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O ventilador roubou minhas ideias

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O ventilador roubou minhas ideias

Sofro de insônia!

Declaração nada promissora pra começar uma crônica, não é mesmo!? E, diga-se de passagem, ela, minha insônia, também é crônica. Nada mais cotidiano na minha vida que umas crisezinhas regulares. Apesar das gotinhas ou dos comprimidinhos. (Uso diminutivos para dar uma amenizada nessa história.)

Mas a verdade é essa. E digo “sofro” porque é um martírio viver assim. Quando não é a demora ou a dificuldade para adormecer, são os despertares noturnos – o que é pior, acordo várias vezes durante a noite e sinto uma dificuldade enorme em voltar a dormir. Mesmo com os remedinhos que tomo. É desgastante, acredite! Algumas vezes, raras vezes, ela se manifesta em despertares precoces, mas quando os tenho não consigo retomar o sono e já inicio o dia estressada. É “U OH!”

Às vezes, porque o sono não é reparador, estou, no outro dia, só o pó da rabiola, com fadiga, cansaço, sonolência excessiva e alterações de humor: fico irritada, ansiosa…

É quando essa maldita insônia se acentua que minhas crises de depressão eclodem, acompanhadas de um mau humor horroroso que toma conta de mim… sem falar nos meus famosos lapsos de memória e minha vontade de me esconder do mundo.

Uma coisa positiva nessa história (se é que posso chamar de positiva)  é que, como sei que estou vencida, me agarro ao papel e à caneta (coisas que estão sempre à mão), ou ao celular e escrevo, ou gravo áudio para meu grupo de WhatsApp formado só por mim mesma. Escrevo minhas inquietações, o sonho que me despertou, uma ideia que me surge na hora, as angústias de não conseguir dormir, meus medos, meus desejos, meus sonhos mais abissais…

Despejar isso em uma folha ou em um arquivo de áudio ou de texto no celular me aquieta, na maioria das vezes. No outro dia, ou dias depois, confiro o que escrevi ou o que gravei, porque na hora, o importante é “vomitar”, me aquietar e tentar voltar a dormir. É como se as ideias me perturbassem tanto que se não as puser para fora, elas não me deixarão dormir nunca mais.

Mas sabe o que mais engraçado, é quando tento ler o que escrevi (o que faço geralmente no escuro) e não entendo minha letra, seja porque escrevi rápido demais, seja porque escrevi atropelando uma frase em cima da outra. Um caos!

Quando gravo, consigo salvar mais coisas, desde que me lembre de posicionar o celular protegido do ventilador. (É! Durmo com ventilador porque adoro o barulhinho… é um verdadeiro acalanto, uma canção de ninar… um dos métodos que fazem meu cérebro relaxar e querer dormir.)

Mas, na maioria das vezes, só lembro desse detalhe depois que metade do que eu “vomitei” está gravado e abafado pelo som do ventilador (HAHAHAHAHAHA!!!). É, o ventilador ouviu e tomou só pra si minhas ideias, ou boa parte delas. É, o ventilador roubou minhas ideias assim, na cara dura e eu me sinto uma idiota porque já caí nesse golpe centenas de vezes.

Ele rouba e não me revela mais nada do que se apropriou. Algumas vezes, recupero as ideias furtadas por ele, pela parte que consegui salvar de seu sopro ladrão. Outras, não consigo fazer as conexões necessárias para tanto e lá se foram elas… carregadas de mim para nunca mais.

Não sei se um dia essas ideais voltam e sou eu que não lembro que já pensei nelas. Um mistério! Desses que nem um sopro acalentador (mas também ladrão de ideias alheias), que me provoca sensação de paz e vontade de dormir e sonhar, como uma verdadeira canção de ninar, é capaz de revelar.

Talvez ele tome essas ideias para si porque elas não devem valer um vintém. Talvez tomar consciência delas seja motivo de me deixar mais uma noite acordada, insone, pensando e desejando que meu cérebro se esvazie, para dar lugar a um sonho bom, a um soninho gostoso que seja capaz de me transportar, acalentada e ninada, para o abraço dos braços de Morfeu.

Fonte: saibamais.jor.br

O bicho feroz saiu da cadeia e está como queria

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O bicho feroz saiu da cadeia e está como queria

A capacidade de reação do paciente Jair Messias Bolsonaro desafia a medicina. E eis que de doença em doença, ele conseguiu deixar a prisão onde deveria cumprir 27 anos de pena por tudo de errado que fez.

E muitos pesquisadores estão impressionados com a evolução clínica dele e sua capacidade de melhorar, estando à beira de morte há poucos dias, seja com um soluço contínuo ou interno na UTI de um hospital particular de Brasília em estado desesperador.

Curiosamente, o roteiro tem sido o mesmo: sempre que uma decisão o aproximava da cadeia, Bolsonaro tem uma recaída e corre para o hospital. Foi assim em cada decisão desfavorável da Justiça. Felizmente, ele ficava curado quando escapava da prisão.

Foi assim quando ele estava preso numa sala da sede da Polícia Federal em Brasília. Diferente de Lula, que passou 580 preso numa cela na sede da PF da gélida Curitiba, Bolsonaro endoideceu e quase fura a parede com uma cabeçada, só para ser transferido.

Sua estratégia funcionou. Primeiro ele conseguiu sair da PF para uma cela na Papudinha, cadeia destinada aos estrelados da Polícia Militar do DF, com direito a uma casa, com sala, quarto, cozinha, área de lazer, banhos de sol, visitas íntimas, amigos para conversar e até revistinhas de palavras cruzadas para passar o tempo.

Foi assim nesta semana também, quando ele adoeceu gravemente a ponto de se internar mais uma vez na UTI de um hospital particular de Brasília, mas logo ficou curado logo quando o ministro Alexandre de Moraes mandou ele para casa.

Parte da decisão do ministro, porém, chama atenção pela ampla possibilidade de não ser cumprida. Bolsonaro está proibido de usar telefone celular, acessar a internet ou receber visitas que não sejam de pessoas da família ou de profissionais que cuidem de sua saúde.

Quem garante que ele vai cumprir?… eu não ponho minha mão no fogo. E você?…

Só para lembrar, foi em casa que Bolsonaro diz ter sofrido um surto que lhe fez queimar a tornozeleira com um ferro de solda, logo após ter sido abandonado pela mulher e pelos filhos, que estavam viajando para fazer política.

Dessa vez, a transferência para casa determinada por Moraes atende à mesma justificativa de que o “imbrochável” não pode ficar longe da família, senão adoece. Perigo é essa decisão do ministro abrir uma jurisprudência e milhares de presos aleguem o mesmo motivo para ter direito a prisão domiciliar.

Por fim, para quem passou a vida posando de macho alfa, apregoando virilidade e destemor, Bolsonaro revelou-se um Bicho Feroz, na melhor tradução de um samba antigo do malandro Bezerra da Silva, que “acha bonito ser bicho solto, mas não tem disposição” e “com o revólver na mão é um bicho feroz, sem ele anda rebolando até muda de voz… isso aqui cá pra nós”.

Fonte: saibamais.jor.br

Sarau em Natal reúne poesia no enfrentamento à violência contra mulheres

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Sarau em Natal reúne poesia no enfrentamento à violência contra mulheres

Natal recebe neste sábado (28) mais uma ação que une arte, política e mobilização social no enfrentamento à violência de gênero. A partir das 15h30, o espaço cultural Casa da Anna, em Ponta Negra, será palco do sarau “Novos Caminhos, Solos Distantes”, atividade que integra a programação do Festival Grito de Mujer, movimento internacional que articula arte e ativismo em defesa das mulheres.

Com o mote “Nossa poesia também é rede de resistência”, o encontro propõe um espaço de escuta e partilha, reunindo histórias atravessadas por coragem, migração e enfrentamento à violência, transformadas em expressão poética. A proposta é fortalecer vínculos coletivos e dar visibilidade a narrativas muitas vezes silenciadas, utilizando a literatura como instrumento de denúncia e reconstrução.

A iniciativa dialoga com o eixo temático do festival e se conecta à produção cultural potiguar, incorporando artistas locais e ampliando o debate sobre violência de gênero no campo das artes. O sarau também reforça o papel da poesia como ferramenta política e de elaboração simbólica das experiências vividas por mulheres.

A atividade conta com apoio do coletivo Mulherio Nísia e da Casa da Anna, e será conduzida por agentes da cena literária de Natal. Participam da construção do evento as artistas e produtoras culturais Patrícia Almeida, Rejane Souza e Marieta Maia, que atuam em projetos independentes voltados à promoção da arte e da cultura na capital potiguar.

Movimento internacional

Criado na República Dominicana, o Festival Grito de Mujer consolidou-se ao longo dos anos como uma rede global de mobilização sociocultural. Presente em diversos países, o festival reúne artistas, coletivos e instituições em ações que articulam arte e conscientização social.

Em Natal, a programação deste ano teve início no último dia 11 de março, com uma atividade realizada na sede da OAB que reuniu especialistas e público em torno do debate sobre a violência contra mulheres.

Realizado anualmente em março, o Grito de Mujer integra a campanha #GeraçãoIgualdade, da ONU Mulheres, e é coordenado no Brasil por Sóira Celestino. Em sua 16ª edição, em 2026, o festival adota o lema “Sem Fronteiras”, reforçando o caráter internacional da iniciativa e a construção de uma rede de resistência que ultrapassa territórios.

Fonte: saibamais.jor.br

“política pública sem escuta é apenas monólogo”

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A ciranda do bem viver:

A ciranda é uma expressão da igualdade. São corpos que dançam em compasso comum, de mãos dadas, em movimento circular, numa fluidez que aproxima, convoca e integra. Das memórias de menina, no Recife dos anos 1980, ela compõe memória como expressão encarnada de uma vitalidade ancestral que reencontro na cantora Lia de Itamaracá, nome artístico de Maria Madalena Correia do Nascimento, nascida em 1944, filha de uma numerosa família de 21 irmãos.

Lia se formou em meio a reisados, pastoris e outros folguedos populares. Foi nessa ambiência que experimentou o canto ainda na infância. Iniciou sua discografia em 1977, com o álbum A Rainha da Ciranda, em mais um exemplo do hábito brasileiro de associar grandes talentos à monarquia: rei do baião, rei do futebol, rainha dos baixinhos, rei Momo. Lia, Pernambuco e o Rio Grande do Norte também se entrelaçam por meio do filme Bacurau, de 2019, no qual interpretou a já falecida Dona Carmelita, cuja cerimônia de despedida enternece a narrativa.

Embalada por essa metáfora, a ciranda do bem-viver ganhou forma, entre os dias 18 e 20 de março, em Brasília, na etapa nacional do Plano Decenal Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, com mais de trezentas pessoas. Trata-se de uma iniciativa que projeta um modelo de sociedade. Sua construção é conduzida pela Diretoria de Proteção de Crianças e Adolescentes da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), instituição executora reconhecida nacionalmente pela atuação da Escola de Conselhos, existente há 18 anos.

O Plano vem sendo lastreado por um diagnóstico organizado pelo docente Assis Oliveira, do Departamento de Direito da Universidade de Brasília. A minuta apresenta indicadores definidos, quadro operativo consistente e sistema de gestão programática bem estruturado, de lavra do sistematizador Anderson Silva. Soma-se a isso a atuação de um grupo de trabalho no âmbito do Conselho Nacional, sob a coordenação de Jefferson Acácio, do Ministério da Igualdade Racial, que aporta contribuições relevantes à elaboração de um documento orientador para a próxima década e conta com a representação de dois adolescentes.

Organizado em quadros operativos, o Plano valoriza a leitura dos indicadores do diagnóstico e dos principais fenômenos que afetam infâncias e adolescências na contemporaneidade, com vistas ao enfrentamento de graves violações de direitos humanos. Um de seus pontos altos reside no caráter participativo, na escuta dos territórios e no incentivo à cultura de participação de crianças e adolescentes. Trata-se, portanto, de um instrumento que subverte a tradição adultocêntrica na formulação de políticas públicas.

Por essa razão, foi desenvolvido, com os próprios adolescentes, um jogo voltado ao enfrentamento do “dragão menorista”, constituindo-se em inovação social com potencial de replicação na gestão pública brasileira e internacional. Crianças e adolescentes de todos os estados contribuíram com mais de cinco mil sugestões. Os 26 estados e o Distrito Federal realizaram diálogos presenciaos, distribuídas em 53 grupos urbanos, 9 quilombolas, 4 indígenas, 1 migrante e 1 ribeirinho.

A simbologia do “dragão menorista” funciona como alegoria potente diante das ameaças às garantias de direitos na história recente do país, com implicações na cobertura de alguns veículos de comunicação que ainda insistem na terminologia “menor”, mesmo após 35 anos da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, na formulação de projetos parlamentares e no recrudescimento do poder punitivo do Estado.

Outro aspecto relevante é o reconhecimento dos marcadores sociais da diferença. A revisão do documento explicita, de maneira nítida, as afetações produzidas pelas interseccionalidades sobre as infâncias e adolescências brasileiras.

Entre os fenômenos contemporâneos problematizados estão os desafios da cobertura vacinal, a saúde mental, os episódios de suicídio e automutilação, a proteção no ambiente digital, as piores formas de trabalho infantil e as violências sexuais. A justiça climática, diante da frequência e da intensidade dos riscos e desastres que atingem o país, também se afirma como prioridade incontornável do presente.

A base conceitual sobre a qual repousa o Plano Decenal 2026–2036 é o bem-viver, compreendido a partir do legado das cosmovisões indígenas latino-americanas, que afirmam modos de existência fundados na reciprocidade, na solidariedade, na participação coletiva e no respeito integral à natureza. Trata-se de um paradigma que questiona padrões de vida orientados pela exploração, pelo consumo excessivo e pela centralidade do lucro, propondo, em seu lugar, relações comunitárias guiadas pela responsabilidade com o outro, com a terra e com as futuras gerações. Essa perspectiva favorece ambientes de cuidado, pertencimento, convivência e imaginação criadora, elementos indispensáveis ao desenvolvimento saudável e à construção de sociedades mais justas, sustentáveis e humanizadas.

Nessa perspectiva, o conceito do Plano inspira-se na ciranda do bem-viver para a próxima década. Sua estrutura organiza-se em cinco eixos: promoção; defesa; controle da efetivação dos direitos; garantia da intersetorialidade e da transetorialidade; e participação de crianças e adolescentes.

A convite de Fábio Meirelles, da professora Pilar Lacerda e da advogada Mayara Souza, e sob o acompanhamento administrativo da Coordenação-Geral de Fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, que há três anos atua em favor desse projeto, tenho contribuído, na condição de pesquisadora, com a revisão desse importante instrumento, ao lado de Iara Flor.

Soma-se a esse esforço a equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco, sob a liderança do professor Humberto Miranda, cuja trajetória revela uma singular capacidade de fazer política com afeto. Trata-se de um encontro intergeracional fecundo entre a experiência acumulada ao longo de 18 anos da Escola de Conselhos, a potência renovadora de jovens pesquisadores(as), formados(as) já sob a égide da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente, e a presença de profissionais experientes da sociedade civil pernambucana, a exemplo de Irismar Santana e José Ricardo. Também merece destaque o pertencimento de crianças e adolescentes às práticas educativas conduzidas pelo historiador Mário Emmanuel, que construiu com eles e elas uma cápsula do tempo a ser aberta em 2036. Nesse contexto, acompanhar a revisão do Plano Decenal constitui, para mim, uma honrosa oportunidade de servir à humanidade.

A etapa nacional também foi marcada pela presença das artes. A cantora Iris Colonna interpretou o Hino Nacional, “Anunciação”, de Alceu Valença, e “Minha Ciranda”, de Lia de Itamaracá. Brasília foi pernambucalizada, ainda, pelos ares da estima social mobilizados por O Agente Secreto, expoente do cinema brasileiro sob a competente direção de Kleber Mendonça, com roteiro original e elenco potente, incluindo a presença de três potiguares. O público cirandou na Esplanada dos Ministérios ao som da execução sensível de Iris Colonna, servidora pública, professora da educação básica e musicoterapeuta.

Outro destaque artístico foi a participação de Thiago Chagas, interpretando Dona Fernandona, com um texto crítico e sensível em defesa da construção de políticas públicas que escutem a diversidade dos territórios e valorizem os aportes de crianças e adolescentes em suas pluralidades de existências. Afirmou Dona Fernandona, na solenidade de abertura: “Neste seminário, eu vejo algo que me tira o fôlego. Durante séculos, disseram que as vozes das crianças e adolescentes eram pequenas demais. Que elas não sabiam pensar. Que precisavam de adultos para explicar o mundo. Adultos… ordinários. Enquanto nós estávamos ocupados explicando por que o mundo está em ruínas, as crianças e adolescentes já estavam imaginando como reconstruí-lo. Compreende? Política pública sem escuta é apenas um monólogo mofado.”

Além disso, o ator Thiago Chagas conduziu uma oficina de teatro com adolescentes de todo o país, ampliando formas de expressão e comunicação. Amparados nas técnicas do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, eles e elas expressaram afetações do cotidiano, conflitos, tensões e violências que atravessam suas vidas. A equipe da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, responsável por extraordinário trabalho de fomento à cultura da participação de crianças e adolescentes, levou seis adolescentes com formação sólida para incidirem na etapa nacional do Plano Decenal.

Esse projeto expressa o Brasil múltiplo e diverso que se encarna em políticas públicas. As adolescências brasileiras apresentaram contribuições muito qualificadas sobre suas experiências, seus desafios e seus horizontes de utopia para a sociedade, deixando um legado as percepções dos adultos: gestores públicos, magistrados(as), representantes do Ministério Público, defensorias públicas, conselheiros(as) tutelares, profissionais da saúde, da educação, da assistência social, da defesa civil, povos indígenas, mulheres e sociedade civil organizada.

Convém ressaltar que a condução metodológica da etapa nacional ficou a cargo de dois experientes pedagogos jurídicos, Fernando Alves e Glauber Marinho, que assessoraram, com competência, uma vasta equipe de facilitadores(as), sistematizadores(as) e especialistas. Foi uma experiência marcada pela excelência técnica, estética e ética e adoção de métodos ativos para dinamizar os debates em grupo. A vida com sentido se confirma na possibilidade de tecer elos profissionais, redes solidárias e afetos com pessoas que se empenham na melhora do mundo.

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Fonte: saibamais.jor.br

Nova tarifa de ônibus começa a valer neste domingo (29) em Natal; reajuste é de 6,21%

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Nova tarifa de ônibus começa a valer neste domingo (29) em Natal; reajuste é de 6,21%

O prefeito Paulinho Freire (União) oficializou o reajuste da tarifa de ônibus na capital, que passa de R$ 4,90 para R$ 5,20 – o equivalente a 6,21%. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Município desta sexta-feira (27). O aumento no valor já passa a valer a partir do domingo (29).

O reajuste foi aprovado pelo Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana (CMTMU), em reunião convocada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), realizada na quinta-feira (26). Foram 23 votos a favor e 4 contrários.

De acordo com a Prefeitura de Natal, o aumento da tarifa “levou em consideração critérios técnicos e considerou a necessidade de manutenção do funcionamento do sistema, diante do aumento acumulado dos custos operacionais nos últimos 15 meses”.

Este também é o primeiro aumento da tarifa de ônibus na gestão do prefeito Paulinho Freire. O último reajuste havia sido dado no final de dezembro de 2024 pelo ex-prefeito Álvaro Dias (PL). Na ocasião, a passagem passou de R$ 4,50 para os R$ 4,90.

Para reduzir o impacto do aumento da tarifa, o anúncio do reajuste veio acompanhado da notícia sobre um pacote de gratuidades nos ônibus da capital, que segundo a administração municipal “visa ampliar a proteção social e garantir o acesso ao transporte para a população”.

Saiba Mais: Prefeitura de Natal anuncia que passagem de ônibus passará de R$ 4,90 para R$ 5,20

Entre as medidas a serem implantadas estão a gratuidade para estudantes da rede pública estadual, a tarifa zero aos domingos e a gratuidade em um sábado por mês, com foco nos centros comerciais do Alecrim e da Cidade Alta. 

A iniciativa, segundo o Executivo, busca estimular o uso do sistema, fortalecer a economia local e promover a inclusão social. Em coletiva de imprensa nesta sexta, realizada na sede da Prefeitura, Paulinho informou que vai encaminhar um projeto de lei à Câmara Municipal para regulamentar os benefícios tarifários, ainda sem data.

Edital de licitação do transporte em até 20 dias

Na mesma coletiva, Paulinho Freire comunicou que o edital de licitação do sistema de transporte público da capital deverá ser publicado em até 20 dias.

“A licitação foi construída junto com o TCE. Então, quando foi mandada para a Procuradoria, tiveram alguns pontos que tiveram que ser reajustados. Mas está na última fase agora, na Procuradoria, esperando o retorno, porque voltou para o TCE para que pudesse voltar para a Procuradoria. Mas eu acho que no máximo 15, 20 dias, dessa vez é para valer mesmo, nós vamos estar publicando o edital da licitação”, informou.

Uma década de espera

A publicação da licitação vem sofrendo atrasos constantes. Mais recentemente, a Prefeitura já deu prazo para janeiro, depois passou para o primeiro trimestre do ano, ou seja, até o fim de março. Como a nova expectativa é de até 20 dias, o documento só deverá sair em abril.

O processo licitatório do transporte de Natal foi anunciado pela primeira vez em 2016, na gestão Carlos Eduardo (PSD), atravessou o governo Álvaro Dias, chegou à Paulinho Freire e ainda não saiu do papel.

Em duas tentativas realizadas em 2017, nenhuma empresa apresentou proposta. Desde então, a Prefeitura tem adiado o lançamento definitivo do edital, alegando necessidade de ajustes técnicos e impacto nos custos operacionais. 

Saiba Mais: Prefeitura adia mais uma vez lançamento do edital de licitação do transporte

Em 2022, a gestão municipal voltou a adiar a publicação do edital e contratou, sem licitação, a ANTP para elaborar os estudos técnicos e acompanhar o processo. Foram dois contratos, somando quase R$ 2 milhões em recursos públicos. O primeiro, assinado em agosto de 2022, previa melhorias emergenciais e modicidade tarifária. O segundo, firmado em novembro de 2023, estendeu a consultoria por mais 12 meses, incluindo a elaboração do edital definitivo.

Em julho de 2024 a STTU abriu consulta pública e recebeu quase 700 sugestões da população, além de críticas de permissionárias como a Transcoop Natal, que apontou a exclusão dos alternativos da proposta.

O edital elaborado pela ANTP foi criticado duramente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) em relatório divulgado em março do ano passado, que apontou falhas na modelagem do contrato, ausência de estimativas de receitas financeiras e inconsistências na previsão de demanda.

Fonte: saibamais.jor.br

Confira a agenda de espetáculos e atividades da Semana Mundial do Teatro

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Confira a agenda de espetáculos e atividades da Semana Mundial do Teatro

A Semana Mundial do Teatro tem uma programação que ocupa palcos, equipamentos culturais e cidades do interior entre os dias 27 e 29 de março. A agenda reúne espetáculos, rodas de conversa, exibições audiovisuais e ações formativas, reforçando a força da cena teatral potiguar e sua conexão com memória, formação e políticas culturais.

As atividades se espalham por diferentes territórios, como Ribeira, Alecrim, Zona Leste de Natal e municípios como Currais Novos e Janduís, articulando grupos independentes, instituições culturais e iniciativas públicas em uma programação gratuita e diversa.

Confira os destaques da Semana Mundial do Teatro no RN:

27 de março (sexta-feira)
NATAL | TEATRO ALBERTO MARANHÃO

🎭 CÍRCULO DE CULTURA – “POLÍTICAS, MEMÓRIA E FUTURO DO CIRCO DO RN”
Abrindo a programação, o encontro propõe um espaço de diálogo entre artistas, gestores e representantes do setor circense. A atividade discute trajetórias, desafios e perspectivas do circo no estado, reforçando a importância da escuta coletiva na construção de políticas públicas culturais.
HORÁRIO | 15h
LOCAL | Teatro Alberto Maranhão

NATAL | TEATRO SESC SANDOVAL WANDERLEY

🎭 ESPETÁCULO “CANDEIA” + EXIBIÇÃO “TITINA: ALMA LIVRE”
Integrando o projeto “Março em Cena”, a noite presta homenagem à atriz potiguar Titina Medeiros. A programação começa com o espetáculo “Candeia”, do Grupo Estação de Teatro, obra indicada ao Prêmio Shell 2023 que mergulha em memórias afetivas e saberes ancestrais a partir do cotidiano de quatro mulheres. Em seguida, o público confere o documentário “Titina: Alma Livre”, que revisita a trajetória da artista no teatro, cinema e televisão.
HORÁRIO | noite (ingressos disponibilizados no dia anterior)
LOCAL | Teatro Sesc Sandoval Wanderley
ENTRADA | gratuita, mediante doação de 1 kg de alimento

🎭 RODA DE CONVERSA – CENOPOESIA COM RAY LIMA
A cidade de Janduís recebe uma programação que une teatro, poesia e performance. Conduzida por Ray Lima, a atividade apresenta a cenopoesia, linguagem híbrida que articula diferentes expressões artísticas. A programação inclui intervenções poéticas, releitura do espetáculo “A Loja de Chapéus” pelo grupo Ciranduís e apresentações de palhaçaria.
HORÁRIO | 18h30
LOCAL | Escola Municipal Professor Aluízio Gurgel

28 de março (sábado)

🎭 ESPETÁCULO “CANDEIA” – GRUPO ESTAÇÃO DE TEATRO
Dando continuidade à circulação, o espetáculo “Candeia” convida o público a uma experiência sensorial marcada por memórias, afetos e ancestralidade. A encenação se passa no quintal de quatro mulheres — benzedeiras, bordadeiras, doceiras e artistas — criando uma atmosfera de intimidade e reconhecimento.
HORÁRIO | 17h
LOCAL | Tecesol

ACARI | PALÁCIO TITINA MEDEIROS

🎭 ESPETÁCULO “CANDEIA”
A montagem também integra a programação de inauguração simbólica do Palácio Titina Medeiros, espaço que passa a abrigar o memorial dedicado à atriz, preservando acervo, figurinos e sua trajetória artística.
HORÁRIO | 17h

29 de março (domingo)
ACARI | PALÁCIO TITINA MEDEIROS

🎭 ESPETÁCULO “CANDEIA” (DUAS SESSÕES)
Encerrando a circulação, o espetáculo retorna ao Palácio Titina Medeiros com duas sessões, ampliando o acesso do público à obra e reforçando o caráter de homenagem à artista potiguar, uma das principais referências da cena local.
HORÁRIOS | 17h e 20h30

CURRAIS NOVOS | TEATRO MUNICIPAL UBIRAJARA GALVÃO

🎭 CÍRCULO DE CULTURA – FAZER TEATRAL DA JUVENTUDE
A programação no interior também contempla a formação de novos artistas. Em Currais Novos, o encontro discute práticas teatrais voltadas à juventude, com roda de conversa à tarde e apresentação musical à noite com o grupo Forró Flor de Caroá.
HORÁRIOS | 14h (roda de conversa) | 20h (show)
LOCAL | Teatro Municipal Ubirajara Galvão

Com ações que vão do debate à cena, a Semana Mundial do Teatro evidencia a vitalidade da produção local e reafirma o teatro como linguagem essencial na cultura potiguar.

SAIBA MAIS:
Festival Munganga ocupa o Teatro Alberto Maranhão no Dia do Circo
Tributo a Titina Medeiros reúne espetáculo e filme no teatro Sandoval Wanderley

Fonte: saibamais.jor.br

Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS

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Rogério Marinho é voto vencido em derrota na CPMI do INSS
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS rejeitou na madrugada deste sábado (28) o parecer proposto pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), por 19 votos a 12, em vitória da base do governo. Um dos votos contrários foi o do senador potiguar Rogério Marinho (PL), que viu sua posição ser derrotada. 

A rejeição do relatório contou com votos de parlamentares da base governista, especialmente do PT. Já os favoráveis ao texto vieram principalmente do PL. 

A participação de Rogério Marinho na comissão chegou a ser questionada pela base do governo, no início dos trabalhos, em 2025, em razão da ligação do senador do Rio Grande do Norte com a gestão Bolsonaro. Marinho foi secretário especial de Previdência e Trabalho, num flagrante conflito de interesses, na avaliação de deputados governistas. A exclusão dele foi rejeitada pelo presidente da CPMI.

O relatório de Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. Um desses nomes foi o do potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). Lincoln chegou a ser preso em 3 de novembro acusado de cometer falso testemunho ao final do seu depoimento na Comissão, mas foi solto após pagar fiança. 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar concluiu haver núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação de bilhões de reais por meio de descontos não autorizados de aposentadorias e pensões. 

Um dos nomes mais polêmicos na lista de indiciamento — rejeitada — foi o de Fábio Luiz Lula da Silva, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, principal responsável pelas irregularidades apuradas.

Os pedidos de indiciamento também incluíram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; além do senador Weverton Rocha, (PDT-MA), e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

Bolsonaro na mira

Já o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou relatório paralelo com pedido de 201 indiciamentos, sendo 130 de forma imediata e outras 71 para aprofundamento das investigações, incluindo o ex-presidente da República. Segundo o PT, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), uma estrutura criminosa foi montada dentro do Estado para desviar recursos de idosos e pensionistas.

De acordo com o documento, Bolsonaro seria o “cérebro” do esquema que levou ao desvio de verba de aposentados e pensionistas, com descontos automáticos nos benefícios, para financiar campanhas do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni (Progressistas) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) explicou que Bolsonaro não apenas foi omisso, mas também agiu deliberadamente para facilitar o roubo através de decretos e medidas provisórias que assinou. 

Parlamentares petistas se manifestam – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

“É por isso que nós estamos propondo o indiciamento do senhor Jair Messias Bolsonaro. Vamos propor por improbidade administrativa e também por furto qualificado de idosos.  Jair Messias Bolsonaro é o chefe do esquema criminoso que roubou bilhões de reais dos aposentados e aposentadas“, afirmou, durante entrevista coletiva a jornalistas.

Pimenta argumentou que não seria possível um esquema de tamanha complexidade e alcance funcionar sem que o governo Bolsonaro tivesse conhecimento, sobretudo porque servidores que atuaram nas fraudes foram estrategicamente colocados em postos de comando.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-CE) reforçou a tese de que a cúpula do governo anterior tinha pleno conhecimento das irregularidades. Ele ressaltou que “toda a estrutura criminosa montada no âmbito do INSS teve inauguração se consolidou durante o governo Bolsonaro”, contando com o aval inclusive do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.

Fonte: saibamais.jor.br

Prefeitura e moradores vão debater concessão

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Complexo da Redinha: Prefeitura e moradores vão debater concessão

A Prefeitura de Natal fará mais um encontro com a comunidade para discutir o protocolo da concessão do Complexo Turístico da Redinha e ouvir sugestões da população sobre o uso do espaço. No ano passado, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou a realização de consulta prévia, livre e informada (CPLI) à comunidade tradicional local sobre o Complexo, após pedido do Ministério Público Federal (MPF).

A nova reunião acontecerá no dia 7 de abril, às 16h, no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS África), localizado na Rua Conselheiro Tristão, na Zona Norte da capital, e será conduzida pela Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae). 

De acordo com a Prefeitura, a iniciativa integra o conjunto de medidas voltadas à organização e ao pleno funcionamento do Complexo Turístico da Redinha, um dos principais pontos de comércio e turismo da cidade.

“Queremos ouvir os moradores, entender as demandas e construir soluções de forma transparente. Por isso, mais uma vez convidamos a comunidade a participar e contribuir deste processo, que é fundamental para o desenvolvimento da região”, disse o secretário titular da Sepae, Arthur Dutra.

Saiba Mais: TRF-5 obriga Prefeitura a ouvir Comunidade da Redinha sobre Complexo Turístico

Em 2025, a decisão do TRF5 foi a primeira no Rio Grande do Norte a reconhecer o direito de uma comunidade tradicional a decidir sobre intervenções em seu território. O MPF recorreu ao TRF5 após a Justiça Federal no Rio Grande do Norte ter negado o pedido de liminar original, feito em maio daquele ano.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), autor do pedido, ribeirinhos, pescadores artesanais, marisqueiras, barraqueiros e pequenos comerciantes da Redinha estavam excluídos das decisões relativas, mesmo sendo reconhecidos pela União como comunidade tradicional. As obras incluem o mercado público, os quiosques da praia e o espaço para embarcações.

No mês passado, durante leitura da mensagem anual à Câmara, o prefeito Paulinho Freire (União) anunciou que o Mercado continuaria aberto durante o processo de licitação, já que antes a previsão era fechar até 22 de fevereiro.

Saiba Mais: Em conquista para permissionários, Paulinho anuncia que Mercado da Redinha se mantém aberto

A Prefeitura de Natal prevê a entrega do Complexo à iniciativa privada, através de uma licitação de Parceria Público Privada (PPP). Uma primeira tentativa já foi realizada em dezembro de 2024, mas não houve interessados e deu vazia.

O Mercado voltou a funcionar em 22 de dezembro, das 7h às 19h, de domingo a domingo. Ainda foi reaberto temporariamente entre dezembro de 2024 a janeiro de 2025, e de fevereiro a março de 2025. 

O que prevê o edital da Prefeitura

Pelo projeto aprovado pelos vereadores da Câmara Municipal de Natal em agosto de 2024, o vencedor do edital terá de garantir o retorno dos antigos permissionários com contratos iniciais de quatro anos, prorrogáveis por mais quatro. A lei também estabelece um escalonamento nos valores de locação para essas pessoas, oferecendo isenção no primeiro ano e descontos progressivos nos anos subsequentes: desconto de 75% no segundo ano, de 50% no terceiro ano e, caso renovada, 25% de desconto no quarto ano, 12,5% de desconto no quinto ano e, por fim, 5% de desconto no sexto ano.

Além disso, o concessionário será responsável por fornecer todo o enxoval necessário para os permissionários, incluindo cutelaria, eletrodomésticos e mobiliário.

A empresa vencedora também terá a obrigação de manter, no mínimo, o percentual de 10% das unidades locáveis dos boxes e quiosques por comerciantes domiciliados na praia da Redinha; aplicar 10% das receitas líquidas acessórias à concessão no melhoramento do bairro através de obras e serviços previamente aprovados pela Prefeitura do Natal; e manter o percentual de 30% de todos os funcionários contratados pela concessionária, ainda que por meio de terceirização, de moradores do bairro da Redinha.

Fonte: saibamais.jor.br

Morre Luiz Alves Neto, comunista do RN e ex-companheiro de Anatália

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Morre Luiz Alves Neto, comunista do RN e ex-companheiro de Anatália
Foto: cedida

Morreu nesta quinta-feira (26) em Mossoró o líder comunista Luiz Alves Neto, aos 85 anos. “O Velho”, como também ficou conhecido, enfrentava problemas decorrentes da diabetes. Luiz Alves foi casado com Anatália de Souza Melo Alves, potiguar assassinada pela ditadura militar, também militou com a ex-companheira no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e chegou a ser preso pelo regime. 

O velório ocorreu na noite desta quinta na Central de Velórios Sempre, no Centro, e o sepultamento foi realizado na manhã desta sexta-feira (27)  no Cemitério São Sebastião, também no Centro de Mossoró.

Natural de Areia Branca, na região Oeste, o comunista foi ainda jovem estudar em Mossoró, onde cursou Ciências Sociais na Uern, e passou no primeiro concurso para o Banco do Brasil. A partir de 1968, vai ao Recife se juntar aos companheiros do PCBR, partido fundado naquele ano e extinto em 1980, que tem origens no PCB.

Junto com Anatália, seguiu para a Zona Canavieira de Pernambuco, estado que foi um dos principais centros de resistência ao regime, onde o PCBR começava a montar seu comando naquela localidade. Os dois foram presos no estado; Anatália foi morta em janeiro de 1973.  Luiz foi libertado em 1974 por força de um habeas corpus, ficou na clandestinidade e só voltou a ter uma liberdade em 1979, com a anistia.

No retorno a Mossoró, se tornou uma espécie de guia na reorganização dos movimentos de esquerda na cidade. Atuou na oposição bancária, assessorou a fundação de outros sindicatos e participou da fundação do PT no município.

Nos últimos anos, Neto vivia mais recluso e estava casado com a terceira esposa. No ano passado, o comunista ganhou a biografia “Luiz Alves – Abdicar da luta, Jamais!”, publicada pelo selo da Liga Operária de Mossoró. A obra reúne entrevistas de companheiros de luta e também memórias do revolucionário potiguar. Em nota, a Liga afirmou que Luiz Alves cumpriu sua missão.

Saiba Mais: Líder comunista do RN e ex-companheiro de Anatália, Luiz Alves ganha biografia

“A parede da memória recebe hoje (25) a força e resistência de Luiz Alves Neto, ‘O Velho’, construtor de lutas e disseminador de consciência! A Liga Operária de Mossoró se despede deste grande guerreiro”, disse a entidade. 

O PT Mossoró afirmou que a vida d’O Velho “foi dedicada à luta pela liberdade, justiça e transformação social”.

“Revolucionário incansável, Luiz enfrentou a ditadura militar ao lado da companheira Anatália de Melo Alves, que sacrificou sua vida pela liberdade do nosso povo. Sua atuação na construção do PT e na reorganização dos movimentos de esquerda em Mossoró deixa um legado de resistência e inspiração para todas as gerações que seguem lutando por um Brasil mais justo”, comunicou o partido.

Políticos reconhecem legado de Luiz Alves

Parlamentares de esquerda também lamentaram a partida. “Sua trajetória de luta, coragem e compromisso jamais será esquecida. Ficam as memórias, o exemplo e a responsabilidade de seguir seu legado”, afirmou a vereadora mossoroense Marleide Cunha (PT).

Foto: cedida

“Luiz manteve viva a luta ao contribuir com a construção do PT e com a reorganização das forças de esquerda em Mossoró. Sua trajetória é marcada por um legado profundo de resistência e compromisso com a transformação social”, disse a também vereadora Plúvia Oliveira (PT).

A deputada federal Natália Bonavides (PT) afirmou que Luiz se manteve fiel à luta por justiça social, dignidade e transformação. 

“Conhecê-lo foi uma grande honra, e sua trajetória segue viva como exemplo, como memória e como bandeira, inspirando cada passo de quem não aceita a injustiça como destino. Toda solidariedade à família, aos amigos e a todos e todas que seguem lutando”, se solidarizou a parlamentar.

O deputado federal Fernando Mineiro (PT) escreveu que Luiz “nos deixa um legado de resistência, inspiração e força para seguirmos lutando por um Brasil mais justo e igualitário para o nosso povo.”

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) também lembrou da relação d’O Velho com o PT e disse que seu último contato foi ele “foi admirando sua biblioteca revolucionária, momento de esperança e boas risadas.”

Francisco do PT afirmou que recebeu a informação da morte de Luiz Alves com tristeza. “Militante do PT, Luiz Alves era um pessoa simples, de gestos calmos, mas, sobretudo muito querido pelos companheiros e companheiras de militância”, declarou.

Fonte: saibamais.jor.br

Ato marca 1º de abril no RN e convoca agenda por memória

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Ato marca 1º de abril no RN e convoca agenda por memória

O ato político convocado para o dia 1º de abril, às 16h, no Palácio dos Esportes, em Natal, marca os 62 anos do golpe civil-empresarial-militar de 1964 e deve reunir movimentos sociais, entidades, estudantes e trabalhadores em defesa da democracia, da memória, da verdade e da justiça.

Mais do que uma data simbólica, a mobilização assume um caráter de alerta. Para os organizadores, o 1º de abril não é apenas memória, é também um chamado diante das ameaças autoritárias que seguem presentes no Brasil e no mundo.

O ato integra uma programação que se estende ao longo dos dias que o antecedem, reunindo atividades de formação, debate e mobilização política na capital potiguar.

A agenda começa no dia 28 de março, com caminhada histórica e aula pública às 8h, no colégio Atheneu. No dia 30, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe o debate “UFRN na luta: por memória, verdade e justiça”, às 18h, no auditório D do CCHLA.

No dia 31 de março, às 9h, também na UFRN, será realizada uma ação de extensão com a exibição do documentário “Não foi acidente, mataram meu pai”, seguida de debate com a jornalista Jana Sá. O filme investiga as circunstâncias da morte de Glênio Sá, ex-preso político da ditadura, dirigente do PCdoB no RN e participante da Guerrilha do Araguaia, e questiona a versão oficial de acidente, apontando para continuidade da perseguição política mesmo após a redemocratização.

Encerrando a programação do dia 1º de abril, às 19h, o Cine Clube Casa Vermelha promove uma sessão especial com os documentários “Codinome Breno” e “Não foi acidente, mataram meu pai”. A atividade propõe refletir sobre as marcas da ditadura civil-militar (1964-1985) e suas permanências no presente.

Em “Codinome Breno”, o diretor Manoel Batista reconstrói memórias familiares atravessadas pela repressão, revelando como a violência do Estado atingiu também o cotidiano das famílias brasileiras. Já o documentário sobre Glênio Sá reúne documentos e depoimentos que colocam em xeque a versão oficial sobre sua morte, ocorrida em 1990.

Na defesa da democracia e dos direitos humanos, a mobilização levanta pautas históricas da justiça de transição no Brasil, como a necessidade de reinterpretação da Lei de Anistia de 1979.

A realização dos atos no Rio Grande do Norte se insere em uma mobilização nacional que busca enfrentar o legado de autoritarismo, censura, perseguição política, prisão, tortura, morte e desaparecimento forçado, elementos centrais da ditadura brasileira.

Com o avanço da extrema-direita nos últimos anos, a democracia brasileira voltou a ser colocada em risco. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 são apontados como expressão concreta dessa ameaça. Assim como em 1964, uma tentativa de ruptura institucional buscou minar o Estado de Direito e a soberania popular.

Esse cenário, avaliam os organizadores, não se limita ao Brasil. Em diferentes países, inclusive na América Latina, há uma intensificação de ofensivas contra direitos, instituições democráticas e a soberania dos povos.

No Rio Grande do Norte, os efeitos da ditadura foram profundos. Entre os mortos e desaparecidos políticos ligados ao estado estão Hiran de Lima Pereira, Zoé Lucas de Brito Filho, Djalma Maranhão, Emmanuel Bezerra dos Santos, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Lígia Maria Salgado Nóbrega, José Silton Pinheiro, Anatália de Souza Melo Alves, Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa, Edson Neves Quaresma, Luiz Gonzaga dos Santos, Sebastião Gomes dos Santos, Virgílio Gomes da Silva e Glênio Sá, além de um número significativo de pessoas perseguidas.

Para os movimentos, esses nomes representam não apenas vítimas da repressão, mas projetos de transformação social interrompidos pela violência de Estado.

A convocatória dialoga com a carta à sociedade potiguar construída coletivamente, que afirma: “Lembrar é um ato de justiça. Esquecer é permitir que se repita”.

📌 Serviço

📍 28/03 – Caminhada histórica e aula pública
🕗 8h – Colégio Atheneu

📍 30/03 – Debate “UFRN na luta: por memória, verdade e justiça”
🕕 18h – Auditório D do CCHLA/UFRN

📍 31/03 – Exibição + debate “Não foi acidente, mataram meu pai”
🕘 9h – Auditório B do CCHLA/UFRN

📍 01/04 – Ato político “Ditadura nunca mais”
🕓 16h – Palácio dos Esportes

📍 01/04 – Cine Clube Casa Vermelha
🕖 19h – Exibição de “Codinome Breno” e “Não foi acidente, mataram meu pai”

Fonte: saibamais.jor.br