paulo em 2015. Essas duas pessoas, segundo o MP, integravam o quadro societário da UPBus.
A Agência Brasil não conseguiu contato com os advogados dos presos.
Os deputados federais Fernando Mineiro (PT) e Natália Bonavides são os únicos parlamentares do Rio Grande do Norte a participar da comissão especial que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. A primeira reunião do grupo ocorreu nesta terça-feira (5), com a aprovação de cinco requerimentos do petista para a realização de audiências públicas.
Mineiro e Natália estão na comissão na condição de suplentes, indicados pelo PT. O colegiado é presidido por Alencar Santana (PT-SP) e tem como relator Léo Prates (Republicanos-BA). Neste encontro inicial, a comissão definiu um calendário concentrado de audiências públicas, seminários regionais e participação de ministros. A pretensão é concluir a análise e votar o relatório final no dia 26 de maio, abrindo caminho para que o tema seja apreciado pelos deputados em plenário já nos dias 27 e 28.
A comissão aprovou os primeiros 50 requerimentos, a maioria relativa a audiências públicas e pedidos de estudos técnicos — apenas de Mineiro foram cinco, em que solicita o convite de diferentes agentes e órgãos públicos para apresentar suas posições sobre o tema. O deputado indica a oitiva de representantes do Departamento Intersindical, de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público do Trabalho (MPT), centrais sindicais, confederações patronais, dentre outros. Natália também teve um requerimento aprovado, subscrito ao lado de outros parlamentares do PT e PCdoB.
“A centralidade da redução da jornada, em momento das mudanças do modo produtivo contemporâneo com incremento da produtividade pela automação e incorporação de novas tecnologias, inclusive dos impactos da inteligência artificial, são todos assuntos essenciais aos parlamentares na formação do convencimento antes da deliberação de que trata matéria objeto desta Comissão Especial”, aponta Mineiro, em um dos requerimentos aprovados.
“As representações convidadas poderão contribuir com os trabalhos desta Comissão especial, com abordagens relativas aos impactos econômicos e sociais, na construção do diálogo social e das negociações inerentes ao mundo do trabalho e às condições reais existentes no país para a implementação da redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, que é um dos principais aspectos para a formação do convencimento dos parlamentares desta Comissão”, continua o deputado na justificativa.
Veja o calendário da comissão especial:
6 de maio: 1ª audiência pública (uso do tempo no trabalho)
12 e 13 de maio: debates sobre impactos econômicos e sociais
14 e 21 de maio: seminários em Belo Horizonte e São Paulo
18 e 19 de maio: audiências com empregadores e trabalhadores
20 de maio: apresentação do relatório final
26 de maio: votação na comissão
As reuniões ordinárias da comissão vão ocorrer às terças e quartas-feiras, às 14h — esta, que terá a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Já as quintas serão reservadas a seminários regionais em João Pessoa-PB (7), Belo Horizonte-MG (14) e São Paulo-SP (21).
O ponto de partida para essas discussões são Propostas de Emenda à Constituição apresentadas pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e pela deputada Erika Hilton (Psol-SP): a primeira (PEC 221/19) com previsão de redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas; e a segunda (PEC 8/25) com escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.
Além desses dois textos, o presidente Lula também enviou ao Congresso, em abril, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial. Na prática, o texto coloca fim à escala 6×1.