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13 de maio: dia de reflexão sobre como reparar danos da escravidão

© Bruno Peres/Agência Brasil

O dia 13 de maio, data oficial da abolição da escravatura no Brasil, não é comemorado como o dia da libertação. Para estudiosos e movimentos da sociedade civil, ao assinar a Lei Áurea, em 1888, a Princesa Isabel nada disse ou fez sobre o dia seguinte. Muitas pessoas, até mesmo crianças, foram lançadas às ruas com a roupa do corpo. Outras foram mantidas nas mesmas condições de antes.

Por isso, a data da abolição, historicamente, tem sido marcada pelo movimento negro como forma de provocar uma reflexão sobre a perpetuação do racismo estrutural, que se traduz em racismo, pobreza e exclusão, assim como sobre ações de reparação.

Uma delas é a campanha Justiça Tributária Já, planejada por organizações da sociedade civil, como o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Oxfam Brasil.

A campanha propõe enfrentar desigualdades raciais que estruturam a economia brasileira por meio da tributação de grandes fortunas, muitas oriundas de empreendimentos escravocratas, altas rendas, lucros e dividendos.

A ação também busca acabar com privilégios fiscais e garantir um alívio para as famílias que precisam se endividar para sobreviver.

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Arqueologia da Regressividade

No documento que traz as sugestões de mudanças no sistema tributário brasileiro, o Arqueologia da Regressividade, a Oxfam Brasil identificou, entre os super-ricos no Brasil, 80% de homens brancos (Pnad 2024), enquanto os beneficiados pela isenção de IR (rendas até R$ 5 mil) são 44% negros e 41% mulheres.

Ao levantar os dados, a Oxfam identificou que mulheres negras sustentam lares com menor renda e maior incidência de tributos indiretos, enquanto R$ 400 bilhões em lucros e dividendos escapam da tributação que poderia servir para redistribuir recursos.

“O país precisa enfrentar a herança [da escravidão] que ainda carrega”, afirma a Oxfam, no Arqueologia da Regressividade.

A entidade lembra que, no pós-abolição, políticas negaram acesso à terra, educação e trabalho formal aos negros, preferindo e beneficiando, com leis e incentivo, imigrantes europeus.

“Essa desigualdade estrutural persiste até hoje, refletindo-se no sistema tributário, que, ao não considerar a história, reforça desigualdades socioeconômicas.”

A disparidade pode ser constatada, por exemplo, na remuneração média: enquanto os homens não negros têm renda média de R$ 6.033, mulheres negras recebem R$ 2.864 em média, segundo dados do Ministério do Trabalho.

Apesar de estarem em curso ações afirmativas no país, as medidas não geraram ainda um aumento na renda da população negra. Mulheres negras com ensino superior, por exemplo, ganhavam menos da metade que os homens brancos, isto é, R$ 4.837 a menos por mês.

“Isso revela que a desigualdade racial continua operando por outros mecanismos, dentre os quais se destaca a tributação regressiva”, destaca a Oxfam.

Segundo a organização, as famílias que ganham menos são mais afetadas pelos elevados impostos indiretos, ou seja, impostos embutidos no preço da comida, dos transportes e nos produtos industrializadas, como o ICMS, IPI/Cofins, que abocanham a renda dos mais pobres, onde estão pretos e pardos, os chamados negros.

Reparação Já

A bancada negra do Congresso Nacional e parlamentares de diversos partidos comprometidos com a justiça racial e o desenvolvimento do país lançam neste dia 13 de maio a campanha Nem Mais um Dia: Reparação Já, pela aprovação da PEC 27/2024, que cria um fundo de reparação econômica.


Nova York, EUA, 13.03.2024 - Janja Lula da Silva participa de Evento paralelo GELEDÉS: “Estratégia para o empoderamento da mulher negra”, em Nova York, EUA. Foto: Claudio Kbene/PR
Nova York, EUA, 13.03.2024 - Janja Lula da Silva participa de Evento paralelo GELEDÉS: “Estratégia para o empoderamento da mulher negra”, em Nova York, EUA. Foto: Claudio Kbene/PR

Deputada Benedita da Silva é presidente da comissão especial que analisa a PEC que propõe a criação de um fundo de reparação – Claudio Kbene/PR

Estão à frente da proposta a senadora Benedita da Silva (PT-RJ), presidente da comissão especial que analisa a PEC; o deputado Orlando Silva (PCdoB- SP), relator da proposta; e o deputado Damião Feliciano (União-PB), autor do texto.

A proposta insere a igualdade racial como direito fundamental na Constituição, torna obrigação do Estado eliminar todas as formas de discriminação. Pelo texto, políticas por reparação econômica e promoção da igualdade racial passam a ser permanentes.

A PEC também cria o Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR), a ser gerido pelo Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e que tem por objetivo financiar ações como: 

  • programa de oportunidade econômica e empreendedorismo negro;
  • ações de combate às desigualdades raciais;
  • políticas de inclusão e justiça socioeconômica; e
  • projetos culturais e educacionais.

“Nós temos uma oportunidade histórica que é a da aprovação de um fundo econômico para políticas de reparação histórica que está previsto pela PEC 27. Esse fundo prevê o investimento de R$ 1 bilhão por ano pelos próximos 20 anos em políticas de reparação”, estima o diretor de articulação política do Instituto de Referência Negra Peregum. 

“Um valor irrisório perto do montante destinado a políticas para o agronegócio, para o pagamento de juros de dívida pública e para as escandalosas emendas parlamentares.”

Abolição no Brasil


Rio de Janeiro (RJ), 16/03/2023 – A diretora-geral do Arquivo Nacional, Ana Flávia Magalhães Pinto concede entrevista à Agência Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 16/03/2023 – A diretora-geral do Arquivo Nacional, Ana Flávia Magalhães Pinto concede entrevista à Agência Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Pesquisadora da UnB Ana Flávia Magalhães Pinto – Tomaz Silva/Agência Brasil

No 13 de maio de 1888 havia um movimento de libertação organizado pelos próprios escravizados, com lutas de quilombolas, por exemplo, intelectuais negros e outros movimentos, como a imprensa negra e organizações religiosas.

No domingo em que a abolição foi assinada pela princesa no Brasil houve comemoração nas ruas, segundo os historiadores. Porém, no dia seguinte, pouca coisa mudou: havia libertos sem ter para onde ir, sem casa, sem comida e sem emprego.

Para a historiadora e professora da Universidade de Brasília (UnB) Ana Flávia Magalhães, a abolição marcou um novo nivelamento por baixo para a cidadania de pessoas negras, que já tinha sido afirmado na própria Constituição do Império de 1824.

As subdivisões entre escravizados, libertos e nascidos livres desapareceram em constituições posteriores à de 1924, mas sem que se alterassem as baixas expectativas acerca desse segmento populacional.

“Assim, o racismo seguiu estruturando as relações econômicas e, consequentemente, limitando acesso a direitos civis, político e sociais, como emprego, remuneração, educação, saúde e habitação”, ressalta a pesquisadora.

De acordo com ela, pesquisas desenvolvidas com a presença cada vez maior de historiadores negros têm evidenciado como políticas públicas reparatórios beneficiaram escravistas e seus descendentes legítimos, em detrimento da maioria do povo deste país.

“Escravidão e racismo não são sinônimos ou equivalentes, mas ambos são importantes para compreendermos como a liberdade plena e a cidadania de gente negra nunca foram prioridade máxima na condução do Estado brasileiro”, avalia Ana Flávia.

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão e também o principal receptor de africanos sequestrados do mundo.

Estima-se que quase quatro milhões de pessoas tenham aportado no país em navios negreiros – nome das embarcações responsáveis pelo transporte.

Só o Cais do Valongo, principal porto de escravizados no Rio de Janeiro, teria recebido mais de um milhão de pessoas, comercializadas dentro e fora do país.

*Colaborou Alice Rodrigues, estagiária da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Chuvas acumulam mais de 100 mm somente em Pajuçara durante a madrugada em Natal

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A madrugada desta quarta-feira (13) foi marcada por chuvas em diferentes regiões de Natal. Dados registrados pelos pluviômetros automáticos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb/Geoma), atualizados até as 6h, apontam acumulados significativos entre a noite de terça-feira (12) e o início da manhã.

O maior volume foi registrado em Pajuçara, na Zona Norte da capital, onde o pluviômetro instalado na Guarda Municipal contabilizou 100,2 milímetros de chuva durante o período. Outros pontos da cidade também apresentaram volumes elevados, como Salinas, na região da Gamboa, com 95,6 mm, e o loteamento José Sarney, com 88,2 mm.

Os demais registros foram observados em Ponta Negra (68,6 mm), Parque da Cidade (58 mm), Tirol (56,2 mm), Neópolis (55,8 mm), Nossa Senhora de Nazaré (51,2 mm), Urbana (47,4 mm) e Guarapes (38,6 mm). Considerando os pluviômetros operacionais da rede Semurb/Geoma, o acumulado médio de precipitação em Natal foi de aproximadamente 66 milímetros no período analisado.

A situação segue sob monitoramento contínuo, com acompanhamento sistemático das condições meteorológicas e dos volumes pluviométricos registrados na capital. As equipes da Defesa Civil e do setor de Calamidades, coordenado pela Semtas, atuam de forma integrada nas áreas mais afetadas pelas chuvas, realizando, desde a identificação das ocorrências, os encaminhamentos necessários para concessão de benefícios eventuais e atendimento às famílias atingidas.

A assistente virtual Estela está disponível para registro de chamados por meio do WhatsApp, pelo número (84) 3232-4900, para situações como risco de alagamento, ameaça de deslizamento e outras ocorrências em áreas de vulnerabilidade.

Contatos de emergência:

Defesa Civil: 190
Corpo de Bombeiros: 193
STTU: 156 (ocorrências de trânsito)

Crédito: Secom Natal

STF remarca julgamento de potiguares réus por atos golpistas

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Atos golpistas: Moraes extingue pena de potiguar por associação criminosa

O Supremo Tribunal Federal (STF) remarcou, na semana passada, a sessão para julgar os casos de dois potiguares réus pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Os julgamentos de Daywydy da Silva Firmino e Francisca Ivani Gomes vão ocorrer de 15 a 22 de maio no plenário virtual.

Os dois começaram a ser julgados em dezembro, mas a votação foi paralisada por um pedido de vista do ministro Luiz Fux, que só fez a devolução dos autos para julgamento na terça-feira da semana passada, dia 5. 

A expectativa é de que os dois potiguares sejam condenados. Até o momento do pedido de vista, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, além de Gilmar Mendes, já haviam votado pela condenação; e André Mendonça divergiu. 

Daywydy da Silva Firmino mora atualmente em São Paulo e em fevereiro obteve autorização do STF para flexibilizar os horários de recolhimento da tornozeleira com o objetivo de frequentar as aulas noturnas do curso de Administração na Universidade Cruzeiro do Sul.

Firmino chegou a publicar vídeos dentro da Academia da Polícia Federal depois de ser preso por participação nos atos antidemocráticos do 8 de janeiro. Ele ganhou liberdade provisória em 13 de março de 2023, mediante a imposição de medidas cautelares; já chegou a pedir para retirar a tornozeleira eletrônica anteriormente, mas teve o pedido negado. 

Ao potiguar, são atribuídos os crimes de associação criminosa e incitação ao crime, equiparada pela animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais.

Já Francisca Ivani Gomes esteve junto com o marido no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília e também responde por incitação ao crime e associação criminosa. Ela é casada com Maxwell Guedes de Araújo, que estava sendo julgado em fevereiro mas também teve o julgamento suspenso por pedido de vista de Fux.

Em seu interrogatório judicial, a acusada confessou ter deixado Natal para ir a Brasília. Disse que estava no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército quando foi encaminhada para um ônibus e foi conduzida para a Polícia Federal, onde foi presa. Segundo ela, a viagem foi programada “de última hora”, com um percurso que demora cerca de três dias. Afirmou que chegou em Brasília no dia 9 de janeiro de 2023, pela madrugada, e que no dia seguinte estava no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército. Ainda segundo Francisca Ivani Gomes, a programação era ficar em Brasília durante três ou quatro dias. Disse que pernoitou em um posto de gasolina e, pela manhã, chamou um Uber para visitar a Catedral, mas acabou parando no acampamento em frente ao Quartel.

Assim como o marido, ela tem descumprido as regras da tornozeleira em alguns momentos. Em dezembro, a Secretaria da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap/RN) apresentou relatórios de descumprimentos de medidas cautelares, contendo violações da área de inclusão, ocorridos em sete datas daquele mês.

Gomes sustentou que, além de exercer atividade produtiva própria, atua, em determinadas ocasiões, como ajudante de Maxwell, quando ele não dispõe de auxiliar para execução das entregas. Nas datas relacionadas nos relatórios, ela informou que se deslocava ao comércio para retirar mercadorias, acompanhava o transporte e a entrega de produtos aos clientes finais, dava auxílio ao carregamento e descarregamento das encomendas, e também estava retornando ao domicílio após a finalização do expediente. Tal como Maxwell Guedes de Araújo, o ministro Alexandre de Moraes considerou que os episódios foram “irregularidades isoladas” e manteve as medidas cautelares como estavam.

Fonte: saibamais.jor.br

Jazz Livre recebe trombonista Felipe Brito para live na Rádio MEC 

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© José de Holanda/Divulgação

O trombonista Felipe Brito é a atração da live em formato multiplataforma do Jazz Livre que a Rádio MEC apresenta nesta quarta-feira (13). Com transmissão simultânea em áudio, pelo dial da emissora, e em vídeo, no YouTube da rádio, o programa vai ao ar às 21h conduzido por Sidney Ferreira. 

Embaixador da música brasileira no exterior e um dos grandes nomes do trombone contemporâneo, Felipe Brito se apresenta no Jazz Livre acompanhado de Ivan Carlos Nunes (saxofone), Renan Francisco (piano), Miguel Dias (baixo) e Luciano de Paula (bateria). Conhecido por seus projetos de grande impacto social, o trombonista interpreta obras autorais do aclamado espetáculo Tributo a Martin Luther King Jr., trabalho que une a excelência do jazz à mensagem de união e justiça.

Durante a live na Rádio MEC, Felipe conta como foi o processo de traduzir o legado e os discursos de uma das maiores figuras da história da humanidade para as notas do seu trombone e para o arranjo do quinteto. Ainda no programa, o convidado destaca como a imersão nos Estados Unidos – berço do jazz, onde mora e tem uma carreira sólida – influenciou a forma como construiu essa homenagem.

Com datas para apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, o show “Tributo a Martin Luther King Jr.” traz uma forte carga emocional e política. Aos músicos Ivan, Natan, Giordano e Flávio, Sidney Ferreira pergunta como foi criar uma sonoridade que dialoga com a espiritualidade e a luta pelos direitos civis

O repertório interpretado por Felipe Brito e os quatro músicos ao longo da atração radiofônica traz Vai, Aos Amigos Da VidaNão Deixe para Amanhã (Don’t Put Off Until Tomorrow), Pegada, Chiquita Hermosa e Não Deixa Cair. Além de integrar o show, as composições autorais foram gravadas no álbum Não Deixe Para Amanhã, lançado em 2024. 

Felipe Brito atua nos Estados Unidos há 14 anos como artista solo, músico orquestral, de jazz, comercial, de estúdio e solista em Cape Girardeau, St. Louis, Memphis, Nashville, Chicago, Austin, Nova York e Nova Jersey. Desde 2023, Felipe também é professor de trombone e diretor de jazz e de música comercial na Southeast Missouri State University. 

Sobre o Jazz Livre

Atração diária da Rádio MEC, no ar de segunda a sexta-feira, na faixa das 21h, o Jazz Livre tem uma hora de duração com o melhor repertório do gênero e da música instrumental. O programa apresenta várias edições inéditas por semana, ao vivo, geralmente, de segunda a quinta-feira.

A produção transmitida em tempo real oferece ao público a oportunidade para interagir por meio do WhatsApp (21) 99710-0537. Os ouvintes podem participar das edições e mandar sua mensagem para a equipe da emissora pública.

Apresentado por Sidney Ferreira, o Jazz Livre tem produção de Anderson Domingos e Carlos Soca. A coordenação de produção fica com Rodrigo Soprana. Thiago Regotto é o gerente executivo de rádio.

Sobre a Rádio MEC

Conhecida de norte a sul do país como “A Rádio de Música Clássica do Brasil”, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.

A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.

Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.

Serviço

Jazz Livre – Live Felipe Brito – Tributo a Martin Luther King Jr – quarta-feira, dia 13/05, às 21h, ao vivo na Rádio MEC e no YouTube da emissora

Fonte: Agência Brasil de Noticias

PF investiga instituto de previdência de Cajamar por gestão temerária

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (13) a Operação Off-Balance. O objetivo é apurar a possível prática de gestão temerária de recursos em Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) no âmbito da autarquia responsável pela previdência social de servidores públicos titulares de cargo efetivo no município de Cajamar (SP).

Em nota, a corporação informou que policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Cajamar e Boituva (SP) e também na capital paulista, além de medidas cautelares de afastamento de função pública e de indisponibilidade de bens, expedidas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Ainda de acordo com a PF, a investigação teve origem em informações que apontavam possíveis irregularidades na aplicação de cerca de R$ 107 milhões em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados.

O comunicado não cita os nomes das instituições.

Desde o ano passado, a PF deflagrou uma série de operações que investigam a emissão de letras financeiras irregulares emitidas por instituições ligadas ao Banco Master, como no caso da Rioprevidência e da Amazonprev.

*Colaboraram Pedro Peduzzi e Andreia Verdélio

Fonte: Agência Brasil de Noticias

Brisa pede instauração de CEI para investigar obra da engorda de Ponta Negra

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“Espelhos d’água” em Ponta Negra são propositais, diz secretário

A vereadora Brisa Bracchi (PT) pediu nesta terça-feira (12) a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a obra da engorda de Ponta Negra. O requerimento foi apresentado à Mesa Diretora da Câmara Municipal após uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaram problemas e falhas na obra.

No documento, a vereadora cita o histórico de avanço contínuo da erosão costeira sobre a principal orla turística de Natal e diz que a recuperação da faixa de areia nunca foi o principal problema.

“A necessidade da obra sempre foi evidente. O grande debate que se consolidou ao longo dos últimos anos dizia respeito à forma apressada, politizada e tecnicamente questionável com que sua execução foi conduzida”, afirma.

Ela afirma que a execução da obra, estimada em mais de R$ 100 milhões em investimentos públicos somando drenagem, aterro hidráulico e intervenções estruturantes, foi marcada por um discurso oficial de excelência e robustez técnica. 

“A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Infraestrutura sustentavam que o novo sistema de drenagem impediria alagamentos e protegeria a areia recém-depositada contra processos erosivos. Em março de 2025, a SEINFRA chegou a anunciar oficialmente a conclusão do sistema de drenagem com a instalação de 16 dissipadores, apresentando a estrutura como suficiente para suportar eventos climáticos e garantir a estabilidade da engorda. A realidade, entretanto, rapidamente desmontou a narrativa institucional. Menos de um ano após a conclusão das principais intervenções, as fortes chuvas registradas em 24 de abril de 2026 expuseram o colapso precoce do sistema implantado”, afirma.

A parlamentar lembra que, sob alerta meteorológico, a engorda apresentou extensos alagamentos, formação de enxurradas e severo carreamento de sedimentos, sobretudo nas proximidades do Morro do Careca.

“A água das chuvas abriu sulcos na faixa de areia recém-aterrada, destruiu trechos da estrutura e revelou que o problema da drenagem urbana de Ponta Negra não havia sido efetivamente solucionado.”

No requerimento, Brisa Bracchi pede apuração de possíveis irregularidades administrativas, técnicas, financeiras e ambientais relacionadas à execução da obra de engorda, realizada pela Prefeitura com recursos públicos federais e municipais. A vereadora questiona, especialmente, as falhas estruturais do sistema de drenagem, a deterioração precoce do aterro hidráulico, o eventual desperdício de recursos públicos e os possíveis danos ambientais decorrentes da execução contratual. 

“A degradação precoce da engorda compromete diretamente uma das principais atividades econômicas da cidade. A Praia de Ponta Negra constitui o principal polo turístico do Município do Natal, concentrando significativa parcela da cadeia produtiva ligada ao turismo, hotelaria, gastronomia, comércio informal e prestação de serviços. A instabilidade estrutural da obra, a repercussão negativa nacional dos alagamentos e o comprometimento visual e funcional da orla afetam diretamente a imagem turística da capital potiguar, gerando insegurança econômica para comerciantes, trabalhadores e investidores que dependem da atividade turística local”, destaca.

Na semana passada, a ação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) relativa aos alagamentos na área da engorda da praia de Ponta Negra apontou a existência de tubulações falsas e galerias bloqueadas propositalmente. Além disso, o documento demonstra o risco de “desastre estrutural iminente” devido à “ausência de dissipadores eficientes e o grande desnível topográfico de 40 metros”. 

O MPF afirma que a drenagem no local foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada. O órgão busca obrigar o município de Natal a realizar obras emergenciais que evitem o agravamento dos alagamentos na engorda.

Saiba Mais: MPF aponta tubulações falsas e galerias bloqueadas em drenagem de Ponta Negra 

Antes do MPF, um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a obra da engorda de Ponta Negra registrou fragilidades técnicas nos estudos de impacto ambiental e que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) foi obstruído de exercer o controle e o acompanhamento das condicionantes do empreendimento. Além disso, mostrou que já houve uma perda significativa de aterro hidráulico no Morro do Careca menos de um ano após a conclusão.

Saiba Mais: TCU aponta falhas e perda de aterro na engorda de Ponta Negra 

Um dos pontos diz que houve insuficiência e fragilidade dos estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental do empreendimento (EVTEA), dos estudos referentes a EIA/RIMA, bem como dos projetos básico e executivo. O EIA/RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, um conjunto de documentos técnicos obrigatório para o licenciamento de atividades que possam causar impactos ao meio ambiente. Já o EVTEA verifica se os benefícios estimados justificam os custos com os projetos e execução das obras previstas.

Em outro apontamento, o documento atesta que houve prejuízos ao rito regular de licenciamento da obra de aterro por parte da Prefeitura de Natal, além de obstrução ao Idema. Ainda segundo o relatório preliminar, já há uma alta perda do aterro, bem como indícios de inadequação do material sedimentar extraído de jazida não autorizada.

Fonte: saibamais.jor.br

Dossiê da UFRN reúne estudos sobre arquivos, arte e memória travesti

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Dossiê da UFRN reúne estudos sobre arquivos, arte e memória travesti

As histórias de pessoas travestis no Brasil quase sempre atravessam apagamentos. Muitas vezes ausentes de arquivos institucionais, museus, livros e registros oficiais, essas memórias acabam preservadas em redes afetivas, movimentos sociais, produções artísticas e iniciativas comunitárias. É a partir dessa discussão que surge o dossiê “Memória e Travestilidades”, lançado pela Revista Equatorial, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Organizado por Sol Alves de Lima, Maria Olisa de Oliveira Santos e Nora Dalva Arantes Lima, o dossiê recebe trabalhos até 1º de agosto de 2026 e reúne pesquisas sobre arquivos, patrimônio, arte, curadorias dissidentes, memória digital, epistemologias travestis e metodologias de pesquisa.

Mais do que um chamado acadêmico, a proposta nasce de trajetórias compartilhadas entre artistas, pesquisadoras, antropólogas, ativistas e pós-graduandas travestis.

“A ideia de criar este dossiê sobre memória e travestilidades surgiu a partir de trocas com amigas travestis que também são artistas, ativistas, antropólogas e pós-graduandas, reconhecendo no campo artístico e nos movimentos sociais espaços fundamentais de imaginação política, elaboração de memória e produção de novas possibilidades de existência”, afirma Sol Alves de Lima, em entrevista à Agência Saiba Mais.

Segundo ela, embora as pesquisas das organizadoras partam de territórios diferentes, todas compartilham o compromisso de reivindicar lugares de memória para travestis.

O projeto começou a tomar forma após encontros entre Sol e Nora Dalva Arantes Lima, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFMG, durante uma visita a Belo Horizonte, em 2024. Nora pesquisa temas como gênero, nome social, deslocamento, trabalho sexual, memória e travestilidades.

Já Maria Olisa de Oliveira Santos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRN, investiga a trajetória de Chiquinha do Pedregal, travesti do interior de Aracati, no Ceará. Para Sol, o trabalho ajuda a deslocar perspectivas historicamente concentradas nos grandes centros urbanos.

“Seu trabalho evidencia a importância de pensar travestilidades a partir do interior”, explica.

As organizadoras também destacam o diálogo com antropólogas como Dediane Souza e Pietra Azevedo, além de pesquisadores que discutem memória, raça, gênero e colonialidade.

Saiba os detalhes da submissão aqui.

A própria pesquisa de Sol integra esse debate. Em sua dissertação, ela analisa ações desenvolvidas entre 2023 e 2024 no Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS/CE), especialmente o Ateliê de Criação de Tecnologias Transvestigêneres.

O objetivo é compreender como práticas artísticas e saberes travestis podem tensionar estruturas tradicionais dos museus e das instituições de memória.

“A proposta coletiva do dossiê está voltada à memória, às travestilidades e à criação de outras epistemologias e formas de representação”, afirma.

A discussão proposta pelo dossiê também questiona quem pode produzir conhecimento e quais narrativas historicamente ganharam legitimidade dentro da academia.

“A importância reside em trazer perspectivas que ultrapassem uma narrativa única, ampliando metodologias e modos de produzir conhecimento sobre e com travestis”, diz Sol.

Ela cita iniciativas como o Acervo LGBT+ Cintura Fina, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado pelo pesquisador Luiz Morando, e o Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA), organizado como museu digital coletivo.

Segundo as organizadoras, apesar das diferenças entre os projetos, existe um ponto em comum: revisitar narrativas históricas para construir outras formas de memória.

“Esses projetos compartilham um ponto central: revisitar o lastro histórico das narrativas representativas para contar novas histórias, partindo de um princípio fundamental a esse campo: compreender o corpo como lócus de conhecimento”, afirma.

O dossiê também propõe uma crítica às formas tradicionais de representação dentro da antropologia e das políticas de citação acadêmica. Sol menciona o antropólogo Don Kulick como exemplo de autor frequentemente tratado como cânone nos estudos sobre travestilidades.

“Não se trata de apagar contribuições anteriores, mas de tensionar seus limites, deslocar centralidades e ampliar horizontes epistemológicos”, afirma.

Ao discutir arquivos, arte e memória digital, as organizadoras tratam os arquivos não apenas como espaços de preservação, mas também de disputa política e simbólica.

Inspiradas em autores como Jacques Derrida e Aleida Assmann, elas defendem que toda memória envolve escolhas sobre o que será lembrado e o que será excluído.

“Nessas iniciativas, arquivos, arte e memória digital ajudam a preservar histórias que muitas vezes foram apagadas ao criar espaços de registro, visibilidade e circulação para experiências historicamente silenciadas”, diz Sol.

Ela cita projetos como o Museu da Pessoa e o Museu Pajubá como exemplos de “contra-arquivos” que desafiam memórias oficiais e ampliam quem pode narrar a própria história.

Outro aspecto destacado pelas organizadoras é a valorização de recortes territoriais frequentemente deixados à margem dos debates acadêmicos, como Norte, Nordeste e interiores do país.

“As pesquisas que buscamos reunir nesse dossiê partem da necessidade de pensarmos coletivamente as múltiplas perspectivas que atravessam os estudos sobre memória e travestilidades”, afirma.

Para Sol, embora existam avanços na universidade em debates sobre gênero, sexualidade e raça, ainda é necessário transformar as próprias formas de pensar conhecimento e arquivo.

“A academia pode funcionar como lugar de encontro, diálogo e articulação, mas não como centro exclusivo de validação dos saberes”, afirma.

Ela cita referências como Saidiya Hartman, Nêgo Bispo, Leda Maria Martins, Dediane Souza e Hilário Ferreira como autores importantes para pensar memórias “espiraladas, circulares e insurgentes”, rompendo com modelos coloniais e eurocentrados de produção do conhecimento.

As organizadoras também chamam atenção para o próprio significado político da existência do dossiê. Segundo elas, esta pode ser a primeira edição da Revista Equatorial organizada por três travestis.

“Mais do que um marco isolado, isso revela deslocamentos significativos nas formas como as travestilidades vêm ocupando lugares de autoria e elaboração intelectual”, afirma Sol.

Para ela, a presença travesti em espaços acadêmicos vai além da representatividade simbólica.

“Trata-se de reconhecer que nossa presença nesses espaços não é apenas simbólica, mas profundamente política, pois tensiona estruturas historicamente excludentes e amplia as possibilidades de quem pode produzir, legitimar e fazer circular conhecimento nesse país.”

SAIBA MAIS:
Filme potiguar celebra memória trans e travesti
Professora ganha prêmio LGBT por pesquisa desenvolvida no IFRN



Fonte: saibamais.jor.br

Trump visita Xi Jinping na China em meio ao atoleiro da guerra no Irã

© Reuters/Kevin Lamarque/Arquivo/Proibida reprodução

A visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, à China, para encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, captura a atenção do planeta em meio a guerra no Irã que segue abalando as relações internacionais e a economia global.

Vista por Washington como ameaça à liderança econômica e tecnológica que os EUA tentam preservar no mundo, a China foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump logo no início do 2ª mandato, em abril de 2025.   

A reação da China às tarifas, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores da tecnologia e de defesa dos EUA, fez Trump recuar na imposição de altas tarifas aos produtos chinesas.  

Ao lançar a ofensiva contra o Irã, no final de fevereiro, Trump prejudicou também os interesses de Pequim, principal consumidora do petróleo de Teerã e que deseja ver reaberto o Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra. 

Para analistas consultados pela Agência Brasil, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode ser aproveitada pelo Brasil para melhorar a posição do país no cenário global, em especial, devido ao fato de o país ter a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China. 

Trump desmoralizado

O encontro entre Trump e Xi Jinping estava marcado para o final de março, mas foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria, entre os objetivos, além de projetar Israel, barrar a expansão econômica da China na Ásia Ocidental.  

O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, avaliou que Trump calculou errado que conseguiria derrubar o governo no Irã rapidamente, chegando em Pequim em condições de impor a Xi Jinping acordos mais favoráveis à Washington.

“Ele achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão para pressionar Xi, mas faltou combinar com os iranianos. Agora, Trump está chegando derrotado. Nunca um presidente dos EUA chegou em uma reunião com um presidente da China tão enfraquecido e desmoralizado como Trump agora”, disse.

O também analista geopolítico da publicação Brasil de Fato destacou que, mesmo um dos principais ideólogos do imperialismo dos EUA, o neoconservador Robert Kagan, reconheceu, dias atrás, em artigo, que Trump saiu derrotado após tentar derrubar o regime político iraniano.

Fernandes destaca, no entanto, que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas mesmo após o tarifaço de Trump. Ainda assim, a China deve tentar pressionar Trump para pôr um fim definitivo à guerra no Oriente Médio.

“Há, claramente, uma triangulação sendo feita, nesse momento, entre Pequim, Moscou e Teerã. Não foi à toa que Araghchi [ministro das Relações Exteriores do Irã] esteve em Pequim na semana passada, e já esteve em Moscou. Rússia e China estão intermediando, pelo Irã, para que haja uma solução pacífica e a guerra termine. Isso seria o principal ponto do encontro para Xi Jinping”, completou.

Taiwan

Em conversas com jornalistas no início da semana, Donald Trump informou que deve tratar com Xi Jinping sobre a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma da China com aspirações de independência política.

Pequim não aceita o reconhecimento de Taiwan independente, o que costuma ser expressado na política de “uma só China”.

“A firme oposição da China à venda de armas americanas para a região de Taiwan, território chinês, é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao responder aos jornalistas nesta semana.

O professor de Relações Internacionais do Ibmec José Luiz Niemeyer, avalia que a China vai cobrar os EUA para não incentivar, de qualquer forma, uma Taiwan independente.

“Eles vão ficar discutindo o que cada um poderia fazer nos espaços considerados vitais de cada um. Vão discutir o limite até onde o outro pode ir. Essa vai ser a discussão principal. E os EUA definiram a América Latina como área de defesa de Washington”, explicou.

A doutrina do governo Trump tem pregado a proeminência de Washington na América Latina, assim como o combate à influência da China no continente. Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países na América do Sul, incluindo o Brasil. Até os anos 2000, eram os EUA o principal parceiro das economias sul-americanas. 

Para o especialista do Ibmec, a China está em uma posição mais confortável nas negociações, tanto que foi Trump que foi a Pequim, e não Xi Jinping que foi a Washington.

“Tenho a impressão que essa visita mostra uma necessidade de aproximação dos EUA com a China. Me parece que o encontro tende a dar mais frutos para a agenda chinesa do que para a norte-americana”, completou José Luiz Niemeyer.

Terras raras

O tema das terras raras também deve estar no centro dos debates entre Trump e Xi Jinping, na avaliação do professor do Ibmec José Niemeyer. Esses minerais são essenciais para as indústrias militar, da tecnologia e da transição energética, com a China liderando a produção desses insumos.

“Os EUA precisam muito de dois minerais de terras raras, que é o samário e o neodímio, fundamentais para indústria bélica, para construção de ímãs usados em mísseis. E os EUA não dispõem desses materiais, a China sim”, lembrou.

O analista Marco Fernandes ressalta que a indústria dos EUA já tem acesso aos minerais críticos da China, mas pondera que Pequim pode impor novas restrições, como fez durante o tarifaço, que prejudicam os negócios norte-americanos.

Na última semana, a China começou a aplicar a lei anti-sanções do país. Aprovada em 2021, ela proíbe que empresas no país reconheçam as sanções dos EUA. A medida foi uma reação a sanções recentes de Washington contra empresas na China que fazem negócios com os iranianos.

“Isso é uma novidade na postura da China de ser assertiva em relação aos EUA. Cada vez que os EUA subirem o tom, apostando em sanções e outras medidas anti-chinesas, eles vão dar o troco. Isso é importante porque é um capítulo novo na relação sino-americana”, completou Marco.

Brasil entre China e EUA

As relações entre China e EUA são importantes para o Brasil porque, além de serem os dois principais parceiros comerciais do país, a disputa pelo controle das terras raras pode ser usada por Brasília para extrair ganhos políticos e econômicos das duas superpotências do planeta. 

O professor José Luiz Niemeyer avalia que o Brasil pode aproveitar as disputas entre Pequim e Washington por meio de uma posição “passiva estratégica”.

“Cada vez que há mais crise do ponto de vista de fornecimento de produtos entre os EUA e China, o Brasil pode aproveitar para exportar os produtos que estão em litígio entre os dois países, como por exemplo, minerais de terras raras”, afirmou.

Para o analista do Conselho Popular do Brics Marco Fernandes, o Brasil está no centro da disputa entre EUA e China por conta das terras raras.

“O Brasil vai precisar saber se colocar no meio dessa disputa de uma maneira soberana e que acumule para nossos interesses”, defende.

Fonte: Agência Brasil de Noticias

ricos recebem 16,3 vezes mais

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RN tem a terceira maior desigualdade do Brasil: ricos recebem 16,3 vezes mais

O Rio Grande do Norte aparece entre as unidades da Federação com maior distância entre ricos e pobres no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento dos 10% mais ricos no estado é 16,3 vezes superior ao dos 40% mais pobres. O índice coloca o RN em posição de destaque nacional, atrás apenas do Distrito Federal, onde a diferença chega a 19,7 vezes, e do Rio de Janeiro, com 16,4 vezes.

O levantamento revela que a desigualdade de renda segue elevada no país, embora esteja abaixo dos níveis observados antes da pandemia de covid-19. Em 2025, os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa. O valor é 13,8 vezes maior que o recebido pelos 40% mais pobres, cuja renda mensal foi de R$ 663.

No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes. Apesar do aumento entre 2024 e 2025, o resultado atual é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.

Para chegar aos números, o IBGE considerou todas as formas de rendimento das famílias. Entram na conta salários, bônus, aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras, entre outras fontes. O valor total foi dividido pelo número de moradores de cada domicílio.

A diferença entre o rendimento dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres variou nos últimos anos:

Ano Diferença
2019 16,9 vezes
2020 14,8 vezes
2021 17,0 vezes
2022 14,3 vezes
2023 14,3 vezes
2024 13,2 vezes
2025 13,8 vezes

O avanço da desigualdade de 2024 para 2025 ocorreu porque a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, a alta foi menor, de 4,7%.

Quando o recorte é mais amplo, porém, o quadro muda. Desde 2019, último ano antes da pandemia, os 40% mais pobres acumularam crescimento de 37,6% nos rendimentos. Entre os 10% mais ricos, a alta foi de 11,9%, percentual considerado pelo IBGE “bastante abaixo” do registrado nas demais classes.

O avanço é ainda mais expressivo entre os 10% mais pobres da população. De 2019 a 2025, o rendimento médio mensal desse grupo subiu 78,7%, passando de R$ 150 para R$ 268.

Para o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a redução da desigualdade no período mais longo está ligada à combinação entre mercado de trabalho e programas sociais.

“Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo.”

A partir de 2020, com a pandemia de covid-19, o governo federal ampliou a abrangência e o valor do principal benefício social do país, o Bolsa Família, que na gestão anterior também recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. A pesquisa também coletou informações sobre programas de assistência social mantidos por estados e municípios.

Mesmo com a melhora em relação aos anos anteriores à pandemia, o IBGE avalia que “a desigualdade no país, ainda que tenha caído em relação aos anos que precederam a pandemia, permanece em níveis bastante acentuados”.

O estudo também expõe uma desigualdade regional. Enquanto os 40% mais pobres do Brasil têm rendimento familiar médio mensal de R$ 663 por pessoa, no Sul esse valor chega a R$ 978. Em seguida aparecem Centro-Oeste, com R$ 846, e Sudeste, com R$ 842. Já Norte e Nordeste ficam abaixo da média nacional, com R$ 490 e R$ 449, respectivamente.

É nesse cenário que o Rio Grande do Norte se destaca negativamente. Com diferença de 16,3 vezes entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, o estado aparece entre os três maiores níveis de disparidade do país. Na outra ponta, as menores desigualdades foram registradas em Mato Grosso, com diferença de 9,1 vezes, e Santa Catarina, com 8,4 vezes.

São Paulo, maior estado do país, apresentou relação de 11,9 vezes entre ricos e pobres, ocupando a 12ª posição entre as unidades da Federação com menor disparidade.

Fonte: saibamais.jor.br

Comunidade da Vila de Ponta Negra promove ato por paz, cultura e enfrentamento à violência

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Comunidade da Vila de Ponta Negra promove ato por paz, cultura e enfrentamento à violência

O ato “Vila Pela Paz”, que aconteceria neste fim de semana na Vila de Ponta Negra, na zona Sul de Natal, foi remarcado para o próximo sábado (16), às 16h, devido às fortes chuvas registradas na capital potiguar. A concentração será em frente à igreja da comunidade, próximo ao Conselho Comunitário.

Segundo a organização, o ato ocorrerá no mesmo período da Ação Internacional das Mães de Maio, movimento que reúne mães e familiares vítimas da violência de Estado. De acordo com Lia Araújo, representante do Conselho Comunitário da Vila de Ponta Negra, a mobilização será dedicada às mães que perderam filhos em decorrência da violência policial.

“A gente quer transformar esse ato em uma rede”, afirmou, em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo ela, durante a atividade será construída uma carta pública com reivindicações da comunidade, que deverá ser encaminhada aos governos municipal e estadual.

A mobilização reúne moradores, coletivos culturais e movimentos sociais em torno de denúncias sobre violência policial e reivindicações por políticas públicas no território.

Entre as atividades previstas está a participação do coletivo Rima Central, que promoverá um momento de poesia marginal e slam durante o ato cultural no Campo do Bota Fogo. A programação inclui um cortejo saindo do terminal de ônibus da Vila de Ponta Negra.

Entre as demandas apresentadas estão a criação de uma escola de ensino médio na Vila de Ponta Negra, ações de geração de renda e melhores condições de trabalho para trabalhadores da praia, além de políticas públicas voltadas à juventude, saúde mental e cultura.

“Nós queremos menos armas, menos violência na comunidade e mais artistas, mais cultura, mais saúde”, disse Lia.

A representante comunitária afirmou ainda que moradores têm denunciado impactos recorrentes da violência policial na região, sobretudo sobre crianças e adolescentes. Segundo ela, o Conselho Comunitário organizou recentemente um “mapa da letalidade policial” para identificar os locais mais afetados pela violência na comunidade.

O ato começou a ser articulado após episódios recentes registrados no bairro, incluindo a morte de um homem e o incêndio de um ônibus nas proximidades da igreja da Vila de Ponta Negra. Para os organizadores, a mobilização busca construir respostas coletivas para o cenário de violência e fortalecer espaços culturais dentro da comunidade.

“A cultura da poesia, do slam e da rima é algo fundamental para potencializar esse momento”, afirmou Lia. “Muitas vezes, quando temos falta de educação e de cultura, é aí onde a violência nasce.”

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Fonte: saibamais.jor.br