O filme brasileiro Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, que começou no dia 12 de fevereiro e se encerra neste domingo (22).
O longa conquistou o Grand Prix do Júri Internacional de Melhor Filme da mostra oficial Generation Kplus e o Crystal Bear (Urso de Cristal), concedido pelo Júri Jovem.
Ao lado de Deberton trabalharam no filme o produtor Marcelo Pinheiro, o roteirista André Araújo e a diretora assistente e produtora de casting Luciana Vieira. O ator Lázaro Ramos participa do filme interpretando Batista, o pai de Gugu, vivido pelo ator Yuri Gomes.
Salvador (BA), 08/08/2025 – Lázaro Ramos participa do filme interpretando Batista. Foto-arquivo: Rovena Rosa/Agência Brasil – Rovena Rosa/Agência Brasil
Feito Pipa
O filme conta a história de Gugu, um menino de 12 anos, que sonha em se tornar um grande jogador de futebol. Criado por sua a avó Dilma (Teca Pereira), uma professora aposentada que o educa de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. Gugu evita morar com seu pai, com quem não tem uma boa relação devido à sua ausência.
Neto e avó vivem nas proximidades de uma barragem que, após a água baixar devido anos de seca, aparecem ruínas de uma cidade antiga. Com isso, as memórias de um passado traumático começam a despertar em Dilma os primeiros sinais de Alzheimer. Gugu então tenta esconder de seu pai a doença da avó.
Para o júri, o filme conquista por ter uma narrativa vibrante e com o protagonista jovem multifacetado, confiante e feroz; e com as formas frequentemente bem-humoradas e comoventes com que aborda suas questões existenciais. Os jurados também destacaram a interpretação de Yuri Gomes e Teca Pereira.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) afirmou que o Brasil fechou com chave de ouro a participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, disputados nas localidades italianas de Milão e Cortina. Em comunicado emitido neste domingo (22), a entidade afirmou que o ápice da campanha verde-amarela foi o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante, a primeira medalha brasileira em uma edição do megaevento esportivo.
“Começamos bem, aumentando o número de participantes, aumentando o número da delegação. E fechamos literalmente com a chave de ouro, conquistando a primeira medalha olímpica do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. E logo uma medalha de ouro”, celebrou o presidente do COB, Marco La Porta.
“Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno apenas para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Acho que esse ouro representa a força que existe nessa diversidade”, declarou Lucas Pinheiro Braathen.
No megaevento realizado na Itália, e que chegou ao final neste domingo, o Brasil contou com a sua maior delegação até hoje numa edição de Jogos Olímpicos de Inverno, com 14 atletas.
Quem também celebrou os Jogos de Inverno de Cortina e Milão foi o Comitê Olímpico Internacional (COI). Em discurso antes da cerimônia de encerramento, o presidente do COI, Kirsty Coventry, qualificou o evento como fantástico.
“Nas últimas duas semanas, vimos e vivemos Jogos incríveis. Não tenho palavras”, disse Coventry, que presidiu seus primeiros Jogos após sua eleição no ano passado.
Debate acalorado que tomou conta do Brasil e causa reações divergentes entre trabalhadores e setores empresariais, o fim da escala 6×1 tem condições de gerar mais empregos e um efeito positivo na economia. É o que defende o economista José Ediran Teixeira, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Rio Grande do Norte.
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal retomam os trabalhos nesta segunda-feira (23), e o fim da escala 6×1 deve movimentar o Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que vai pautar o debate do fim da escala 6×1 e despachou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 9 de fevereiro. Após a análise do texto pelo colegiado, a proposta será encaminhada para debate em uma comissão especial da Casa.
“O fim da 6×1 só vale a pena com redução da carga horária”, afirma Ediran Teixeira. Ele diz isso porque existe uma contraproposta patronal de manutenção das 44 horas semanais, ou seja, de trabalhar cinco dias, mas com carga horária de nove horas diárias durante quatro dias.
“Mas nós que defendemos os trabalhadores e queremos o fim da escala 6×1 queremos a redução da jornada com a manutenção dos salários. Porque a gente entende que onde isso foi implantado e é realidade, como na França, vai gerar mais emprego. Isso afeta em grande parte a produtividade do ponto de vista mais positivo, porque o trabalhador vai ter mais tempo para descansar e reproduzir a força de trabalho”, aponta o economista.
Uma pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário. A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, ouvindo 2.021 cidadãos acima de 16 anos de idade.
Foto: Arquivo/Assecom
Mais horas para ficar com a família, ter lazer e cuidar da saúde são alguns dos principais argumentos usados por quem apoia o fim dessa escala. O governo brasileiro ainda não tem números exatos de quantas pessoas trabalham sob a escala 6×1, mas o Ministério do Trabalho e Emprego está levantando esses dados e deve divulgar as informações até o meio deste ano.
No Brasil, a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais foi estabelecida em 1932 para os setores do comércio e da indústria. Dois anos depois, a Constituição de 1934 estendeu esse limite a todos os setores da economia. Já a Constituição Federal de 1988, depois de intenso debate, diminuiu o limite semanal para 44 horas. Isso significa que o Brasil está há quase um século com o sistema de 8 horas diárias de trabalho e há 37 anos com o de 44 horas semanais. Em nota técnica divulgada em setembro de 2025, o Dieese afirmou que, considerando os avanços produtivos e organizacionais ocorridos desde então, já existem condições para restringir de forma significativa tanto a jornada diária quanto a semanal de trabalho.
“A luta dos trabalhadores é redução da carga horária, da jornada, fim da escala 6×1 e a entrada para uma escala 5×2, olhando para a questão do trabalho decente e para a questão das políticas de saúde e segurança do trabalho, em que a OIT [Organização Internacional do Trabalho] já tem vários temas que abordam isso. E o Dieese está no dia a dia olhando o mercado de trabalho, olhando como está se comportando a questão do desemprego e da ocupação”, ressalta o economista Ediran Teixeira.
Desafios com o Congresso
Ediran Teixeira enxerga um desafio posto na relação entre o governo federal e o Congresso Nacional. “Os trabalhadores conseguiram eleger um presidente progressista, mas não conseguiram eleger um Congresso que seja progressista também”, aponta.
Por isso, diz ele, as eleições de 2026 surgem num momento crucial.
“Os trabalhadores precisam urgentemente entender que eles precisam ter representantes lá que defendam as pautas dos trabalhadores. Então, esse ano é crucial. Tem que renovar o Congresso, a bancada federal e o Senado. E os trabalhadores têm que estar atentos a isso, porque senão a pressão da direita vai continuar muito forte, como está hoje no parlamento, e a tendência é que as pautas progressistas não sejam aprovadas, como está aí a própria escala 6×1, há muito tempo sendo pautada, e eles não colocam em votação, como também eles querem colocar em votação a reforma administrativa que tira direito dos servidores públicos”, comenta.
Mercado de trabalho aquecido no RN e Brasil
No Brasil, a taxa de desemprego caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O resultado indica que cerca de 5,5 milhões de pessoas buscaram trabalho nos três últimos meses do ano, em um mercado que chegou ao recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em 30 de janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foto: Arquivo/Assecom
Já no Rio Grande do Norte, o mercado de trabalho formal encerrou o ano de 2025 com desempenho positivo, registrando a criação líquida de 15.870 empregos com carteira assinada. O resultado é fruto de 257.414 admissões e 241.544 desligamentos ao longo do ano, conforme dados consolidados no Boletim de Empregabilidade elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec).
“Nós estamos com as menores taxas de desemprego histórica. Isso advém muito das políticas públicas do governo federal. Melhora o retorno do ganho real do salário mínimo, a questão do PAC, que incentiva as obras e aí são mais recursos no mercado para as obras estruturantes, e com isso gera mais emprego”, explica Teixeira.
“Você vê que a construção civil é um dos setores que está mais impulsionado. Isso significa que as obras estão em pleno vapor e que o mercado tem que estar se aquecendo. E com isso se aquece a indústria em geral, o que aumenta a quantidade de renda no mercado. E o setor de serviço também é muito beneficiado e, consequentemente, a arrecadação dos governos. Então, tem todo um ciclo econômico virtuoso que está acontecendo. Aliado a isso, as políticas sociais, como de Bolsa Família, Pé de Meia, que tem injetado mais recursos na economia e é uma forma de distribuir renda também”, continua.
O ex-prefeito Álvaro dias (Republicanos) criticou a situação fiscal do Governo do Estado, acusou a governadora Fátima Bezerra (PT) de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e citou que o Rio Grande do Norte tem um “rombo” de R$ 3 bilhões. A crítica chama a atenção pela contradição no discurso: o ex-gestor, ao transferir a administração municipal para o atual prefeito Paulinho Freire (União), deixou uma dívida de R$ 862,9 milhões na Prefeitura de Natal, além de 46 obras paralisadas ou inacabadas, conforme apontado à época no relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra (Republicanos), que foi entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Pré-candidato a governador, Álvaro Dias publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que o Rio Grande do Norte vive uma “crise financeira” provocada pelo descumprimento da LRF, que estabelece que o limite de gasto com pessoal deve ser de no máximo 49% da Receita Corrente Líquida (RCL). O ex-prefeito disse que a governadora “ignorou a regra e chegou a 56,41%”.
Governo do Estado cita “tendência de queda” de comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de pessoal. Foto: Reprodução
Em nota oficial, o governo informou que reduziu a despesa com pessoal, ampliou a receita e apresenta “melhora consistente dos indicadores fiscais”. Para exemplificar, o comunicado cita que o comprometimento da RCL com a folha apresenta uma “trajetória de queda”, tendo passado de 63,64% em 2018 para 56,41% em 2025. A projeção é consolidar “a tendência de queda” fechando 2026 em 54%.
“A trajetória de controle da folha de pagamento reverteu o movimento de alta observado nos anos anteriores”, citou o governo, acrescentando que, paralelamente, houve um aumento de 13,06% da Receita Corrente Líquida no ano passado em comparação a 2024.
“O crescimento da RCL [Receita Corrente Líquida] permitiu ao estado cumprir integralmente os limites constitucionais nas áreas essenciais. Na saúde, o investimento alcançou 12,37%, superando o mínimo obrigatório de 12%. Já na educação, foram aplicados 27,46% da receita resultante de impostos, acima do mínimo constitucional de 25%”, argumentou o governo.
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Álvaro Dias não reconhece “herança maldita”
Foto: Reprodução/CMN
Já Álvaro Dias não justificou a “herança maldita” que deixou na Prefeitura de Natal. De acordo com o levantamento da Comissão de Transição, R$ 349,8 milhões do total da dívida deixada pelo ex-prefeito referem-se a despesas liquidadas e não pagas. Os outros R$ 513 milhões são despesas empenhadas ainda sem cobertura financeira.
O município também possui uma dívida fundada interna de R$ 483,3 milhões, sendo R$ 366,1 milhões em operações de crédito e R$ 117,2 milhões em parcelamentos tributários, cujos descontos são aplicados no Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Além disso, a dívida previdenciária da Prefeitura de Natal, ainda segundo o relatório entregue ao TCE, é de R$ 242,4 milhões. O documento aponta que “o impacto desse passivo no fluxo financeiro do município deve ser monitorado, pois compromete a capacidade de investimentos e impõe desafios à gestão orçamentária”.
Em entrevista a uma rádio local no final de fevereiro do ano passado, Álvaro Dias contestou o montante da dívida deixada pela sua gestão para o prefeito Paulinho Freire (União Brasil). Ele afirmou que o valor de R$ 862,9 milhões foi “superfaturado”.
O ex-prefeito afirmou que as dívidas “são normais”, mas que os valores estão errados. Questionado sobre o montante verdadeiro do débito, ele disse que, para responder, precisaria “falar com a equipe econômica” da Prefeitura de Natal.
“Mas não é R$ 860 milhões não, isso aí está errado”, protestou, sem informar o “valor verdadeiro”.
Álvaro Dias chegou a acusar a governadora Fátima Bezerra de “comandar um sistema” que seria responsável por “plantar notícias falsas sobre dívidas” para “descaracterizar” a gestão dele na Prefeitura de Natal.
Ao ser lembrado que a dívida havia sido apontada pela vice-prefeita e ex-secretária municipal de Planejamento, Joanna Guerra, Álvaro Dias disse que “ela se equivocou”.
O relatório enviado ao TCE, com o reconhecimento do valor da dívida, também foi assinado pelo prefeito Paulinho Freire.
A Prefeitura de Natal também reconheceu uma série de dívidas deixadas pela gestão de Álvaro Dias na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com débitos que chegam a quase R$ 75 milhões.
Álvaro Dias inaugurou hospital que ainda não atendeu nenhum paciente
Foto: Magnus Nascimento/Prefeitura de Natal
A Comissão de Transição também apontou que Álvaro Dias deixou 46 obras “paralisadas ou inacabadas”, que estão “concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos”.
De acordo com o relatório, “a paralisação dessas obras compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”.
Uma das principais obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito é o Hospital Municipal de Natal, que segue sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado no final de dezembro de 2024 por Álvaro Dias.
Em novembro do ano passado, durante reunião da bancada federal potiguar, a atual administração municipal disse que, para concluir a obra, precisaria de mais R$ 110 milhões.
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Acusação de abuso de poder econômico e uso da máquina pública nas eleições de 2024
Foto: Reprodução
Álvaro Dias também é um dos alvos da denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que pede a cassação dos mandatos do prefeito Paulinho Paulinho, da vice-prefeita Joanna Guerra e dos vereadores Daniel Rendall (Republicanos) e Irapoã Nóbrega (Republicanos), além da inelegibilidade pelo período de oito anos deles e do ex-prefeito, por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2024.
De acordo com a denúncia do MP, Álvaro Dias foi o comandante do esquema de uso da máquina pública montado na Prefeitura de Natal, através do loteamento das secretarias municipais, em especial a SME e a Semsur, para favorecer os candidatos apoiados pelo ex-prefeito.
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Álvaro Dias também é criticado pelos problemas na obra da engorda de Ponta Negra, iniciada na gestão dele, mas concluída no início da administração de Paulinho Freire.
O aterro hidráulico, que custou mais de R$ 100 milhões, não resistiu às primeiras chuvas e vem sofrendo com alagamentos constantes em razão da falta de drenagem no projeto.
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O naufrágio de uma embarcação em Ubatuba, no Litoral Norte, durante as fortes chuvas registradas na noite deste sábado (21) deixou duas pessoas mortas. Outros três náufragos que estavam no barco foram resgatados com vida por tripulantes de outra embarcação que navegava na mesma área, próximo ao bairro de Ponta Grossa, de acordo com as informações do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar).
A chuva provocou ainda o alagamento de cerca de 400 casas na cidade, resultando em 15 famílias desabrigadas e 15 desalojadas. Três escolas ficaram alagadas: EMEI Professora Alba Regina Torraque da Silva e a Escola José de Souza Simeão, no bairro Taquaral; e a Escola Nativa Fernandes de Faria, no Sertão da Quina. Segundo a Defesa Civil o índice pluviométrico na cidade atingiu ao 151 milímetros (mm).
O trecho entre o quilômetro (Km) 80 e Km 84 da Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), na Serra de Ubatuba, foi interditado. Entre o Km 64 ao 69, acesso ao trecho de Serra em Ubatuba, há três pontos de interdição. O local foi sinalizado e o tráfego desviado para a SP-099 Rodovia dos Tamoios. As equipes do Departamento de Estradas de Rodagem (DRE) trabalham para liberar a rodovia.
Litoral Sul
Em Peruíbe a chuva chegou aos 97 mm acompanhada de vendaval, gerando enxurrada, alagamento, deslizamento de terra e solapamento de vias, com interdição temporária da Serra do Guaraú. Uma pessoa teve ferimentos leves e outra ficou desabrigada e foi levada ao abrigo da prefeitura.
Em Mongaguá a chuva intensa, com ventos fortes, provocou pontos de alagamento e quedas de árvores, mas não deixou vítimas, desalojados nem desabrigados.
O avanço da desertificação no semiárido brasileiro ganhou um recorte preocupante para o Rio Grande do Norte. Levantamento técnico produzido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, revela que o estado concentra 22 municípios entre os 100 com maior percentual de território em estágio severo de desertificação em todo o Nordeste.
A classificação considera áreas enquadradas nos níveis 4 e 5 do Índice de Desertificação, patamares que indicam degradação intensa do solo, perda significativa de produtividade e maior dificuldade de recuperação ambiental. Entre os municípios potiguares listados, estão: Bom Jesus, Passa e Fica, Vera Cruz, Brejinho, Senador Elói de Souza, Lagoa d’Anta, Lagoa Nova, Nova Cruz, Pau dos Ferros, Macaíba e Serra do Mel, além de outras cidades distribuídas pelo Agreste, Seridó e Oeste.
Confira o boletim completo aqui.
O caso mais crítico é o de Bom Jesus, onde mais de 84% do território já apresenta degradação severa, um dos índices mais altos registrados em toda a região Nordeste. O dado reforça um cenário que pesquisadores acompanham há décadas e que agora se consolida em números oficiais.
Ao contrário do que o imaginário popular sugere, desertificação não significa o surgimento imediato de dunas ou a transformação da paisagem em um deserto clássico. Trata-se de um processo gradual e silencioso de perda da capacidade produtiva do solo em regiões áridas e semiáridas. À medida que a terra perde matéria orgânica, fertilidade e capacidade de reter água, a vegetação diminui, a produção agrícola cai e a economia local enfraquece.
Os impactos ultrapassam a dimensão ambiental. A redução da produtividade agrícola compromete a segurança alimentar, pressiona a renda das famílias e pode provocar deslocamentos populacionais. Hoje, cerca de 18% do território brasileiro é suscetível à desertificação e aproximadamente 39 milhões de pessoas vivem nessas áreas.
No Rio Grande do Norte, o avanço do fenômeno encontra condições naturais que favorecem sua expansão. O semiárido potiguar é marcado por chuvas irregulares, altas taxas de evaporação e solos rasos. Quando essas características se somam ao desmatamento, à pecuária extensiva e ao manejo inadequado da terra, a degradação se intensifica. O Seridó potiguar, inclusive, integra um dos núcleos históricos de desertificação identificados por estudos científicos desde a década de 1970 e segue sob monitoramento.
O problema, no entanto, não se restringe ao estado. O boletim aponta que, entre 2000 e 2020, as Áreas Suscetíveis à Desertificação no Brasil cresceram cerca de 170 mil km², expansão equivalente à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. blt-sdn-desert Já as áreas classificadas nos níveis mais críticos passaram de 74 mil km² para 107 mil km² em duas décadas, evidenciando que a degradação não está estabilizada, mas em curso.
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Agricultura família é a atividade mais afetada
Os mais afetados são agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais, que dependem diretamente da terra para subsistência. A desertificação, portanto, é também um fenômeno social e econômico, capaz de aprofundar desigualdades e comprometer perspectivas de desenvolvimento sustentável.
O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e prepara um plano nacional de enfrentamento até 2043, com foco em manejo sustentável do solo, recuperação da Caatinga, ampliação da infraestrutura hídrica e fortalecimento da agricultura adaptada ao semiárido.
No caso potiguar, a presença de 22 municípios entre os mais atingidos do Nordeste acende um sinal de alerta. Mais do que uma questão climática, a desertificação se apresenta como desafio estrutural que exige políticas públicas permanentes, planejamento territorial e ações integradas para impedir que a degradação avance sobre novas áreas do estado.
Seis pessoas morreram e nove ficaram feridas em um grave acidente envolvendo uma lancha, às margens do Rio Grande, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, na noite deste sábado (21), por volta das 23h30. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a embarcação, oriunda de Franca, no interior paulista, tinha 15 ocupantes e colidiu com a estrutura de um píer. O local do acidente fica na margem mineira do rio, no município de Sacramento.
Dos nove sobreviventes, inicialmente socorridos por equipes da Defesa Civil, três foram hospitalizados em Rifânia (SP) e os demais não tiveram ferimentos graves. Entre os mortos, estão três mulheres, dois homens e uma criança de 4 anos. As identidades não foram divulgadas.
O piloto da lancha, que morreu no acidente, não tinha habilitação na categoria Arrais-Amador, exigida para esse tipo de transporte náutico, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Os 92 municípios fluminenses começarão a receber, nesta segunda-feira (23), a nova vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan. A distribuição será feita pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Ao todo, o estado recebeu 33.364 doses, das quais 12.500 vão para a capital fluminense.
Conforme determina o Ministério da Saúde, as primeiras doses do imunizante são destinadas a profissionais da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (APS/SUS). Estão incluídos também trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades.
Serão contemplados, nesse primeiro momento, profissionais que atuam diretamente nas unidades, englobando médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, integrantes das equipes multiprofissionais (como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos), além de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). A ampliação para outros públicos ocorrerá posteriormente, informou a SES-RJ.
O gerente de Imunização da Secretaria, Keli Magno, explicou que a vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos. “Considerando que a vacina do laboratório Takeda está preconizada para a população de 10 a 14 anos, recomenda-se que a vacina do Instituto Butantan seja administrada na faixa etária de 15 a 59 anos de idade”.
“A estratégia será escalonada e gradativa, iniciando pelo grupo de profissionais da Atenção Primária à Saúde, e avançando progressivamente, conforme a disponibilidade de doses pelo fabricante, para demais grupos, até contemplarmos todos os adolescentes com 15 anos de idade que não foram vacinados com a vacina do laboratório Takeda”, acrescentou.
Vacinação
O desdobramento da vacinação levará em consideração a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica dos municípios. A vacina tem dose única e protege contra os quatro sorotipos da doença. No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 têm aparecido com mais frequência.
No entanto, a possibilidade de surgirem casos da dengue tipo 3 preocupa a SES-RJ, uma vez que não circula no estado desde 2007, o que pode levar a um cenário de vulnerabilidade para pessoas que não tiveram contato com esse sorotipo, esclareceu a Secretaria. Essa variante da dengue circula em estados vizinhos, mas não se propagou no Rio de Janeiro até agora.
Prevenção
Embora os indicadores da dengue continuem em níveis baixos, a Secretaria de Estado de Saúde alerta para a importância de ações de prevenção da doença após o Carnaval. Destacou que as chuvas intensas ocorridas dias antes do início da folia, associadas ao calor excessivo do verão, podem levar à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e também da chikungunya e da zika. Além disso, há muita movimentação de turistas nesse período, no estado, que podem vir de localidades onde haja circulação do vírus.
Casos prováveis
Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ mostram que este ano, até o último dia 20, o estado registrou 1.198 casos prováveis e 56 internações por dengue, sem confirmação de óbitos. Até o momento, há 41 casos prováveis de chikungunya, com 5 internações. Não existem, contudo, casos confirmados de zika no território fluminense.
O monitoramento da dengue, arbovirose que mais circula, é realizado com um indicador composto que analisa atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade, informou a SES-RJ. Os dados podem ser visualizados em tempo real no MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br). Os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina.
Como o mosquito Aedes aegypti tem uma alta capacidade de reprodução, a recomendação é que cada pessoa dedique dez minutos por semana para realizar uma varredura em suas casas, verificando a vedação da caixa d’água, limpeza de calhas, colocação de areia nos pratos de plantas e descarte de água de bandejas de geladeira.
A secretaria lembra ainda que, no verão, temporada que intercala chuvas e calor, o ciclo de reprodução do mosquito tem condições ideais. Os ovos do Aedes aegypti são depositados nos acúmulos de água e eclodem com a incidência do sol e calor.
Outras ações
O Ministério da Saúde iniciou, em 2023, o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa. Foram aplicadas mais de 758 mil doses do imunizante em todo o estado. Do público-alvo de 10 a 14 anos de idade, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose e 244 mil completaram o esquema com a segunda dose.
Videoaulas e treinamentos são utilizados também pela Secretaria, visando a qualificação da rede de saúde. O estado foi pioneiro ao criar uma ferramenta digital que uniformiza o manejo dos casos de dengue nas unidades de saúde. A aplicação também foi disponibilizada aos outros estados brasileiros.
Além disso, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames por mês, garantindo detecção ágil para a dengue e também zika, chikungunya e a recém-introduzida febre do Oropouche, que é uma arbovirose não transmitida pelo Aedes aegypti, mas pelo Ceratopogonidae, mais conhecido como Maruim, informou a SES-RJ, por meio de sua assessoria de imprensa.
Fã de histórias em quadrinhos (HQ) desde a infância, a doutoranda e professora Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu um estudo que confirma como as graphic novels podem provocar reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal, fortalecendo a educação antirracista.
As graphic novels são HQ com histórias completas, imagens e textos mais longos.
Doutoranda Fernanda Pereira da Silva acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
Até o mestrado sobre relações étnico-raciais, baseado em heróis negros de HQs, Fernanda não tinha parado para falar de racismo.
“Me senti uma ignorante, porque nunca tinha parado para tratar de questões raciais. A questão é de todo mundo, independente da cor da pele”, disse Fernanda (19) à Agência Brasil.
Por isso, ela acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão.
Em 2018, no final do mestrado, quando o governo federal lançou HQs com os heróis negros Carolina, Cumbe e Angola Janga no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), ela resolveu que se dedicaria, no doutorado, a pesquisar como as graphic novels poderiam contribuir para o debate racial na formação inicial dos professores do ensino fundamental.
“Vi a importância de trabalhar isso na formação inicial para que esses professores se estimulem no sentido de continuar o debate antirracista na sua formação posterior. Daí o meu interesse de inserir as HQs para trazer a discussão antirracista para dentro da sala de aula”.
A tese de doutorado de Fernanda tem o título Cotidiano, escola e Graphic novel: O papel da mídia no fortalecimento da Educação para Relações Étnico-Raciais e contou com orientação da professora da Faculdade de Educação da UFF, Walcéa Barreto Alves.
A doutoranda Fernanda Pereira da Silva interagindo com os alunos. Foto: Jean Barreto/ Divulgação
Em campo
Fernanda realizou um trabalho de campo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek com os alunos do segundo ano do ensino médio, dos quais a grande maioria (95%) eram negros. O que ela constatou foi que as escolas abordam o tema do racismo somente em novembro, mês da Consciência Negra, mas deixam de falar no assunto no resto do ano, enquanto os alunos vivenciam situações de racismo e discriminação cotidianamente, conforme relataram. Não existe também um planejamento escolar para falar da questão do racismo.
Outra constatação é que a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros, de acordo com pesquisa do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana. Um dos argumentos para a não aplicação da lei é que os professores consideram o tema polêmico e difícil de trabalhar. “E não é polêmico. Faz parte da nossa história”.
Fernanda argumentou que a questão do racismo pode ser trabalhada de várias formas.
“Pode convidar pessoas para fazer palestras na escola. E uma estratégia que eu vi é buscar outros elementos para trabalhar a questão racial. Então, olhei para as HQs e perguntei: por que não levar a história da escritora Carolina Maria de Jesus e, através das graphic novels, apresentar para os estudantes e, contando a história daquela escritora, falar sobre educação antirracista?”, diz.
Imersão
A professora da UFF Walcéa Barreto Alves diz que o trabalho de campo fez uma ação interventiva. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
A professora Walcéa Barreto Alves, da Faculdade de Educação da UFF, destacou que Fernanda teve a atenção de fazer um trabalho de campo que não ficasse só no âmbito teórico, mas fez uma ação também interventiva. A partir dessa imersão em campo, Fernanda pôde observar o dia a dia desses estudantes, verificando se a escola debatia ou não temas de questões étnico-raciais para esses futuros professores e professoras.
“Ela constatou que não havia esse debate cotidianamente e que ele ficava reservado prioritariamente para novembro, que é o Mês da Consciência Negra”, afirmou Walcéa.
A partir das entrevistas e questionários formulados, Fernanda observou que os alunos vivenciam situações de racismo no seu cotidiano individual fora da escola e também no interior desses estabelecimentos.
A preocupação de Fernanda foi preparar esses futuros professores para quando forem lecionar para as novas gerações. “A ideia da Fernanda foi fazer uma prática interventiva, como fez com essas graphic novels, para eles terem acesso a esse material e terem possibilidade de desdobramento na sua prática docente”, destacou a professora Walcéa.
O objetivo foi escutar quem está de fato nesse cotidiano, acrescentou. Fernanda afirmou que essa é uma maneira mais atrativa para trabalhar o tema das relações étnico-raciais, a partir da história de personagens negros, “porque vai puxando várias discussões”.
Walcéa chamou a atenção para uma questão importante que a tese apresenta, que é olhar para a dimensão étnico-racial com uma perspectiva positiva e de liderança dos personagens e das pessoas negras, que foram os protagonistas da história.
“Em muitas obras, percebe-se que as pessoas negras são sempre colocadas de canto; são, no máximo, coadjuvantes. Não há um protagonismo, em especial em material didático, que coloque a identidade positiva da questão racial, da raça negra e indígena, dos povos originários do nosso país. A visão é muito colonialista mesmo”. Já o objetivo é trazer esse material em uma perspectiva decolonial para a visão do debate étnico-racial.
Leveza
Na avaliação da professora da UFF, as HQs constituem uma ferramenta essencial para que o debate sobre racismo seja mais amplificado.
“As HQs trazem uma leveza e, ao mesmo tempo, conseguem trabalhar o tema com profundidade, devido aos recursos visuais, à própria organização textual que facilitam a leitura da criança e do adolescente e, inclusive, dos adultos. Mas elas permitem também que haja um aprofundamento de algumas questões, que se levantem questões paralelas àquela história principal. Com certeza, elas são uma ferramenta importantíssima e muito valiosa”.
Walcéa defendeu que haja um trabalho de conscientização e acesso a esse material, porque pode ser usado em qualquer disciplina para debater, esclarecer e valorizar a questão étnico-racial dentro e fora da escola desde os anos iniciais. Ela reforçou ainda a necessidade de se avançar e usar as HQs no planejamento das escolas, bem como na prática pedagógica.
O prazo para se inscrever no novo edital do Mais Médicos Especialistas termina neste domingo (22). O projeto vai contratar 1.206 profissionais em 16 especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O programa do governo federal pretende contratar especialistas em:
anestesiologia;
cirurgia geral;
cirurgia do aparelho digestivo;
cirurgia oncológica;
coloproctologia;
ginecologia e obstetrícia;
cardiologia;
endoscopia digestiva;
gastroenterologia;
oncologia clínica;
radioterapia;
radiologia;
mastologia;
otorrinolaringologia;
e patologia.
Médicos interessados em participar do projeto devem acessar a plataforma UNA-SUS e escolher pelo menos um município e um estabelecimento de saúde. É possível indicar até dois locais de atuação, inclusive em estados diferentes, respeitando a ordem de preferência.
O valor fixo da bolsa é de R$ 10 mil, podendo incluir uma parte variável entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, de acordo com o grau de vulnerabilidade do município de atuação.
Além da bolsa mensal, os médicos receberão ajuda de custo destinada a despesas com imersões presenciais nas instituições formadoras.
“O repasse está condicionado à participação efetiva nas atividades previstas no edital, com carga horária semanal de 20 horas – das quais 16 serão dedicadas a atividades assistenciais –, e não estabelece vínculo empregatício”, informou o Ministério da Saúde em nota.